Dama Da Noite

37 Consequências


Notas iniciais
Estou bem zangada por ter demorado um bendito tempo para digitar esse capítulo. Esse fim de semana tem o ENEM e muita coisa para fazer, não sei se terei tempo para digitar o Hiccstrid que me pediram. Isso me chateia. Essa sexta, aliás, não está sendo boa. Mas eu prometi a mim mesma fazer deste um dia bom, então não vou desistir disso.

Eu estava pateticamente nervosa por dentro, mas ficar falando pareceu uma completa perca de tempo. Não era aquilo que eu queria. Então, resolvi ir direto ao ponto interessante. Já perdi tempo demais até hoje.

Não me lembro de ter feito aquilo conscientemente, mas então eu já o estava beijando, primeiro de leve depois com força. De bom grado fui, quando me puxou mais para si, envolvendo o pescoço dele com meus braços.

Se tudo ao nosso redor tivesse explodido, nunca teríamos notado nada. Eu quis segurar aquele momento e jamais solta-lo porque não era o bastante e talvez nunca fosse, para sequer compensar todo o tempo que passamos separados.

Mas finalmente pude ouvir meu nome sendo sussurrado por aquela boca.

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Vozes no corredor interrompem nosso silêncio momentâneo. Eram Andy e Mitchell passando por ali, sabe-se lá por que.

-Que acha que estão fazendo? –Ela pergunta.

Podemos ouvir a risada maliciosa de Mitchell um pouco abafada pelas paredes.

-Ora, recuperando alguns segundos do tempo perdido. Aproveitando antes...

Epa, daquela parte Sebastian ainda não precisava saber. Evito que ele ouça as palavras o distraindo com um beijo breve para roubar sua atenção. “Antes das consequências” penso, me lembrando do que Mitchell me avisara.

Me levanto de um salto, tomo a mão dele e o arrasto para o corredor. Ele tinha uma expressão bem confusa, afinal não tinha como compreender meus atos, um tanto quanto impensados.

-Para onde está me levando agora?

-Vamos embora.

-Agora?

-Claro. –Afirmei com certa veemência. — E porque não?

-Podemos ficar aqui e curtir um pouco. –Os olhos negros dele brilharam.

Sorrio.

-Tentador, mas não fique tendo esperanças de que isso aconteça. Precisa se adaptar ao mundo real. Quanto mais rápido voltarmos, melhor será para você.

-Mas quem vai tomar meu lugar no reino?

-Já cuidei disso. Venha comigo.

-E o portal?

Tantas perguntas. Não dá para simplesmente confiar em mim e vir em silêncio? Me esforço um pouco para abrir o portal e agora já podemos ir.

-C-como fez isso?!

-Andei aprendendo umas coisas.

-Nenhum de nós aqui sabe fazer algo assim. É incrível.

“Se perguntasse para seu pai, quem sabe ele estivesse de bom humor e te ensinasse, não é?” Puxei ele e fomos.

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Não sei quantas vezes já fui arremessada por portais, mas acho que já me acostumei, porque desta vez consegui, de alguma maneira milagrosa, cair de pé. Sebastian experimentava a sensação pela primeira vez e não teve a mesma sorte que eu, caiu com tudo no chão na floresta.

-Aaaaii!

-Bela aterrisagem. –Não pude conter o riso. Nem eu e nem Andy, que apareceu ao meu lado no instante em que chegamos.

-Porque ficam aí achando graça? Isso dói bastante.

-Levante-se. Vamos para a casa do meu pai.

Andy me olhou como se eu estivesse louca, o que talvez fosse verdade por querer ir lá tão subitamente. E ainda por cima leva-lo. Mas sei lá, eu posso inventar algo.

-Seu... pai? E ele sabe que vamos?

-Vai saber. –Dei de ombros. “...que eu vou aparecer lá sozinha.” –Depois que eu ligar para ele.

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A casa dos Summers ficava bem no fim da cidade, próxima á orla da floresta, bem ao fundo. Sempre tivemos uma vista meio que privilegiada de tudo, já que ali é bem alto e é possível enxergar tudo á volta.

-Porque estamos aqui mesmo?

Ignorei a pergunta. Tirei do bolso um celular e o joguei para ele. Eu mal me lembrava de ter arranjado dois depois de ter mandado Andy fazer qualquer coisa estúpida fora da floresta.

-Fique aqui. Se quiser dizer algo para mim, mande uma mensagem ou me ligue. Tem meu número aí.

Entrei, mesmo sabendo que não era muito legal deixa-lo ali quando acabara de se tornar humano, mas simplesmente senti uma vontade súbita de rever meu pai. Faziam anos que eu não o via, precisava informa-lo de umas novidades e dizer pelo menos um “Oi, pai, estou viva e estou relativamente bem.”

-Pai, estou em casa! –Digo, do mesmo modo que costumava fazer ao chegar em casa quando era criança.

Sawmell Summers desce as escadas com uma expressão desconfiada. “Afinal, não é como se ele visse sua querida filha todo dia... Ou algumas vezes no ano... Ou um ano sim e outro não.” Nunca sei dizer se ele fica feliz por me ver, não consigo decifrar nenhuma emoção significativa de seu rosto. Ele apenas oculta tudo que não quer que eu ou qualquer um saiba.

-Oi, filha. –O tom de voz dele não era nada amistoso, como se ele se perguntasse o que diabo eu estava fazendo ali, interrompendo algo importante.

-Quem é que está aí, Sam? –Ouço uma voz masculina familiar. –Ah... Avery!

Um cara desce rápido as escadas para me cumprimentar. No meio disso tudo consigo, felizmente, me lembrar de quem ele é.

-Gabe! –Eu o abraço.

-Meu Deus, olha só pra você!

-Eu? E você?! Nossa! Como chegou aqui?

-Estava na cidade e decidi meio que voltar ao passado, sei lá. Então eu acabei aqui.

-Que enorme coicid... –O celular começa a vibrar no meu bolso. –Só um minuto.

“Quem é esse cara?” leio. “Só um amigo” respondo. E faziam anos que eu não via Gabriel. Saímos todos dessa cidade para a faculdade e eu nunca me preocupei em voltar, nem para passar férias ou o que quer que seja, pelo menos não até agora.

-Temos de por alguns assuntos em dia. –Ele fala, com um sorriso.

-Claro.

“Não fique enrolando. Alguém lá fora parece que está com um bom ciúme do seu velho amigo. Se demorar muito, quem sabe as consequências não começam a se manifestar.” Andy me avisa mentalmente.

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Pude passar um tempo conversando com Gabe e sendo observada por meu pai. Falávamos principalmente de tudo o que havia mudado, mas o sr. Summers não se incluía nessa categoria. Ele continuava com os olhos castanhos duros e rígidos como sempre. Os anos não mudaram meu pai, mas mudaram um amigo, e talvez tantos outros que eu não encontrava á tempos também.

“Avery, seu cara lá fora está a ponto de arrebentar a portar e matar o Gabriel. Dá para se apressar?” Depois dessa fala amistosa dela, decidi que era mais seguro encerrar a conversa antes que uma briga acontecesse.

-Tenho de ir. É uma longa viagem até chegar em casa.

-Me dê seu endereço ou telefone, qualquer coisa assim. –Ele pediu, de um modo impossível de ser negado.

-Certo. –Anotei tudo para ele e fui me despedir de meu pai.

-Espera. Tambem vou para essa cidade, será que você não quer...

-Não, Gabe. –Cortei rápido, da melhor maneira que pude. –Mas faça umas visitas, certo? –“Por favor, não faça não, a menos que queira ser olhado de um jeito nada agradável enquanto conversamos.” Implorei, pensando.

Ele sorriu e olhei naqueles olhos verdes uma última vez, esperando com sorte, não vê-los outra vez tão cedo. O abracei e fui embora. “Ele se parece muito com o irmão de Sebastian, o mesmo nome e os mesmos olhos até.”

-Venha. –Tomei ele pela mão e me dirigi á floresta. –Andy, apareça. Vamos para casa.

-Pode ser perigoso. Ele não está acostumado com esse tipo de coisa. Além do mais é longe e são vocês dois.

-Vamos para casa. –Olhei para ela em desafio.

Quando volto a abrir meus olhos, já estamos no meu apartamento. Tudo exatamente do jeito que deixei quando parti. Me dá uma sensação boa estar de volta.

-Você está bem? –Pergunto.

-Estou. –Ele responde, começando a olhar em volta com certa curiosidade, mas logo depois fraqueja um pouco.

-Não está não.

Tenho de leva-lo apoiado em mim para o quarto, então lhe digo para ficar deitado. Talvez Andy estivesse certa dessa vez, mas ele teria de se acostumar a ficar aparecendo e desaparecendo com ela, pelo menos de vez em quando.

-Descanse um pouco. Não quer nada? Vou buscar algo para você.

Ele segurou meu pulso e me olhou firme, o que me surpreendeu.

-Quero que fique aqui, comigo.

-Sebastian... –Dizer o nome dele era um tanto quanto estranho, mas tão bom. Ele estava fraco por causa de todas aquelas mudanças e viagens, só que na verdade era eu quem não tinha forças e não pude recusar. –Tudo bem.

Agora ele era humano, e meu. Mas as consequências... O que Mitchell me dissera não saia da minha cabeça. “Loucura, sede de matar, alguma agressividade. Ele vai ter isso enquanto seu Guardião não estiver pronto. Não vai conseguir se controlar e isso vai surgir quando sentir emoções muito intensas, as quais ele não está acostumado.” Mas eu aguentaria. Não parecia que nada de ruim ia acontecer. Ao que me sentei na cama e ele imediatamente pôs a cabeça em meu colo.

-Tudo bem ficar assim? –Perguntou, meio corado, me olhando.

-Claro. –Sorri e ele fechou os olhos, sorrindo também. –Durma um pouco. –Sussurrei.

Fiquei o observando com toda a atenção. As roupas cheias de sangue seco que, claro, teríamos de trocar. Notei o cabelo preto, longo e espetado, cada detalhe de seu rosto, e fui tentando guardar tudo o que podia, cada detalhe cravado em minha memória, antes de adormecer também.

Notas finais
Imouto, volte para casa T-T Hoje foi um saco. Vou tentar conciliar minha vida, ver se não faço nenhuma besteira e quem sabe, se mamãe Atena resolver ser legal como ela geralmente é e dar uma mão~bajulação~, eu não me saio bem no ENEM? Há! Gostei desse capítulo, foi legal introduzir o sr. Summers. Nos vemos mês que vem!