Dama Da Noite

11 Olhos Vermelhos


Aquilo fora muito constrangedor. A cena dos dois passava a cada fração de segundo na cabeça dela. Uma parte da mente analisava tudo e chegava a uma conclusão impossível de ocorrer. A outra parte notava como Sebastian estava sério e calado, e sabia que as mãos dele se contraiam no fundo dos bolsos.

Talvez ela tivesse sido muito rude ao dizer para ele que saísse de cima dela, mas ela estava sendo esmagada; ele era forte. Talvez ela devesse agir como se nada houvesse acontecido. Seria melhor, mas não o certo.

Avery não era assim. Se era um problema, ela teria de resolver, não poderia deixar de lado.

–Drake...eu... –Ela não conseguia entender porque sussurrava as palavras e olhava envergonhada para a névoa.

Quando tomou coragem para levantar a cabeça, o olhar dos dois se cruzaram e ela pode sentir algo desmoronando dentro de si. Não era a hora, agora ela não conseguiria.

–Não...Nada. Não é nada. –Sussurrou.

E continuaram andando pela névoa, com um silêncio que parecia eterno e constrangedor. Mas em algum momento ela recuperaria sua coragem. Aquele silêncio não duraria para sempre.

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De acordo com seus cálculos, levavam dois “dias” para cruzar de um reino para o outro. O primeiro “dia” estava sendo um tédio. Só passavam pela cabeça dela desculpas ruins e aquela cena. Isso não ajudava a se distrair, a deixava agoniada cada vez mais.

Sebastian para de repente e ela continua andando mais um pouco até notar isso. Ele deixa e mochila e se deita. Ela estava cansada e não queria discutir. Tomou a mochila para si e se deitou também. Por alguns segundos, ela se permite fechar os olhos, depois volta a ficar atenta.

A coragem voltara, era melhor aproveitar a chance.

–Escuta Drake, eu...

Hesita, nervosa. Ele se virou para olhá-la e seus olhos pareciam retraídos. De um fôlego só, disseram juntos:

–Me desculpe.

Os dois sorriram. Estava resolvido. Parecia estúpido ter ficado tão nervosa antes. O coração de Avery estava apertado, mas agora ela tinha alguma paz.

–Boa noite, Drake. –Ela se virou, pronta para dormir. E se surpreendeu ao ouvir um sussurro:

–Durma bem, Avery.

Talvez ele pensasse que ela não tinha ouvido, mas aquilo era uma pequena, mas ainda assim uma melhora. Ela simplesmente não pode evitar aquele pequeno sorriso em seu rosto.

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Depois de ela ter acordado, continuaram a caminhada pelo segundo “dia”. Avery dormira bem e estava descansada, por isso podiam chegar mais rápido.

–Ei, não fique muito longe. –Sebastian a chamou, atrás. –Estamos chegando.

Novamente ela passava o tempo tentando adivinhar como seria o próximo irmão dele, que dissera chamar Will, e os poderes dele. Afinal, ela já vira animais e monstros. O que deveria esperar?

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Mais uma vez, mudança de paisagem. Não uma floresta, agora eram altos muros de concreto ladeados por soldados fardados.

Por dentro, parecia uma típica cidade moderna, assim como a que ela morava. Mas ela se sentia estranha ali. Embora os muros estivessem ladeados por humanos, ela sentia como se eles fossem animais. Olhando como se ela fosse comida e eles estivessem todos dispostos a lutar por um pedaço.

Sim, era exatamente dessa forma que os humanos olhavam-na.

–Fique perto agora. –Sebastian avisou.

Eles seguiram juntos pelo que parecia ser a avenida principal. A cada olhar dos humanos que passavam, ela se encolhia um pouco. Eram assustadores.

Um cara de aspecto incrivelmente feroz a olhou de lado e em um salto, ela agarrou qualquer coisa segura e próxima. E preta.

–Hum...-Ela recebeu tapinhas.

Olhou cheia de medo para cima. Sorriso fácil, olhos escuros, cabelo revolto. Apontando para sua jaqueta preta estava Sebastian. Felizmente o olhar dele não era assustador, mas estava entre estranho e divertido.

No momento em que ela soltou o braço dele, subiram os degraus de um prédio incrivelmente branco. Aquele palácio parecia mais um banco. E no segundo em que bateram as portas brancas atrás de si, ela ouviu algo se mover.

–Olá Drake. –Disse, saindo de trás de uma enorme pilastra branca e reluzente. –E olá humana. Ouvi vocês chegarem.

Avery agora notara o que mais a apavorava naqueles humanos estranhos. Olhos vermelhos. Will não tinha o sorriso amistoso de Nick ou o jovial de Jay. Cabelos cor de fogo até o ombro e aqueles olhos vermelhos e vivos já chamavam muito a atenção dela. Os jeans, camisa e todo o resto do ambiente em tons claros faziam um enorme contraste com os cabelos e olhos dele. Poderia até ser meio legal, se não fosse tão assustador.

–Quer que ela passe, não é? –Ele disse.

–Jay...

–Não, não foi ele. Jay não me avisaria nem se viesse tentar me trucidar ou duelar um pouco. Mas devo dizer que é um prazer ter a senhorita aqui. –Então Will tomou sua mão e a beijou, em um gesto de cumprimento.

Ela teve a sensação de que ele a estava provando, não estendendo suas boas vindas. Talvez estivesse certa, porque ele começou a caminhar em volta dela com um olhar pensativo.

–É uma excelente humana. Deixe-me lhe propor uma coisa. –Ele se sentou e a olhou sério. –Você pode ficar aqui, ter a vida eterna, reinar sobre este lugar, pode até ir ao mundo humano depois que o sol se pôr e sempre que quiser. O que acha disso?

–Não aceite, van Peur.

–Não escute ele. Posso agora mesmo te mostrar seus amigos, vivendo uma realidade sem você. Nunca mais vai precisar se preocupar com nada. Só o que precisa fazer é aceitar.

–O que acontece se eu aceitar?

–Compartilharemos laços e sangue. –Will realmente sabia jogar bem aquele jogo, cada proposta era tentadora. Ele sorria com a perspectiva de ela aceitar. –Esperei muito tempo para propor isso á humana certa.

–Não aceite.

–Fique fora disso, Drake. Ao que eu saiba, ela não pertence a você, então tem todo o direito de escolha até que se prove o contrário.

–Diga a ele. –Sebastian instigou-a.

–Dizer o que?

–Ela não vai aceitar nada! –Ele disse para o irmão.

–Não responda por ela. Ela não te pertence!

Os punhos de Sebastian estavam cerrados e ele tremia de raiva. Suspirou uma vez para se acalmar e respondeu:

–Pertence sim.

–Prove. –Will disse acidamente.

Agora ela realmente estava confusa. Eles estavam brigando por ela como se ela fosse algum objeto.

Sebastian coloca sua mão esquerda no pescoço dela. Os instintos lhe diziam para soca-lo agora antes que sua cabeça fosse arrancada, mas ela esperou e confiou nele para ver o que faria.

Depois, concluiu que devia tê-lo socado mesmo.

Notas finais
Maid e Mitchell, nada de spoilers! Estou quase chegando na melhor parte, então shhhh! Oh, reta final. Depois do Will só falta o Mitchell. Na boa, eu terminei de digitar isso no meio do curso só para cumprir com a minha promessa de escrever um capítulo toda semana...
Eu já escrevi o próximo capítulo \o/ mas só semana que vem hihihi