Da corte ao Altar
11 Capítulo 11
— Senhor – chamou o cocheiro – houve um acidente.
— Ora, a essa hora da madrugada? – reclamou Nathan. Lucy olhou pela janela e viu os destroços da carruagem atingida. Mas só havia ela. Quem quer que tenha provocado o acidente fugiu.
— Há um homem na estrada – informou o cocheiro.
— Vivo?
— Não sei dizer Lady Kress.
— Ora então vá ver.
— Não. É perigoso! – disse Anastásia – Vamos seguir para casa. – mas o cocheiro já havia saído e foi para perto do homem. Lucy acompanhou o movimento do cavalheiro que trabalhava para seu pai.
— Está vivo. Mas não sei se por muito tempo, ele sangra muito.
— Vamos ajudar.
— Nem ouse descer dessa carruagem!
— Mamãe, temos que ajuda-lo. Ele pode morrer.
— Não é problema nosso.
— Querida, nossa filha tem razão. Vamos ajuda-lo. Mas eu irei. Fique aqui com sua mãe Lucy.
Nathan desceu e com a ajuda do cocheiro trouxe o homem para dentro da carruagem. Lucy cedeu seu lugar e o pai o colocou deitado no lugar onde Lucy esteve antes. Lucy, sentada no chão, pegou um lenço, umedeceu com água e começou a limpar o rosto do rapaz. Ele tinha um ferimento na cabeça, um corte que não parecia profundo mas que sangrava muito.
O que preocupava Lucy, não era o corte em si, mas como ele foi feito. Pelo que restou da carruagem do rapaz, ele deve ter sido arremessado para fora e bateu a cabeça em algum lugar.
— Pelas suas vestes, parece um nobre – disse Anastácia.
— Não deve ter mais de 30 anos – contatou Lucy ao analisar as feições do rapaz.
— O que vamos fazer com ele? – perguntou a condessa.
— O óbvio. Vamos leva-lo para casa, chamar um médico e cuidar para que ele melhore.
— Não podemos simplesmente leva-lo para casa. Não o conhecemos. Pode ser um criminoso. Por que não o levamos para um abrigo?
— Francamente mamãe. Tenha piedade. O pobre homem pode nem sobreviver.
— Sou responsável por ele. Nós o encontramos. E como chefe dessa família eu decido. Vamos leva-lo para casa.
E assim foi feito, mesmo sobre os protestos da condessa. De certo modo, Lucy tentava entender a mãe. De fato era um desconhecido que poderia ser perigoso. Mas eles não podiam negar socorro a uma pessoa. Assim que chegaram, o cocheiro foi até a vila procurar um médico, enquanto isso Lucy, Nathan e os criados acomodaram o desconhecido ferido no quarto de hóspedes.
Lucy gostaria de dizer que conseguiu ficar acordada para ouvir o que o médico disse sobre o estado de saúde do pobre homem, mas não conseguiu. O dia havia sido demasiadamente longo. Quando acordou naquela manhã não tinha ideia de que ia ficar noiva, não tinha ideia de que iria ao palácio e não esperava resgatar um homem machucado do meio da estrada. Era estranho. Fisicamente ela se sentia forte, mas estava acabada mentalmente.
Quando vestiu sua roupa de dormir e se deitou, a única coisa que conseguia pensar era que em breve se casaria com o Duque de Manchester. Ela virou de lado e sorriu. Ela seria a Senhora Anthony Saint Clair, Duquesa de Manchester. E ela mal podia esperar.
Quando o dia amanheceu Anthony foi ao palácio. Contou a George e Angelina sobre a novidade do casamento e eles ficaram muito felizes. Angelina sugeriu que Anthony desse a Lucy um dos anéis que pertenciam ao acervo de joias que Anthony ganhou com o título – ele nem sabia que ganharia um acervo, mas George informou que Anthony herdou várias propriedades em Manchester e era dono de uma riqueza sem fim, o que o deixou surpreso.
Como novo Duque, Anthony deveria morar em Manchester, mas não sabia se Lucy concordaria. Ele decidiu resolver todos os problemas na corte e partir para a casa de Lucy, onde lhe daria o anel e a convidaria a ir para Manchester onde, juntos, escolheriam o lar onde começariam uma família.
Na corte Anthony constatou que a maioria dos nobres não estavam felizes com as atitudes de George e descobrir se eles tinham qualquer relação com o atentado ao rei seria uma tarefa ainda mais difícil. Muitos não confiavam em George, o que já era de se esperar, mas isso seria um grande problema para suas atividades. Anthony se sentia péssimo, mas sabia que seu casamento seria uma grande oportunidade de se aproximar da corte. Como George ainda precisava dele, casar-se nos próximos meses seria totalmente inviável, mas Lucy não se oporia a um noivado longo.
Para se aproximar da corte, Anthony decidiu que se Lucy concordasse daria um baile de noivado, no qual todos os membros da corte, incluindo George e as princesas, seriam convidados. Ele passaria a imagem de hospitaleiro e esperava que os companheiros fossem mais receptivos e confiassem mais nele. Mas tudo isso dependia de Lucy, não iria impor nada a ela. Ele torcia para que ela concordasse e quando chegou na casa dela no final daquela tarde, com o anel de noivado no bolso, se pegou nervoso e ansioso.
Ele entrava ali como noivo de Lucy, não era mais um amigo ou o filho de amigo de seus pais. Era o noivo. E ver Lucy como sua noiva significaria que a noite passada era realmente real. Não era um sonho ou um fruto de sua cabeça.
— Anthony, não posso dizer que estou surpresa com sua visita – disse a mãe de Lucy o recebendo na sala de estar.
— Condessa é um prazer vê-la novamente.
— Sente-se por favor. Gostaria de um chá?
— Não, obrigado. Gostaria de ver Lucy.
— Ver? – disse o conde Kress chegando na sala – ou agarrar a minha filha novamente como se ela fosse uma qualquer?
— Conde Kress eu lhe garanto que nunca tive a intenção de faltar com o respeito. Eu amo a sua filha e farei de tudo para fazê-la feliz.
— É claro que fará. Ou terá sérios problemas comigo. Não me importo se é um duquezinho, estamos falando da minha filha. Ela é tudo o que eu tenho. Quero que entenda como que isso é importante.
— Eu entendo.
— Não você não entende. Diga-me Anthony, acaso sabe por que eu fiz aquele acordo com seu pai?
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