Danger Line

31 Despedida.


DESPEDIDA

Brian’s POV.


- Deixa a porta do meu quaro trancada. – disse seriamente.

- E quem disse que eu entro no seu quarto? – McKenna revirava os olhos. – O que tinha dentro daquele saco preto que eu não posso saber?

- É... – pensei por alguns segundos. — Roupa suja. – dei de ombros, disparando logo em seguida.

- Roupa suja? – ela disparava uma risada debochada. – Acorda, mané! Acha que eu vou acreditar nisso?

- O que você quer que eu diga?

- Quero apenas alguns lucros... – ela erguia uma das sobrancelhas, sendo completamente esnobe e irritante, assim como eu costumava a fazer. Tinha que ser minha irmã mesmo, para lembrar todas as coisas odiosas que eu faço contra os outros, principalmente essa erguidinha na sobrancelha que me deixava nos nervos!

- Pirralha chantagista. – murmurei estridentes, revirando os olhos. – Serve cinquenta dólares?

- Cinquenta?! O que você acha que eu vou fazer com cinquenta dólares?

- Caralho, Mc... Você anda muito exigente! – bufei alto. – Certo, eu te dou uma guitarra nova, desde que você não abra o meu quarto e nem deixe ninguém abrir... Combinado?

Ela abria um sorriso meigo, assentindo.

- Agora eu preciso ir... Despedida de solteiro do Matt.

- Terão mulheres peladas? – ela me perguntava descaradamente.

- Mc, isso é coisa que se pergunte? – perguntei boquiaberto.

- Ah, cala a boca... Vocês são homens... – ela revirava os olhos, sem fazer muito sermão. – Vê se não vai sair por aí pegando geral... Ainda bem que você terminou com aquela bruaca.

- Nem me diga, pirralha... – afaguei seus cabelos, abaixando para lhe dar um beijo na bochecha. – Se comporte.

- Por uma guitarra nova eu viro uma santa. – ela sorria.

Bom, depois de ter comprado minha própria irmã, acredito que não teria problemas. Ela era esperta e com certeza faria o que eu pedi, depois eu inventava algum desculpa sobre o que estava dentro do saco preto. O importante é que ninguém soubesse que era Lucy quem estava lá.

Arin’s POV.


Ouvi a buzina e logo saí do bar, vendo que era Jimmy, Zacky e Johnny dentro do carro.

- Entra aí, moleque. – dizia Jimmy com a voz completamente desafinada, provavelmente já devia estar bebendo, e pior, era ele quem estava dirigindo, mas os meninos pareciam não se importar muito com isso.

Abri a porta traseira do carro, rezando mentalmente para não morrer.

- Bora lá! – Jimmy gritava, acelerando o carro de repente, fazendo as rodas cantarem.

Espero que o tal apartamento não fosse muito longe.

Lucy’s POV.


Aquele psicopata! Como ele pode ter feito isso comigo?

Eu não podia gritar, não podia nem se quer me mover! Maldito seja!

Aliás... Que lugar seria aquele?

Apesar da dificuldade, tentei erguer a cabeça para perceber os detalhes.

Havia uma escrivaninha com algumas fotografias. Algumas delas eram engraçadas, eu tinha certeza de que era o Brian quando mais jovem. Tinha um corte de cabelo horrível e um topete loiro completamente sem noção. Pois é, esse era o meu ex ídolo e meu sequestrador.

Será que eu estaria na casa dele? E se a namorada dele aparecesse? Tudo bem que ele me disse que terminou com ela, mas até parece mesmo que eu vou acreditar...

Só espero que nada de ruim me aconteça... E aquelas malditas cordas estavam começando a machucar meus punhos.

Brian’s POV.

- Eu trouxe Resident Evil, Skirym, Call of Duty, Guitar Hero, Mortal Kombat, Battle Field, Street Fighter...

Eu estava sentado no sofá, apenas ouvindo Matt tagarelar sobre a infinidade de jogos que ele havia levado.

Ouvi a campainha novamente. Deve ser o restante dos meninos, enquanto Matt ainda empolgado examinava toda a sua pilha de jogos, fui até a porta, abrindo-a.

- Começaram a jogatina?! – Jimmy me empurrava, entrando de uma só vez no apartamento. – Trouxe as bebidas, mas acho que acabei bebendo a metade.

- Trouxe as saladas. – dizia Zacky.

- Almondega, hoje é dia de festa, eu te poupo do regime. – dizia Johnny.

- Ah, depois que eu comecei a emagrecer você acha mesmo que eu vou abandonar?

- Trouxe o palito com a gente! – Jimmy gargalhava. – Calma... Olha só quem fala, não é? Eu já sou um palito... Foi mal aí, Arin... Mas o palito sou eu.

- Boa noite... – o garoto do bar entrava no apartamento, um tanto analítico.

- Bem vindo. – disse-lhe, esboçando um sorriso.

Ele apenas retribuiu de um jeito estranho, olhando para toda a extensão do apartamento. Aquele cara de fato era muito estranho.

Arin’s POV.


O que eu poderia fazer? De fato eu me sentia em território inimigo. Tentei encontrar algo que fosse suspeito dentro daquele apartamento, mas não consegui encontrar nada, pelo menos por enquanto.

Por mais que eu me esforçasse, não conseguia agir naturalmente diante de Brian. Toda vez que eu olhava em seu rosto eu me lembrava de toda aquela situação.

Lucy poderia estar naquele exato apartamento agora, mais perto do que eu jamais pudesse imaginar.

McKenna’s POV.

Eu ia arrasar com a minha guitarra nova! Eu tinha certeza disso.

- MC! – ouvi meu pai me chamar.

- O QUE FOI?! – gritei de lá da sala, enquanto eu assistia os clipes do Black Sabbath na VH1.

- Pega a câmera pra mim?! – ele gritava. – Vou gravar um vídeo meu andando de salto alto.

Franzi o cenho. Meu pai tinha cada ideia... Mas nada mais do que ele dizia iria me impressionar.

Porém, ao pensar no paradeiro da tal câmera de filmar, lembrei que da última vez que usei, deixei nada mais nada menos do que no quarto do meu irmão...

Lucy’s POV.

Eu mexia os pés e os braços, tentando escapar daquelas cordas malditas, quando ouvi a gritaria.

Queriam filmar o que?!

AH, MEU DEUS! TINHAM PESSOAS ALI!

Comecei a me debater como um peixe fora da água... Quem sabe assim alguém não me ouvia?

McKenna’s POV.

- O que aconteceu com a câmera?

- O que?! – fui surpreendida, ao ver meu pai vestindo uma blusa da Valary e de salto alto.

- Eu... Eu esqueci a câmera na casa de uma amiga.

- Ah, está com vergonha alheia, não é? – meu pai dava uma gargalhada, despreocupado. – Aposto que suas amigas já viram vídeos piores meus...

- Mas...

- Poxa, da última vez que você usou, você guardou lá no quarto do Brian... Eu vou lá buscar...

- NÃO! – gritei, quase que desesperada, mas não podia deixar aquilo tão evidente. – Pai... Por que você não deixa para gravar esse vídeo outro dia?!

- Meu amor, eu quero gravar o vídeo agora. – ele revirava os olhos.

- Mas eu esqueci...

- Esqueceu nada, você usou ele ontem e guardou no quarto do seu irmão, não lembra? Como você esqueceu na casa de alguma amiga sendo que até onde eu saiba você não foi até a casa de ninguém?

Droga! Eu não havia como argumentar com ele, mas sinceramente, cortaria meu coração perder uma guitarra novíssima que eu meu irmão estava disposto a me dar... Quer dizer, seria muito triste faltar com a palavra que dei ao meu irmão... Eu disse que não iria entrar no quarto dele... Eu disse...

- Você guardou dentro do armário? – meu pai perguntava.

- Ah, deixa que eu pego. – revirei meus olhos, impaciente. Maldita hora que eu resolvi guardar a merda da câmera ali!

Caminhei até o corredor, subindo as escadas e indo para o quarto do meu adorado irmão.

De lá, pude ouvir alguns rangeres de madeira, como se tivesse alguém lá dentro.

Achei estranho... Que eu saiba, Brian já havia ido para a despedida de solteiro.

Abri a porta...

MEU DEUS! Tive que segurar para não gritar.

Lucy’s POV.

- mmmmmmmm! Mmm! Mmm!

Ela estava paralisada diante da porta. Eu sabia quem era ela... ERA MCKENNA HANER! A irmã de Synyster Gates! Será que ela também era um sequestradora? Mas era tão jovem...

Boquiaberta, rapidamente ela correu até mim, puxando a fita que tampava a minha boca.

- AI! – gritei ao sentir as pelinhas de meus lábios se desprenderem.

- Desculpa! – dizia ela, encarando-me com os olhos arregalados, parecendo chocada. – Mas quem é você? O que faz aqui?!

- É uma longa história... – suspirei. – Coisa do seu irmão idiota...

- O Brian? – ela perguntava, franzindo o cenho. – Como você sabe que eu sou irmã dele?

- Eu sei tudo dele... – revirei os olhos. – Coisa de fã, se é que me entende...

- Ah... Entendi. Você deve ser alguma groupie...

- EI! – protestei, antes que ela terminasse com suas conclusões precipitadas. – Eu não preciso dessas coisas.

- Desculpa, mas é a única coisa que explica o fato de você estar amarrada e amordaçada bem na cama do meu irmão, apesar de que faz anos que ele não dorme aqui... – ela coçava a nuca, encarando o chão como se estivesse pensativa. – Pensei que fosse alguma espécie de fetiche de groupie, só não entendi por que justo na nossa casa, né?

- EU NÃO SOU GROUPIE! – disse, aborrecida.

- Calma, não grita, se não meu pai vai vir aqui...

- O Papa Gates? – franzi o cenho. Aquilo só podia ser um sonho mesmo, dos mais malucos.

- Ele mesmo... – McKenna abria um sorriso. – Mas então o que você faz aqui?

- Você não acreditaria em mim se eu contasse...

- Vindo do meu irmão... Eu acredito em qualquer coisa.

Tive que segurar para não rir, apesar da minha situação nada confortável, mas aquela garota era esperta e eu gostava disso.

- Bom, lá vai... Seu irmão me sequestrou, foi isso.

- Ah... – ela dava de ombros, ficando nem se quer um pouco chocada. – Pensei que ele havia parado com isso.

- Como assim? Você sabe desse fetiche idiota do seu irmão?

- Além do Jimmy, eu sou a melhor amiga dele... – ela dizia de modo meigo, fazendo com que seus olhos castanhos brilhassem.

- MC! ACHOU A CÂMERA?! – ouvi do lado de fora do quarto.

- Caramba! Meu pai... Espera, eu vou entregar a câmera para ele... – dizia ela, indo até o armário, enquanto o revirava.

- Mas... Mas você vai me deixar aqui?

- Não se preocupe... – ela se virava para mim, com uma pequena câmera em mãos. – Aproveito que vou sair para tentar encontrar uma tesoura e já venho te soltar.

Apenas assenti, enquanto rapidamente ela se colocava para o lado de fora do quarto, fechando a porta.

Jimmy’s POV.

Eu estava levemente bêbado, mas pude ver claramente o pequeno frasco de clorofórmio dentro do armário, escondido atrás das batatas.

Uma sensação ruim me veio à tona, levando-me a acreditar que Brian não devolveu Lucy para o seu lar, provavelmente ela estaria por aí, escondida em outro cativeiro.

Aproveitei que todos estavam totalmente distraídos ao tentar vencer Matt no Mortal Kombat, e fui até a lavanderia a fim de me certificar.

Eu andava meio torto e isso poderia ser perigoso ao passar por aquelas caixas... Ah, é nada, eu ando bem melhor quando estou bêbado.

- Precisa de ajuda? – ouvi de repente.

Lucy’s POV.

- Voltei! – vi a porta se abrindo, e os cabelos roxos de McKenna adentrando pelo quarto. – Acho que essa tesoura serve...

Sendo assim, ela se sentava ao meu lado na cama, enquanto cortava as cordas, já que o nó havia sido extremamente bem feito, bem até demais.

Ela começou pelas mãos, enquanto eu a ajudava a desamarrar meus pés.

- Esse meu irmão é um idiota mesmo... – ela revirava os olhos.

- Desculpa, mas eu tenho que concordar com você. – disse, levando uma das minhas mãos até meu pulso, que estava vermelho e com marcas da corda que me segurava.

- Agora eu entendi o motivo de ele não querer que eu entrasse no quarto... – ela murmurava, pensativa.

- Ah é? – franzi o cenho.

- Bom, ele ia me dar uma guitarra nova se eu o obedecesse... Pensando bem... – ela levava o indicador até o queixo. – Acho que meu irmão deve estar gostando mesmo de você, viu?

- Como é? – perguntei confusa. Até parece... Ele era um psicopata, isso sim.

- Bom, ele sequestrava as groupies, mas elas sempre gostavam, só que ele não as mantinha por muito tempo, 24 horas já era muita coisa... Só que pelo que eu percebi, você está dando um belo trabalho... Você é de onde?

- Londres...

- LONDRES?! – ela ergueu da cama, completamente espantada. – JÁ FAZ MESES QUE ELES FORAM FAZER SHOW EM LONDRES!

- Exatamente... – suspirei. – Preciso ir para a casa...

McKenna, porém, antes de me responder, ficou apenas me analisando.

- Bem... Você é muito linda... – seus olhos iam se aproximando de mim, como quem me inspecionasse. – E ele está tendo bastante trabalho para te manter, tanto que ele me ofereceu uma guitarra... Será que ele não está apaixonado?

- Apaixonado? Desculpa, eu sei que estamos falando do seu irmão, mas se ele realmente estivesse apaixonado por mim, ele não me manteria trancada! ELE É UM LOUCO, IDIOTA!

- Meu irmão não aprendeu algumas coisas, ainda. – McKenna cruzava os braços. – Ele vai ter que aprender da pior forma... – ela abaixava a cabeça, de modo tristonho.

- Preciso ir... – disse, levantando-me rapidamente da cama. – Preciso encontrar um amigo que veio até aqui atrás de mim.

- Por que não fica um pouco? Eu gostei de você... – ela esboçava um sorriso meigo no canto dos lábios, que fez eu me lembrar de Brian naquele exato instante.

- Desculpe, Mc... Posso chamá-la assim?

Ela assentiu.

- Mas eu preciso ir... – completei.

- Entendo... Mas perdoa meu irmão, está bem? Ele não bate bem da cabeça mesmo... Quando eu era bem menor, ele tentou me convencer a plantar dinheiro, e sempre que eu ia até o vaso, eu vi que lá tinham mais notas do que eu deixei... Eu era uma boba por acreditar nele assim tão facilmente, até que um dia eu peguei ele colocando mais dinheiro no meu vaso... Sabe? Geralmente os irmãos tiram o dinheiro do vaso, mas ele não... Meu irmão faz muita merda, mas ele tem um bom coração, isso eu te garanto... É só você não ferir o orgulho dele...

- Ferir o orgulho dele? – eu sinceramente me identifiquei com esse ponto.

- É... Sabe como são os homens. – ela revirava os olhos. Caramba! A menina era mais esperta que eu, inclusive.

Talvez fosse exatamente isso que eu estava costumada a fazer com ele, ferir seu orgulho, disparar minha raiva... Mas eu não poderia ficar guardando depois de tudo que ele fez por mim, não é?

- Mas enfim... – McKenna tornava a sorrir. – Vem, vou te ajudar a sair daqui... Afinal, meu irmão não pode ser preso por causa disso... Você não pretende dar queixa, não é? – ela me encarava, temerosa.

- Embora o certo fosse dar queixa, não vou fazer isso. – suspirei, essa realmente não era minha intenção, eu queria apenas encontrar Arin e retornar para Londres.

- Que bom. – ela respirava aliviada. – Então vamos...

Arin’s POV.


Jimmy estava quase caindo com a cara no chão, mas desnorteado, insistia para ir até o tal de quartinho, sendo assim, o levei até lá, seguindo suas instruções.

A porta estava aberta, e logo de cara, vi que havia uma cama de casal colocava bem no centro do quarto, havendo apenas uma cômoda com quatro gavetas do lado direito da cama.

- Ufa... – Jimmy murmurava, enterrando a cara contra o colchão da cama.

Franzi o cenho, sem entender o que era aquilo tudo. Meu coração acelerava, como se algo inacreditável estivesse prestes a acontecer.

Aproximei-me da cama, abrindo a primeira gaveta.

Um susto!

A camiseta de Lucy estava ali, devidamente dobrada, a camiseta do qual ela havia ido comigo para o show do Avenged Sevendold.

Senti uma leve tontura, ficando ofegante de repente.

Ela esteve aqui! Eu podia sentir isso claramente!

Lucy esteve aqui!

Mas onde ela estaria agora?!

Brian’s POV.

Para variar eu estava perdendo e os meninos obviamente que rindo da minha cara, quando de repente, senti o celular dentro do meu bolso, vibrar.

- Alô?

- Idiota, sou eu, a Mc...

- O que foi? – senti meu coração disparar. Será que ela havia descoberto?

- Eu deixei ela ir embora. – Mc dizia depressa.

- COMO É?!

- Não se faça de sonso! Você entendeu o que eu quis dizer... A garota... Ela foi embora.

- Mas...

- Eu não queria entrar no seu quarto, mas eu tive que fazer... O papai não sabe de nada, mas como eu te dei minha palavra, achei melhor avisar antes... Ela foi embora.

O aperto que senti dentro do meu peito foi tão grande, que deixei o celular cair no chão.

Notas finais
Aee pessoal, espero que tenham gostado do capítulo novo, agora, postado mais rapidinho.*-*
Espero pelo review de vocês. ♥
Beeeijos. (: