Notas iniciais
Oie!! Mais um capítulo, yey hsuhauhsuah... Agora pela visão de Caleb. *-*

Caleb

Quando eu vi aquela garota irritantemente brava saindo pela porta do salão eu me desesperei. Porque a verdade é que: eu preciso do dinheiro. O dinheiro que só a mãe dela pode me dar.

Ela fez contato comigo há um dia pelo telefone. Eu realmente não tenho ideia de como ela conseguiu o meu número, mas o fez. Estranhei quando o visor do meu celular mostrou que era uma ligação de São Paulo, já que eu moro no Espírito Santo. Achei que devia ser alguma promoção para o antigo dono do meu número, já que quase todo dia eu recebo ligações de farmácias com promoção de pomada para herpes. Eu realmente não quero saber quem era o cara.

Enfim, por algum motivo eu atendi o celular e fiquei surpreso e curioso com a proposta da mulher do outro lado da linha.

— Alô?

— Boa tarde, por favor, gostaria de falar com Caleb Strozzi.

— É ele.

— Ah, olá, Caleb. Sou Lídia Altenburg e eu vi que o senhor...

— Você, por favor. – qual é, eu só tenho 21 anos.

— Eu vi que você é dançarino e me interessei muito pelo seu portfólio.

— Obrigado.

— Bom, minha filha vai fazer dezoito anos daqui seis meses e nós vamos fazer uma festa. Como eu gosto de coisas bem clássicas eu queria que ela dançasse uma música, mas quando eu sugeri isso para ela, ela disse que só dançaria se eu achasse “um deus grego”, com as palavras dela, é claro. Quando eu a perguntei o porquê ela simplesmente disse que tinha seus motivos, por isso resolvi não contraria-la. Então eu achei você! – dei risada com a fala da mulher.

A filha dela deve ser uma daquelas patricinhas populares na escola e metida a rica. Pior tipo de garota. Infelizmente, já namorei com uma no ensino médio e realmente, essas pestes são intragáveis. Já estava pensando em dizer que não, quando, estranhando meu silêncio, ela disse:

— Te pago três mil reais, pago sua vinda para São Paulo e sua volta para o Espírito Santo, além da estadia aqui. – imediatamente meus olhos se arregalaram. Três mil reais para coreografar e dançar uma música?

— Onde eu assino? – falei e ouvi uma risada do outro lado da linha.

— O senhor... quer dizer, você pode vir amanhã? – mas já?

— Amanhã? – suspiro.

— Sim, eu só tenho três meses até a festa! – Três meses? Como ela quer que eu faça algo em três meses?

— Eu não tenho nada pronto aqui...

— Não tem problema, pode fazer tudo aqui. Vou deixar uma passagem comprada no aeroporto mais próximo de você. Amanhã você vem e alguém da minha confiança te leva para um hotel. Depois de amanhã temos o primeiro ensaio. – tudo tão rápido assim? Acabamos de nos “conhecer” e ela já me compra uma passagem para sair do meu estado por três meses? Ela não se preocupa se eu bato bem da cabeça, se não sou um psicopata?

E eu? Não deveria me preocupar se ela é uma golpista sequestradora? Mas, por algum motivo, eu confiava nela. Quer dizer, ou é confiança ou é desespero pelo dinheiro, mas prefiro falar que é a primeira opção.

— Tudo bem, eu aceito a proposta. — falei e ouvi uma espécie de comemoração do outro lado da linha.

— Pois bem, arrume suas malas e se prepare. Mandarei um e-mail com todas as informações necessárias.

— Você não quer meu e-mail?

— Não, querido, eu já providenciei. — nossa.

Então eu estou aqui. E depois de toda essa correria e do dinheiro oferecido, eu simplesmente não podia deixar que aquela garota estragasse tudo saindo por aquela porta. Por isso não consegui conter o impulso de pegar em sua mão extremamente gelada para impedi-la de ir embora.

— Por que fez isso?

— Olha, pode não parecer, mas eu preciso que fique. — decidi ser sincero.

— E por que, exatamente? — revirei os olhos e bufei. Que menina difícil.

— Eu preciso do dinheiro, 'tá?

— Interesseiro. — ela tentou fazer com que eu não ouvisse, ou não, do jeito que eu estou vendo que ela é... A olhei com repreensão.

— Acho que nós dois podemos ganhar nisso. — ela me olha com curiosidade. — Você se livra da sua mãe e eu fico com que é meu. — ela pareceu pensar e depois sorriu de canto.

— Retire tudo o que disse.

— O que?

— "Riquinha mimada exigente", "garota superficial"...

— Mas você é!

— Estou saindo. — e se vira em direção à porta novamente.

— Tudo bem! — me apressei a dizer e bufo frustrado. — Retiro tudo o que eu disse sobre você. — ela sorriu largamente.

— Vamos ensaiar? — começou a andar até o meio do salão.

~*~

Um desastre. Essas são as palavras perfeitas para definir esse "ensaio". No e-mail que a senhora Altenburg mandou, ela dizia que sua filha não sabia dançar. Bem, eu achava que isso não seria problema, já que ela nunca teve muita experiência para realmente saber, mas no momento que eu quis reproduzir alguns passos básicos com a menina, eu soube que sua mãe estava sendo suave com suas palavras.

Amália Altenburg é a maior perna de pau que já vi.

E olha que eu já ensinei muitas pessoas que não eram boas. Totalmente inflexível, teimosa e chata. Cada coisa que eu a falava ela tomava como uma ofensa. Eu explicava e explicava de novo sobre o que ela devia fazer, fizemos meia hora de alongamento e eu quase perdendo a paciência toda vez que ela resmungava. Passamos a treinar para fazer o passo básico da valsa, o clássico dois para lá, dois para cá e ela conseguiu pisar no meu pé sete vezes, além de tropeçar em seus próprios e quase ir ao chão, o que aconteceria se eu não tivesse a segurado.

E agora, depois de duas horas sem ter nenhum sucesso, ela me encara irritada sentada no chão, numa distância considerável de mim, como se a culpa dela não saber dançar fosse minha. Tudo bem que as vezes eu fiquei um pouco irritado com ela, mas também...

— Obrigada por nada. — ela resolveu falar. — Foi de muita utilidade duas horas de você gritando comigo sem motivo nenhum.

— Sem motivo nenhum? Sério?

— Tudo bem que eu não sei dançar, mas você, como meu professor, tem o dever de me ensinar.

— Foi o que eu estava tentando fazer nas últimas duas horas, mas você só resmungava e pisava no meu pé.

— E você devia ter concertado isso em vez de brigar comigo.

— Eu tentei, mas eu não posso te ajudar se você mesma não se ajuda.

— O que quer dizer com isso?

— Eu quero dizer que o fato de você ter fracassado numa dança idiota da oitava série só serve de desculpa para sua insegurança e falta de vontade sobre si mesma. — falei um pouco com raiva e ela olhou para o chão. Quando voltou a olhar para mim, depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, seus olhos estavam marejados. Droga.

— Tudo bem, não se preocupe em me ajudar. Eu vou garantir que no momento que eu sair por aquela porta nunca mais vou ter que ver seu rosto. — se levantou e correu para fora do salão. Tentei chamá-la, mas ela já estava dentro do carro indo embora.

Ela com certeza falaria para a mãe dela que nunca mais queria me ver ou algo do tipo e eu não podia deixar isso acontecer. Peguei o celular que estava jogado no chão do salão e disquei o número da mãe dela no registo de chamadas.

— Alô?

— Caleb?

— Olá senhora Altenburg, a Amália acabou de sair com um carro que vi que não era o seu, está tudo bem? Ela já chegou? — decidi demonstrar preocupação pela menina para justificar a minha ligação.

— Ainda não, mas eu mandei nosso motorista ir buscá-la, mas muito obrigada pela preocupação mesmo assim, é muito gentil. — e ainda fico bem na história. — Como foi a aula?

— Ah, foi ótima! Amália ainda tem muito o que aprender, mas ela está progredindo. — falei e ouvi um suspiro satisfeito da mãe dela.

— Que bom, eu fico muito feliz.

— Já podemos marcar a próxima aula?

— Claro que podemos. Vou ver o calendário, só um minuto. — eu esperei por uns minutos na linha. — Hoje é quinta feira, pode ser terça que vem?

— Estarei no salão. — sorri mesmo que ela não pudesse ver.

— Ela também! Boa tarde.

— Boa tarde. — e desliguei.

A minha única preocupação agora é o fato dessa menina não dançar nada, nem que sua vida dependesse disso. Eu preciso urgentemente inventar outra tática para ensina-la, já que o meu método antigo não se aplica a essa criaturinha chata. Pelo jeito ela tem essa mania de ser diferente e exclusiva em tudo e isso me irrita. Lembro do terrível desastre que ela foi nessas duas horas e de repente três meses parecem ser três minutos para mim.

Notas finais
Obrigada por ler e espero que tenha gostado! :3