Danger Line

64 Declaração.


DECLARAÇÃO

Brian’s POV

Eu a vi de longe. Estava mordiscando o lábio inferior, enquanto segurava a gola da camisa que vestia. Parecia nervosa, e ela me olhava como se implorasse algo...

Mas o que?

- Concedo a palavra ao promotor de justiça, o senhor Peter Fordle.

Logo o promotor se levantava, caminhando até mim com passos firmes contra o chão.

- Senhor Haner. – dizia ele em voz alta. – Como que o senhor se declara mediante a acusação?

- Culpado. – disparei sem êxito, vendo que minha madrasta, Suzy, colocava as mãos em frente aos lábios, mostrando-se perplexa com as minhas palavras.

McKenna também estava lá, meneando com a cabeça de um lado para o outro, desaprovando o que eu dizia, enquanto meu pai abraçava Suzy por trás dos ombros.

- Então o senhor confirma ter sequestrado a senhorita Dartagan?

- Positivo.

Os murmúrios tomavam conta do recinto, obrigando ao juiz pedir por silêncio.

- Certo senhor Haner, e quando foi que conheceu a senhorita Dartagan? – ele tornava a perguntar, enquanto caminhava com passos lentos e me rondava.

- Conheci no último show que fizemos em Londres, há 7 meses.

- Como que tudo isso ocorreu?

- Bem, chamamos Lucy para o palco, ela cantou uma música conosco... – eu não pude evitar sorrir apesar da minha situação drástica. Pode parecer besta, mas aquela era a primeira vez que eu compartilhava a forma da qual conheci Lucy, e lembro-me como se fosse ontem, o quanto que fiquei encantado com sua beleza logo da plateia, enquanto ela sorria e cantava todas as músicas conosco. – Ela cantou extremamente bem, animou a plateia e como de costume, convidei para que ela fosse ao backstage.

- Costume? Então o senhor sempre levou suas fãs ao backstage?

- Tanto homens quanto mulheres. – dei de ombros. – Gostamos de nos aproximar dos fãs. Isso não vem ao caso, não havia maldade alguma.

- Entendo. E o que aconteceu após ter levado a senhorita Dartagan para o backstage?

- Bom... Nós começamos a conversar. Quanto mais ela falava, mais ela ria e sorria conosco, só fez com que eu fosse me encantando cada vez mais com ela. – suspirei, sentindo meu coração acelerar, enquanto meus olhos ainda focavam os de Lucy, que se mostrava completamente nervosa e aflita. – Ela disse que iria para a Califórnia durante a conversa. – eu tinha que mentir apenas por Eddie, não queria que ele fosse visto como cúmplice, assim como os outros garotos. – Disse que já estava com passaporte e visto em mãos...

- E então? – o promotor dizia.

- Eu coloquei um remédio em uma de suas bebidas para que ela dormisse... E então ela foi pro hotel conosco, continuamos conversando, mostrando as coisas pra ela, até que ela começou a ficar sonolenta e dormiu. Aproveitei para levá-la ao meu quarto, dizendo para os garotos que ela simplesmente havia ido descansar, eles aceitaram minhas palavras e foram tomar banho, dormir também, e ficou fácil colocá-la dentro de uma mala bem grande e quando eles acordaram, apenas disse que Lucy já havia ido embora.

- E ninguém desconfiou que poderia ter algo estranho nessa mala?

- Não. – respondi com convicção. – Quem presta mais atenção nisso na verdade é a nossa produção, mas Lucy estava em uma mala de instrumento, que é maior... Então realmente ninguém desconfiou.

- E o que ocorreu após terem chegado ao aeroporto?

- Fomos ao nosso avião particular. – dei de ombros. – E fiz questão em levar a mala maior comigo.

- E ninguém te perguntou o motivo da mala maior estar com você?

- Não. – franzi o cenho. – Por que teriam de perguntar? Certamente deviam ter pensado que era a minha guitarra, pois somos quase inseparáveis.

- E o que ocorreu quando chegaram?

- Foram cada um visitar suas famílias e namoradas, e eu fui ao nosso apartamento, e a deixei trancada na dispensa.

- Então o senhor afirma ter agido sozinho no sequestro?

- PROTESTO! – o advogado de defesa de repente ergueu-se de seu assento. – O promotor de justiça está afirmando algo que ainda não foi comprovado mediante a julgamento.

- Protesto concedido. – dizia o juiz com tranquilidade. – Promotor Peter Fordle, limite-se apenas a questionar o réu mediante suas atitudes.

- Certo Meritíssimo. – ele suspirava, tornando a me encarar. – Sendo então tudo que o senhor afirmou agora em seu depoimento, verdade, o senhor teria agido sozinho?

- Exatamente. – afirmei com convicção, mais uma vez.

Um breve instante de silêncio pairou, e eu apenas focalizei os pais de Lucy junto à minha família.

Jude e Jeremy não me encaravam com ódio, ao contrário, estavam com os rostos relaxados, apenas prestando total atenção ao que era dito.

- Certo, Excelência. Não tenho mais perguntas para fazer ao réu.

— Certo. Então devo pedir ao advogado de defesa, o senhor Watson para fazer perguntas ao réu.

- Sim, Meritíssimo. – Dr. Watson se levantava, caminhando até mim.

- Senhor Haner, já que afirma ter de fato sequestrado Lucy Dartagan... Como fazia para mantê-la presa?

Respirei fundo. Tinha que tomar cuidado para não difamá-la.

- Eu a prendi em um quarto de empregada que ficava logo após a dispensa do apartamento. – disse sem rodeios.

- Sim... Mas como era a rotina de vocês?

Olhei novamente para Lucy, que continuava na mesma posição aflita desde o início do julgamento.

- Eu nunca a tirava do quarto. – finalmente respondi. – Mas sempre lhe dei algo para comer e todas as noites ia lhe visitar...

- Todas as noites? Qual o motivo?

- E-eu... – senti meu estômago revirar. – Queria conquistá-la.

- Conquistá-la? Por quê?

Lucy’s POV

Eu não podia acreditar que ele simplesmente estava confessando tudo sem envolver nenhuma outra pessoa que estivesse ao seu redor.

Ele de fato estava determinado a assumir toda a culpa.

Mas por quê? Por que agora?

Será que ele fez tudo isso para me salvar de alguma forma??

Isso não podia se real...

- Eu vou dizer o porque. – Brian inspirou profundamente. – Na verdade eu já devia ter dito há muito tempo...

- Seja mais claro, senhor Haner. – dizia o juiz com severidade.

- Eu venho tentando conquistar essa garota desde o primeiro momento em que eu a vi. – logo ele erguia a cabeça, e eu pude perceber seu olhar de encontro ao meu. Senti minhas bochechas esquentarem, enquanto o brilho de seus olhos sinceros reluzia em minha direção. – Q-quando eu a vi pela primeira vez, logo percebi que ela seria especial...

- Especial como? – o advogado andava de um lado para o outro, enquanto encarava Brian.

- Senti meu coração pulsar. – ele estranhamente esboçava um sorriso despreocupado. – Ela estava lá no meu show dentre tantas plateias e tantas garotas, mas algo que eu não saberia explicar se destacou nela. Não sei se foi seu sorriso ou seu olhar, ou até mesmo sua energia e empolgação para cantar todas as músicas... A única coisa que sei é que quando a vi, não consegui mais tirar os olhos dela.

- Em algum momento o senhor pensou em lhe causar algum mal?

- De forma alguma! – ele disparava de imediato. – Jamais faria nada de ruim com ela... Nunca.

- Por enquanto é só, Meritíssimo. – dizia o advogado de defesa, retornando ao seu lugar.

- Certo. Promotor, tem alguma outra pergunta a fazer ao réu?

- Sim, eu tenho, Vossa Excelência. – o promotor se levantava, caminhando até Brian. – Senhor Haner, o senhor acaba de informar que jamais faria mal à vítima, mas devemos nos lembrar de que o senhor lhe deu uma substância para dormir! Como pode explicar isso?

- PROTESTO MERITÍSSIMO! – o advogado de defesa alterava a voz. – O promotor está querendo colocar o réu em contradição.

Encarei Arin, vendo que ele estava tão atencioso ao julgamento, assim como Michelle. A única diferença era que Arin estava aflito, enquanto Michelle mostrava-se estar se divertindo com a situação.

Meus pais também prestavam muita atenção, para eles realmente era primordial saber toda a verdade e o que realmente aconteceu quando eles ficaram sem falar comigo.

McKenna de vez enquanto me olhava, mas não com certo desapontamento como Matt, Zacky e Johnny me olhavam, Mc olhava como se pedisse por ajuda, como se suplicasse algo.

- Protesto negado. – dizia o juiz. – Por favor, senhor Haner, queira responder a pergunta do promotor.

- Sim, Excelência. – Brian então se levantava da cadeira, estufando o peito, enquanto seus olhos focavam diretamente a mim. – Eu vou responder!

- O que é que esse cara vai aprontar agora? – ouvi Arin murmurar.

- Pelo visto eu ia ter que dizer isso mais cedo ou mais tarde, não é? – Brian parecia falar consigo mesmo.

- Seja mais claro, senhor Haner. – dizia o juiz.

- Quando eu a conheci naquele show, eu era outra pessoa. – Brian ainda me encarava, como se tudo o que ele estava dizendo, fosse para mim. – Eu me achava um máximo. Afinal, eu era um guitarrista bem sucedido, fazendo turnê pelo mundo junto com os meus melhores amigos, tinha dinheiro... E acreditava que o mundo sempre cairia aos meus pés... Pensei que por sequestrar uma fã, ela iria gostar, afinal, a minha mente egocêntrica sempre acreditou nisso. Mas Lucy me fez deparar com uma realidade que eu preferi fingir que não existia, uma realidade onde o caráter vai além de status e dinheiro. – ele encarava Michelle brevemente, como se estivesse lhe dando uma indireta.

- Seja mais claro, senhor Haner. – dizia mais uma vez o juiz.

- Eu acreditava que antes podia fazer tudo, até perceber que não poderia fazer nada, que meu caráter estava manchado por uma vida medíocre da qual eu mesmo criei. – Brian ainda não tirava os olhos de mim, olhando-me serio e com determinação, sem gaguejar, sem hesitar. – Mas nunca, eu nenhum momento eu lhe quis fazer mal, pois desde o início, desde o primeiro dia em que eu a mantive presa, ela se mostrava uma pessoa completamente diferente das quais eu estava acostumado, meiga, sincera, realmente não tinha medo de jogar as verdades na minha cara, fazendo-me pensar, e até mesmo odiar a pessoa quem eu era naquele instante... Ela me deu esperanças e uma razão para querer fazer tudo sempre melhor e não simplesmente me acomodar por que a minha vida supostamente estava feita... E é por isso que... – ele abaixava a cabeça brevemente, ficando em silêncio.

Percebi que ele fincava as unhas na palma de sua mão, ficando com os músculos rígidos, com se o nervosismo começasse a tomar conta de suas emoções.

- Por isso o que, senhor Haner? – o juiz lhe encarava.

Brian então, de imediato ergueu a cabeça, tornando a me olhar fixamente.

- Eu não me arrependo do que fiz.

De repente, algumas pessoas começaram a murmurar ao mesmo tempo, encarando umas as outras, como se estivessem incrédulas com a última declaração.

Eu mesma estava. Como ele podia dizer aquilo? Estava querendo se afundar ainda mais?!

Arin e Michelle davam uma sutil risada e aquilo me fez querer enforcá-los.

Eu não estava do lado certo... Não podia ser.

- Silêncio! – exclamava o juiz.

- EU NÃO POSSO ME ARREPENDER POR QUE... – Brian dizia ainda mais alto que os murmúrios, fazendo com que todos se silenciarem, para então, ouvi-lo novamente. – Não posso me arrepender, pois nessa história toda, a única que realmente prendeu alguém, foi Lucy... – logo ele estava me olhando novamente. – Você me prendeu, Lucy...

Eu via os olhos das pessoas se direcionando a mim.

- E faz muito tempo que eu venho tentando te dizer isso... – ele tornava a dizer diretamente para mim.

O promotor e o advogado se entreolhavam confusos, enquanto o juiz parecia curioso para ouvir.

- Lucy! – ele dizia meu nome ainda mais alto, fazendo com que eu focasse a minha atenção apenas nele. – Eu te amo... – ele dizia em bom tom, pausadamente, para que não me restasse dúvidas de suas palavras. – Eu...te...amo! – ele disparou novamente.

Senti o ar faltar nos meus pulmões, olhando-o, espantada.

Ele me amava? Como isso era possível? Como ele teve coragem para dizer isso na frente de todas essas pessoas?

Fiquei transtornada com aquela suas palavras, meu coração pulsava fortemente, enquanto antes vazio, pareceu ter se preenchido com um sentimento desconhecido.

- Eu sou louco por você, Lucy. – ele dizia mais uma vez. – Eu sou e sempre fui apaixonado por você... EU TE AMO!

As pessoas tornavam a conversar entre si, enquanto o juiz tornava a pedir silêncio.

Eu não podia mais ficar ali sem fazer nada.

Levantei-me, e comecei a correr.

Eu não podia deixar a situação continuar como estava.

Notas finais
Aee galere.
Desculpem-me pela demora, mas eu devo ter comentado que eu estava em semana de provas da facul e tinha um projeto mega importante para entregar... Porém, finalmente as provas acabaram e o projeto também, o que significa que Danger Line voltará a ser postada com mais frequência. *-*
Deixem seus reviews. ♥