Dad's Boyfriend
16 O Que Aconteceu
Notas iniciais
— Você está bêbada? – uma das enfermeiras perguntou à Lilith, tentando segurá-la e impedir de invadir o hospital daquela forma. Sim, ela estava. Emily não tinha percebido por estar nervosa demais quando tentou poupar a até então paquera do vexame. Mas Lilith cheirava a álcool. Afinal, de onde mais ela encontraria coragem para expor suas teorias “da conspiração” em público, parecendo uma louca?
— Tire suas mãos de mim. – ela respondeu olhando fixamente pro corredor por que queria passar, ignorando o olhar desesperado da enfermeira e forçando a passagem.
— Mas a senhorita tem que assinar a lista e... – a pobre mulher foi interrompida com uma cotovelada.
Lilith avançou rumo à ala de sua “tia”. A pessoa que ela mais amava. Como não tinha pensado nisso antes? Ela realmente só podia estar bêbada pra pensar que um beijo de um amor que não correspondia, podia quebrar o que ela julgava ser a maldição do livro de Henry.
— Lily, não. – uma nova voz surgiu atrás dela.
— Emma, não! Espere! – outra voz por sua vez interveio.
Emma e Mary Margaret estavam ali. E se Emma queria impedi-la, isso só confirmava que sua teoria estava certa.
— Por quê? Só você tem o direito de ser feliz, queridinha? De poder lembrar de tudo que aconteceu? Ah, já sei. Eu não tenho o mesmo direito de saber quem sou que você tem, não é? – Lily riu em deboche. – Sempre foi assim, Emma. Você sempre ganha tudo. Sempre fica com tudo. Sempre foi a boa moça, não é, Emma? Quando éramos crianças, eu era sempre a que levava o título de “encrenqueira”, você, a “boa moça”. Eu... como é mesmo? “Corrompia” você. Foi o que me disse que algumas das suas famílias temporárias falavam, não é? Mas chegou minha vez de ser a boa moça. Eu vou salvar o dia dessa vez.
Emma não sabia por que cargas d’água a garota estava remoendo seu passado. Diferente do que Mary Margaret pensava, também não estava fazendo aquilo por seu pai. Bom, não totalmente, apesar de ser a felicidade do seu pai o principal motivo por qual não podia deixar Lilith arruinar tudo. Mas também porque tinham vivido tanta coisa naquele lugar, passado por tanta coisa, perdido tantas pessoas nas intermináveis lutas contra os vilões... E finalmente parecia que aquilo tinha acabado. Emma tinha trabalhado duro pra manter a cidade “limpa” até então e agora as coisas andavam bem. Ela finalmente podia ter a vida que sempre quis ter ao lado de sua família. Bom, ainda que não pudesse assumir publicamente quem eram seus pais, pela aparência física deles. – Não. – ela respondeu. – Não tem nada a ver com você e eu. Ou com orgulho. Lily, vai pra casa. – Emma vagarosamente levou a sua mão direita à arma em sua cintura.
A morena simplesmente a olhou com uma mistura de desprezo e ódio, e continuou correndo rumo ao quarto de Agatha.
Emma não hesitou em sacar a arma e atirar, mas Mary Margaret agiu a tempo, conseguindo derrubar a filha no chão e a bala atingiu uma lâmpada no teto, derrubando faíscas , pedaços de vidro e provocando fumaça. Além da poeira que caiu após a bala atingir também o concreto. Isso foi suficiente para distraí-las e Lilith sumir de vista.
E simplesmente aconteceu. Ninguém presenciou a cena, mas em poucos minutos, uma luz branca fortíssima “inundou” o hospital, espalhando-se para o resto da cidade.
Emma estava nos braços de Snow, sendo consolada, quando a então “salvadora”, passou por elas abraçada com sua mãe, fuzilando-as com o olhar.
Emma não levantou a cabeça para olhá-las. Sabia que tudo estava perdido e mais e mais porcaria estava por vir e sobraria tudo pra ela. Snow as encarou sem reação, mas logo voltou sua atenção à filha.
Maleficent tinha adoecido de uma forma que os médicos não conseguiam explicar, tendo sintomas de diferentes doenças, que não faziam o menor sentido ocorrerem em tão pouco espaço de tempo e logo tinha entrado em coma. Mas tudo era nada mais, nada menos, que a magia voltando-se contra ela, como um efeito colateral, por ter lançado a maldição do sono que serviu para Regina provocar tudo isso. E o simples beijo de amor verdadeiro da filha, serviu para não só desfazer tudo, como acordá-la mais saudável que nunca. Juntas, foram felizes para casa.
Poucos momentos depois da luz alcançar toda a extensão da cidade, Emily correu para o antiquário onde Lacey trabalhava. Ou melhor, Belle. Tinha algumas coisas que ela precisava dizer para aquela tão querida amiga que por várias vezes ela fez pouco caso nesse tempo em que viveu como “Emily Chang”.
— Hey! – ela gritou, correndo desesperada para dar um abraço na velha amiga.
— Emily. Hey. – ela sorriu tímida ao retribuir o abraço apertado.
A garota desbruçada sobre ela se recompôs e a olhou nos olhos, sorridente. — Bom, Mulan, se preferir. Belle!
— Na verdade... Mulan, eu acho que vou preferir continuar como Lacey mesmo. Aquela pessoa que eu era, que você conheceu, foi por muito tempo tola, sendo enganada por um homem babaca. E essa pessoa está morta há tempos. – ela sorriu de canto. – Mas... Como... Espera, essa luz?
— Ok... desculpe. Lacey então. Bom, eu não tenho nenhum problema com qualquer das identidades, então... me chame como preferir. Ah sim, sim! – Mulan exclamou animada. – Lilith. Ela quebrou a maldição. Você sabe quem ela era?
— Oh! A garota que você gostava?
— Ok, amiga. Vamos estabelecer uma coisinha aqui. Eu não te chamo daquele nome com “B” e você não se lembra da tal “tola” que foi por um babaca. Você me chama do que quiser, mas por favor, não me lembre que eu gostei daquela babaca.
— Hm, não sabia que... ok, peço desculpas. Não foi minha intenção incomodar, eu...
— Tudo bem! Tudo bem! Não precisa se desculpar. Esquece aquela Emily chata também que não ia com sua cara. Não estou nem um pouco irritada. Não com você. – Mulan riu. – Você sabe quem ela era ou não?
— Ela era só um bebê quando saiu da Floresta Encantada. Ela veio antes de todos nós e envelheceu nesse mundo. Ela é filha da Maleficent.
— Hã... espera aí. Filha da Maleficent que enfeitiçou a minha amiga Aurora num sono eterno? Que fez com que eu e Phillip enfrentássemos inúmeros perigos e atravessar quilômetros de espinhos para salvá-la?
Lacey riu. — Sim, suponho que seja exatamente essa Maleficent.
— Caramba, o mundo é pequeno mesmo. Qualquer um deles.
Então ambas caíram na risada. Elas estavam felizes por serem amigas de novo. Não sequer precisavam de motivo para estarem rindo feito idiotas. Elas se abraçaram novamente e conversaram durante horas até que ao citarem situações embaraçosas, lembraram de alguém que estava com elas nessas situações todas e disseram em coro:
— Ruby! — e ambas saíram correndo de braços dados como duas crianças, desesperadas para se encontrarem com a amiga. Tinham muito o que conversar.
Mas Ruby não estava no Granny’s ou em qualquer lugar que podia ser achada por elas.
Ela estava com August. Naquela manhã, August acordou com o braço dormente e um estranho peso em cima de si. Esse peso era uma mulher nua. Ruby. É, nua. August estranhou o fato dela ter voltado a sua forma humana sem estar vestindo suas roupas, porque quando se tornou uma loba, sua roupa magicamente transformou-se nos pelos. Era de se esperar que ela voltasse da mesma forma, mas pelo visto, não havia alguma regra para isso. Magia era algo muito recente pra ele e desde já a achava uma adolescente bipolar.
Ele com muito cuidado tirou o braço dela de cima dele e foi removendo seu corpo debaixo do dela aos poucos, chegando para o canto para não acordá-la. Ele saiu da cama vagarosamente e olhou para sua garota completamente sem roupas, com aquelas curvas divinas, deitada na sua cama como um anjo. Ele já estava com uma baita ereção quando decidiu ir se aliviar no banheiro do quarto. Ele saiu tropeçando pelas roupas dela jogadas pelo chão e fez barulho ao tropeçar e bater a canela na estante. E a “bela adormecida” acordou antes que ele pudesse alcançar o banheiro.
— Ei... bom dia. – ele murmurou acanhado.
Ruby corou num tom que ele não julgava possível para um ser humano. – Oh meu Deus, August eu...
— T-tá tudo bem.
A garota se enrolou nas cobertas dele para cobrir seu corpo e se levantou da cama. – Eu acordei no meio da noite e não consegui dormir de novo... porque eu estava vestida. Isso é embaraçoso, eu só costumo dormir nua quando estou em casa. Eu pensei que acordaria antes de você e me vestiria a tempo.
— Bom, não que eu tenha me incomodado com isso... Na verdade Ruby, nós namoramos há algum tempo e nós nunca...
— É, eu sei. – ela interrompeu antes que ele usasse a palavra. Ela tinha criado uma enorme insegurança em relação ao sexo. Desde que matara seu namorado na Floresta Encantada, ela não tinha se relacionado sexualmente com ninguém, mesmo em sua fase “piriguete” após a primeira maldição, ao contrário do que todos pensavam. Ela tinha dado em cima de vários caras, saído com alguns, se decepcionado com a metade, trocado beijos e carícias com 1/3. Isso reduz bastante a lista. Mas nunca ido para a famosa “terceira base” com qualquer deles. Ela se guardava para quando se sentisse apaixonada.
Então uma luz invadiu o quarto pelas frestas da janela. Uma luz muito forte. Houve silêncio por alguns segundos, mesmo depois da luz sumir. August ficou boquiaberto olhando para o chão e então levantou a cabeça e encarou a namorada. – Ruby... eu... – ele correu até ela e lhe deu um beijo, segurando-a pelas bochechas. Ao se afastar, sorriu pra ela com o grande e brilhante sorriso branco que a deixava boba. – Eu me lembro de tudo!
Ela hesitou por longos milésimos de segundos, piscando algumas vezes. – Você quer dizer que... Eu sabia de tudo, August. Eu não podia contar pra você. Você está bravo comigo?
— Bravo!? Não! Por que eu estaria? Na verdade, eu acho lindo que tenha me conquistado como se nunca tivéssemos nos conhecido antes. Deve ter sido duro pra você me tratar como um desconhecido durante um longo tempo até finalmente começarmos a nos falar. E eu entendo. – ele agora estampava um sorriso de lábios cerrados. – Eu tenho certeza que teve um motivo pra esconder a verdade de mim. De certa forma, você queria me proteger. Estou certo? – August carinhosamente tirou uma mecha de cabelo do rosto de Ruby e ela simplesmente o beijou de novo, apertando-o bem forte.
— Bom... – ela sibilou se soltando dele. — ...Eu ainda estou completamente sem roupas. E você está duro. – ela colocou a mão sobre o volume na cueca boxer dele, fazendo-o engolir em seco.
Em seguida ele sorriu maliciosamente pra ela. – Sabe, na verdade eu pensei que quando voltava a ser humana, suas roupas desapareciam. Foi isso que entendi quando te vi assim na minha cama. E você simplesmente acordou e tirou as roupas para dormir pelada?
Ruby caiu na risada e lhe deu um amigável soco no ombro. – Você faz o lance de transformar parecer mais idiota que realmente é.
— Eu te amo. – foi a resposta dele acompanhada de um sorriso encantador, qual ela correspondeu.
— Eu também amo você.
August a pegou no colo, enchendo-a de beijos por toda parte, fazendo cócegas nela. Ele a colocou na cama e ficou sobre ela. Depois de alguns beijos, ele o a olhou muito sério . – Depois que terminarmos isso, você vai me deixar preparar um café da manhã digno de uma rainha pra você. Nada de ir embora e tomar café no Granny’s. Não que eu esteja criticando.
Ela riu. – Tudo bem, August. Me parece perfeito. Você é perfeito.
De fato, August preparou um esplêndido café da manhã para a namorada depois que finalmente saíram da cama.
Não demorou para que Marco voltasse para casa correndo. August sabia que assim que ele percebesse que o feitiço fora quebrado, apareceria em casa correndo para ver como o filho tinha reagido. Ruby tinha contado que Marco já tinha “acordado” e descoberto ser na verdade Gepetto há tempos.
O homem chegou com lágrimas nos olhos e com o coração acelerado. Sem dúvidas temia que a essa altura August já estaria fazendo as malas.
— August!... P-Pinocchio!
— Pai.
Eles se abraçaram. Ruby observava do canto da cozinha, sorrindo comovida.
— Olá, Sr.Gepetto. – ela acenou quando ele olhou pra ela. Ele tirou sua boina e fez um sinal com a cabeça como comprimento, sorrindo mais tranquilo.
— Pai, você já conhece a Ruby. Ela e eu...
— Humpf! – murmurou o mais velho. – Acha que eu não sei, menino? Você me disse ontem que ia sair com ela e provavelmente chegou de madrugada. Sua porta estava trancada quando fui despedir de você pra trabalhar. Eu posso ser velho, garoto. Mas eu entendo das coisas.
Ruby e August ficaram igualmente vermelhos.
— Pai!
— O quê? Eu sei bem o que vocês fizeram, danadinhos. Bom, eu não quis incomodá-los pedindo pra você ir buscar o café da manhã, August. Então passei no Granny’s antes de ir pra carpintaria. Aproveitei que a Granny queria que eu arrumasse o encanamento pra ela e tomei café por lá. Mas antes de voltar pra cá, passei lá de novo e trouxe isso aqui pra vocês dois. – ele ergueu um pacote numa das mãos. – Mas parece que já se viraram por aqui. – Gepetto disse sacudindo a cabeça negativamente ao encarar a bagunça na pia e a mesa suja.
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