Danger Line

54 Desilusão.


DESILUSÃO.

Brian’s POV.

- Você está sofrendo. – ouvi a voz de McKenna de repente, obrigando-me a erguer a cabeça, mas ao fazê-lo, senti-me tonto pela bebedeira.

- Não sei mais o que fazer, pirralha... – fechei os olhos, suspirando. – Eu amo aquela garota... Mas a Michelle me disse tantas coisas... Que acho que ela tem razão.

- O que aquele travesti oleoso disse? – sua voz era rude, e ela se aproximava de minha cama, sentando-se ao meu lado.

- Eu não tenho chances com a Lucy.

- Como é? – a pequena franzia o cenho.

- Arin é amigo de Lucy há muitos anos, veio atrás dela, demonstrou que se preocupa com ela... Enquanto eu a sequestrei... Só lhe fiz mal...

- E a salvou de um destino terrível, nunca gritou com ela, inconscientemente sempre a tratava bem, e mais importante de tudo, se arrependeu de seus erros.

Abri os olhos, encarando Mc.

- Acha que isso não vale de nada? – McKenna ainda me encarava com seriedade, e por alguns instantes, fez-me pensar de que Jimmy me diria as mesmas coisas se estivesse aqui. – Você está lutando por ela, sofrendo por ela... Isso não conta? Acha que essa lágrima que você está tentando esconder de mim não tem nenhum valor?

Ela tinha razão, eu estava me segurando para não cair aos prantos como uma menininha tola.

- Vocês ficaram juntos afinal? — ela cruzava os braços mostrando vestígios de impaciência.

- Ficamos... – fechei meus olhos, como se tentasse fazer com que as lembranças viessem à tona. – Foi maravilhoso...

- Viu?! Ainda bem que você me escutou... Eu bem que avisei que iria rolar um sexo. – McKenna disparava uma gargalhada aguda e desafinada, fazendo-me perder completamente o contexto de minhas palavras.

- Quem te disse que teve sexo? – franzi o cenho, sentindo meu rosto esquentar.

- E precisa? Pela sua cara de bobão... E a gilete do banheiro cheia de pelos... Você e essa mania de não limpar as coisas depois que usa...

- AH, PIRRALHA! PARA COM ISSO! Eu limpo a gilete sim... O problema é esse seu sovaco cabeludo!

- Foco, homem peludo. – Mc disparava, dando de ombros. – Depois do sexo teve o que?

Revirei os olhos. Não adiantaria eu tentar enrolar e dizer que não foi nada disso do que ela estava pensando.

- Não sei. – confessei. – Ela ficou estranha comigo.

- Principalmente depois da ceninha que o pé de vara fez, imagino. – ela suspirava. – Conversou com ela depois disso?

- Não... – suspirei. – Ela simplesmente não me disse nada.

- E o que você está fazendo?

- Como assim? – inclinei o pescoço para olhá-la com mais clareza.

- VOCÊ ESTÁ AÍ DEITADO COMO UMA MENININHA INDEFESA AO INVÉS DE IR LOGO FALAR COM ELA! – Mc de repente, berrou. – SEU IDIOTA, ELA FICOU COM VOCÊ, ELA TE QUER...!! VAI LOGO FALAR COM ELA ANTES QUE AQUELE PIROCÓPTERO VÁ NA SUA FRENTE!

- Senhor... – arregalei os olhos.

- Aposto que se eu fosse lésbica e estivesse a fim da Lucy eu pegava ela antes de você. – Mc revirou os olhos, arremessando uma jaqueta contra meu rosto. – Anda logo, Brian!

Lucy’s POV.

Eu poderia estar agindo como um monstro.

Acordei logo na manhã seguinte, sentindo um leve vento gélido bater contra minhas costas.

Talvez eu não devesse prometer ao Arin um amor do qual eu não teria certeza de ter a capacidade de retribuir, mas eu sei que era melhor assim, iria evitar meu sofrimento e inclusive o dele.

Cheguei à conclusão também de que deveria fazer o possível para não me aproximar de Brian. Ele me provocava um sentimento desconhecido do qual eu me sentia presa, como se me faltasse ar para respirar. Seus olhos me prendiam de tal forma que quando ele me olhava fixamente, eu não tinha para onde correr. Eu sabia que laços muito mais fortes também haviam nos tragado, a morte de Jimmy, principalmente.

- Lucy?! – de repente ouvi a voz de Arin. Ele vestia apenas sua camba canção favorita, branca, repleta de folhas de maconha. – Fiz seu café. – ele sorria, trazendo-me um copo com leite achocolatado. – Queria ter sido mais romântico, mas acabou o pão. – ele coçava a nuca, rindo sem graça.

- E acha mesmo que eu me importo com isso? – dei de ombros, sentando-me para comer. – Obrigada. – disse apanhando o copo, bebendo suavemente.

- Tem uma coisa que eu queria te falar... – ele suspirava, sentando-se ao meu lado. – Acho melhor você ligar para os seus pais e chamá-los para vir...

- Mesmo? – franzi o cenho. Eu realmente não sabia o que dizer aos meus pais sobre o que aconteceu e principalmente o que eu estava fazendo na Califórnia.

- É melhor, não? Antes que eles chamem a polícia. – ele disparava um riso despreocupado. — Isso se já não fizeram.

- Certo... Vou ligar e combinar alguma coisa. – disse, agora, deixando o copo completamente vazio. – Vai trabalhar hoje no bar?

- Sim. – ele disse convicto.

- Não acho que agora estando no Avenged você ainda precise trabalhar. – revirei os olhos. Eu realmente não gostava do fato de Arin passar tanto tempo ao lado de Michelle, parecia até mesmo que ele se tornava outra pessoa quando tinha algum contato com ela.

- Enquanto eu não começar a receber... Sim. – ele dava de ombros. – Não se esqueça que eu ensaiei com eles apenas uma vez... Precisamos ainda começar a agendar o shows e só aí vou receber algo... Até lá, preciso manter o apartamento, certo?

Suspirei.

- É... – respondi conformada.

- Eu sei que você não gosta da Michelle, mas...

- Ela que não gosta de mim! – o interrompi, irritada.

- Com razão, né? – ele arqueava uma das sobrancelhas.

Rapidamente o encarei boquiaberta.

Que história é essa de que Michelle tinha razão ao me odiar?!

- De qualquer forma... – ele dava de ombros sem ter percebido a incredibilidade em meus olhos. – Se não fosse por ela... Duvido muito que eu estaria com você agora.

- Nossa, como ela é santa. – ironizei, sentindo minha voz subir uma oitava.

- Bom, estou indo. – ele ainda dizia com calma, parecendo se esforçar para não discutir comigo. – Vai trabalhar hoje?

- Sim... – balancei a cabeça positivamente. – Tchau. – disse de má vontade.

- Não faz assim... – ele sorria, debruçando-se sobre a cama, selando rapidamente nossos lábios e então se afastou. – Bom trabalho. – dizia. – Não esqueça de trancar a porta.

Fiquei apenas lhe encarando, irritada, quando percebi que por mais que eu me esforçasse para ser feliz de alguma forma, sei que teria Michelle para atrapalhar tudo.

Arin’s POV.

Eu estava me sentindo um completo idiota por estar agindo novamente com total naturalidade com Lucy. Ainda não engoli de ela ter ficado com o Brian quando ele foi buscá-la.

Por mais que ela me diga que não queria ficar com ele, ainda sentia como se Brian fosse uma ameaça, afinal, ele não desistiria dela. Eu sei.

Cheguei ao bar e Michelle ajeitava as cadeiras, batendo-as com força contra o chão.

- Oi... – disse cautelosamente, enquanto me aproximava. – Está tudo bem? – franzi o cenho, vendo-a castigar as cadeiras, brutalmente.

- Só estou irritada. – ela respondia secamente, ainda sem me olhar.

- Conversei com Lucy. – talvez assim seu humor melhoraria. – Me disse que não quer ficar com o Brian... E então nos beijamos e dormimos juntos... Isso melhora seu humor?!

- Ainda não... – Michelle erguia a cabeça, caminhando bruscamente até mim. – Brian não vai desistir dela.

- Sabia! – disparei irritado. – Eu bem que podia quebrar a cara dele.

- Não! Você não vai fazer é nada! – Michelle suspirava bruscamente. – Eu vou ter que dar um jeito nisso... Brian me odeia! Eu tenho que fazer ele mudar de ideia.

- E como você vai fazer isso? – cruzei os braços.

- Lembra que eu te disse sobre estar perto de seu inimigo? – ela abaixava a cabeça, mostrando-se conformada. – Terei que me fazer de amiga da Lucy.

- Se isso fizer com que Brian pare de te odiar e que você não faça nenhuma mal para ela... Tem meu apoio.

- Eles não podem ficar juntos, Arin... – ela dizia com convicção, encarando-me com os olhos vermelhos.

- E não vão. – disse cravando as unhas contra a palma de minha mão.

Lucy’s POV.

- Perfeito! – dizia Eddie depois de examinar o estoque. – Você fez tudo perfeitamente bem...

- Que bom... – sorri, suspirando. Sentia-me envergonhada por falar assim diante dele, depois do que fiz na loja.

- Não seja convencida. – Eddie logo girava os olhos para mim, olhando-me por cima como uma verdadeira patricinha hard rock. – É só elogiar que vocês fazem coisa errada. – ele me examinava com os olhos azuis.

Engoli seco. Simplesmente não conseguia agir com naturalidade. Não depois do que fiz.

- Ah. – ele dava de ombros, afastando-se de mim. – Não consigo ser tão duro com você com esse seu rostinho de benjamim. – ele sorria.

Respirei aliviada, relaxando os ombros.

- Falando em benjamins, se não é o Syn gostoso que chegou! – Eddie comemorava, afastando-se de mim.

Revirei os olhos.

O que será que ele estava fazendo aqui?!

- Bom Dia, Eddie... – sua voz era séria e formal. – Posso conversar com Lucy?

- Ah, claro... Você quer falar com a loira. – Eddie suspirava. – Está lá nos fundos.

Senti meu coração disparar de repente.

Logo, vi Brian se aproximando de mim. Seus olhos denunciavam uma tristeza incomum, enquanto com passos curtos e lentos ele ia se aproximando de mim.

- Oi... – ele dizia em voz baixa.

- O que você quer? – disparei na defensiva.

- Preciso conversar com você e acredito que você já imagine sobre o que seja... – ele suspirava.

- Não vai querer conversar sobre isso aqui, não é?! – sussurrei.

- Aceita tomar um café comigo? – ele então tornava a me olhar, com os olhos grandes e brilhantes, parecendo o Gato de Botas.

Revirei os olhos, não querendo me atentar muito ao seu jeito de pidão.

- Está autorizada a ir! – Eddie gritou de repente.

Levei um susto logo de início, porém logo fiquei irritada por saber que Eddie estava ouvindo nossa conversa. Talvez realmente fosse melhor tomar algo com Brian, antes que ele desembestasse a falar sobre a noite passada aqui na loja.

- Vamos? – ele insistia, estendendo o braço para mim.

Ignorei o gesto, passando por ele, indo até a saída da loja.

- Divirtam-se, crianças... – Eddie sorria maliciosamente.

Vi que Brian olhou para Eddie, dando um leve sorriso, enquanto ele abria a porta da loja para mim.

Suspirei, passando através dela, quando Brian se posicionou ao meu lado.

- Pode ser naquele restaurante? – ele apontava para um aconchegante restaurante do outro lado da rua. – Eles vendem um cappuccino delicioso.

- Tudo bem... – dei de ombros, atravessando a rua ao seu lado.

Era estranho estar do lado dele. Parecia até mesmo que eu ficava tímida. Sentia minhas bochechas esquentarem, minhas mãos suando... Aquilo não era normal.

Assim que entramos, sentamos em uma mesa pequena que ficava ao lado da janela. O local era pequeno, mas parecia tão íntimo, sendo um bom lugar para conversar.

Particularmente, estava nervosa. Podia sentir meus músculos entrando em curto, enquanto ele se colocava logo à minha frente, encarando-me seriamente.

- E então? – ele disparou, colocando os cotovelos sobre a mesa.

Abri a boca para responder, porém uma garçonete se aproximou.

- Vão querer o que? – ela se adiantava em perguntar.

Percebi que Brian afundava o rosto contra o cardápio, ao responder.

- Dois cappuccinos com chocolate, por favor... – ele dizia.

- Certo. – a moça anotava rapidamente em seu bloco de papel, afastando-se de nós.

- Ufa. – Brian suspirou, esboçando um sorriso logo em seguida. – Desculpa ficar de óculos escuros e touca, mas é melhor para conversarmos sem nenhuma fã histérica vindo pedir autógrafo.

- Entendo... – respirei fundo, endireitando as costas contra a cadeira. – Então pode começar...

- Você já sabe o que eu quero dizer... – ele murmurava. – É sobre a gente...

- Não tem nada para ser dito sobre a gente. – disparei irritada.

- É aí que você se engana! – ele mantinha firmeza na voz. – Lucy... Aquele dia... Que eu disse que você era a melhor coisa que me aconteceu...

- Brian, por favor... – o interrompi, suspirando.

- Não! Você vai me ouvir! – ele ainda dizia firme, segurando minhas mãos. – Enfim... – Brian abaixava a cabeça. – Quando eu disse que você era a melhor coisa que me aconteceu, eu não menti... Não disse aquilo só pelo fato de eu estar desesperado com a minha situação... Sabe... Eu nunca pensei que perderia um amigo dessa forma... Aquilo me deixou no chão...

Suas palavras eram tão claras, que apesar de não poder olhar eu seus olhos eu sabia que ele estava sendo sincero.

Apenas assenti para mostrar que eu o entendia.

- E você... Você me mostrou que existiam outras formas de lhe dar com isso, sabe? Que eu ainda estava vivo e poderia continuar lutando, que nada estava perdido... Eu não tenho palavras pra te agradecer com relação a isso, mas... – ele erguia a cabeça. – Apesar da morte do Jimmy ter mexido muito comigo, desde que eu te conheci você me disse muitas coisas que antes, eu ignorei, achava que eu era o dono da razão, que eu era invencível e não foi bem assim... Eu mudei demais, graças a você... Eu estava tão amargurado, tão desocupado da vida, meu namoro frustrado... Agora eu me sinto tão vulnerável, triste, querendo encontrar um sentido em tudo que eu faço! – ele exclamava. – Queria começar por você...

Senti meu coração acelerar. Eu não queria ouvir mais nada, não podia!

- Brian...

- Lucy... Você fez por mim o que pouquíssimas pessoas fariam e fizeram... – ele continuava falando, como se tivesse necessidade em desabafar. – Então, por favor, não me diga que você não sente nada por mim... – ele dava um leve riso. – Digo... Quando eu estou com você o tempo para...

- PARA! – disse em voz alta.

- Isso... Ele para mesmo... – Brian sorria.

- Não, Brian! – disse de modo firme, soltando-me de suas mãos. – Eu quero que você pare de ficar dizendo essas coisas...

- Mas... Lucy...

- Não! Eu não posso... – sussurrei, encostando-me ainda mais contra a cadeira a fim de me afastar dele. – Eu sei que o que você passou foi terrível, mas não pode jogar toda sua recuperação pra cima de mim! I-isso foi mérito seu... Oras! – dei de ombros. – Somente seu... Eu não fiz nada do que qualquer outra fã não faria...

- Lucy, você não está entendo... Eu te...

- ALÉM DO MAIS! – disse alto o suficiente para interrompê-lo. – Estou com o Arin.

- Como é? – Brian removia os óculos, olhando-me boquiaberto. – Como assim está com o Arin?

- É o certo... Não é? – senti minhas mãos tremerem, e até mesmo uma vontade de chorar que eu não sabia da onde vinha. – Ele veio até aqui me encontrar, faz tudo por mim... É meu melhor amigo, sempre foi e... Agora estamos juntos! – disparei, mas parecia que aquele meu ataque havia se virado contra mim. Doía dizer tudo aquilo, mas eu não estava dizendo nenhuma mentira. Arin veio me encontrar, eu não poderia ser ingrata com ele dessa forma... Sempre fomos amigos, nunca nos separamos e talvez tudo devesse continuar sempre assim... Eu e Arin nunca deveríamos nos afastar.

Brian ficou em silêncio por alguns instantes, quando finalmente nosso cappuccino chegou.

Ficamos em silencio por mais alguns instantes, quando Brian tornou a colocar os óculos escuros e esconder o rosto, até a garçonete se afastar.

- Então você está me dizendo que você e Arin estão juntos? – ele perguntava assim que tornamos a ficar à sós. – Digo... Estão namorando?

- É, estamos! – afirmei sem hesitar.

Brian evidentemente engoliu seco, ficando em silêncio por alguns instantes.

- M-mas e lá na loja?! – ele gaguejava. – E as outras vezes que nós...

- Foram nada! – o interrompi novamente. – Por favor, Brian... Entenda! Eu não poderia ficar com uma pessoa como você!

- Uma pessoa como eu? – sua voz estava mais frágil, como se ele tivesse ficado decepcionado com que eu havia acabado de lhe dizer. – E o que seria uma pessoa como eu?

- Chega... Eu preciso voltar para a loja... – tentei me levantar, porém suas mãos me impediram, segurando meu braço com força.

- E você... – sua voz agora parecia mais rouca, como se ele estivesse com raiva. – É como a Michelle.

O encarei boquiaberta.

- Vocês acham que eu sou um tipo de brinquedo, é isso?!

- Ora! – soltei-me de suas mãos, bruscamente. – E o que você fez comigo foi o que? Como que você me tratou?!

- Eu te pedi perdão por isso, Lucy! – ele se erguia da cadeira, empurrando-a para trás, bruscamente. – Mas eu já vi que foi inútil... Mais uma vez uma mulher ri descaradamente da minha cara...

Suspirei, fechando os olhos.

Não, não queria brincar com ele... Não entendia por que ele estava agindo assim! Ele não podia me amar, isso era absurdo.

Ele podia ter quem ele quisesse, eu era apenas um brinquedo e ele sempre me veria assim.

O que ele sentia por mim era apenas gratidão, primeiro, por não tê-lo denunciado e depois, por ter ficado ao seu lado em um momento tão delicado.

Agora, tudo isso passou! Era crime pensar em mim? Eu não poderia viver a mercê dele o tempo todo, não podia ficar sofrendo, fazendo Arin sofrer... Não podia!

- Eu não acredito nisso... – Brian tornava a remover os óculos escuros. Seus olhos brilhavam de tão forma que eu sabia que o havia deixado magoado. Ele estava desapontado, incrédulo, e aquilo fazia com que eu me sentisse mal, por mais que eu pensasse que o que estava fazendo fosse o certo. – Você ainda me acha um desprezível não é...

- Brian, não é isso... É que...

- ORA, ORA ORA... – fui interrompida por batida de palmas e uma voz aguda e extremamente irritante.

Michelle!

- Não esperava encontrar os dois pombinhos aqui... – ela abria um sorriso, cumprimentando-me com um beijo na bochecha do qual me deu até mesmo asco, e então, cumprimentou Brian logo em seguida.

- Michelle, por favor. – Brian dizia rígido, esquivando-me do cumprimento de Michelle.

- Ué, o que foi? – ela franzia o cenho. – Brigaram, foi? – seus olhos fitavam Brian com um sorriso maldoso.

Brian respirou profundamente, esboçando um sorriso evidentemente forçado.

- Não, de forma alguma, não é, meu amor? – ele me encarava.

Franzi o cenho, sem entender aquilo.

- Hãn...

- Bom eu já tenho que ir... – ele se adiantou em se mover. – Até mais, minha linda. – logo ele se aproximava bruscamente de mim, tocando seus lábios aos meus brevemente.

- EI! – resmunguei, empurrando-o.

- Não se preocupe, a Michelle ia descobrir um dia. – ele emitia uma gargalhada estrondosa.

- COMO?! – protestei.

- Fui! – ele rapidamente se colocou do lado de fora do restaurante.

- Brian! – tentei ir atrás dele para perguntar o que foi aquele surto, porém as mãos me Michelle me impediram.

- Onde pensa que vai? – ele perguntava com sua voz venenosa.

Simplesmente me soltei dela, encarando-a, sem temer.

- O que foi? Vai me impedir de sair agora? Desculpe, mas eu estou muito ocupada, preciso ir trabalhar... – tentei novamente sair, porém novamente ela me segurou.

- Escuta aqui. – ela dizia de modo ameaçador. – Não pense que vai ser assim tão fácil você ficar com o Brian, entendeu bem? Ele nunca amou nenhuma mulher, e eu digo isso para o seu próprio bem. Arin sim te ama, não se esqueça disso.

- Você está bem íntima do Arin, não é? — disparei um sorriso de escárnio.

- Você nem imagina o quanto... — ela sorria descaradamente, aproximando ainda mais seu rosto do meu. — Por isso se eu fosse você, saía de perto do Brian rapidinho, por que ele sim nunca vai ser seu... E se você continuar bobeando, nem o Arin, tolinha... — ela gargalhava.

Novamente me soltei dela, dessa vez de modo mais brusco.

Disparei uma leve risada, encarando-a com uma das sobrancelhas arqueadas.

- Por que está me ameaçando? Seu problema é com o Brian, não comigo... E de qualquer forma... – encarei o chão, e logo, tornei a olhá-la nos olhos. – Eu e o Brian jamais poderíamos ficar juntos...

- Aproveitadora! – ela disparava. – Pensa que eu não sei que você foi a garotinha sequestrada dele? – sua voz soava ainda mais aguda. – Eu acho bom você tomar cuidado comigo, Lucy... Você ainda não sabe do que eu sou capaz... Arin já me contou tudo sobre você.

- Ah é? – cruzei os braços, sentindo a raiva tomar conta de mim. Arin realmente estava se unindo com Michelle. Ela não saberia tantos detalhes sobre mim e nem sobre o sequestro se não fosse Arin, porém, mesmo assim, mantive o rosto rígido, como se suas palavras não me surtissem efeito. – O do que você é capaz, Michelle?

- Nem queira descobrir.

Notas finais
Mais um capítulo para vocês, suas lindas. ♥
Espero que tenham gostado e aguardo reviews. *-*
Beeeijos. (: