Da corte ao Altar
13 Capítulo 13
Anthony percebeu isso. Lucy também. Uma mulher solteira jamais ficava no mesmo cômodo que um rapaz solteiro de portas fechadas. Era uma atitude totalmente imprópria. Mas Sarah sabia o que estava fazendo. Sabia que os pais de Lucy estavam ocupados e não retornariam tão cedo. Sabia também que apesar de Lucy não ter um anel de noivado, ela estava noiva de Anthony. Além disso, era uma grande amiga de Lucy, sabia que ela estava nervosa/ansiosa para ver Anthony e quis dar privacidade ao casal. Mas estava bem próximo a sala. Antes que qualquer um se aproximasse ela abriria a porta e ficaria lá dentro com eles para evitar qualquer suspeita.
— Creio que eu deva dar uma recompensa por isto – disse Anthony rindo.
— Ela gostaria disso.
— Preciso conversar com você...
— Se arrependeu? – perguntou Lucy temerosa.
— Da melhor escolha da minha vida? Jamais. — ele se esticou e deu um selinho nela que sorriu — É outro assunto. Bem, envolve o casamento...
Anthony contou a Lucy sobre seu plano de dar um baile de noivado como uma forma de se aproximar dos membros da corte. Contou também sobre as desconfianças de George e o pedido para investigar os nobres. Lucy ouviu tudo atentamente, perguntou sobre um detalhe ou outro, mas no final das contas ela concordou.
— É uma excelente ideia. Todos adoram bailes. É uma ótima forma de se aproximar e fazer novos amigos. – Lucy pegou a mão de Anthony – eu só quero que tenha cuidado. Se George estiver certo, há um traidor na corte. E você deve desmascará-lo... Pode ser perigoso.
— Ficará tudo bem – Anthony levou as mãos de Lucy aos lábios e plantou um beijo no dorso de cada uma delas.
— Promete?
— Prometo. – ele olhou fixamente para os olhos dela e antes de unir os lábios disse: obrigado.
— Por concordar com o baile?
— Por ser tudo o que eu sonhei.
Anthony deu um beijo calmo em Lucy. Era como se estivessem em câmera lenta, aproveitando o momento. Conhecendo melhor um ao outro. Se apaixonando cada vez mais.
— Bem, creio que deve ter sonhado com uma esposa que aprecia seu gosto de chá, o que não é o caso.
— Ah, minha querida, garanto que em menos de um ano de matrimônio estará desfrutando do meu rico chá na minha companhia. – Lucy revirou os olhos e voltou ao assunto principal.
— O que acha de fazermos o baile em Manchester? Como uma forma de reconhecimento pelo seu título.
— É uma ótima ideia meu amor. Além do mais, ia mesmo convidá-la para passar uns dias comigo lá. – “Meu amor”. Era a primeira vez que ele a chamava assim e Lucy tentou conter as borboletas que dançavam em seu estômago.
— O que? Por quê? — Como duque eu tenho um patrimônio enorme. Incluí propriedades, joias, estabelecimentos... Enfim, eu ainda preciso reconhecer tudo isso. Precisaremos morar em Manchester.
— Eu imaginei isso.
— Pois é, a minha ideia com essa viagem é para que você e eu possamos escolher juntos o lugar onde vamos viver pelo resto de nossas vidas.
— Isso não é uma atribuição das noivas. Papai jamais permitiria isso.
— Eu sei. Mas nunca concordei com essas regras. Se vamos começar uma vida juntos, que tomemos todas as decisões juntos. E não se preocupe com seu pai – ele piscou para ela – darei um jeito. Nossas mães e uma dama de companhia poderão nos acompanhar.
— Isso é muito nobre da sua parte.
— Não há nada de nobre nisso. Não quero que nosso casamento seja definido como os outros da sociedade, no qual eu teria controle sobre tudo e seria uma autoridade. Não quero ser uma autoridade pra você, nunca! Vamos fazer tudo juntos. Jamais será uma submissa. Quero que seja minha companheira, minha parceira de vida.
— Anthony... – Lucy passou a mão pelo rosto de Anthony e o beijou. E teria beijado muito mais se Sarah não houvesse escancarado a porta.
— Desculpe interromper – ela olhou para Anthony – creio que deva ajeitar a gravata senhor.
— Temos um problema – Nathan anunciou quando entrou na sala.
— O que houve papai?
— O rapaz está desmemoriado.
— O que vamos fazer? – disse Anastácia – não podemos manter em casa um homem que não se lembra nem do próprio nome.
— Também não podemos jogá-lo na rua – retrucou Lucy e a mãe a fuzilou com os olhos. Odiava que a filha a contradissesse na frente dos outros. Bem, Anthony seria da família, mas o casamento ainda não havia acontecido, de modo que manter as aparências era essencial para ela.
— Pode ser perigoso. Não o conhecemos.
— Dê um tempo à ele condessa – Anthony disse – a pancada na cabeça pode ter sido forte, mas ele pode se recuperar.
— Ele pode estar fingindo.
— Não pareceu fingimento para mim – disse o pai de Lucy.
— Você não o reconheceu papai?
— Não. O rosto parece familiar, mas todos se parecem em Londres.
— Talvez Anthony o conheça. – Lucy se virou para o noivo – Poderia me acompanhar até o quarto de hóspedes para reconhecer o rapaz?
— Claro – ele disse.
— Que não – completou a condessa – acha mesmo que ficará em um quarto sozinha com dois cavalheiros solteiros?
— A senhora não sabe o nome dele, mas sabe o estado civil?
— Ele não tinha uma aliança.
— Ele pode ter sido assaltado. Viu como ficou a carruagem dele. – a condessa deu de ombros e não voltou atrás.
— Ah, pelo amor de Deus – Nathan se virou para Sarah e pediu – Sarah, minha querida, poderia acompanhar Lucy e Anthony ao quarto de hóspedes?
— É claro meu senhor.
E então eles partiram, mas ainda ouviram a condessa resmungar:
— Perfeito, dois solteiros e duas solteiras! Esta mansão virou a casa da mãe Joana.
Anthony nunca havia ido ao segundo andar da casa. O quarto de hóspedes tinha o tom de verde escuro e parecia quase negro pelo anoitecer. Muito bem decorado, as luzes das velas dava um clima sofisticado e acolhedor. No centro do quarto havia uma enorme cama de casal e nela um homem um pouco mais baixo e menos forte que Anthony estava deitado. Anthony não sabia o nome dele, mas o tinha visto no palácio na noite anterior.
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