Dad's Boyfriend
24 Felizes por Hora e o Baile de Henry pt.1

Como é de se esperar, foi um caos para resolverem a situação com David e Kristoff sendo apreendidos pela polícia, se tratando do mundo humano comum. Mas no fim das contas, quem acabou os livrando foi Ursula, que usou seus poderes de sereia para seduzir os policiais e os fez fazer uma literal queima de arquivo.
O mais engraçado é que ninguém havia parado pra pensar em como seria a viagem de volta sem Regina. Como não era possível que ela fizesse o processo reverso dali de Storybrooke e nenhum deles sabia abrir portais, tiveram de improvisar sozinhos o jeito de voltar. A cômica solução foi que Spencer pegou dinheiro no banco para comprar à vista uma minivan. E então dirigiram todo o caminho de volta para Storybrooke.
As demais coisas foram se resolvendo aos poucos. Algumas, não de uma forma exatamente saudável ou feliz. Chegaram notícias de que Poseidon e Hades estavam mortos. Neste meio tempo, Hades havia assassinado Poseidon em seus próprios domínios. Vingativo (ou talvez estratégico), Zeus desceu dos céus para vingar a morte do irmão favorito. Sem Poseidon ou Hades em seu caminho, Zeus agora estava livre para governar onipotentemente, despreocupado com os deuses menores que em nada podiam lhe policiar. Ursula estava num luto sem fim. Tudo havia começado com a morte de Cruella, o grande amor de sua vida, para quem nunca teve a oportunidade de dizer o que sentia. Cruella era esnobe e egocêntrica, se insinuava para Ursula e se divertia com isso. Talvez soubesse que era admirada de um jeito convencional, mas a bruxa dos mares nunca teve coragem de admitir isso. Agora, vivia à sombra do passado de Cruella em Storybrooke. Se apegou às suas roupas e pertences, andava pelos lugares que Cruella andou, frequentava os mesmos bares, assistia as coisas que assistiram juntas. Vivendo nesse loop, entrou em uma depressão, que se agravou com a morte de sua irmã Morgana e outros entes e amigos queridos do reino dos mares quando a guerra dos deuses começou. Não bastasse tudo isso, agora seu pai tinha sido morto pelo irmão. O sofrimento dela parecia não ter fim. Por sorte, se é que podia chamar de sorte, pelo menos com Zeus no comando de tudo, ela podia fechar os olhos e dormir sem se preocupar com Hades. Sabia que Zeus estava pouco se lixando para ela e o sentimento era recíproco. O que ela fazia agora? Bom, terapia. O doutor Archie Hopper era um excelente profissional que realmente estava ajudando-a seguir em frente. O maior passo tinha sido admitir pra ela mesma que precisava de ajuda. Também tratou de sua depressão com medicamentos e passou a viver sua vida de um jeito mais leve. Depois de tantos problemas, agora ela ainda tinha algumas pessoas a quem talvez pudesse chamar de “amigos”. Além de se reaproximar de Regina, que estava lhe dando muito apoio como a amiga que jamais imaginou que ela pudesse ser, Ursula conheceu melhor David e aqueles jovens que haviam a resgatado. Uma em especial, a jovem Mulan, por quem desenvolveu um carinho especial e passou a exercer uma espécie de figura materna para a moça, dando ótimos conselhos lésbicos, se vamos ser francos. Ursula e Spencer trocavam muitas farpas depois do ocorrido, porque ela descobriu que ele havia colaborado pra que tudo aquilo acontecesse com ela. Mas bem no fundinho? Eles até se gostavam. E o pequeno lado hétero da sexualidade de Ursula, o achava um coroa bonitão.
August e Ruby não se distanciaram, pelo contrário, estavam mais próximos que nunca: como melhores amigos. Eles nem sequer conseguiam ter mais atração um pelo outro, de tão fraternal que se tornou a relação deles.
Mulan também se tornou muito próxima de Kristoff, que no semestre seguinte se tornou seu veterano na faculdade. Isso mesmo, Mulan tinha entrado na faculdade de direito. Entretanto, ambos preferiam não mais atender por seus antigos nomes. Emily e Chris agora queriam viver suas novas vidas desprendendo-se de seus passados. Passaram inclusive a morar juntos, dividindo a casa de Chris e se tornaram os anfitriões da “Noite da Pizza”, com o “Esquadrão do Resgate”, nome que deram para o grupo de amigos que agora se reunia semanalmente, sendo eles dois com Ruby, August, na maioria das vezes David também e até Ursula, apesar de ser mais resmungona e fingir que não fazia tanta questão deles.
Em uma dessas reuniões, brincaram de verdade ou desafio e Chris desafiou Ruby a beijar sua bff, Emily. O que se pode dizer? Ruby beijou uma mulher e gostou disso.
E ah, sim. Chris tinha resolvido suas pendências com o namorado e conviviam muito bem. Decidiu perdoá-lo por seus erros, depois de muito torturá-lo psicologicamente para fazê-lo se sentir culpado. Mas como dito, agora estavam bem e era o que mais importava.
A cidade estava segura e ninguém minimamente mágico tinha invadido Storybrooke nesse tempo. Na verdade, praticamente ninguém de fora tinha passado pela cidade. E Regina decidiu não sequer proteger mais a cidade com uma linha mágica. Decidiu que todos estariam livres para ir e vir e aquela cidade, que agora constava nos mapas, não se esconderia nunca mais. A única insegurança dela quanto a isso, era Henry. Talvez ele fosse o único motivo pelo qual ela quis isolar a cidade durante tanto tempo. Tinha medo de que ele fosse embora.
E por falar em ir embora, Elsa retornou para Arendelle. Sozinha. Isso mesmo, sozinha. Arendelle precisava de sua rainha e aquela rainha precisava desesperadamente de Arendelle. Mas Anna (ou Juliet, melhor dizendo), ficou para trás por opção própria. Era curiosa demais por aquele novo mundo para abandonar tudo e voltar para um castelo, vivendo cheia de responsabilidades reais. Estava mais interessada em terminar seu curso, se tornar uma jornalista e se mudar para uma capital. As duas irmãs ainda davam um jeitinho mágico de se manterem conectadas.
Hans (o Peter, durante a maldição) também ficou naquele mundo, graças à Juliet. Ela percebeu que o rapaz precisava de ajuda para se encontrar, se entender e melhorar como ser humano. Ela também o levou ao doutor Hopper, mas ele mesmo decidiu procurar uma ajuda mais especializada. Peter foi constatado com sociopatia, ele havia nascido com esse transtorno de personalidade e não importava se ele vivesse como Peter ou Hans, aquilo era genético dele e precisava ser tratado, suas chances eram melhores no mundo “real”. Ele também passou a se entender como assexual, o que explicava muita coisa, como sua repulsa pelas investidas sexuais da amiga quando quase tiveram um “lance” no passado. Isso significava que Peter além do transtorno antissocial que lhe gerava comportamentos hostis e controladores, ele coincidentemente estava num espectro muito neutro de sexualidade em que não se sentia atraído sexualmente por ninguém. Isso talvez dificultasse as coisas um pouquinho para seu tratamento, uma vez que era muito desconfiado das pessoas e tinha um comportamento “arisco” e defensivo com demonstrações de afeto. Nos últimos meses, ele ainda tinha se afundado em drogas, então a melhor solução foi se internar numa clínica de reabilitação, com todo suporte psiquiátrico e médico que precisava. Juliet apesar de tudo, ainda estava feliz por ele se redimir e aceitar ser ajudado. Não tinha nenhum rancor dele.
Mary Margaret vivia uma relação mais amigável com David e seu novo namorado agora. Ela só ficava um pouco irritada quando os rapazes deixavam Neal jogar jogos violentos quando ficava com eles nos finais de semana. Mas David conversou com Neal e Chris e agora eles só jogariam Mortal Kombat juntos de novo se prometessem manter segredo absoluto, então ficou tudo bem. Principalmente para Neal, que se tornou melhor jogador que seu amigo mais velho.
(Alguns meses depois, no fim daquele ano)
— Posso me sentar aqui? — uma voz masculina soou por trás de Juliet, que estava bebendo sozinha, com o rosto escorado num de seus braços, no balcão de um bar. A garota se virou e reconheceu imediatamente aquele rosto.
— Ai meu Deus! — exclamou quase derrubando seu copo. O barman a olhou atento, pronto para lhe chamar atenção, mas ela preveniu a tempo o acidente. — Você é o moço do spray de pimenta! — August deu uma risada. — Digo, na verdade é o moço em que eu ameacei jogar spray de pimenta, mas olha, me desculpa, não tinha como te defender, você tava parecendo mesmo um estuprador e eu...
O rapaz falou com dificuldade em meio aos risos. — Eu tenho cara de estuprador então? Que coisa horrível de se dizer pra alguém!
— Não! — ela tentou se corrigir. — Quero dizer, em termos, naquele contexto você tinha sim, mas agora te olhando assim, eu não te vejo mais como antes eu... É que tipo, você parece uma pessoa normal. Claro, você é uma pessoa normal. — ela pôs a mão na testa, preocupada por estar falando demais. — Meu ponto é que agora sei que você não estava machucando ninguém aquele dia e eu realmente sinto muito pelo spray de pimenta.
August puxou um banco para o lado dela e se sentou, sorrindo para a garota. — Meu nome é August Booth. É um prazer.
— Juliet. Juliet Montague. É um prazer, August. — e estendeu sua mão gentilmente para o rapaz, com o rosto ainda um pouco corado pela situação.
— O prazer é todo meu, senhorita Montague. — o moreno respondeu pegando a mão da garota e levando-a à altura de seu rosto para beijá-la ao invés de sacudir num cumprimento normal. Depois do galanteio, ambos caíram na risada.
Conversaram por horas e beberam uns bons drinks juntos. Falaram sobre a vida na floresta encantada, sobre quem foram na última “maldição” em Storybrooke, e o mais curioso, descobriram que teoricamente, segundo constavam documentos, ambos teriam estudado no colégio de Storybrooke no mesmo ano, na linha do tempo criada pela última maldição. Eles tinham sido colegas de sala, apesar de nunca terem se conhecido devidamente. Na despedida, seus dedos se encontraram acidentalmente e August segurou os dedos dela, enquanto trocava seus últimos flertes. Ela brincou com os dedos dele e ambos sorriam bêbados esperando uma iniciativa para se entregarem a um beijo. Para a sorte de ambos, a iniciativa foi recíproca.
(Naquele final de semana, Escola Municipal de Storybrooke)
Era o fim do ano e finalmente estava chegando o baile de formatura. Henry estava com um nó na garganta, um no estômago e em todas outras partes de seu corpo. Estava no colégio ajudando com os preparativos da grande festa, ao lado de sua maior crush e companheira de baile, Stefani Dardo. Stefani era uma colega de longa data, tinha sido Violet em Camelot, na Floresta Encantada e veio para Storybrooke na primeira maldição, a original de Regina.
Diferente do desajustado Henry, a garota era descolada e popular, adorada por todos na escola.
— Aqui, segure esta ponta, vai me ajudar a pendurar essa faixa. — disse a garota num sorriso branco que derreteu o coração de Henry.
O garoto fez o que ela pediu e a olhou nos olhos. — Sobre o lance de concorrermos a Rei e Rainha do baile, acha isso mesmo necessário? Tipo, nível extremamente necessário? — seu sorriso era bastante nervoso.
— Relaxa, Henry. Já te disse que não há o que se preocupar com isso. Já tá no papo. — Stefani pareceu confiante como sempre.
— Stef, é que você sabe, eu... Eu não sou tão popular assim no colégio. Tenho medo de prejudicar você. Você sonha com essa coroação e eu... bem, não.
— Henry. — a garota desceu de uma escada, alisando seus longos cabelos negros e lhe encarou no fundo dos olhos. — Tudo que quero é que me busque às 19hs como combinamos, esteja bem vestido e que garanta que seus quatro ou cinco pais — ela não entendia muito bem e se confundia quando o assunto eram os pais de Henry, pois havia Emma, Regina, Hook, os avós David e Snow que as vezes pareciam seus pais e mesmo Chris que estava sempre junto com seu “pai” David. Stef não sabia o nome de nenhum deles senão de Emma e para ela todos eram seus pais igualmente — estejam aqui pra nos ver e se orgulharem. O resto você deixa comigo.
O garoto sorriu todo bobo.
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