Da corte ao Altar
16 Capítulo 16
Um dia antes do baile, em um fim de tarde, Lucy e Anthony saíram para um passeio. Fizeram um piquenique ao próximo do rio na propriedade onde dentro de alguns meses eles morariam. Era um dia quente. O vento soprava o vestido rosa claro de Lucy. Anthony poderia dizer que se apaixonou novamente naquele dia. Mas na verdade ele se apaixonava todos os dias, em todos os momentos.
O cabelo dela estava bagunçado, o sol fazia seus olhos parecerem mais claros e aquele âmbar que circundava a pupila se tornava mais evidente. A pele adquiria um brilho natural e Anthony se pegou imaginando como Lucy ficaria após alguns dias na praia tomando sol. Radiante, ele pensou. Não… essas palavras não fazem jus de Lucy.
—Acho que posso me acostumar com isso — Anthony disse
— Isso o que? — disse Lucy colocando uma uva na boca
— Essa paz, esse amor… você assim… só pra mim. — Lucy sorriu.
— É uma pena que eu tenha que te dividir com metade de Londres agora.
— Eu sinto muito por isso. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que você não sinta minha falta.
— Só preciso de você Anthony. Só isso. E bem… quando estiver ocupado com os assuntos do reino, posso ir com você pra Londres e ficar com nossos pais. Manchester não é tão longe assim.
— Não vai ser assim pra sempre. Assim que George se casar e se tornar rei as coisas ficarão mais tranquilas.
— Você ainda será um duque e o conselheiro do rei. Eu nunca quis nada disso. Meus planos foram todos alterados.
— Está falando da universidade?
— Sim, sempre quis ir pra fora estudar. Mas não é o momento ideal. O reino… nosso casamento… o possível traidor na corte… descobrir quem é de fato Berkeley.
— São muitas coisas pra lidar. Mas não gostaria que visse nosso casamento como uma coisa a ser resolvida.
— Não vejo. Na verdade, é a única coisa boa no meio de tudo isso. Eu mal posso esperar para fazer de você minha esposa — Lucy corou e desviou os olhos. Ela encarou o rio e um sorriso travesso surgiu em seu rosto.
— Será que a água está gelada?
— Certamente.
— Você vem comigo? — disse se levantando.
— O que? Vai pra água? Mas não estamos com trajes de banho.
— Só molhar os pés. — ela levantou a saia por míseros centímetros para retirar os sapatos, levando com eles as meias.
Anthony tentou desviar os olhos, poderia jurar que tentou. Mas aquele mísero pedaço de pele brincava com sua mente e deu espaço para sentimentos que ele preferia manter guardados. Não era hora, não era o momento. Ele tinha que se controlar.
— Você não vem? — ela correu para a água rindo e começou a brincar espirando água para todos os lados. — não está tão gelada assim.
Anthony via o sorriso dela e se sentiu um gigante. Ele queria muito entender como Lucy conseguia isso com apenas um sorriso. No fim das contas, a água estava extremamente gelada e Anthony agradeceu aos céus por isso.
— Não está gelada?
— Nem um pouco — ela negou com a cabeça rindo
— Eu vou te pegar
— Não vai não — ela começou a correr e Anthony lhe deu cinco segundos de vantagem antes de ir atrás dela.
E ele a pegou. Ambos caíram na grama e em meio aos risos começaram a se beijar. A vida poderia mesmo ser tão boa assim?, pensou Lucy. Poderia, com Anthony tudo era fácil como respirar. E era definitivamente fácil se deixar levar por aquele beijo com sabor único, que a fazia se arrepiar por todo o corpo. Seria infinitamente fácil deixa-se envolver por aquele perfume, que era uma mistura de madeira com cheiro de homem. Seria muito fácil se deixar levar quando Anthony a tocava nos lugares certos, lugares que nem ela mesma sabia que eram certos.
E enquanto ela pensava isso, se deu conta de que estavam em uma posição muito comprometedora. Ambos deitados, Lucy sentindo o peso do corpo de Anthony sobre o seu. Ele beijava seu pescoço e descia em direção a clavícula dela. Ela se remexeu debaixo dele e inevitavelmente abriu uma de suas pernas e ele se encaixou nela, fácil como se fosse um quebra cabeças. Uma peça complementando a outra, formando uma só. Foi quando ela sentiu algo rígido e duro na região de seu ventre. Mesmo com as anáguas ela conseguiu sentir, o que a fez pensar que sem elas o contato seria totalmente diferente.
Lucy não era boba, ela sabia o que era. Sua mãe ao investir em sua educação havia a levado em vários museus e ela viu estátuas que representavam o corpo masculino, viu que a anatomia de um homem e de uma mulher era diferente, e sabia que aquilo que os diferenciava era o que ela sentia em seu ventre. Ela pretendia pedir a Anthony para parar, afinal, eles estavam em lugar público, qualquer um poderia ver. Mas um lado de Lucy pensava que mesmo que vissem, não teria problemas uma vez que eles se casariam. De certo haveria um escândalo, mas será que isso seria suficiente para fazê-la parar?
Seria. Era loucura. A posição que ocupavam na sociedade exigia que o decoro fosse mantido. Anthony era praticamente um regente na monarquia, ela não poderia arriscar tudo isso por um simples desejo. Lembrou a si mesma que teria o resto da vida com Anthony para desfrutar de tudo o que poderiam fazer. E bem quando Anthony retirou uma de suas mãos da panturrilha dela, da panturrilha, ora essa? Onde eles estavam com a cabeça? e a levou para os botões do corpete dela, ela a segurou.
— Não podemos. — Anthony ergueu a cabeça e olhou para ela. Desejo. Claro e cristalino. De um jeito que ela nunca viu. Mas lá no fundo também havia um pouquinho de compreensão.
— Queira me perdoar — ele rolou por cima dela e chegou a margem do rio, ainda gelado.
— Tudo bem.
— Não foi um comportamento adequado.
— Anthony, tá tudo bem. — ela repetiu — Apenas tive medo por você.
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