Dama da Noite
2 Capítulo 2 Dourado
Notas iniciais
Acordei novamente trancada em minha cela, sobre o colchão duro com o corpo dolorosamente rígido, levantei e espreguicei-me, ao lado da porta havia um prato com pouca comida e um copo de água fresca, agradecei por isso. Devoreis o rapidamente, nem senti o gosto da comida passar por minha garganta.
Quando acabei de comer ouvi dois toques pesados na porta de ferro e uma voz chamando meu nome, aquele era o sinal.
“Lily apronte-se, esta na hora” disse uma voz dura do outro lado da grande porta. Levantei-me em um pulo e me afastei uns dois metros da porta, quatro soldados fortemente armados moveram a porta, abriram passagem e me guiaram para um corredor já conhecido, branco e frio. Hoje era o sétimo dia, dia de nos encontrarmos, iria ser testada novamente.
Ao adentrar no local já estavam lá quatro de nós, Thomas, um rapaz baixo e gordinho de pele pálida e olhos incrivelmente azuis, ele era o mais velho de nós, possuía 17 anos. Davi, o menino que eu tinha mais próximo de um amigo, desfrutava de cabelos tão escuros quanto os meus, tínhamos a diferença de idade apenas por alguns meses, ele era o mais velho com 8 anos , daqui 3 meses chegaria naquele estagio de idade. Sabrina, uma garota de ardia como fogo, olhos e cabelos intensamente vermelhos. Lucas, um garoto esguio e desajeitado, quieto, nunca dizia uma palavra a ninguém. Senti falta de duas meninas, elas eram gêmeas e tinham 9 anos, seus nomes eram Sarah e Sofia, elas eram as únicas que dividiam a cela, que podiam ficar juntas.
Aproximei-me de Davi que estava encostado em uma das paredes
“Olá Davi” disse a ele e virei minha cabeça para encará-lo
“Oi Lily” ele virou-se para mim e seu rosto que parecia ser esculpido entrou em choque por alguns segundos antes de perguntar “ O que houver com seus olhos?”
“Meus olhos?” repeti confusa “ O que a demais neles ? Eles estão como sempre estiveram” falei um pouco incerta.
Ele balançou a cabeça negando veemente “Não, ha algo a mais neles hoje, uma coisa animal... felina” exclamou me observando intensamente, desviei de seu olhar e observei meus pés descalços. “É impressão sua” sussurrei de volta, ele iria rebater, mas fomos interrompidos pela entrada das meninas idênticas. A porta se fechou atrás delas e ouvimos uma voz vinda de um alto-falante que ficava posicionado em um dos cantos daquela sala.
“A partir de hoje as coisas mudaram, vocês serão treinados por instrutores. Irão desenvolver as habilidades que estamos a dar de presente para vocês, devem progredir ao máximo durante os anos de treinamento, pois coisas ruins aconteceram e vocês são os únicos que podem impedir”
O som foi desligado e sete pessoas vestidas de branco entraram na sala, olhei para Davi, seus olhos estavam cheios de pânico, mas mesmo assim ele continuou firme. Afastei-me dele alguns passos quando os seres vestidos de branco se aproximaram, precisava de espaço de mais ar, minha cabeça jovem e infantil se enchiam de perguntas.
Quem eram aquelas pessoas? O que elas fariam? O que elas queriam? Vários pensamentos vieram à mente.
Cada um dos uniformizada escolheu um de nós, ate mim veio uma mulher de cabelos claros, porte rígido e testa franzida, ela se aproximou e quando estava a dois passos de mim.
“Quem é você?” perguntei curiosa.
“Sou sua instrutora, estou aqui para lhe ajudar, lhe ensinarei a controlar seus dons” disse simplesmente “Estique o braço” pediu.
“Para que?” perguntei mais mesmo assim obedeci, ela não me respondeu, pegou uma seringa que continha um liquido dourado segurou meu braço firmemente e aplicou aquele liquido desconhecido por mim em minha veia.
Olhei por cima de seu ombro onde Davi estava. Um homem aplicava o mesmo liquido negro de sempre em seu braço. Observei todos ao redor, eles continuavam recebendo o liquido escuro nas veias. “Por que o meu mudará?” pensei alto.
“Seu desenvolvimento começou parcialmente, iremos trocar seus medicamentos para ele chegar ate o fim” respondera-me ela. “Este é apenas o começo”.
Fitei-a incrédula “E os outros?” perguntei
“Continuaram com o medicamento anterior ate se desenvolverem parcialmente, quando alcançarem seu estagio trocaremos seus medicamentos” expôs ela.
“Posso ao menos saber seu nome?”
Pela primeira vez desde que entrara na sala a vi sorrir, um sorriso sem dentes, mas ainda assim um sorriso. “Meu nome... meu nome é Michela”
Foi assim, a partir de um nome que minha vida se transformou por completo.
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