João Lucas:

Esses últimos meses não tem sido nada fáceis de lidar, apesar de estar conseguindo passar por tudo isso sem problemas, ainda não consigo suportar a ideia de eu ter perdido o meu pai tão cedo. Fico inconformado que como uma briga besta com um sócio aqui da Império tenha estragado a minha família. O meu casamento aconteceu dois dias atrás e eu nem estou acreditando o quanto estou feliz, por finalmente tudo estar se ajeitando comigo e a Du, o quanto estamos felizes e o quanto estou ansioso para segurar meus filhos no colo. Falta um mês para eu ver o rosto dos meus lekinhos. Eu era grato por tudo o que me aconteceu, era grato por Deus ter colocado a minha melhor amiga no meu caminho e ela estar me dando duas bençãos.

Sinto vontade de ir para casa e paparicá-la, agora que estamos melhores do que nunca, fico relembrando da nossa curta lua-de-mel, o quanto nos amamos e o quanto aquele fogo que temos, não se apagou com o tempo que ficamos sem termos transado. Eduarda era minha calmaria e eu finalmente comecei aceitar os meus sentimentos por ela. Fico com um sorriso no rosto, quando pego meu celular para ligar pra casa, Silviano como sempre atende.

" — E aí Silviano, como está a Eduarda?" — perguntando, saindo do meu escritório. Percebo o silencio do outro lado da linha e um arrepio de puro medo percorre minha espinha. — "Silviano, o que aconteceu? Me fala!!" — digo já desesperado.

" — Olha Senhor Lucas eu nem sei como irei lhe dar essa notícia, mas preciso falar, a Senhora Eduarda, senhor, ela sumiu." — diz o Silviano.

" — Como assim ela sumiu, Silviano? Ninguém some assim do nada." — digo já desesperado. Um aperto de puro medo cobre o meu coração e sei que o que ele disse, é a mais pura verdade.

" — Ela tinha me dito que iria para a faculdade entregar os últimos trabalhos, levou o motorista e tudo. Isso foi de manhã senhor, desde então ninguém sabe dela. O motorista disse que como ela estava demorando, ele entrou e perguntou sobre ela. Ninguém na faculdade soube o que aconteceu, todos viram ela entrar, mas ninguém à viu sair." — diz Silviano.

" — Como assim ninguém na faculdade a viu sair, Silviano? Como?" — continuo parado perto do elevador, desde que o Silviano me deu a notícia que Du tinha sumido, não dei um passo sequer. Devo ter gritado, pois Cristina, minha meia-irmã saiu de sua sala e veio ver o que estava acontecendo, assim que me viu, ela ficou preocupada.

" — João Lucas, o que ouve? Você está pálido!" — eu não respondi a ela, só tentava prestar atenção ao que Silviano me dizia.

" — Todos na faculdade também estranharam o desaparecimento súbito do professor Fernando. Sua mãe está tentando ligar para a Senhora Du desde que o motorista voltou sem ela, mas ela não responde. Venha para casa Senhor Lucas, todos aqui estão preocupados."

" — Silviano, já estou indo pra casa. Liguem para a polícia, pois a Du, só pode estar com esse maníaco." — digo correndo pelo corredor, para chegar nos elevadores. Cristina vem atras de mim e fica me perguntando o que aconteceu, estou tão desesperado que começo a chorar.

" — A Du Cris, ela sumiu e eu estou com medo de que aquele desgraçado do professor dela, tenha algo com isso. Eu não posso perder os três eu não posso Cris." — assim que as portas do elevador abre corro para dentro e me espanto ao perceber que Cristina fez o mesmo. — " Por que você fez isso, tem que ficar aqui na Império!"

" — Só se você estiver ficando louco que te deixarei dirigir assim, além do mais, ela é minha cunhada e eu me preocupo com vocês, apesar de não acreditarem. Eu não te deixar sozinha nesse momento, meu irmão." — ela diz e percebo que pela primeira vez, sinto um sentimento de irmão com ela. Tudo o que sei fazer é agradecer.

Assim que saímos do elevador, corremos para o meu carro, mas Cris não me deixa dirigir, quando saímos da Império, fico pensando no que acabei de ouvir e o que ocorreu naquele dia em que briguei com o Fernando, desde aquele dia em que ele quase usou da força para conversar com ela, não deixei Du um só momento sozinha ir para faculdade. E agora, quando ela foi sem mim, aconteceu esse tipo de merda. Fico pensando o quanto minha vida está dependendo disso e as minhas suspeitas de quem está por trás disso tudo.

Quando chego em casa percebo a movimentação e procuro minha mãe, ela está no telefone toda desesperada.

" — Como assim, tem que esperar 24h para procurá-la? Vocês me ouviram, ela está grávida de oito meses, está prestes a dar à luz, seus idiotas, vocês não podem deixá-la com aquele maluco." — nunca tinha visto minha mãe defender alguém com tanta raça, como ela está defendendo a Du. Começo a ficar preocupado achando que a polícia não ira procurá-la, quando percebo minha mãe dar um suspiro de alívio. — "Avisem se souberem de algo." — diz desligando o telefone, assim que se vira me percebe lá e vem correndo na minha direção me abraçando. — "Ah meu filho, calma, tudo vai dar certo e eles irão encontrá-la, se acalma." — diz ela chorando.

" — Como aconteceu isso mãe?" — pergunto querendo saber o que realmente ouve e ela me explica.

" — A Du saiu daqui de manhã dizendo que ia pra faculdade levar os trabalhos de conclusão de matéria, o motorista levou ela e depois de uma hora que tinha se passado e nada, ele foi procurá-la, ninguém sabia onde ela e o professor estavam, quando o motorista chegou, contou para o Silviano que me disse, assim que ele contou que ela não voltou com o motorista e que ninguém tinha visto os dois sair da faculdade, liguei para ela. Lucas estou ligando pra ela faz mais de quatro horas e nada. Não queria lhe dizer antes, por isso demoramos um pouco para informá-lo, mas quando você ligou, perdi as esperanças e o Silviano contou tudo. A polícia já está sabendo, mas disse que não pode fazer muitas coisas. Eles sumiram, ninguém viu nada." — ela me conta toda desesperada. Eduarda está desaparecida há quase seis horas, sem notícias e eu sei que algo de errado aconteceu, sei.

Já era noite e nada de ligação, nada de telefonema nenhum sobre notícias de Eduarda, preocupação era pouco o que eu sentia, ficava andando de um lado para o outro da sala, toda minha família estava desesperada e é nessas horas que a falta do meu pai faz. Ele estaria segurando os alicerces dessa família. Tamanho era o meu desespero que peguei meu celular pela trilionésima vez e tentei ligar. O telefone toca toca e finalmente atende, não consigo me controlar.

" — Nossa Eduarda, finalmente você atendeu essa porra, meu! O que aconteceu? Onde você está?" — digo, logo percebendo o meu erro ao escutar uma risada masculina.

" — A sua esposa? Ela está aqui comigo, seu moleque." — diz ele rindo mais uma vez e ao fundo ouço o grito desesperado da Du, ouço um barulho e o Fernando gritando no telefone — " Cala essa boca que eu não pedi pra você falar ainda!" — sinto meu sangue ferver.

" — Escuta aqui seu canalha, se você estiver a machucando eu te mato, você está me ouvindo? Eu te mato." — digo já desesperado ao pensar no que Eduarda está passando nas mãos desse maluco.

" — Então venha me encontrar Lucas, estou louco para conversarmos de novo." — ele me passa o endereço e já estou saindo porta a fora, quando um braço segura minha mãe e percebo que é minha mãe.

" — Lucas me conte o que aconteceu!" — diz desesperada.

" — Agora não dá mais, vou deixar o meu GPS ligado, você chama a polícia e pede para eles virem atras de mim, logo. Não deixe as coisas irem longe mãe, assim que eu sair, liga pra polícia." — digo.

Saio em disparada porta afora e nem percebo que estou sendo seguido por Cristina, só percebo a presença dela quando estou dentro do carro.

" — O que você está fazendo aqui? Ele me pediu pra ir sozinho." — digo irritado.

" — Guarde essa sua raiva para aquele monstro Lucas, daqui eu não vou sair, agora acelera, pois Eduarda e seus filhos precisam de você" — é tudo o que ela diz.

Não ligo para mais nada, só ligo para saber se Eduarda está bem e em como estávamos felizes até ontem. Fico pensando o quanto ela já me fez feliz e que nada pode acontecer aos três anjos da minha vida.

Meu Deus, o Senhor já me ajudou uma vez, me ajude agora de novo. Proteja eles pra mim, mais uma vez!! Vou rezando no meio do caminho.

Notas finais
Eu amo livros com emoções assim, quando tudo está bem e essas coisas, aí vem do nada e muda isso. Acho que é nesse momento que o amor se mostra mesmo!! Vocês estão gostando?? Comentem!!