Eduarda:

Já se passaram horas desde que estou trancada nesse quarto onde Fernando me colocou. Relembro tudo o que já aconteceu até agora e gostaria de esquecer...

" — Por favor Fernando, estou grávida, não faça isso." — digo implorando para ele parar de ficar me apertando com tanta força. Desde que saímos da faculdade ele começou a discutir, dizendo que eu tinha que ter sido dele, que se o intrometido do Lucas não tivesse aparecido na história, tudo seria diferente, primeiramente pois ele não iria me engravidar, pois ele não queria ser pai e que ele não era tão burro o suficiente para estragar sua vida. Eu fiquei com medo de que poderia fazer algo ruim com meus filhos, mas até aquele ponto, nada aconteceu.

Fernando me levou para um hotel que eu não sabia onde ficava, toda hora me segurando pelo braço com força, fazia caretas de dor e tive a certeza absoluta que o meu braço já estava roxo e com as marcas dos dedos. Ele me puxou para o elevador e entramos em um quarto, lá ele me trancou em uma suíte e fiquei sozinha por duas horas, de acordo com o relógio.

Passava toda hora as mãos pela minha barriga e rezando para que um milagre acontecesse e nada de mal fosse feito a esses dois seres que não mereciam sofrer. Quando Fernando, um arrepio de puro medo, percorreu minha espinha. Estava apavorada imaginando o que ele poderia fazer.

" — Agora Eduarda, temos todo o tempo do mundo para conversar." — diz ele entrando no quarto. — "Por que você foi fazer a besteira de se envolver com aquele moleque, eu sempre te quis e você me deu um fora todas às vezes que eu chegava perto. Pensa o quanto poderíamos ter vivido se você não tivesse feito essa besteira." — diz ele me pegando pelo braço de novo e me chacoalhando.

" — Me larga Fernando, nem em todos os anos que eu tivesse eu não ficaria com você. Pelo amor de Deus, você era o meu professor e mesmo assim, não passa de um merda, que precisa fazer esse tipo de coisa, para ganhar a atenção de uma mulher." — cuspo as palavras. O tapa veio tão rápido que eu nem sabia como reagir. Quando eu senti o tapa na cara, eu começava a olhar com mais ódio ainda para Fernando. — "Mas é pra acabar com o fim do mundo mesmo agora, além de ser um estúpido que não sabe perder, agora bate em mulher também? Você é um monstro Fernando, por isso ninguém te quer!" — digo irritada, e ele me dá outro tapa, depois me joga na cama e saí do quarto trancando a porta.

Inferno. É a única palavra que consigo pensar com a dor que estou sentindo, toda essa situação está me deixando apavorada e com muitas dores da barriga. Meu Deus, proteja os meus lekinhos, não deixe que este monstro os machuque, fico pensando nisso enquanto Fernando me deixou sozinha. Fico andando de um lado para o outro, quando ouço a porta sendo destrancada. Fernando entra com uma bandeja de comidas e apesar de estar morrendo de fome eu não quero comer essa comida.

" — Olha só o que eu fiz para a mãe mais linda do ano, tem um monte de coisas para se saborear." — diz ele se sentando na cama.

" — Eu não vou comer isso, não sei o que você colocou nessa porcaria, você não pode me obrigar a comer isso." — digo.

" — Mas é aí que você se engana, eu posso muito bem obrigá-la." — diz o Fernando, ele me pega pelos braços de novo, me coloca sentada na cadeira e quando acho que mais nada iria acontecer, ele tira uma corda de uma bolsa que estava escondida no armário, filho da puta, é tudo o que penso antes de ele começar a me amarrar. Assim estou amarrada, sentada na cadeira sem me mexer enquanto ele pega a bandeja e a deixa na minha frente. Meu estômago faz barulho e Fernando dá risada. — "Eu sabia que você iria sentir fome, vamos abre a boca, você deve estar faminta." — diz levando o garfo na direção da minha boca. Me recuso a abri-la mas ele me força, sinto dor nas bochechas onde ele está me apertando para manter a boca aberta.

Após ser forçada a comer toda aquela comida, começo a sentir uma sonolência estranha. Meu corpo começou a ficar mole.

" — O que tinha nessa comida Fernando? O que você está fazendo comigo? Me deixa ir embora, por favor." — peço chorando desesperada.

" — É só uma coisinha para você descansar melhor." — ele diz, depois disso eu apago. Acordo horas depois sentindo meus pés sendo massageados, penso que é o Lucas que hoje não foi trabalhar na Império e está me paparicando de novo. — "Lucas, para com isso, você tem que ir trabalhar, seu preguiçoso." — Sinto uma dor forte do pé e acordo assustada me lembrando onde estou.

" — Sinto muito querida, mas não é o seu maridinho que está aqui com você" — diz Fernando largando o meu pé. Escuto meu celular tocar ao longe, ele já está tocando à horas e fico pensando quantas vezes o Lucas já me ligou. Entro em desespero, Fernando está indo ver quem é, quando olha a tela dá uma risada. — "Mas olha só quem resolveu aparecer, seu maridinho."

" — Deixa ele fora disso, Fernando, você não vai machucá-lo." — digo já me levantando da cama.

" — Cala a boca e senta aí." — diz me empurrando de novo na cama. — " A sua esposa? Ela está aqui comigo, seu moleque." — diz o Fernando rindo, aquela risada maníaca dele, não consigo resistir.

" — Lucaaaaas por favor, me ajude!" — grito tentando ser ouvida, Fernando me dá outro tapa e começo a ficar desnorteada com a sua força.

" — Cala essa boca que eu não pedi pra você falar ainda!" — Fernando grita e eu me encolho, passou algum tempo e Fernando ainda está escutando do outro lado da linha, depois ele diz. — "Então venha me encontrar Lucas, estou louco para conversarmos de novo." — e desliga. Meu mundo caí, pois sei que se o Lucas vier as coisas irão ficar muito pior. — "Agora que o seu maridinho está vindo, a festa irá começar de verdade." — diz rindo e saí do quarto.

Meu desespero só aumenta, um medo profundo toma meu coração sabendo que o Lucas está vindo, mas também uma alegria imensa ao saber que ele está fazendo de tudo para salvar nossos lekinhos e à mim e o quanto eu o amo.

Notas finais
E essa capítulo é para dar uma agonia em nossos corações. Fernando, ordinário >