Dama Da Noite

16 Ao Trabalho!


Notas iniciais
Ok, dane-se essa coisa de eu só escrever sexta. Não tenho nada pra fazer hoje á tarde, então decidi terminar esse capítulo logo. Algumas pessoas me devem capítulos...Podem considerar como direta mesmo, indireta é só para quando estou tentando ser mais discreta ou para fazer com que a Mitchell não entenda o que estou falando (não fique zangada, é brincadeira, Honey). Só não cito nomes porque é falta de ética...

O despertador toca sem parar numa canção irritante. Estou atrasada... de novo. Saio da cama num salto, troco rápido de roupa, pego minhas coisas e corro para a porta.

-Bom dia, Avery.

-Dia, Rachel.

-Atrasada de novo? –Minha vizinha diz.

-Sim, é... -Me atrapalho com as chaves, cheia de pressa.

-Nos vemos ás sete?

-Claro, ás sete. –Ela me dá um sorriso sonolento, satisfeita com a resposta, e pega sua correspondência, desço as escadas correndo, deixando-a sozinha.

Apenas mais alguns minutos. Já posso até ouvir a voz severa de minha chefe dizendo “Te avisei, nada de atrasos hoje.” Não ia dar tempo de pegar um táxi. Tenho de usar meu atalho.

-Andy. –Chamo, em um beco ao lado do prédio.

-O que? –Eu não posso vê-la ainda, mas ela estava ali.

-Apareça. Me leve para o trabalho. Rápido! –Digo, alarmada.

-Qual é, outra vez?!

-Anda, antes que eu me ferre. Não é seu trabalho me “conduzir para os bons caminhos” ou qualquer coisa assim? Vamos.

-Não é “conduzir” no sentido de ficar te levando para os lugares. Se Mitchell soubesse, ele bem que podia ter usado outra palavra. Instruções estúpidas...

Faço minha melhor cara de total falta de paciência.

-Tá bom, feche os...

-Olhos, já sei. Rápido.

Bastou que eu piscasse e chegamos. Espero um pouco até a tontura parar para poder ir. Nunca me acostumo com isso.

-Valeu, tchau. –Deixo minha Guardiã para trás e pulo da sacada de um prédio qualquer, tenho que correr.

Ninguém parece ter notado que, alguns segundos antes, eu não estava na rua e nem que pulei de uma sacada, ao invés de sair pela porta, como qualquer um. Era por isso que eu amava essa cidade. Daria na mesma se eu tivesse passado correndo como uma louca e só de toalha. Sorri.

Passo pelo portão e minutos depois ele se fecha ás minhas costas.

-Summers! Está... — Uma senhora me chama, aos berros.

-Não, senhora Blackwood. Viu? O alarme do seu relógio está soando agora.

Ela me olha com suspeita, como se eu tivesse atrasado o maldito relógio só para poder chegar na hora. Ei, eu podia pedir a Andy para fazer isso da próxima vez. “Nem pense nisso” a voz dela sussurra na minha cabeça. “Cale a boca, senhorita Consciência”.

-Vai ficar aí parada o dia todo? Anda, Jean está te esperando.

Me apressei a ir para a sala onde ele devia estar. A sra. Blackwood não era muito amigável e ficara ainda mais rígida depois de Jean lhe dar a droga do relógio de presente. Mesmo que ele tivesse o dado com a melhor das intenções, nem eu nem nossos colegas o perdoamos por isso.

-Ei, Ave, oi. –O garoto me recebe com um sorriso e me dá um abraço quase esmagador.

-Falei para parar com esse apelido, não foi? –Ralhei, mas em tom de brincadeira. –E Lucy, juro por Deus, algum dia ela vai me matar por causa desses seus abraços.

-Não vai não, juro. Ela não faria isso.

Sabia que não, mas é inegável que ela sente algum ciúme. Mas eu salvei a vida, ou quase isso, a sanidade do namorado dela. E depois disso me tornei sua irmã mais velha, a única família dele, ao passo que toda a antiga e verdadeira está morta.

Ele é um cara bem legal e diz que vai recompensar meus investimentos nele. Mesmo que eu pudesse pagar a faculdade dele durante uma vida, não faria diferença para mim. Jean é o irmão mais novo (embora tenhamos a mesma idade) que eu sempre quis e nunca tive.

-O que vai me ensinar hoje? –Pergunta, ansioso.

-Calminho aí, estagiário. –Zombei. –Primeiro vamos ver como vai o sr. Payne e só depois começamos.

-Ele melhorou muito, Ave, você vai ver.

A sra. Blackwood atravessa o corredor, nos olhando de cara feia, verificando se cumpríamos nossas atividades diárias. Eu estava certa de que a odiava, mas logo depois que saí da universidade a própria senhora me ofereceu o emprego.

Claro, eu podia me demitir. Mas o salário dos outros lugares não era nem de longe tão grande e compensador. E também havia Jean e os outros. O garoto poderia passar pela mais intensa raiva e não sair distribuindo porrada como antes, quando tinha IED (intermittent explosive disorder¹). Se o problema dele voltasse, eu garanti a todos que eu mesma me interno nesse lugar e aturo a sra. Blackwood até uma de nós morrer.

-Como vai a faculdade, hein? Espero que esteja se saindo bem.

-Ah, maninha, eu disse que me esforçaria. –Me chamar de maninha era outra mania dele. –Se quiser, te mostro minhas notas mais tarde.

-Que tal ás sete?

-Não. –Ele gemeu de desgosto. –Daniel e Joey vão ficar tirando sarro com a minha cara, como da última vez. Não quero que isso aconteça.

Eu ri e me estiquei para bagunçar os cabelos dele, os deixando numa massa castanha e desordenada. Então empurro uma porta escura e entro. “Hora de trabalhar.”

-Sir Payne, estendo-lhe meus cumprimentos.

O velho homem se vira da janela e me olha.

-Olá, senhorita van Peur, como tem passado? –Me responde, num tom formal.

-Muito bem, senhor. E contra o que tem lutado nesses tempos?

Ele se senta na cama branca e junta as mãos, sério.

-Os dragões desapareceram. Mas surgiram homens com estranhos canos de metal, tão pequenos que os levam nas mãos...

-São armas. –Jean sussurra, enquanto eu sorria e ouvia o senhor contar histórias de guerras que ele travara. –Ele já saiu da Idade Média e está aos poucos voltando para o nosso tempo. – O garoto me explicou. –Quero ver o que ele vai ser quando chegar à década de 80. –E riu baixinho no meu ouvido, me fazendo sorrir mais.

O dia seria longo, a sra. Blackwood certamente pegaria no meu pé, mas eu me divertiria como sempre. Logo o sr. Payne voltará para sua família assim como outros depois dele. Então aqui ia ficar tão vazio que eu teria de sair pela rua procurando loucos para livrá-los de suas loucuras.

Notas finais
¹intermittent explosive disorder: chamado Distúrbio Intermitente Explosivo ou Transtorno Intermitente Explosivo. Quando se tem isso, a pessoa sente muita raiva, por menor que seja o motivo, e não consegue resistir á impulsos agressivos, o que a leva a causar muita destruição. [Explicação totalmente simplificada. Se quiser saber mais, vá caçar informação por aí, oras]

Acho que a partir desse ponto é que minhas pesquisas acerca de psicologia e psiquiatria começam a revelar seus efeitos...
E Three Days Grace para me acompanhar enquanto digito o/