Da corte ao Altar
10 Capítulo 10
— Estamos conversando – ela brincou para aliviar o clima. Anthony estava tenso.
— Eu... – ele hesitou – Eu amo você. – ele disse de uma vez. Não havia outro modo de falar aquilo, pensou Anthony — E é por te amar que fiz aquele acordo com você. Eu a deixei livre para fazer suas próprias escolhas. Eu tinha certeza de que se você me amasse ou se sentisse pelo menos 1% do que eu sinto por você, voltaria para mim.
— Anthony – Lucy parecia sem palavras, parecia que estava em um sonho e se estivesse, por Deus, jamais gostaria de acordar – O que está dizendo?
— Eu sei que é repentino, que não esperava por isso. Não quero que pense, de forma alguma, que confessar meus sentimentos por você tenha ligação com a possibilidade de um duelo com seu pai ou com o nosso beijo. Eu já pretendia revelar a você. Tem ficado cada vez mais difícil esconder esses sentimentos.
— E por que escondeu?
— Eu queria que fosse livre. O amor pra mim é liberdade. Não estaria sendo justo com você se agisse de forma diferente.
Lucy olhou para os céus e pensou “Só pode ser brincadeira”, pois só isso justificaria o fato de ela ter passado todo esse tempo tentando fazer com que Anthony reparasse nela e se apaixonasse. E ali estava ele, se declarando. O destino de fato tinha um humor questionável.
— Nós somos dois idiotas – ela disse rindo. Anthony, obviamente não entendeu o que ela quis dizer, mas como poderia? Ele imaginou como seria quando se declarasse para ela. Tentou prever cada reação de Lucy, mas em nenhuma das que imaginou ela teria os chamado de idiotas.
— Perdão? — Anthony... Ela olhou para ele e abriu o mais lindo de todos os sorrisos que já ofereceu a ele. Anthony estava confuso, ele literalmente não estava entendendo nada, mas desistiu de tentar entender quando olhou nos olhos dela e viu um brilho tão encantador que o fez esquecer como respirar.
Ela esticou a mão e tocou o rosto de Anthony, mas não tocou como se estivesse fazendo carinho. Ela o tocou como se estivesse desenhando cada detalhe do rosto dele, com se estivesse memorizando. Ela abriu ainda mais o sorriso e se aproximou.
— Eu amo você – ela sussurrou e o beijou.
Ela o que? Ele tinha ouvido certo ou era sua mente lhe pregando uma peça? Mesmo que a ultima opção fosse a correta, Anthony se permitiu fantasiar e se entregou ao beijo que Lucy lhe deu. Era diferente... foi completamente diferente dos outros. Parecia mais íntimo, com mais fogo, com mais sentimento, com mais vontade. Quando eles se separaram, Lucy mantinha aquele sorriso enorme no rosto que contagiou Anthony. Foi impossível não sorrir junto com ela.
— Eu aceitei seu acordo, pois vi nele uma oportunidade de fazer você se apaixonar por mim.
— O que?
— Eu já te amava. Eu queria que fosse recíproco. Anthony, eu nasci pra te amar... Tudo na minha vida me levou a isso. E não falo apenas pelo que nossos pais combinaram anos atrás. Falo do que eu sinto de verdade.
— Você me ama...
— Como eu poderia não amar? Eu sempre amei e sempre vou amar.
Dessa vez foi Anthony que a beijou. A intensidade triplicou, o desejo aumentou e Anthony pode ver que o sentimento que havia era amor. De fato, Lucy estava certa: eles eram dois grandes idiotas. Mas eram idiotas que se amavam.
— Quero te dar uma coisa. – Anthony disse libertando os lábios de Lucy.
— Depois – Ela o beijou de novo enquanto Anthony ria. Lucy era uma pessoa tão singular, tão a frente de seu tempo, não havia ninguém como ela. Como ele era sortudo de ser digno de seu amor. Ele ainda não acreditava que fosse tão merecedor disso.
— É sério – Anthony disse dando um selinho na boca dela – é importante.
— Espero que seja um pônei – Lucy brincou.
— Não tão grandioso assim – Anthony levou a mão do bolso e de lá tirou uma caixinha de veludo.
— Anthony... – Lucy levou as mãos a boca. — Não é um anel, mas vou providenciar um amanhã mesmo. – Ele abriu a caixinha que revelou um colar que tinha um brasão como pingente. Era o brasão do condado dos St. Clair. – creio que agora devemos começar nossa própria tradição e encontrar um brasão para Manchester. Mas até lá...
— É lindo. – Lucy observou os detalhes em esmeralda do pingente de ouro branco. Tinha umas palavras que Lucy não reconhecia, seria latim? Ela desistiu a muito tempo de compreender essa língua. – O que está escrito?
— Respeito, honra e amor. Isso pertenceu a minha avó. Está na família há anos passando de geração em geração. Ela me pediu para que eu entregasse a mulher que eu realmente amasse, a mulher que me amasse e que poderia viver ao meu lado por toda a vida. Ela disse que essas palavras são as bases de um casamento feliz, são os pilares para constituir uma família. E é isso o que eu quero com você.
— Está me pedindo em casamento? – Anthony sorriu e assentiu
— Ah, Anthony é o que eu mais quero.
Ela o abraçou e o apertou tanto. Anthony retribuía na mesma intensidade. Ela estava noiva! Noiva de Anthony! E não era por causa de um acordo idiota dos pais deles, era por que se amavam! Mas apesar da felicidade por conta do casamento, Lucy não conseguiu parar de pensar que não seria aceita pela família de Anthony. Bem, isso não era totalmente verdade. Catherine ficaria feliz, mas Lucy duvidava que Vincent fosse ter a mesma reação. Aparentemente ela servia para ser uma condessa, mas não para ser uma duquesa. Ela decidiu não se abater por isso e provar ao futuro sogro que ele estava errado.
Anthony e Lucy decidiram que embora estivessem loucos para começar suas vidas juntos, não teriam pressa. Os preparativos para o casamento demorariam e eles não queriam que fosse algo eminente já que Lucy nem havia debutado, as pessoas poderiam ser cruéis com os comentários. Além disso, George foi muito generoso com Anthony e precisava dele, mais do que nunca, ao seu lado já que o reino passava por dificuldades. Anthony precisaria investigar os membros da corte do rei e não poderia fazer isso se estivesse em uma viagem de lua de mel ou tendo que se dedicar a uma vida de recém-casado. Seus pais não ficaram nada satisfeitos com a notícia de que o casamento não fosse ocorrer em breve, mas foram compreensivos (ou fingiram ser), não que Anthony ou Lucy se importassem.
Anthony pretendia levar Lucy para casa, mas George convocou uma reunião com os conselheiros, o que impedia que ele acompanhasse sua noiva. Sendo assim, Lucy partiu com os pais de volta para a mansão Kress e durante todo o caminho, sua mãe falava sobre os preparativos para o grande casamento – segundo ela – enquanto seu pai, por vezes, soltava algum comentário a respeito da audácia e falta de respeito do conde St. Clair. Nathan estava de fato irritado com as atitudes dele e ponderava sobre seu caráter. Um pouco depois dele dizer à Lucy que independente de Anthony ser ou não um duque – um grande duque, salientou a condessa – Nathan afirmou que ficaria de olho no jovem rapaz.
Foi quando a carruagem parou, subitamente, no meio da estrada em um trecho mal iluminado e um pouco menos seguro que a área nobre onde ficava o condado de Bragança.
Fale com o autor