Da amizade ao amor
18 Capítulo 18
João Lucas:
Esses últimos meses não tem sido nada fáceis de lidar, apesar de estar conseguindo passar por tudo isso sem problemas, ainda não consigo suportar a ideia de eu ter perdido o meu pai tão cedo. Fico inconformado que como uma briga besta com um sócio aqui da Império tenha estragado a minha família. O meu casamento aconteceu dois dias atrás e eu nem estou acreditando o quanto estou feliz, por finalmente tudo estar se ajeitando comigo e a Du, o quanto estamos felizes e o quanto estou ansioso para segurar meus filhos no colo. Falta um mês para eu ver o rosto dos meus lekinhos. Eu era grato por tudo o que me aconteceu, era grato por Deus ter colocado a minha melhor amiga no meu caminho e ela estar me dando duas bençãos.
Sinto vontade de ir para casa e paparicá-la, agora que estamos melhores do que nunca, fico relembrando da nossa curta lua-de-mel, o quanto nos amamos e o quanto aquele fogo que temos, não se apagou com o tempo que ficamos sem termos transado. Eduarda era minha calmaria e eu finalmente comecei aceitar os meus sentimentos por ela. Fico com um sorriso no rosto, quando pego meu celular para ligar pra casa, Silviano como sempre atende.
" — E aí Silviano, como está a Eduarda?" — perguntando, saindo do meu escritório. Percebo o silencio do outro lado da linha e um arrepio de puro medo percorre minha espinha. — "Silviano, o que aconteceu? Me fala!!" — digo já desesperado.
" — Olha Senhor Lucas eu nem sei como irei lhe dar essa notícia, mas preciso falar, a Senhora Eduarda, senhor, ela sumiu." — diz o Silviano.
" — Como assim ela sumiu, Silviano? Ninguém some assim do nada." — digo já desesperado. Um aperto de puro medo cobre o meu coração e sei que o que ele disse, é a mais pura verdade.
" — Ela tinha me dito que iria para a faculdade entregar os últimos trabalhos, levou o motorista e tudo. Isso foi de manhã senhor, desde então ninguém sabe dela. O motorista disse que como ela estava demorando, ele entrou e perguntou sobre ela. Ninguém na faculdade soube o que aconteceu, todos viram ela entrar, mas ninguém à viu sair." — diz Silviano.
" — Como assim ninguém na faculdade a viu sair, Silviano? Como?" — continuo parado perto do elevador, desde que o Silviano me deu a notícia que Du tinha sumido, não dei um passo sequer. Devo ter gritado, pois Cristina, minha meia-irmã saiu de sua sala e veio ver o que estava acontecendo, assim que me viu, ela ficou preocupada.
" — João Lucas, o que ouve? Você está pálido!" — eu não respondi a ela, só tentava prestar atenção ao que Silviano me dizia.
" — Todos na faculdade também estranharam o desaparecimento súbito do professor Fernando. Sua mãe está tentando ligar para a Senhora Du desde que o motorista voltou sem ela, mas ela não responde. Venha para casa Senhor Lucas, todos aqui estão preocupados."
" — Silviano, já estou indo pra casa. Liguem para a polícia, pois a Du, só pode estar com esse maníaco." — digo correndo pelo corredor, para chegar nos elevadores. Cristina vem atras de mim e fica me perguntando o que aconteceu, estou tão desesperado que começo a chorar.
" — A Du Cris, ela sumiu e eu estou com medo de que aquele desgraçado do professor dela, tenha algo com isso. Eu não posso perder os três eu não posso Cris." — assim que as portas do elevador abre corro para dentro e me espanto ao perceber que Cristina fez o mesmo. — " Por que você fez isso, tem que ficar aqui na Império!"
" — Só se você estiver ficando louco que te deixarei dirigir assim, além do mais, ela é minha cunhada e eu me preocupo com vocês, apesar de não acreditarem. Eu não te deixar sozinha nesse momento, meu irmão." — ela diz e percebo que pela primeira vez, sinto um sentimento de irmão com ela. Tudo o que sei fazer é agradecer.
Assim que saímos do elevador, corremos para o meu carro, mas Cris não me deixa dirigir, quando saímos da Império, fico pensando no que acabei de ouvir e o que ocorreu naquele dia em que briguei com o Fernando, desde aquele dia em que ele quase usou da força para conversar com ela, não deixei Du um só momento sozinha ir para faculdade. E agora, quando ela foi sem mim, aconteceu esse tipo de merda. Fico pensando o quanto minha vida está dependendo disso e as minhas suspeitas de quem está por trás disso tudo.
Quando chego em casa percebo a movimentação e procuro minha mãe, ela está no telefone toda desesperada.
" — Como assim, tem que esperar 24h para procurá-la? Vocês me ouviram, ela está grávida de oito meses, está prestes a dar à luz, seus idiotas, vocês não podem deixá-la com aquele maluco." — nunca tinha visto minha mãe defender alguém com tanta raça, como ela está defendendo a Du. Começo a ficar preocupado achando que a polícia não ira procurá-la, quando percebo minha mãe dar um suspiro de alívio. — "Avisem se souberem de algo." — diz desligando o telefone, assim que se vira me percebe lá e vem correndo na minha direção me abraçando. — "Ah meu filho, calma, tudo vai dar certo e eles irão encontrá-la, se acalma." — diz ela chorando.
" — Como aconteceu isso mãe?" — pergunto querendo saber o que realmente ouve e ela me explica.
" — A Du saiu daqui de manhã dizendo que ia pra faculdade levar os trabalhos de conclusão de matéria, o motorista levou ela e depois de uma hora que tinha se passado e nada, ele foi procurá-la, ninguém sabia onde ela e o professor estavam, quando o motorista chegou, contou para o Silviano que me disse, assim que ele contou que ela não voltou com o motorista e que ninguém tinha visto os dois sair da faculdade, liguei para ela. Lucas estou ligando pra ela faz mais de quatro horas e nada. Não queria lhe dizer antes, por isso demoramos um pouco para informá-lo, mas quando você ligou, perdi as esperanças e o Silviano contou tudo. A polícia já está sabendo, mas disse que não pode fazer muitas coisas. Eles sumiram, ninguém viu nada." — ela me conta toda desesperada. Eduarda está desaparecida há quase seis horas, sem notícias e eu sei que algo de errado aconteceu, sei.
Já era noite e nada de ligação, nada de telefonema nenhum sobre notícias de Eduarda, preocupação era pouco o que eu sentia, ficava andando de um lado para o outro da sala, toda minha família estava desesperada e é nessas horas que a falta do meu pai faz. Ele estaria segurando os alicerces dessa família. Tamanho era o meu desespero que peguei meu celular pela trilionésima vez e tentei ligar. O telefone toca toca e finalmente atende, não consigo me controlar.
" — Nossa Eduarda, finalmente você atendeu essa porra, meu! O que aconteceu? Onde você está?" — digo, logo percebendo o meu erro ao escutar uma risada masculina.
" — A sua esposa? Ela está aqui comigo, seu moleque." — diz ele rindo mais uma vez e ao fundo ouço o grito desesperado da Du, ouço um barulho e o Fernando gritando no telefone — " Cala essa boca que eu não pedi pra você falar ainda!" — sinto meu sangue ferver.
" — Escuta aqui seu canalha, se você estiver a machucando eu te mato, você está me ouvindo? Eu te mato." — digo já desesperado ao pensar no que Eduarda está passando nas mãos desse maluco.
" — Então venha me encontrar Lucas, estou louco para conversarmos de novo." — ele me passa o endereço e já estou saindo porta a fora, quando um braço segura minha mãe e percebo que é minha mãe.
" — Lucas me conte o que aconteceu!" — diz desesperada.
" — Agora não dá mais, vou deixar o meu GPS ligado, você chama a polícia e pede para eles virem atras de mim, logo. Não deixe as coisas irem longe mãe, assim que eu sair, liga pra polícia." — digo.
Saio em disparada porta afora e nem percebo que estou sendo seguido por Cristina, só percebo a presença dela quando estou dentro do carro.
" — O que você está fazendo aqui? Ele me pediu pra ir sozinho." — digo irritado.
" — Guarde essa sua raiva para aquele monstro Lucas, daqui eu não vou sair, agora acelera, pois Eduarda e seus filhos precisam de você" — é tudo o que ela diz.
Não ligo para mais nada, só ligo para saber se Eduarda está bem e em como estávamos felizes até ontem. Fico pensando o quanto ela já me fez feliz e que nada pode acontecer aos três anjos da minha vida.
Meu Deus, o Senhor já me ajudou uma vez, me ajude agora de novo. Proteja eles pra mim, mais uma vez!! Vou rezando no meio do caminho.
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