Danger Line
61 Prisão
Notas iniciais
Boa Leitura ♥
PRISÃO
Lucy’s POV.
Sentia minha cabeça pesada, estava tonta e com a vista embaçada.
- Ela acordou! – ouvi alguém exclamar.
Não demorou muito para que a silhueta irreconhecível que se colocava diante do meu rosto, tornar-se Arin.
- Onde estou? – perguntei.
- Na enfermaria da delegacia. – girei o rosto, vendo que Eddie também estava comigo. – Você começou a gritar muito e tremer e tiveram que te dar um sedativo... Está melhor?
- Onde está o Brian? – perguntei, sentando-me de imediato.
Eddie e Arin se entreolharam.
- Ele ainda está preso, Lucy. – Arin disparava a cruel notícia.
Senti meus olhos ficarem quentes e novamente as lágrimas caírem.
- Mas como? Por quê?! — comecei a questionar. — E a banda? E a vida dele? Como fica?!
- Brian ficará preso até o julgamento. – Eddie suspirava. – Já chamei meu advogado para cuidar do caso... Não se preocupe, pois ele já me tirou da cadeia várias vezes. – ele dava de ombros. – Nesse momento ele deve estar tentando agilizar o julgamento para que Brian não fique tanto tempo preso.
- Ah! – exclamei aliviada, abraçando Eddie logo em seguida. – Obrigada! – vi que Arin também estava lá ao meu lado, não podia deixar de agradecer. – Obrigada à você também, Arin... Você não depôs contra o Syn, não é?
- Não. – ele negava friamente. – Não se preocupe. — e logo, revirava os olhos.
- Vem... – Eddie me ajudava a levantar. – Vamos te tirar daqui, não podemos fazer mais nada pelo Syn, por enquanto.
- Espere! – exclamei. – Quero vê-lo.
- Não sei se vão permitir, Lucy... – Eddie me fitava com seus olhos bondosos.
- Não me importo de tentar... E- eu preciso saber o motivo de ele ter feito aquilo! – exclamei.
- Por que era a verdade! – ouvi a voz de Arin soando dura como pedra. – Por mais que seja difícil... – percebi que ele fazia um esforço para manter a voz suave, como eu gostaria que fosse. – Você tem que aceitar que ele cometeu um erro e tem que pagar por ele, Lucy.
Encarei Arin por alguns instantes, sentindo meu coração apertado, eu não queria aceitar aquilo que ele me dizia.
- Com licença. – disse, erguendo-me da maca, colocando-me do lado de fora da enfermaria.
Não pensei duas vezes, atravessando a delegacia, indo falar diretamente com o tal Tullen.
Porém, algo que eu realmente não esperava aconteceu.
Vi Michelle entrando na delegacia com um sorriso sínico de orelha a orelha.
- Olá querida. – ela girava seus olhos em minha direção.
- Michelle. – murmurei com uma evidente raiva na voz. – O que está fazendo aqui?!
- Fiquei sabendo que o Syn foi preso... – ela fazia um bico, enquanto se aproximava de mim. – Vim visitá-lo.
- E como foi que ficou sabendo? – cruzei os braços. Só podia ter sido o Arin...
- Não lhe parece óbvio?
- Sim, mas eu ainda sim queria ouvir de você mesma. – suspirei.
- Pois bem... Foi o Arinzinho. – ela sorria, dando de ombros. – De qualquer forma, vou ver meu namorado.
- Ex namorado! – debati, irritada.
Ela rapidamente girou seu pescoço em minha direção, disparando um riso de escárnio.
- Ora... Ora... – ela dizia com sua voz venenosa e aguda. – É... Você tem razão... Mas não pense que ainda será assim por muito tempo, querida.
- Michelle? – ouvi a voz de Arin às minhas costas. – O que está fazendo aqui?
- Não lhe parece óbvio? – ela cruzava os braços, encarando-o.
- Mas...
- Não se preocupe. – ela dava de ombros. – Lucy sabe que foi você quem me contou.
Encarei Arin, vendo que ele apenas revirava os olhos.
- Bom, agora se me der licença, vou ver o Syn. – ela sorria, afastando-se de nós.
Sentia como se algo estivesse cravado em meu peito.
Queria gritar.
Brian’s POV
- Brian, visita! – dizia um dos policiais.
Rapidamente me aproximei das grades, rezando mentalmente para que não fosse Lucy. Não queria que ela me visse naquele lugar e seria doloroso demais para mim.
- Olá querido. – ouvi a voz fina e irritante de Michelle.
Devia ter rezado para que também não fosse ela.
- O que você quer? – debati irritado. Não fazia questão alguma de sua visita.
- Nossa! Qual o motivo de tanta bruscalidade? – ela ria de modo irônico. – Só vim ver se estava tudo bem... Logo seus amiguinhos também virão... Já avisei. – ela suspirava.
- Eu deveria agradecer? – ergui uma das sobrancelhas.
- Sabe o que é engraçado? – Michelle se aproximava ainda mais de mim, segurando as grades, enquanto fitava meus olhos. – Você ficou bem trancado aí dentro! – ela disparava as palavras com dureza e até mesmo alegria.
Claro que ela estava feliz. Estava me vendo derrotado, na pior, tudo o que ela mais queria.
- Certo. – ergui a cabeça, dizendo cada palavra com firmeza. Não queria dar aquele gostinho a ela e me manteria firme. – Quer tirar uma foto e pendurar na parede? – sorri de modo sarcástico.
Michelle manteve a face firme, enquanto encostava-se à grade.
- Sabia que fui eu quem denunciou a mocreia? – ela me encarava com um evidente ódio posto em seus olhos. – E você não sabe o quanto eu fico feliz que a minha vingança tenha dado mais certo do que eu pensei!
- Você não presta mesmo! – disparei, percebendo o quanto que minha voz ficava cada vez mais grave e a respiração cada vez mias ofegante. Ela me fazia tanto mal que somente sua presença e suas palavras já faziam meu corpo reagir contra ela.
- Posso até não prestar... – ela colocava-se próxima da grade, olhando-me com seus olhos opacos e sem sentimento. – Mas pelo menos não sou eu quem vou apodrecer atrás das grades.
- Não conte com isso, Michelle. – aproximei-me ainda mais dela, segurando-a pelos punhos de modo firme, confesso que até mesmo aplicando mais força do que deveria. – Está armando tudo isso porque eu não preferi você? – apesar de sussurrar, minhas palavras eram afiadas e determinadas a ferir. – Como vou preferir uma mau amada como você? Sabe por que eu te traía? Eu te achava um porre! Na verdade, sempre achei, mas seria bom para mim ter uma namorada na mídia só para mostrar o quando eu era bem sucedido... Foi interessante te usar quando eu pude, mas de todas as mulheres com quem já transei, você foi a pior de todas.
- Acha que pode me humilhar? É isso? – seu rosto estava vermelho. – Se depender de mim, você nunca vai sair desse lugar, entendeu?
- Ainda bem que a minha vida não depende somente de você. – soltei seu braço com força, afastando-me antes que fizesse coisa pior. – Vá embora. – disparei.
- Sabe de uma coisa? – percebi que seu punho estava vermelho, enquanto ela passava a mão por cima de onde havia sido prensado com meus dedos. – Se eu não posso ser feliz, você também não vai ser... Logo a mídia vai saber de tudo, ou seja, os adorados pais daquela vadia também vão saber, e eles simplesmente vão passar a te odiar e apoiar o Arin, claro, com a minha ajuda... – ela fazia um bico sínico, conforme se aproximava de mim. – Odeio ver duas pessoas que se amam ficarem separadas... Você não acha?
- A Lucy não ama o Arin! – fiquei ainda mais ofegante, cravando as unhas contra a palma da mão.
- Pode até ser, mas você está preso... Portanto, não pode fazer mais nada! – ela gargalhava. – Se fosse você, parava de fazer a menina sofrer e deixava-a ficar feliz com o Arin de uma vez por todas... Acha mesmo que ela ser feliz namorando você apenas nos dias de visitas íntimas?
- Você é uma vadia mesmo... SOME DAQUI! – não suportava mais digerir de todo aquele veneno. – POLICIAIS! – comecei a bater contra as grandes. – POLICIAIS, TIREM ESSA MULHER DAQUI!
Rapidamente um oficial se aproximava de minha cela.
- TIRE ESSA MULHER DA MINHA FRENTE! – senti meu rosto esquentar por mais que estivesse me controlando para não atravessar essas grades de maneira que fosse e enforcá-la. – Quero proibir as visitas dessa mulher! – continuei deixando minhas palavras agirem. – Nunca mais quero vê-la aqui... Não quero mais suas visitas, tire-a daqui!
- Terá de vir comigo, senhorita. – dizia o oficial para Michelle.
- VOCÊ AINDA VAI ME PAGAR MUITO CARO, BRIAN! – Michelle ainda continuava gritando, conforme o policial a levava cada vez mais longe de mim, até que finalmente, não ouvi mais a sua odiosa voz.
Lucy’s POV
Aproximei-me das celas, quando de repente vi Michelle sendo retirada à força.
- SOLTA, SEUS MALDITOS! – ela berrava, enquanto se debatia.
Fiquei apenas observando a cena de olhos arregalados, sem entender o que ela estava fazendo ali. Será que a mídia já espalhou a notícia de que Synyster Gates, guitarrista solo do Avenged Sevenfold é um sequestrador?
- O que está olhando, sua idiota? – ela me encarava descabelada, enquanto ainda se esforçava para ser libertada das mãos do policial.
Dei de ombros. Não tinha estômago e nem necessidade em lhe responder, apenas afastei-me, aproximando-me das celas.
- Quero ver Brian Haner El...
- Sim, o Synyster Gates. – o policial me interrompia. – Acompanhe-me.
Os corredores eram cinzentos e estreitos.
Como ainda estávamos na delegacia, as celas estavam praticamente vazias. Uma ou outra era ocupada por alguém que dormia, ou se entretia com algum livro para passar o tempo.
De qualquer forma, era triste para mim saber que Brian estava ali. Nunca pensei que isso realmente iria acontecer, que ele seria preso pelo meu sequestro, mas logo agora que estávamos nos dando tão bem...
Estranhamente, sentia medo de me sentir sozinha. De fato Arin havia mudado muito e não duvido que esteja recebendo fortes influencias de Michelle, era como se o meu porto seguro não existisse mais, aquele que fazia meu coração saltitar estava atrás de grades duras e frias, muito longe para poder abraçá-lo.
Pelos corredores, era possível ouvir um som baixo vindo de alguma estação de rádio que chiava nitidamente, mas mesmo assim, era ainda possível decodificar o som que era emitido através dela e eu conhecia aquela música...
So,
Então,
So you think you can tell
Então você acha que consegue distinguir
Heaven from Hell,
O paraíso do inferno
Blue skies from pain
Céus azuis da dor
Can you tell a green field
Você consegue distinguir um campo verde
From a cold steel rail?
De um frio trilho de aço?
A smile from a veil?
Um sorriso de um véu?
Do you think you can tell?
Você acha que consegue distinguir?
- SYN! – rapidamente me uni contra as grades gélidas. – Por que você fez isso? Por quê?!
- Lucy?! – ele arregalava os olhos, encarando-me com espanto – O que faz aqui?
- Não importa! – disparei às pressas. Era triste vê-lo preso naquele lugar, triste de uma forma que não pensei que seria, que não pensei que meu coração sentiria. – Por que fez aquilo? Por que disse que me sequestrou?! Você ficou maluco?!
- Disse a verdade, Lucy... – ele suspirava, enquanto que com passos lentos aproximava-se ainda mais de mim. – Eu fiz muito mal a você.
- Isso não importa! – percebi que me sentia até mesmo revoltada. – Não tinha motivos para isso! Eu não quero te ver nesse lugar, eu não quero!
Percebi que seus músculos relaxavam e seus olhos me olhavam com bondade e uma estranha alegria.
- Não se preocupe comigo... Eu já te fiz tanto mal que... Eu quero somente a sua felicidade agora, nem que seja com o Arin.
- Como assim? – franzi o cenho, confusa.
- É o correto, Lucy... – seus olhos iam ficando vermelhos.
Did they get you to trade
Fizeram você trocar
Your heroes for ghosts?
Seus heróis por fantasmas?
Hot ashes for trees?
Cinzas quentes por árvores?
Hot air for a cool breeze?
Ar quente por uma brisa fria?
Cold comfort for change?
Conforto frio por mudança?
Did you Exchange
Você trocou
A walk on part in the war
Um papel de coadjuvante na guerra
For a lead role in a cage?
Por um papel principal numa cela?
- Não entendi o que você está querendo dizer... – por um momento, eu senti medo. Meu estômago formigava, enquanto minhas mãos e pernas tremiam.
Brian passou tanto tempo vindo atrás de mim, provocando-me sensações que nunca antes havia sentido por nenhuma pessoa e agora me diz tudo isso? Como? Por quê?
- Passei tempo demais cobrindo minhas mentiras, Lucy. – sua voz estava séria e sua face me encarava com certa rigidez. – Já está na hora de eu arcar com as consequências de meus atos e não quero que interfira...
- Mas Syn...
- Lucy! – ele me interrompia bruscamente. – Tenho que pagar pelos meus erros e você merece ser feliz...
- Mas eu pensei que eu pudesse...
- Não Lucy... – ele me interrompia mais uma vez.
Seu olhar devastador, aquele que fazia com que eu perdesse todos meus escudos contra ele, não estava mais ali. Eu estava vendo diante de meus olhos um homem tão rígido e sem vontade, como aquelas grades que o rodeava.
Aquilo simplesmente fazia meu coração se esfarelar. Eu queria dizer a ele o que sentia e o que pensava e que acima de tudo estava feliz com ele tão próximo de mim. Por incrível que pareça.
- Me deixe em paz, Lucy. – ele tornava a dizer. – Meu lugar é aqui e o seu é ser feliz... Arin gosta muito de você, afinal, ele veio até a Califórnia por você, não é? Mentiu para os seus pais para te proteger, cuidou de você mesmo estando longe, então ele merece.
- Syn... – tentei argumentar mais uma vez, embora parecesse inútil.
- Policiais! – ele dizia em voz alta.
- O que você está fazendo?! – perguntei confusa, vendo um dos policiais se aproximarem.
- Acompanhe a senhorita Dartagan até a saída. – ele dizia friamente.
- Como assim? Por que você está fazendo isso, Syn?! – percebi que de repente a nitidez de minha visão se perdia em meio às lágrimas que queriam cair. – E se... – eu tinha que ter coragem para dizer. – E se eu não quiser te deixar aqui?!
- Essa escolha pertence á mim. – seu rosto estava enrijecido, e ele nem se quer me olhava mais. – E por favor, policial, não quero mais receber visitar de Lucy Dartagan, também.
- Certo. – respondia o policial, deixando-me indignada.
- VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! – protestei.
Brian simplesmente virou-se de costas, colocando-se ainda mais no interior daquele cubículo, enquanto o policial forçava-me a me retirar.
- SYN! – tentei mais uma vez na esperança de obter alguma resposta.
Nada.
Eu não podia acreditar naquilo que estava acontecendo e muito menos no fato de que estava sofrendo com aquela situação toda.
Se Arin seria tão certo assim... Por que então eu me sentia tão mal?
Brian’s POV
Eu soluçava, como se aquelas lágrimas que banhavam meu rosto fosse a única coisa que aliviaria aquela dor massacrante que estava tomando conta de mim.
Michelle jamais me deixaria ser feliz e enquanto eu ainda estivesse em débito com Lucy, nada mudaria. Ela sempre colocaria Arin à minha frente, com as mesmas comparações das quais eu já estava ciente. Só espero que esse Arin realmente a ame muito e faça feliz, ou então eu seria acusado também por homicídio.
How I wish, how I wish you were here
Como eu queria, como eu queria que você estivesse aqui
We're just two lost souls
Somos apenas duas almas perdidas
Swimming in a fish bowl,
Nadando num aquário
Year after year,
Ano após ano
Running over the same old ground.
Correndo sobre este mesmo velho chão
What have we found?
O que encontramos?
The same old fears
Os mesmos velhos medos
Wish you were here
Queria que você estivesse aqui
Sua ausência me causava um vazio tão grande. Eu precisava dela ali comigo, queria ela comigo, mas se fosse com os mesmos medos e desconfianças e comparações... Que fim nisso daria?
Eu estava disposto a sacrificar minha própria felicidade por ela.
Notas finais
Espero que gostem. *-*
Comentem!
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