Dancing Souls - Almas que Dançam

4 The way he played me exposed his true intention


Notas iniciais
Oie! Bem vindos a mais um capítulo! Boa leitura! *-*

— Querida, o que aconteceu? – escutei minha mãe falar enquanto eu corria para meu quarto. Não choro. Há algum tempo aprendi que ninguém merece minhas lágrimas e esse se tornou meu lema de vida.

Eu só estava... Surpresa. Surpresa e estranha com o que ele tinha me dito. Nunca coloquei em palavras o motivo de eu não querer e nem tentar dançar mais, mas ele o fez por mim. Na oitava série eu não era a mais amada dos alunos, estava bem longe disso. Eu era considerada a garota chata que tudo quanto é assunto acabava em escola, ou algo relacionado a ela. Por isso todos se afastavam de mim e não me davam chances para tentar provar o contrário, já que as raras vezes que eles vinham falar comigo era para tirar dúvidas sobre a lição.

Era chato, mas eu nem dava tanta importância assim, eu até achava que eles gostavam muito de mim, eu me sentia útil para eles. Para ele. Bernardo Lanim. O garoto por quem eu era perdidamente apaixonada desde os meus nove anos de idade. Ele era popular, todos gostavam dele, mas em todas as aulas ele sentava perto de mim. Ele falava comigo, tirava dúvidas comigo, perguntava para mim. Eu podia jurar que ele via algo em mim que as outras pessoas não viam, e eu o amava por isso.

Foi aí que aconteceu. Minha formatura. A dança. Eu caindo, todos rindo e ele foi o primeiro a sacar o celular para filmar tudo. Eu não me importava com as outras pessoas caçoando do meu tombo, nem um pouco na verdade. Eu só fiquei encarando aqueles olhos perdidamente azuis-piscina cheios de malícia do garoto apontando para mim.

Me senti traída, traída pela única pessoa que eu queria que me visse de verdade. Então eu percebi que tudo que ele fazia era se aproveitar de mim, eu estava cega por sua "gentileza". O pior é que ele sabia que eu era apaixonada por ele e isso foi apenas ponto de partida para tudo o que ele fez. Depois desse dia, eu soube por algumas pessoas que ele havia dito que sentia pena de mim. Pena por eu gostar dele e ele nunca ter cogitado ter algum sentimento por mim e pena por eu ter apenas servido para passar cola das provas para ele.

E ainda assim eu fui boba e continuei gostando dele por mais quase um ano. Mas, conforme o tempo foi passando, esse sentimento foi mudando dentro de mim, passou de "amar" para querer que ele sentisse o mesmo que eu, que ele visse como eu estou melhor sem ele e como eu podia ter alguém melhor que ele.

Foi por isso que eu pedi para minha mãe um "deus grego". Ela convidou a família dele para o meu aniversário porque eles fizeram negócios com meu pai há um tempo, então ele estaria lá. Pode parecer ridículo, mas eu queria mostrá-lo como eu estou agora, como eu mudei. Mas eu ainda tinha medo de seus olhos, e dos olhos dos outros, medo de que eu fracassasse, de que eu não conseguisse e ele estivesse lá para presenciar tudo de novo.

Então, quando Caleb derramou toda aquelas palavras sobre mim, eu desmoronei. Eu desmoronei com as palavras daquela pessoa que me conhecia por tão pouco tempo, mas que ao mesmo tempo me conhecia tão bem. Um arrepio subiu a minha espinha naquele momento e eu não consegui sustentar seu olhar, ou lhe dar uma resposta atravessada, como havia feito naquelas duas horas.

Eu senti que se eu ficasse perto ou me encontrasse de novo com ele, ele se infiltraria na minha mente mais do que eu podia controlar e eu não sei ao certo quais seriam as consequências disso. Ter uma pessoa que você mal conhece mas já odeia tão próxima dos seus pensamentos não deve ser saudável. Então eu faria de tudo para que eu não tivesse que me encontrar com aqueles olhos novamente.

Ouço uma batida na porta e minha mãe nem espera eu responder e já vai entrando.

— Querida, o que aconteceu? Por que você chegou correndo assim?

— Eu não quero mais dançar com aquele cara, mãe.

— Ué, por que, querida?

— Porque ele é um grosso chucro! Ele gritou comigo essas duas horas inteiras, além de não saber ensinar nada de dança. Estou começando a duvidar que ele dança tão bem quanto a senhora diz. — menti.

— Que estranho, querida, ele disse que a aula foi ótima, mas que você ainda tem muito o que aprender. — o que?

— Quando ele disse isso?

— Depois que você saiu do salão ele ligou para mim. — eu reviro os olhos.

— É claro que ligou. — resmungo frustrada e me jogo na minha cama.

— Você precisa ver, filha. Ele ligou todo preocupado por você ter ido embora num carro diferente do que eu te deixei. — soltei uma risada sarcástica. Parece que além de dançar e me irritar ele também atua.- E aí eu marquei com ele para terça feira que vem.

— O que? — grito indignada.

— Como a aula foi boa eu já marquei outra, oras.

— Mas não foi boa! Nem em um milhão de anos!

— Por que está fazendo isso, filha?

— Isso o que?

— Reclamando que a aula foi horrível quando ele diz que foi ótima. — eu a olho surpresa.

— Acha que eu estou mentindo?

— Você tem motivos, não é? Não quer fazer de jeito nenhum essa dança.

— Não acredito nisso! — pego minha almofada e afundo em meu rosto para abafar um grito.

— Ok, vamos supor que essa aula tenha sido horrível como você diz. Dê a ele mais uma chance. Vocês ainda estão se conhecendo, ele tem que se adaptar ao seu jeito para te ensinar.

— Não, estou decidida. — ela suspira frustrada.

— Tudo bem, então. — fala com uma voz desanimada e sai do meu quarto. É pegadinha, né?

~*~

Acordo com o despertador gritando no meu ouvido. Como eu detesto isso. Faz muito tempo que não o uso que esqueci o quanto é irritante. Me espreguiço e levanto da cama quase me arrastando para ir ao banheiro. Chegando lá me olho no espelho.

Eu perdi de novo.

Duvidei que tinha sido tão fácil daquele jeito, sabia que ela não era assim e estava completamente certa.

Escovei os dentes e decidi tomar um banho, para ver se minha cabeça esfriava um pouco, sem sucesso, é claro. Me visto e desço para tomar café.

— Bom dia. — falo desanimada.

— Que isso filha, não precisa ficar assim não. É para seu próprio bem e será mais legal do que você espera, tenho certeza.

— Simplesmente não tem como ficar animada, mãe, sinto muito. — pego um pedaço de bolo de fubá, um pouco de leite com achocolatado e como silenciosamente até minha mãe me apressar para ir para o carro.

Fazemos o caminho que eu já estou familiarizada e eu fico olhando pela janela o tempo todo. O dia está nublado como o meu humor e quase rio com essa observação. Chego ao destino, me despeço brevemente de minha mãe e olho para o lugar.

Estou aqui novamente, como há cinco dias.

Salão de festas Lemieux.

Notas finais
Espero que tenha gostado! Comente o que achou, é muito motivador!! Até o próximo cap, bjos! :3