Danger Line

60 Delegacia.


Notas iniciais
Pessoal, não sei quem se recorda aqui, mas eu e algumas leitoras nos unimos para fazer um novo site de fanfics exclusivamente para a categoria bandas.
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Aguardo vocês lá e boa leitura. ♥

DELEGACIA

Brian’s POV

Senti um aperto forte no peito. Não acreditava que aquilo estava acontecendo.

- NÃO! – disparei, colocando-me à frente de Lucy. – Vocês não vão levá-la daqui.

- Pensei que você não a conhecesse, senhor Haner. – de repente, as lembranças vieram à tona. – Sou o investigador Smith, estive em seu apartamento há alguns meses sobre o desaparecimento de Lucy Dartagan.

Lucy me encarou espantada, senti meu estômago revirar.

Engoli seco, encarando o investigador. Eu não teria nada para lhe dizer a não ser aceitar as acusações.

- Terá de vir conosco, Lucy Dartagan! – dizia Smith.

- NÃO! Podem ir parando já com isso! – Eddie disparava em voz alta. – Lucy está legalizada nesse país!

- Não es...

- ESTÁ SIM! – interrompi Lucy. – Não é, Eddie? – encarei-o, esboçando um sorriso despreocupado.

Eddie assentiu sorridente.

- Vou pegar seus documentos lá dentro, minha loira. – Eddie sorria, afastando-se brevemente de nós.

Logo ele voltava com os cabelos loiros armados e brilhantes, entregando um passaporte e um visto para os investigadores.

- Viram só? — dizia ele com as mãos na cintura.

Pude perceber a confusão implantada no rosto de Lucy, mas desde que fiquei sabendo que Michelle sabia do sequestro, já suspeitei que ela poderia muito bem denunciar Lucy para a imigração, então, pedi para que Eddie providenciasse um visto para mim, já que ele conhecia muitas pessoas, e geralmente, era ele quem trazia algumas bandas ilegalmente para fazer shows aqui.

- Minha funcionária pode e deve ficar bem aqui do meu ladinho. – ele abraçava Lucy fortemente, fazendo cara de drama.

- Certo. – Smith suspirou.

Percebi que Arin também olhava confuso e até mesmo espantado.

- C-como assim, Lucy?! – ele questionava evidentemente desnorteado. – Você já tinha o Visto?!

- É... – ela também estava confusa.

- Sim, ela tinha. – respondi por ela mesma, antes que desse a entender que aquele documento foi simplesmente arranjado.

- Isso é tão estranho... – ouvi Smith murmurar. – Recebemos uma denúncia sobre o desaparecimento dessa menina há alguns meses, o último lugar em que foi vista foi no hotel com a banda... Tem algo ainda muito errado nessa história.

- Mas a denúncia foi cancelada! – Arin exclamava. – Eu mesmo a fiz e a cancelei.

Smith encarou Arin com os olhos escuros dos pés à cabeça.

- Por qual motivo retirou a denúncia? – Smith se aproximava de Arin de modo intimidador.

Sentia que não chegaríamos à lugar algum com aquilo. Eu não podia mais mentir, não queria mais fazer isso. Já era hora de arcar com as consequências dos meus atos. Afinal, Lucy não foi a primeira que sequestrei, embora fosse a primeira a assaltar meu coração.

- É... – Arin encarava Lucy, evidentemente espantado.

- Eu tinha fugido de casa! – Lucy começou a argumentar. – Queria vir para a Califórnia.

- Senhorita Dartagan. – Smith continuava com seu jeito intimidador. – Você não foi vista saindo do hotel... Fomos investigar... Tivemos acesso às câmeras de segurança do hotel e estava evidente um bolo de lençóis sendo levados nos ombros do senhor Haner... – ele me encarava duramente. – Logo após entrar no carro, os lençóis foram descartados na garagem... O que será então que você estava carregando nos ombros, senhor Haner? Levando em consideração que a senhorita Dartagan sumiu a partir daquela data?! Qual seria seu motivo para mentir que nem ao menos havia lhe visto?!

- O que está insinuando?! – Lucy disparava de modo corajoso, aproximando-se de mim.

- Vocês estão escondendo algo! – insistia o investigador. – Terei de levar todos à delegacia.

- O QUÊ?! – ouvi Lucy protestar.

- Como assim? Todos?! – Arin também reclamava.

- Não estou a fim de ir parar na cadeia de novo. – Eddie revirava os olhos.

Fiquei apenas em silêncio, sentindo meu coração batendo acelerado dentro de meu peito, enquanto esperava pelo pior.

- Ainda quero checar a veracidade desses documentos... – Smith suspirava. – Agente John, acompanhe-os até a viatura.

- E lá vamos nós... – Eddie revirava os olhos, jogando os cabelos para trás. – Vão ter que esperar eu trancar a loja antes, gatos.

- Como queira. – Smith lhe retribuiu com um sorriso amarelado e forçado.

Lucy’s POV.

Exceto pelo dia em que quase fui atacada, nunca senti tanto medo desde que estive aqui na Califórnia.

Não entendo como aqueles policiais chegaram até mim e muito menos sei como que simplesmente do nada surgiram um passaporte e visto em meu nome com minha foto.

Tudo aquilo realmente estava estranho demais, porém, por incrível que pareça, a minha maior preocupação estava sendo focada em Brian.

Tinha medo do que poderia acontecer com ele, já que aquele tal de Smith parecia estar realmente muito intrigado com o caso. Arin suava frio, Eddie agia como se não estivesse nem aí, enquanto Brian mantinha-se silencioso, nem se quer se dando ao trabalho de se defender. Aquilo me preocupava.

O que será que ele pretendia?

O que será que iria acontecer a partir de então?

Fomos todos então levados para a delegacia.

- Senhor Tullen? – agente Smith se aproximava de um senhor gordo e sério, que simplesmente estava sentado atrás de uma mesa de mármore envernizado, enquanto penteava o bigode.

- Sim? – perguntava ele atendo ao espelho e ao bigode. – Recolheu a nossa aventureira?

- Digamos que mais do que isso, senhor... – respondia ele. – Lembra-se do caso de uma garota que supostamente havia sido sequestrada por um guitarrista famoso?

- Ah sim... O que tem? – o velho perguntava ainda sem dirigir total atenção ao investigador.

- Se trata da mesma garota, senhor.

Sendo assim, o tal de Tullen simplesmente pousou o pente de bigode sobre a mesa, encarando-nos com os olhos vermelhos de um fumante.

Logo, Smith começava a discorrer sobre os últimos acontecimentos, sem esquecer-se de um único detalhe se quer. Sem dúvidas ele era um bom investigador para a nossa infelicidade, e não deixava passar uma brecha que seja.

Vendo as evidentes habilidades de Smith, o medo tomava conta de mim ainda mais. Não queria que nada de ruim acontecesse com Brian, eu temia por ele mais do que qualquer outra pessoa naquela sala.

- Vamos colher os depoimentos para deixar essa história clara.

- MAS EU RETIREI A DENÚNCIA! – Arin tornava a exclamar.

- Sim, mas estamos com um possível caso de falsificação de documentação. – Smith suspirava. – A retirada da queixa foi realmente muito suspeita, senhor Ilejay.

Fechei os olhos, sentindo meu coração disparar.

Eu não saberia explicar sobre aquele passaporte, sendo que até os últimos minutos eu nem se quer sabia que tinha um, ainda mais com permissão para adentrar em um país que não era meu.

O primeiro a entrar na sala para depor foi Eddie.

Arin’s POV.

Aproveitei então os momentos de tensão dos quais Lucy e aquele idiota estavam tendo para me afastar com a desculpa de que queria beber água e então disquei o número de Michelle.

- Olá gato! – ela atendia com uma voz alegre tomando sua voz. – E então? Já está arrumando as malas para voltar com a sua amiguinha? – ela gargalhava logo em seguida.

- Não, Michelle. – sussurrei. – Deu tudo errado!

- Como assim? – sua voz demonstrava uma evidente preocupação.

- Parece que Lucy estava com toda a documentação necessária...

- COMO É?!

- Isso mesmo... Mas o pior vem aí!

- O que foi?

- Estamos todos na delegacia para depor sobre o desaparecimento da Lucy.

- Como assim?

- Antes de vir para a Califórnia eu denunciei o desaparecimento da Lucy para a polícia, porém, retirei a denúncia tarde demais, pois eles já haviam começado as investigações... Um dos investigadores percebeu as brechas nas versões que estávamos contando e trouxe todos para cá... – engoli seco. – Me perdoe, mas há uma grande chance do seu amadinho ser preso.

A reação de Michelle, porém, não foi a esperada.

- HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ... – eu a ouvia gargalhar. – QUE MARAVILHA! Então meu plano deu mais certo do que eu imaginava!!

- Michelle! – exclamei espantado. – Isso é sério.

- E é bom que seja mesmo! – ela continuava rindo. – Agora sim o Brian vai saber com quem ele se meteu e vou fazer questão de que ele saiba que fui eu quem contribuiu para que ele tivesse esse destino! HÁ HÁ HÁ HÁ! Agora sim eu terei a minha vingança, Arin... Brian vai se resumir apenas à lixo, a mídia inteira vai saber que ele foi preso por sequestro e aí... Separaremos Lucy e Brian para sempre! – ela suspirava, controlando o riso. – Você também deveria ficar feliz.

- É que eu pensei que você iria ficar aborrecida ao saber que Brian poderia ser preso.

- Que nada! – ela exclamava completamente animada. – Estou é feliz e já já apareço aí para ver o fim desse desgraçado.

- Bom, tenho que desligar, pode não ser muito bom se me virem falando ao celular.

- Tudo bem... Até mais, gato.

Respirei fundo, desligando o celular.

Espero que Lucy não saiba da minha ajuda nisso tudo, ou ela iria me odiar para sempre.

Lucy’s POV.

- Ai... O Eddie está demorando... – resmunguei andando de um lado para o outro.

Não aguentava mais ver Brian em silêncio daquela maneira, agia como se não se importasse, e no fundo, queria que fosse assim mesmo. Ele TINHA que inventar alguma mentira para nos tirar disso tudo. Ele não podia ser preso...

- Não se preocupe. – ele me respondia, ainda estático, encarando um ponto qualquer da sala. – Vai ficar tudo bem... Nada vai acontecer com você...

- Mas e com você? – aproximei-me dele, segurando seu rosto a fim de que ele me olhasse. – E você? – tornei a perguntar.

- Não precisa se preocupar comigo. – ele disparava um meio sorriso no canto dos lábios. – Eu sei me cuidar.

- Mas Syn...

De repente, ouvi um forte pigarro, obrigando-me a afastar de Brian.

- Oi Arin. – disse desanimada.

- Eddie já saiu?

- Acabei de sair. – Eddie surgia pela porta com calma. – Foi tranquilo, não se preocupem. – ele dava de ombros.

- Arin Ilejay! – o delegado exclamava de dentro da sala, enquanto dois policiais se aproximavam de Arin, acompanhando-o até a sala.

Brian’s POV

Arin com certeza iria dizer coisas para me culpar de tudo que aconteceu. Não conseguimos conversar com Eddie logo após as perguntas por um motivo óbvio. Eles queriam saber o depoimento de cada um sem influência alheia, ficaria mais fácil descobrir erros nas histórias.

Por incrível que pareça eu não me preocupava tanto assim comigo. Tinha medo que algo acontecesse com Eddie e principalmente com Lucy. Eddie me ajudou a conseguir aqueles documentos e se descobrissem, Lucy seria deportada e nunca mais poderia voltar, e eu, obviamente estaria preso sabe-se lá por quanto tempo... Eu finalmente iria me afastar dela.

Apesar de todo o medo tomando conta de mim por causa disso, eu sabia que na verdade quem eles queriam mesmo era eu.

Afinal, seria muito mais vantajoso prender um cara famoso e ficar com toda a repercussão na mídia. Era disso que aqueles caras gostavam e era isso que eu entregaria à eles.

Logo, foi a vez de Lucy depor. Ela me encarava amedrontada, enquanto eu apenas assenti, a fim de encorajá-la.

Foram longos minutos de espera e eu estava sozinho naquela sala.

Minhas mãos suavam, minhas pernas tremiam e eu sentia até mesmo o meu estômago revirar.

- Brian Haner Jr! – ouvi de repente, fazendo meu coração disparar ainda mais.

Engoli seco, colocando-me dentro da sala, vendo que Lucy ainda estava lá, sentada e com o rosto coberto por lágrimas.

- Senhor Haner. – o tal Tullen se erguia de sua cadeira, caminhando até mim. – Desde quando viu a senhorita Dartagan circulando pela Califórnia e se tornaram amigos?

- Desde... – olhei para Lucy, vendo que chorava aos soluços.

- Eu já te disse que foi desde...

- SILÊNCIO SENHORITA! – o delegado disparava em voz alta e trovejante. – O rapaz é quem deve responder!

- Desculpa, Lucy... – girei meu rosto para ela.

- Não! – ela implorava meneando com a cabeça.

- Eu a sequestrei, senhor Tullen! – disparei a frase, fechando os olhos.

- MAIS QUE MENTIRA! – Lucy exclamava. – ELE ESTÁ MENTINDO.

- Nós dois sabemos que não estou mentindo, Lucy. – mantive minha voz firme apesar de não suportar ver a forma da qual ela chorava. – Chamei Lucy para o backstage e desde então pensei que poderia tê-la... Ao olhar suas coisas, vi que ela já tinha na carteira um passaporte e um visto, tudo devidamente encaminhado para vir para os EUA, então foi bem fácil.

- O que você está dizendo? – Lucy dizia trêmula.

- Então o senhor confessa ter omitido informações dos investigadores quando foram até sua residência?

- Não só omiti, como menti também. Ela estava em um quarto dos fundos do apartamento, logo após a dispensa. Se quiserem – arremessei a chave contra a mesa. – Podem olhar com seus próprios olhos.

- Já fizemos isso. – Tullen abria um sorriso vitorioso. – Encontramos muitos utensílios de um pervertido lá dentro... Além de uma peça de roupa que a própria senhorita Dartagan reconheceu.

- Vocês disseram que fizeram vistoria no MEU apartamento! – Lucy exclamava.

- Os fins justificam os meios. – o delegado dava de ombros, rindo logo em seguida. – Sei que ele pode ser um rapaz muito bonito para uma jovem assim como você, garota, mas ele é um infrator! Não podemos deixar um homem assim livre.

- Ele não me sequestrou!

- Então por que você e Arin disseram coisas completamente diferentes? Por que estão mentindo? Querem proteger esse delinquente?

- Ele não é um delinquente. – Lucy continuava debatendo e eu não podia mais com isso.

- Senhor Tullen! – exclamei. – Podemos acabar logo com isso?

- Tem razão... – o velho girava seus olhos escuros contra mim. – POLICIAIS, PRENDAM ESSE HOMEM.

- NÃO! – ouvi Lucy disparar um berro, tentando se levantar da cadeira, porém Tullen a impedia. – PAREM, PAREM, SOLTEM ELE... SOLTEM! – ela chorava de tal forma, que eu ficava em pânico por vê-la sofrer assim... E por minha causa?! Por quê? Por que de repente ela começou a se importar tanto comigo? Esse era meu destino, Jimmy me dizia desde o início que um dia teria de arcar com as consequências de meus atos e esse momento chegou.

- SILÊNCIO, MENINA! – Tullen dizia com sua voz autoritária.

Senti as algemas geladas envolvendo meus punhos, enquanto era levado por dois policiais.

- PAREM! PAREM!... – Lucy ainda gritava incansavelmente.

Girei o pescoço para trás, e a cena era triste. Ela se debatia com tamanho desespero como se estivesse fora de si.

Eu não podia mais com aquilo e estava me segurando muito para ser forte e não desabar ali mesmo.

Acima de tudo tinha que mostrar para ela que eu não era mais aquele homem. Iria protegê-la, mas não enterraria mais meus erros em mentiras. Isso fez apenas com que ela se afastasse de mim, e dessa vez ela saberia o quanto eu a amava e o quanto me importava com ela.

Conforme caminhava, seus gritos iam ficando cada vez mais distantes.

- BRIAAAAAAAAAN! – podia ouvir seus lamentos de dentro da cela.

Notas finais
Mais um capítulo ai pra vocês. *-*
Espero que tenham gostado e estou aguardando ansiosamente pelos reviews. ♥
Beeeejos