Dad's Boyfriend

25 Felizes por Hora e o Baile de Henry pt. 2


Notas iniciais
Depois de muitos anos, escrevendo e desistindo, mas sempre voltando por algum incentivo significativo de algum leitor que me achava aonde quer que eu me escondesse, eu finalmente termino este ciclo da minha vida como autor de uma fanfic só e termino também um importante ciclo na história de David e os outros. Eu só tenho a agradecer imensamente a absolutamente todos que algum dia leram, em especial o último leitor que veio me pedir no twitter pra terminar essa história. Espero que gostem tanto como eu deste final que estava planejado desde o começo da história, que apenas mudei detalhes e resumi esse desenvolvimento pra chegar no momento que sempre quis, apesar de ter outra cabeça agora. Porém faço uma ressalva deste fim! Que estará nas notas finais e você terá que ler o capítulo todo pra entender! hahaha



Enquanto Henry suspirava com seu romance adolescente, alguém se aproximava por trás dele sem que nem percebesse. Stef tentou avisar-lhe com os olhos para se virar, mas antes disso, uma breve e falsa “tossidinha” lhe chamou a atenção.

— Sr. Mills. — disse uma voz grave após após a tosse. — Acho que devemos ter uma palavrinha em particular.

Henry conhecia aquela voz em qualquer lugar. — Black Beard! — o garoto cerrou os punhos e entrou na frente de Stef, como um nobre cavaleiro pronto para defender uma donzela, mas a garota bufou num risinho e saiu andando tranquilamente.

— Depois me procure, Henry. Estarei com a Paige na mesa de bebidas. — informou a garota antes de seguir plena.

— Robert Rogers, eu prefiro. — corrigiu “Black Beard”. — E acho que pode abaixar esses punhos, caso esteja prestes a me ensinar algum passo de dança, eu admito que não estou muito interessado.

— O que está fazendo aqui?! — o garoto vociferou. — Você e Hans já não voltaram para infernizar Elsa e outras pessoas na floresta encantada?

Sr. Rogers teve que pensar um pouco. — Oh filho, não. Hans, Peter… Ele está fazendo algum tratamento em outra cidade, neste mundo mesmo. — em seguida passou a mão pelo grosso cavanhaque. — Mas você é quem deve explicações aqui, mocinho. Há alguns meses atrás, eu estava trabalhando bem aqui nessa escola e algo muito estranho me aconteceu. Eu fui atacado por duas pessoas, enfiado num armário de vassouras e a próxima coisa que me lembro é de acordar em casa, no sofá. — neste momento suas sobrancelhas se estreitaram e sua feição ficou assustadora. — Eu passei dias confuso, mas eu sei que não foi um sonho, o galo na minha cabeça foi bem real. Eu desconfiava de você, apesar de ter sido muito rápido e não visto direito, mas agora que me lembro de tudo e sei quem você é e o que já fez comigo, eu tenho certeza de que foi você. — Rogers segurou Henry pelo rosto, e levantou seu rosto para lhe olhar bem no fundo dos olhos. — Eu sei que você e o xerife me deram uma surra, me desacordaram e sua mamãezinha com poderes mágicos me devolveu em casa como se nada tivesse acontecido pra eu pensar que tava doido. Eu só me pergunto… por que?

Henry engoliu em seco e depois gaguejou. — M-mas v-você e o Hans estavam conspirando juntos para roubar o J-Jolly Rogers e… e-eu… você…

— Jolly Roger? — o mais velho colocou as mãos na cintura e deu uma longa risada. — Criança, você é delirante. Olha… — agora ele pousava uma de suas mãos no ombro de Henry e se curvava levemente para ficar à sua altura. ... A pessoa que você conheceu na Floresta Encantada, ficou na Floresta Encantada. Digo, eu poderia voltar e me aventurar nos mares de novo com uma dúzia de homens fedidos, roubando fortunas num dia, sendo roubado no outro… Ou eu poderia ficar onde eu construí uma vida, ou bem, construíram pra mim, onde tomo banho quente, tenho Wi-Fi e um salário fixo na universidade.

O garoto perdeu a cor. — Mas eu ouvi sua conversa com Hans… O que quis dizer com “Ele está de volta” e “eu vou pegar aquela porcaria”?

Rogers gargalhou. — Que criança obcecada… Veja bem, o Hans era aluno do curso de jornalismo da Universidade de Storybrooke e precisava de ajuda para um trabalho do curso, uma reportagem que ele e um grupo iam fazer envolvia uns cálculos e precisaram de um físico. Nós nos aproximamos e nos tornamos amigos, oras. — então ele diminuiu o tom de voz. — Eu até contei pra ele do meu prazer secreto de colecionar figuras de heróis. Peter sabia o quanto eu estava atrás de uma edição limitada de um boneco do Superman e veio me avisar de um anúncio no eBay de um mesmo cara de quem eu já havia tentado comprar a peça num leilão online antes. — o professor recompôs sua postura e seus olhos semicerrados lacrimejavam de tanto rir. — Graças aos deuses que não consegui. Imagina? A peça vinda de fora nunca ia chegar aqui com aquela linha mágica idiota e ia ser devolvida aos correios por endereço não encontrado.

— Ah caramba… — Henry levou ambas as mãos aos seus cabelos, nervoso. — Me desculpa. Me desculpa mesmo, eu estou tão envergonhado! Por favor, não conta pra ninguém, é meu último ano, eu não quero ter nenhuma complicação… eu… eu juro que não vou te causar problemas de novo. Aposto que minha mãe pode lhe reparar pelo constrangimento de alguma forma.

Num estalo de memória, Rogers arregalou os olhos e mexeu em sua maleta de trabalho. — Ah sim, sim! Eu já ia me esquecendo. — ele tirou um teste corrigido de dentro de uma pasta e entregou a Henry. — Sobre não ter complicações nesse último ano… Bem, isso eu já não posso lhe assegurar. Sinto muito, Henry. Essa era sua última chance de recuperar suas notas dentro do programa comum de notas. Agora você vai ter de fazer o exame final.

— Oh não! — Henry se lamentou, vermelho de vergonha e frustração. — M-mas quem vai aplicar o teste? Você ou o verdadeiro professor de física?

Rogers deu uma risadinha. — Eu sou o verdadeiro professor de física agora, sr. Mills. O antigo professor de vocês se demitiu quando recuperou as memórias. Então nada mais pra mim de substituir aqui no colégio. Creio que se não passar neste teste, terá de aguentar minha cara por todo um semestre no ano que vem. — Henry emudeceu. — Bom, estude mais para o teste final. Te vejo no meio da semana. Boa sorte!

Com isso, o ex-pirata se despediu e saiu sorrindo amigavelmente, deixando Henry ali, completamente paralisado de choque.

(Ruby Lucas POV)

MEU. DEUS. Por onde começar a contar? Tanta coisa aconteceu depois que nós voltamos pra casa! Ok, então vamos começar do começo das coisas. A nossa viagem de volta. Depois que tava tudo resolvido, David ligou para Regina todo bobo alegre, pronto pra voltar para Storybrooke num outro portal mágico. A cara dele quando a prefeita disse que não tinha como fazer de novo aquele tipo de portal, ainda mais do jeito reverso, foi muito engraçada. Sobrou pro Spencer “tirar os escorpiões do bolso” e comprar uma minivan pra gente voltar. Era mais barato que todo mundo comprar passagem, pelo menos. E ah, vamos lá. O tiozão é rico.

Mas deu dó porque além disso ele teve de comprar uma cadeira de rodas. Tudo isso em dois dias! Acontece que o ferimento dele na perna tinha sido mais grave que ele imaginou e os médicos chamaram atenção dele por ter ficado andando mancando, pois ele deveria permanecer de repouso. Assim, voltamos sete pessoas e uma cadeira de rodas desmontável para Storybrooke, dentro de uma minivan. David foi dirigindo, com o namorado do lado. August foi sozinho ocupando toda uma fileira de poltronas, roncando a viagem toda. Eu e Emily voltamos muito góticas e roqueiras ouvindo Avril Lavigne dividindo os fones de ouvido dela e tirando breves sonecas uma no ombro da outra no banco atrás dele.

Ursula foi de babá do Spencer no último banco, reclamando dele o tempo todo.

Ah, eu esqueci de mencionar que David voltou cheio de curativos e eu me senti muito mal por ele, mas estranhamente excitada. Já era a segunda vez que remendavam o rapaz, mas pelo menos dessa vez o rosto estava intacto, diferente da vez em que se meteu com Leroy. Eu fiquei pensando naquele homem todo durão e cheio de cicatrizes de batalha na cama. Christopher era um rapaz de sorte.

Em Storybrooke todos voltamos a viver nossas vidas, com a exceção de que agora não haviam teorias da conspiração e (quase) todos se davam bem. Emily e eu super desconfiávamos que Ursula e o sr. Spencer tinham uma quedinha um pelo outro, mas Ursula jurava que não, porque ela gostava mesmo era de outra fruta.

Nunca mais ouvimos falar de Lily. Ela e Maleficent tinham sumido da cidade. E assim como eu falava para Lacey por causa do sumiço do Rumplestiltskin, agora eu falava para Emily: “Amiga, foi livramento!”. Ela morria de rir e ficava brava comigo, mas sabia que era verdade. Emily merecia alguém que estivesse com ela sem a neura dela ter tido ou não experiência, que vivesse o momento lhe proporcionando toda a felicidade o mundo, que ainda assim seria pouco pra ela.

Ai e segura esse babado! August tava no maior love com a ex do Chris. Isso mesmo, Juliet, a tal Anna do Frozen. Casal que eu nunca imaginei que fosse acontecer. E se eu tava com ciúme? Não ué! Ela já pegou o boy usado, fiz tudo que tinha que fazer e onde ela punha a boca eu já sentei. Mas brincadeiras a parte, eu realmente não tinha nada contra o relacionamento dos dois. A menina era muito boazinha e August e eu definitivamente não queríamos nada um com o outro além de amizade.

A gente tinha um grupo agora que se reunia quase toda semana pra falar bobeira, comer pizza e fazer jogos. As vezes íamos pra casa do Chris e da Emily, as vezes íamos pra algum bar. Eu, Chris, Emily e August éramos presenças confirmadas da atração. David e Ursula também apareciam esporadicamente. Com o tempo, comecei a incluir a Lacey que andava muito sozinha. Afinal era já era minha amiga e da Emily e todos gostaram dela. Juliet também se juntou mais tarde e o squad cresceu.

Aí teve a vez em que o Chris me desafiou a beijar a Emily num desses jogos e eu o fiz. Eu já tinha beijado meninas antes, mas bêbada em festa ou balada, não era algo que eu estava acostumada. Geralmente era por diversão ou pra provocar outro cara. Nunca tive prazer nisso… até então. Acontece que Emily beijava bem! Lembro que na ocasião, estavam também August e Lacey. Todo mundo começou a gritar e rir. — Ei, ei! Solta, já tá bom! — o Chris gritou morrendo de rir.

Eu também ouvia Lacey exclamar “Meu deus!” e August rir até cair no chão. Eu e Emily também começamos a rir, mas não paramos de nos beijar pelos próximos 12 segundos. Ela me fez ver com outros olhos esse lance de beijar meninas, porque com ela eu realmente tive prazer em fazer isso.

— Você tem gosto de morango. — brincou Emily quando paramos de nos beijar.

— Você tem gosto de Emily. — respondi sem pensar muito. — eu gosto de Emily.

Durante algum tempo levamos na brincadeira e todos diziam que já “shippavam” o novo casal. As sugestões de nome pro casal foram horríveis até que Lacey surgiu com “Red Warrior”.

— Acho que posso conviver com isso. — Emily respondeu sorrindo e eu concordei.

Red Warrior então foi batizado nosso “ship”. Nós duas nos tratávamos como casal em tom de ironia na frente deles e eles viviam por isso. Com o tempo a gente se tratava assim com ou sem eles, porque virou força do hábito. E a gente se importava uma com a outra e cuidava uma da outra.

Então teve um dia que a gente tava no Granny’s, eu fui servir a mesa da Ursula e da Emily.

— Um latte para você… — eu disse colocando o copo na frente de Ursula. — E um suco de laranja e um sanduíche para o meu amor. — sorri e dei um rápido beijinho na cabeça de Emily enquanto a servia.

Ela sorriu pra mim com o sorriso mais fofo que existia, mas Ursula não pareceu tão alegre quanto. — Escuta. — ela me disse apontando a enorme unha de acrílico, extremamente séria. — Eu não acho que seja saudável essa brincadeirinha de vocês de fingir de casal. Você sabe que a Emily é o meu bebê agora e eu vou proteger ela, certo? Pois bem, você fica aí fingindo e iludindo a pobre coitada que provavelmente morre de amores por você.

— Ué. E quem disse que a gente tá só fingindo? — disparei sem pensar muito, numa cara um tanto cínica.

Então eu a segurei carinhosamente pelas bochechas e a beijei com vontade. Tava tudo muito lindo, mas minha vó chegou me batendo com o pano de prato.

— Nada de beijar durante o expediente, vai trabalhar, menina! Depois você beija tua namorada, anda! Tem pedido de duas mesas atrasando já!

E essa fez a feliz história de como eu comecei a namorar a guerreira que salvou a China antiga, bom, pelo menos a China antiga da Floresta Encantada e a minha vó nem se importou porque na cabeça dela eu já namorava fazia tempo e fiquei morrendo de vergonha, porque pra mim ela nem estava a par das coisas que eu falava pra Emily e do jeito que a gente se tratava. Gente, mas que velhinha observadora!

(David POV)

Eu estava completamente realizado. Eu passei a aceitar Spencer e ganhei um pai que nunca esperei ter. E bom, Neal ganhou um avô coruja e Chris um sogro decente.

O grande evento da pequena cidade de Storybrooke agora, finalmente não me envolvia. Se tratava da festa de formatura do último ano de Storybrooke High. Era a formatura do meu querido neto, Henry. E toda a família Swan-Mills-Nolan-Black-...Spencer estava animada com os preparativos pra isso. Ah sim, e tinha o Hook. É, ele também ia.

Só tinha um pequeno probleminha… Henry tinha ficado de teste final. Regina ficou uma fera. Emma, como ela própria admitiu, não era o melhor exemplo de adolescente prodígio e também fizera algumas provas finais ao longo da vida acadêmica, então não estava muito preocupada.

No dia do seu teste, resolvemos fazer uma surpresa pra ele. Emma o levou para o colégio e o esperou do lado de fora da sala. Eu e Chris chegamos com apitos e confeti, Regina e Mary Margaret com faixas e estávamos todos ansiosos para gritarmos como líderes de torcida para Henry assim que saísse e anunciasse as boas novas.

Um aluno saiu, dois saíram, logo três. E nada do Henry. Uma menina que saiu da sala nos olhou julgando. Acredite: Emma fez uma careta pra ela.

— Emma! — sua mãe deu um tapinha no braço para chamar sua atenção e lhe lançou um olhar incrédulo por provocar uma adolescente.

— Que ridículos… — a garota resmungou depois de passar por nós.

— “Ai que ridículos!” — repeti imitando sua vozinha azeda e colocando a língua pra fora.

Enquanto Mary Margaret se afundava de vergonha, Emma, Chris e eu, tivemos uma crise de risos. A menina se virou para trás para mostrar o dedo médio e foi retribuída por Chris da mesma forma no mesmo instante. Continuamos nossa crise de risos e até Regina deixou escapar um risinho, mas depois nos repreendeu. — Céus, mas são um bando de crianças do pré-primário mesmo, comportem-se!

Emma deu de ombros sorrindo travessa e Chris e eu demos nossas últimas risadinhas antes de voltarmos a ser adultos.

Passaram-se mais algumas dezenas de minutos que pareciam uma eternidade e todos alunos saíram da sala com exceção de Henry.

Estávamos todos nervosos com a situação quando o garoto finalmente se levantou e entregou a prova ao professor. Eles conversaram brevemente pelo que vimos pela janelinha da porta, mas não podíamos ouvir nada. O professor se levantou, recolheu os materiais e todos os testes e caminhou até a porta, acompanhado por Henry. Todos esconderam as faixas e tudo mais, embora eu e Chris ainda estivessemos com os apitos em mãos. O professor abriu a porta e Henry saiu primeiro.

— E então, garoto? — Emma perguntou ansiosa, mas Henry ainda estava processando a informação de que aquele tanto de gente estava ali esperando por ele.

— Bem… — o professor interveio sem muito entusiasmo. Chris ficou tão sem graça que guardou o apito no bolso. — O resultado oficial é postado no site do colegio até as 22hs mas… — se seus olhos tivessem efeito de zoom, ele com certeza estaria dando zoom no meu rosto agora. Era o professor que Henry me fez ajudar bater até desmaiar e prender num armário de vassouras. Ele sorriu para mim e estendeu a mão, fazendo questão de mostrar que me reconhecia. — Oh, olá, xerife Nolan. — eu peguei em sua mão, cumprimentando-o totalmente sem graça por ele agir como a pessoa melhor da situação. — Então… — ele contou algumas questões superficialmente, olhando apenas os resultados marcados por Henry. — Como eu disse o resultado oficial com a nota sairá mais tarde, mas já posso afirmar que o suficiente para passar ele com certeza já tirou. — e olhou para Henry. — Meus parabéns, garoto. Te vejo na formatura.

Henry sorriu timidamente, porém orgulhoso, enquanto seu professor se despedia de nós com um gesto e deixava o corredor.

— Isso! — gritei, quebrando o silêncio.

Emma cutuvaca Chris para lhe entregar alguma coisa e Regina e Snow abriam cartazes, afobadas.

— Uhul, team Henry! — Regina disse brincalhona em um tom mais baixo, tímida como o filho, quando conseguiu abrir em sua frente o cartaz escrito “Eu sabia que você conseguiria! #TrueBelievers”. Nem parecia a mamãe ursa brava de pouco antes que estava possessa por ele ter ficado para o teste.

Emma então estourou um canudo de confetes e todos começamos a apitar e fazer muito barulho e festa, antes de um abraço coletivo que esmagou o garoto.

Depois de limparmos a bagunça de confete no chão, fomos todos para o loft de Snow, onde Lacey, Emily, Ruby, August e Juliet, esperavam com uma festinha surpresa parabenizando Henry pela formatura. Logo Killian e Spencer também chegaram e se juntaram à festa.

(Christopher POV, noite do baile de formatura do Henry)

— David. — o chamei enquanto ele arrumava sua gravata slim de frente pro espelho do seu quarto e eu sentava em sua cama, hipnotizado.

— Sim? — ele me olhou pelo espelho, dando uns últimos retoques no cabelo, todo preocupado.

— Você é lindo. — suspirei. — Tipo, você tá lindo. Você é lindo e tá lindo, eu não sei se fui claro.

Ele corou, dando uma risada. — Obrigado, bobão. Você também é, barra, está lindo.

— Eu sei. — respondi brincando. — É por isso que estamos juntos. — então me levantei e o abracei por trás, depositando um beijo na sua bochecha. — Te amo.

— Oh. — ele se virou e e arrumou minha gravata borboleta, que combinava com a gravata dele no mesmo tom de verde-água, e se aproximou para cheirar meu pescoço, me causando arrepios. — E o melhor é que também não está cheirando a rena hoje! — e saiu de perto mordendo o lábio inferior num riso.

— Ah, vai se foder, David! — eu também ri, mas estava indignado, porque esperei que ele fosse dizer algo fofo.

— Talvez mais tarde. — ele lançou uma piscadinha pra mim. — Vamos? — e dirigiu-se até a porta, abrindo-a e posicionando seu braço esquerdo para que eu entrelaçasse meu direito com o dele.

— Só se for agora! — respondi me levantando ansioso pra exibir meu homem maravilhoso para todas as famílias de Storybrooke.

Eu me senti andando de carruagem com um príncipe, mas na verdade chegamos na camionete barulhenta de David.

E chegando lá, eu não acreditei no que eu vi. Ruby e Emily estavam lá, belíssimas, de mãos dadas, entrando na nossa frente. Ruby estava num longo vestido rosa claro quase nude, com desenhos de flores feitos de pedras prateadas. Emily estava num vestido laranja vivo, ainda mais longo que o de Ruby, com um cumprido decote entre os seios. Ambas estavam com o cabelo todo arrumado de lado, em lados opostos uma da outra. Por um minuto eu até me esqueci de David e corri até elas, cutucando Emily por trás.

— Chris! — ela se virou e me abraçou.

— Sua peste, como não me contou que também iam estar aqui?

Ela fez aquela expressão única que fazia quando sorria e seus olhos quase se fechavam e eu achava uma das coisas mais fofas na Terra. — Você não faz ideia do quanto foi difícil esconder de você! Eu queria te contar toda hora, mas a Ruby me proibiu. Eu jurava que você ia desconfiar, de tanto que escorreguei tentando te contornar.

— Não! — admiti sorrindo realmente surpreso e pegando na mão de David que me alcançou e cumprimentou as meninas.

— Eu falei pra Regina que eu fazia ques-tão! — afirmou Ruby após entregar seus ingressos para o segurança, se virando para trás pra falar com a gente. — Vocês acham que eu ia perder a oportunidade de vir nessa festa e toda trabalhada no glamour? Eu garanti nossos ingressos a meses!

— Ruby, fica quieta e anda! — minha amiga empurrou a namorada porque o segurança já estava gesticulando irritado para que movessem e adiantassem a fila.

Nós rimos da situação porque as duas entraram correndo enquanto Ruby reclamava que devia ter falado umas coisas pra “aquele segurança sem educação e homofóbico”.

Todos entramos e nos dirigimos a uma mesa com uma plaquinha de informe “Família Swan-Mills” e a foto de Henry pro anuário da escola.

Eu me senti realmente importante. Eu nunca tinha participado de nada do tipo e estava realmente me sentindo incluso como parte daquela família. Foi incrível. A mesa era sem dúvidas a maior, de todas as famílias. Na verdade, tinham colocado mais duas mesas lado a lado para completar todos os lugares. Eu me sentei na ponta e David do meu lado direito, de frente com Ruby e Emily. Do lado de David, estavam Regina e Mary Margaret, que segurava Neal no colo, usando sua coroa do Burguer King e se queixando de que queria sentar sozinho. De frente pra elas, estavam Emma e Killian respectivamente. Eu tinha um pouco de dó do Killian porque o coitado era bem avulso. Regina não era fã dele, o David também não, mas bem, ele tava ali. Henry estava à ponta direita da mesa.

Enquanto tagarelávamos, meu professor Spencer também chegou, se desculpando pelo atraso. Cumprimentou todos à mesa e achei muito fofo que David se levantou para abraçá-lo. Ele se sentou perto de mim na ponta, mas só depois de parabenizar o formando.

Ruby e Emily me nos chamaram pra dançar, mas David disse que ficaria por ali conversando com a família mais um pouco e que tava tudo bem se eu fosse com elas.

Estavam tocando músicas bem dançantes e eu realmente aproveitei o momento dançando com elas. Tive minha redenção do momento vergonhoso que me foi a festa da Juliet e do Peter, em que chorei, passei raiva, vergonha e perdi um sapato.

Vimos de longe Henry se aproximar de uma garota de cumpridos cabelos negros e a cumprimentar com um abraço apertado e um beijo no rosto. Então conversaram um pouco (a gente ficou vigiando tudo, bem curiosos e Ruby ainda tirou o celular pra filmar e zoar ele depois) e começaram a dançar. Henry conseguia ser pior dançarino que eu. Era bem vergonhoso, mas se ele estava feliz, eu estava feliz por ele. E wow, eu acabo de pensar que eu sendo namorado do avô dele, é como se ele fosse meu neto também. Eu estou ficando velho.

— Ah… Como é lindo o amor adolescente… — comentei brincalhão com as meninas.

— E hétero… — acrescentou Ruby debochada.

Emily deu um risinho. — Não vamos esquecer do “branco”.

Eu olhei pra asiática impressionado com o pensamento rápido e me voltei para Ruby, sorrindo. — Sua namorada tem um bom ponto. — e peguei rapidamente três drinks da bandeja de um garçom que estava passando.

— E ela tem local de fala, gato. — Ruby acrescentou pegando um dos drinks e o erguendo em forma de brinde antes de beber.

Emily estava tendo uma epifania de riso e teve dificuldade de segurar a taça que peguei pra ela.

— O que foi? — indaguei.

—Chris, esses drinks não são pra pegar, esse garçom tava levando pra alguma mesa.

— É? — curvei uma sobrancelha.

— Sim, cada um desses tá servindo uma mesa de uma família específica. A gente tem que buscar na mesa de bebidas ou pedir pra aqueles com uniforme diferente, olha. — e apontou um deles pra mim discretamente.

Ruby também não tinha percebido, mas estava se acabando de rir de mim.

— Eita. — respondi. — Ah, mas ele nem percebeu, coitado.

Seguimos rindo, dançando e bebendo como se nada tivesse acontecido. Durante uma das conversas, surgiu o assunto do subgrupo das meninas, que consistia na formação Emily, Ruby e Lacey. Segundo elas, estavam decidindo entre os nomes “As Panteras”, “Três Espiãs Demais” ou “Rolaskatox” para batizar o grupo. Eu fiquei revoltadíssimo porque não tínhamos um subgrupo de nós três e acabamos criando imediatamente: o “Bonde de Afronte à Família Tradicional”. E ficamos brincando de adivinhar quem ali tinha talento pra coisa. Em outras palavras, quem mais fazia parte do arco-íris. David é claro, por ser meu namorado. Emma foi considerada no mínimo bi, por decisão unânime. Dois garotos que passaram por nós ganharam dois votos de “sim” e um de “não”, ao contrário de Regina, que só recebeu um voto de “não”, o meu. Emily também jurava que Henry só não sabia ainda, mas ia se descobrir gay, nem bi, nem curioso, nem nada do tipo, e Ruby a mandou falar baixo porque já estava bêbada.

— Caramba, todo mundo é um pouquinho gay mesmo, né? — Ruby concluiu após mais algumas dezenas de análises nossas.

Nós concordamos, rimos, Emily dessa vez furtou drinks pra nós por conta própria e comemoramos: “Ao grupo de afronta à família tradicional!”.

Então David chegou até nós, trazendo consigo uma pessoa que ninguém mesmo esperava: Ursula!

— Dêem boas vindas à nova professora de biologia do Colégio Municipal de Storybrooke! — e chegou desfilando toda pomposa.

— Caramba, sério!? Parabéns! — Emily correu para um abraço.

— Acho que você não é a única boa aqui em esconder surpresas. — brincou David.

— Bom, vocês chegaram em boa hora, porque a gente tava brindando ao vale. — Ruby disse a eles.

Ursula pegou dois drinks de um garçom de outra mesa, que percebeu e tentou explicar constrangido que aqueles eram de uma mesa, mas ela o repreendeu dizendo que buscasse outros porque ela era do corpo docente e podia tudo. Depois dos nossos risos, ela entregou uma taça a David e brindamos todos juntos. — Mas nem tem álcool nisso! — disse a semideusa fazendo careta como se tivesse tomado algo horrivelmente azedo.

Emily torceu o nariz ao ouvir isso. — Poxa, Ruby! Você me fez acreditar que eu tava ficando bêbada mesmo.

Nos divertimos à beça juntos, rimos um par de vezes uns dos outros e dançamos como se soubéssemos o que estávamos fazendo. Em um momento, aquele bando de viado e sapatão deu um abraço coletivo super fofo e então Ursula saiu, dizendo que ia arrumar bebida de verdade pra gente.

(David POV)

Até então, o ápice da minha noite tinha sido o momento em que Spencer se juntou a Chris na pista de dança e tentou imitar uns passinhos de seu aluno. Acabei descobrindo mais tarde que Ursula deu mesmo um jeito de contrabandear whisky pra dentro da festa e embebedar Chris e Emily. Fiquei furioso e sobrou pra mim e Ruby vigiar e cuidar dos dois.

— David, posso falar com você um minuto? — me virei e Regina se aproximava com saltos enormes que a deixavam ligeiramente mais alta que eu e um elegante vestido vinho, que reforçava sua imagem intimidadora.

— Hã, sim. — respondi, amigável. — Pode falar, Regina.

— Então… — ela suspirou olhando pela taça em suas mãos. — Por onde eu começo? — Regina passou as mãos por seus cabelos e me olhou diretamente nos olhos. — Você lembra quando a gente…? Que eu te contei que…?

— Sim…? — respondi intrigado e bastante nervoso. Por um segundo pensei que ela fosse dizer que estava grávida por conta da nossa única vez, mas fazia tempo demais pra estar grávida de um filho meu então, uh! Que alívio. Mas imaginei que tivesse alguma relação com a esterilidade de Regina e a provável cura pela água que tomou da fonte de Nyx, antigo presente de Cora descoberto muitos anos mais tarde e entregue pelo Coelho Branco de Wonderland quando trouxe Elsa e os outros pra cá no começo de tudo.

— Henry vai nos deixar. — ela disse com um pesar nos olhos que eu nunca tinha visto em seu rosto antes. Não daquele jeito. Não com tanta vulnerabilidade. — Henry vai me deixar. O que é natural, eu entendi que ele precisa da sua liberdade e não vou mais privá-lo disso. Ele quer conhecer outros lugares, fazer uma faculdade longe daqui.

— É, eu sei. — pousei a mão em seu ombro, confortando-a. — Ele já me falou sobre. Mas está tudo bem, vocês ainda vão se ver e a cidade está aberta e visível agora. Vai ser bem mais fácil pra vocês.

— Sim. — Regina concordou e quando eu tirei a mão de seu ombro, ela limpou uma pequena lágrima de um de seus olhos, cuidadosamente para não borrar a maquiagem. — E eu pensei muito sobre isso nos últimos meses e decidi algo. Mas por favor, me escute até o final antes de dizer qualquer coisa. — arrumei minha gravata que não precisava ser arrumada e coloquei as mãos nos bolsos, ansioso. — Eu amo Henry mais que tudo no mundo e não quero que isso soe como se ele fosse substituível, ele não é! — disse as últimas palavras como se me ameaçasse caso eu fosse a julgar. — Porém. Eu amo ser mãe e acho que me faria muito bem ter mais alguém para cuidar e amar, o que vai servir também para me ocupar enquanto Henry estiver fora. Adotar o Henry foi a escolha mais sábia que já fiz na vida, mas agora também tenho a opção de gerar um filho dentro de mim e eu sempre tive me imaginei passando por esse processo.

— Okay…? — respondi tendo uma leve ideia do que estava por vir e não pude esconder um sorriso.

— E eu não preciso de um homem agora. — Regina informou num sorriso de satisfação. — Eu não preciso de um relacionamento ou de um pai para meus filhos. Eu fiz todos exames possíveis e estou perfeitamente fertil. E eu estudei a possibilidade de uma fertilização in vitro e estou decidida a fazer. Eu já tenho o dinheiro separado e só preciso de um doador.

Meus olhos se encheram de lágrimas e levei ambas mãos à boca, escondendo meu grande sorriso impressionado. — Wow! Céus, Regina, eu… — senti uma gota de suor correr fria pelo canto da minha testa. — V-Você tá sugerindo que eu… Você quer que eu…?

— Me poupe de drama, boneco Ken. — Regina rapidamente enxugou meus olhos. — Não é nada demais, eu só tô muito a fim de ser mãe e preciso de um negócio que você tem. Porque é claro, não dá pra negar que você tem bons genes pra me gerar um baby galã de Hollywood. Além disso, você é um sujeito descente, com a cabeça sã até onde sei. Prefiro ter uma gestação especial com contribuição de um amigo que me arriscar com um banco de doadores anônimos e acabar tendo um filho de um babaca como o Leroy.

Dei um risinho. — Pobre Leroy. Soube que ele tem melhorado desde que recuperou suas memórias de Grumpy. Ele disse à Ruby que está envergonhado.

— Ele te pediu desculpas? — Regina perguntou como um tiro certeiro. Fiz que “não” com a cabeça. — Continua continua um babaca pra mim então. E se ele se envergonha porque se lembra de quem você foi e quem você é na história de vida dele e não porque o que ele fez é errado e preconceituoso, continua uma pessoa desagradável pra mim que não quero perto dos meus amigos ou da minha família.

Numa ação imediata, abracei Regina bem perto de mim.

— Isso significa um sim? — ela me perguntou extremamente alegre quando a soltei do abraço. — Vai contribuir para minha inseminação artificial?

Nesse momento, Chris chegou e se aproximou de nós. — Eu ouvi o que acabei de ouvir? — ele disse num tom amigável mas enigmático e tive medo de sua reação por estar embriagado.

Eu abri a boca para falar, mas Regina respondeu primeiro. — Se ouviu certo, acho que sim, estou pedindo do seu namorado, o “néctar dos deuses” pra minha gravidez de laboratório. — e sorriu esforçando simpatia. Eu não sabia muito o que esperar da interação dos dois, porque durante nossas brigas, Chris tinha demonstrado ciúme da minha proximidade com Regina, insinuando que a gente provavelmente já tinha se beijado. Ocasião em que eu fui extremamente insensível em confirmar do jeito mais desagradável que podia. Claro que conversamos sobre depois disso, mas não tinha sido de grande ajuda, já que fui extremamente franco e lhe contei de como eu e Regina nos envolvemos sexualmente, uma única vez, em que eu estive bêbado. Aquilo arrasou o rapaz à época, mas ambos tínhamos amadurecido muito. Torci pra correr tudo bem.

— Pois esse “néctar dos deuses” pertence a mim agora, querida. — ele respondeu debochado cruzando os braços. — Você tem que pedir pra mim também.

— Ok, Sr. Black. Guardião e portador do poderoso néctar divino da fertilidade. — Regina disse entrando na brincadeira. — Você aprova essa doação?

— Mas é claro! — Chris abraçou ambos de nós pelas costas, um pouco desequilibrado. — Posso eu mesmo tirar pra você se quiser. — e abriu um sorriso orgulhoso.

Eu fiquei com tanta vergonha que se tivesse um buraco no chão, iria enfiar minha cabeça ali naquele instante.

— Desde que vocês sigam orientações médicas e preservem os espermatozóides vivinhos pra mim, eu não me importo com o método de extração. — Regina deu de ombros.

— Céus, eu estou tão constrangido agora! — achei importante informar.

— Ei. — Chris olhou sério para Regina. — Se quiser fazer dois bebês super bonitinhos de uma vez só, eu também posso doar meu material genético pra você.

Regina sorriu. — Na verdade, pode acontecer de um óvulo meu se fecundar com mais de um esperma do mesmo doador numa só vez mas.... Sabe que não é má ideia? — e ambos olharam pra mim.

— Gente, eu estou aqui pra tudo. — falei sorrindo com as mãos no alto em sinal de que nada daquilo era uma decisão minha. — Se vocês topam eu topo. Regina, me procure quando precisar de mim que farei o que tiver de fazer. Pode contar comigo.


(Henry POV)

Faltava pouco para encerrarem a contagem de votos e anunciarem o rei e a rainha do baile de formatura. Estavam celebrando os últimos atos solenes, agradecimentos e parabenizações quando a vice-diretora me procurou desesperada me pedindo para anunciar o professor homenageado pela turma porque o responsável pelo ato não tinha aparecido. Antes de eu pensar em qualquer coisa, já estava sendo empurrado para o palco com um envelope na mão. Eu ajustei o microfone tremendo um pouco e abri o envelope, que tinha dentro um cartão com um texto pronto, exaltando o mérito do docente, que li prontamente. E embaixo, o nome escrito à caneta, do professor mais votado pela turma para a homenagem.

— Peço a vocês uma salva de palmas… — concluí bastante nervoso. — Para o professor homenageado pela turma do último ano do Storybrooke High… O senhor…. Robert Julius Rogers!

A surpresa dele foi tanta quanto a minha. Sr. Rogers tropeçou nervoso até o palco, onde parou à minha frente. Ele não tinha sido meu professor favorito no período em que lecionou pra gente. Tivemos nossos problemas inclusive. Mas realmente o resto da turma gostou muito dele e não era por um acaso que tinha sido contratado efetivamente.

— Parabéns, Sr. Roges. — estendi minha mão, selando a paz entre a gente de uma vez por todas. Aquele aperto de mãos significou muito mais que uma cordialidade formal da cerimônia para nós dois. Ele sorriu de canto e acenou positivamente com a cabeça, me dizendo que estava tudo bem. Então alguém me entregou uma espécie de certificado e uma sacola com um presente para entregar ao professor e assim o fiz. Sr. Rogers me puxou para seu peito e me deu um abraço, seguido de tapinhas um tanto brutos.

Seguido o ritual, nós posamos para uma foto e seguimos nossos rumos.

— Você arrasou! — Stef sibilou sem nenhum som, enquanto corria até mim e pulava em meus braços.

— Obrigado. — respondi um pouco corado e fui surpreendido por um selinho.

— E agora, senhoras e senhores, o momento mais aguardado da noite! — anunciou um colega nosso com um enorme chapéu de bobo da corte. — Vamos coroar nossas majestades de Storybrooke!

Ah multidão urrou de alegria como um time de futebol. Me escondi nos braços de Stefani.

— Os casais que concorreram ao título foram… — o bobo da corte continuou, lendo um papel no formato de pergaminho e gesticulando teatralmente com as mãos. — Paige Brooke e Nicholas Zimmer! — grande parte da torcida vibrou para a filha do chapeleiro maluco e o menino dos irmãos “João e Maria”. — Stefani Dardo e Harry Mills! — sim, ele anunciou meu nome errado e por incrível que pareça, nós estávamos “pau a pau” com os primeiros concorrentes. Stefani definitivamente tinha fãs pelo colégio. — E finalmente, Ava Zimmer e Joe Williams! — Ava e seu par não foram tão bem recebidos como o par de seu irmão, mas ainda houveram alguns gritos de apoio. — E o grande casal vencedor, é… — houve uma longa pausa dramática. As pessoas começaram com gritos de “Vamos logo com isso!” e “Corta essa!”. — Ok, ok pessoal! Sem mais delongas, o casal vencedor da noite, sem surpresa pra ninguém é ninguém menos que Stefani Dardo e….! — ele precisou checar uma última vez o cartão com o resultado, antes de tacá-lo ao ar. — Harry Mills!!!!

Houve muito barulho, confete por todo lado, uma mãe furiosa com o nome do filho anunciado errado e eu fiquei até um pouco tonto. Stefani chorava enquanto subíamos para sermos coroados. E no palco, na frente de todos, mais uma vez ela se mostrou uma garota cheia de atitude e me deu um longo beijo, enquanto a torcida vibrava.

E então começou uma música lenta, e fomos dançar ao centro da pista de dança, com todas as luzes sobre nós. Ficamos juntinhos dançando enquanto eu me afogava em êxtase com cada momento. Eu ainda não estava acreditando que ela tinha me beijado ali, na frente de todos. Pra ser sincero eu fiquei um pouco envergonhado por toda minha família ter visto, mas eu estava feliz.

Depois, convidaram todos indistintamente para dançarem e eu vi uma cena que me comoveu. — Pode me dar um minuto? — disse à minha rainha e com um gesto formal me afastei, andando na direção de meu avô, David, que dançava timidamente com seu namorado, enquanto todos olhavam pra eles, alguns julgando com os olhos. Mas eles sorriam um para o outro e fingiam não se importar com os olhares curiosos.

— Com licença. — os interrompi com um sorriso no rosto. Ambos olharam pra mim ao mesmo tempo, atentos. E então me dirigi ao Christopher. — Se importaria de me emprestar meu vô só um pouquinho? — ele fez um gesto negativo e se afastou com um sorriso. — Você me concederia esta dança? — perguntei ao vô.

Ele deu uma risada. — Mas é claro!

Nós pisamos nos pés um do outro por alguns minutos e realmente nos divertimos com isso. Em um desses momentos, meus olhos encontraram os de Violet, me observando a metros de distância com uma cara fechada e apontando para um relógio imaginário no pulso, demonstrando sua insatisfação por supostamente tê-la deixado plantada. Mas eu nem me importei. Em momento nenhum pedi que me esperasse e sinceramente, minha família era muito mais importante pra mim que uma paixonite que podia sequer existir amanhã.

Continuei dançando com David até o fim da música e antes de deixá-lo voltar ao seu namorado, lhe segurei pelo braço e levei a outra mão à minha coroa. — Ei, espera! — então tirei a coroa com ambas as mãos e levei em sua direção. — Quero que fique com isso.

— Henry, não! — ele me disse com uma expressão de pena. — É sua formatura e é o seu momento. Você ganhou essa coroa!

— Ah qual é, vô. Isso é uma coroa de plástico que cada um colaborou com alguns centavos pra comprar. — estiquei meus braços e a coloquei no topo de sua cabeça. — Não significa nada pra mim se estou usando isso ou não. Mas sabe o que significa muito? A minha família. E você é meu exemplo, vô. Meu modelo de homem e em quem me inspiro a ser igual. — nesse momento, ambos sorríamos um para o outro e os olhos dele estavam vermelhos e brilhantes. — Você é meu rei, vovô. Quero que fique com isso como um sinal de admiração e gratidão por tudo que já passamos e tudo que me ensinou. E também porque essa coroa faz minhas orelhas parecerem maiores. Com sua licença, majestade! — e levei a minha mão na testa, desta vez num gesto militar, me despedindo com bom humor.

Vovô estava chorando como uma criança e precisou ser consolado por Chris que o abraçava risonho e fazia carinho por trás de sua cabeça. Eu já estava há uns dez passos quando ouvi gritinhos e me virei uma última vez pra ver um monstrinho agarrado nas pernas de David gritando “Papai! Papai! Papai!”. David se abaixou para abraçar seu filho mais novo e em seguida o menino puxou Chris também pela perna, eufórico.

— Chris, Chris! — e o rapaz se abaixou. — Isso é pra você! — ele tirou sua coroa do Burguer King e entregou para Chris, porque não alcançava sua cabeça. Chris sorriu para o garoto e vestiu a coroa instantaneamente. — Eu vi que o Henry deu a coroa dele pro papai! E agora que ele é rei de Storybrooke e… — o menino se atropelou nas próximas fases e precisou respirar após a terceira tentativa antes de prosseguir. — Agora você é o novo rei do reino dos hambúrgueres e vocês juntos vão ter um reino enoooooooorme assim! — e fez um gesto com as mãos, abrindo os braços.

Sorrindo com os olhos também molhados, dei meia volta e fui na direção de Stefani, sendo chamado por minha mãe Emma no mesmo segundo, que caminhava até mim por um dos lados. Ela percebeu onde eu estava indo e fez um sinal pra que eu fosse, pois estava tudo bem. Mas como parei para ver o que ela queria, Stefani deu as costas e saiu pisoteando o chão nervosa, sumindo na multidão.

Emma olhou aquilo espantada e veio na minha direção perguntar o que tinha acontecido. Eu não soube explicar e ela ficou bastante chateada. Saímos juntos procurando por ela, pra descobrir por outros alunos de que ela havia indo embora e que segundo ela eu havia arruinado seu momento.

— Bom criança, eu achei ela horrorosa. — minha mãe disse colocando sua mão pesadamente sobre meu ombro.

— Eu também. — outra mão pousou no meu outro ombro, de um jeito mais carinhoso e quando olhei, minha outra mãe Regina me olhava segurando um risinho.

Levei minhas mãos às mãos de cada uma delas e as acariciei, feliz. Feliz porque por mais que tivesse ocorrido uma situação desagradável, eu não conseguia me sentir afetado por aquilo. Minha experiência pessoal estava sendo maravilhosa e não ia deixar nada arruinar.

Minhas mães e eu ficamos ali parados por um tempo e ficamos observando David e Christopher, com suas respectivas coroas, dançando juntinhos músicas lentas e chorando no ombro um do outro, enquanto a gente dava altas risadas, felizes pela cafonice deles.

— Ah Henry, eu não te contei. — minha mãe Regina olhou para o lado. — Você vai ganhar irmãozinhos. Pelo menos dois.

Eu e Emma nos entreolhamos, eu olhei para minha outra mãe, olhei para Emma de novo.

— Quê? — eu e esta última respondemos em uníssono.

Fim.



Notas finais
Obrigado a você que chegou até aqui, de coração! E embora esta história tenha chegado aonde deveria chegar e este seja seu fim oficialmente, ainda haverá um capítulo com um prólogo, contando brevemente como as coisas estão depois de 10 anos. A leitura é opcional para o entendimento, mas essencial para sanar sua curiosidade e a minha vaidade como escritor, ok? Obrigado. Então temos um encontro marcado neste prólogo! Até lá!