Da Infância à Adolescência
28 Lezlie
_Que coisa. Cadê a casa do cara? –perguntava-se a menina.
Lezlie procurava desesperadamente o número da casa desejada. O problema era que as casas eram todas iguais e ela se perdia facilmente.
Quase meia hora depois ela desistiu e sentou-se na frente de uma das casas, apoiando a cabeça nas mãos e se xingando por ser tão desligada.
_Ei… -uma voz atrás de si.
_Sim? –perguntou olhando para trás.
_Por que está aí sentada? Está perdida? –o rapaz.
Lezlie se levantou, encarando a pessoa com tom gentil. Ele era muito bonito ao seu ver…
_Er…me perdi mesmo. Estou procurando o número 1014… -Lezlie toda vermelha.
_Você é a Lezlie? –o mesmo.
_S-Sou…você é o Zero? –Lezlie.
_Sim. E você sentou na frente da minha casa. –Zero.
_A-ahahah…como sou lerda. Tava procurando já faz um bom tempo. –Lezlie.
_Coitada de você…o Ronan nem te trouxe? –Zero a cumprimentando.
_Não, fui eu que quis vir sozinha. Acho que vou ser mais cautelosa. –dizia a azuladinha.
Zero ainda hesitou em perguntar algo que o incomodava, pois ele, distraídamente, SECOU a pobre menina, que se assustou um pouco com tal ousadia vinda de um cara de 19 anos.
_V-Você ainda vai querer minha ajuda? –perguntou tentando quebrar o clima.
_M-Mas você tem quantos anos? –Zero.
_T-Tenho 14…E DAÍ?! VAI OU NÃO ESTUDAR?! –disse nervosa e corada.
Zero deu um passo pra trás e depois assentiu a cabeça num sim, convidando-a a entrar em casa. A casa de Zero, assim como as outras, tinha lareira e era bem confortável, com um carpete cobrindo todo o chão.
_É uma casa muito bonita. –Lezlie.
_É dos meus pais… -Zero todo irônico.
_E-Eu já sabia né?! –disse a outra com raiva.
Zero a levou para seu quarto (humhum hehe perva!), espaçoso e, óbvio, masculino que é igual a…bagunçado.
_Precisa de faxineira hein? –Lezlie.
_E você veio aqui pra que mesmo? –Zero alfinetando.
_Não enche. Tô fazendo um favor… -Lezlie.
Zero, já se culpava mentalmente por estar dando bola pra uma “garotinha”, mas ela realmente era fofa, o que amenizava seu gênio rígido. A azuladinha podia ganhar o posto de general de tão mandona, e seu senso era muito desenvolvido para tal idade.
_Por isso que estudo numa escola para Superdotados. –Lezlie explicando.
_Fiquei até envergonhado…e com inveja. Quem sabe se todas as pessoas tivessem toda essa inteligência, elas fossem menos injustas. –Zero.
_Tem razão. Mas Sociologia não é algo que você deva aprender lendo ou inventando fórmulas. –Lezlie.
_Se tiver imaginação talvez possa ser sim. –Zero apontando.
_Como assim? Sociologia é algo que aprendemos nos relacionando com as pessoas e com os objetos ao nosso redor. –Lezlie.
_Pense assim: Uma pitada de carinho, uma dose de bondade e um toque de atração resulta em: Paixão. Não é, por exemplo uma fórmula? –Zero.
_Isso foi meio idiota. “Isso foi muito idiota”. Mas valeu a tentativa. –Lezlie.
_Sem-graça. Pega o livro e começa a explicar essa joça de uma vez. –Zero.
Zero se demonstrava tão, como ela dizia a todo o momento: Retardatário, que ela resolveu ir todos os fins de semana ensinar ele.
_Só faz uma hora que você tá falando e já tá me enchendo…E pára de me chamar de retardado. –Zero.
_É retardatário! Você é menos inteligente que qualquer um desse lugar, por isso é um retardatário. Sabe o que é retardatário? Significa basicamente: Atrasado. –Lezlie.
Zero respirou fundo. Ela era kawaii, e tinha um corpo meio desenvolvido mesmo sendo nova e ela era alta o suficiente para ele (Quer dizer que o Zero era uma tampa? É.), mas como ninguém é perfeito, ela tinha que ser uma super-nerd, chata, e mestre na Arte da Humilhação.
_Escuta…quer comer algo? –Zero.
_Só quero um copo d’água. –Lezlie passando as páginas do livro com rapidez.
_Vai buscar então. Você viu onde é a cozinha. –Zero.
Lezlie fechou o livro num baque e encarou o rapaz com fúria.
_Seu retardatário. E ainda por cima, infantil. –disse se levantando e indo em direção à porta.
Zero sentiu as palavras fundo. Talvez fosse esse o motivo de ser, de certa forma, anti-social. Mas ele não suportava ser chamado de criança, e a convivência com Mari afetou ele em relação ao pouco conhecimento dele. Isso quer dizer que ele se sentia inferior à maioria das pessoas, mas dessa vez não seria chamado de criança por uma criança de verdade.
_Espera aí! –disse agarrando o bracinho da garota.
Lezlie se virou com cara de quem sentia dor. Ela era mesmo frágil...
_Ninguém me chama de criança! –Zero ainda a segurando com força.
Ela criou uma expressão medonha que lembrava Elesis, mas felizmente ela não era a Elesis…
_Eu te chamei de infantil! –disse se debatendo.
_Dá na mesma! –disse ele soltando-a.
_Mas que esse seu comportamento é de criança, realmente é. –disse massageando o braço.
Zero a encarava por detrás dos óculos estilosos. Ela podia ver a cor amarela opaca por dentro deles.
_Você é muito grosso. Me machucou seu grandalhão burro. –Lezlie.
_Fale isso mais uma vez e vai ver quem é burro aqui. –disse se sentando.
Lezlie bufou com raiva, mas não queria arriscar ser machucada de verdade. Saiu dali e foi para a cozinha.
_ “Garoto idiota!” –pensava bebendo sua água.
Zero estava em seu quarto, deitado na cama olhando para o teto. A garota na cozinha era muito sabidinha pra seu gosto, mas não deixava de ser bonitinha.
_ “AAAAAHHHHHH PÁRA DE PENSAR NELA SEU DOENTE!” –Zero gritando em sua cabeça.
Suspirou fundo. Mas as imagens não iam embora…ela estava com o tal conjunto fofinho, só que ele era meio apertado, na blusa de alças, pelo laço abaixo dos seios, por sinal quase totalmente formados, e usava um short liso deixando as pernas à mostra.
_Seu pervertido idiota. –sussurrou tampando o rosto com os braços.
_Ei…não é hora pra soneca da tarde, bebê. –disse a voz que tanto o incomodava.
_Melhor você ir embora. –Zero sem se mover.
_Eu por acaso não estou te ensinando nada? –Lezlie.
_Por que tá perguntando isso? –Zero.
_Por acaso não reconhece que estava errado? E não vai mesmo se desculpar? –Lezlie se encurvando para olhá-lo na altura do rosto com as mãos na cintura.
Zero a olhou mais profundamente naqueles olhos pequenos e intelectuais. Os cabelos das maria-chiquinhas lhe tocavam o rosto e o peito, devido à inclinação dela.
Ele sentiu um impulso invonluntário e pegou a boina da cabeça dela, dando um sorriso safado. Ela tocou a cabeça e estendeu as mãos para pegar seu adorado chapéuzinho das mãos dele.
_Opa. –Zero zombando dela, tirando o pertence do alcance dela.
A menina estendeu um joelho na cama e apoiou-se com um braço do outro lado do corpo de Zero balançando seus dedos furiosamente em direção da boina.
_Me devolve! –Lezlie.
Ela conseguiu pegar e pôr na cabeça, mas quando terminou, Zero a puxou pelos pulsos, fazendo-a se deitar por cima dele.
Lezlie corou no mesmo minuto com a aproximação. Ele tinha um sorriso no rosto que lhe soava como provocação.
Mas seu corpo estava em chamas, mais do que seu rosto. Aquelas sensações estranhas que as garotas sentem nessa idade, pelo menos nela, estavam ativas, e era bom.
Ela entorpecia com o cheiro forte e masculino dele, e sua mente não estava no lugar certo. Simplesmente seus sentidos ecoavam em algum lugar distante pois tudo que sentia era uma tentação, um prazer que há alguns meses atrás não sentiria nunca.
Ela estranhava essas novas emoções, mas aquele rapaz embaixo dela…ele parecia estar gostando de tudo, seus corpos estavam juntos, e pela primeira vez, numa primeira aproximação que não fosse amigável ou familiar, ela sentiu algo novo crescer.
_Ah-a… -falou baixinho.
Zero estava adorando aqueles seios apertando-lhe o peito, e certamente, algo que o fazia enlouquecer, era quando uma garota demonstrava desejo por ele. Lezlie não sabia o que era…e nem notou, mas o rapaz sim.
Lezlie queria se mexer, mas o cheiro dele e aquela aproximação eram quentes e acolhedoras de alguma forma. Algo a encostou entre as pernas e ela estremeceu.
Zero, antes que se mexesse, sentiu o short molhado dela…ele estranhou a expressão dela, mas ela parecia assustada demais.
Num impulso, Zero a afastou, bruscamente. Cada um numa ponta da cama.
_S-Seu idiota! –Lezlie com a face avermelhada e a respiração ofegante.
Zero se manteve calado, até pensar em algo realmente conveniente nessa hora.
_E-Etto…são sete horas. Não é hora de ir pra casa? –Zero coçando o braço.
A azuladinha acordou pra realidade e se pôs de pé pronta pra sair. Mas antes disso, olhou para Zero, com certa vergonha e lhe avisou que viria no final da semana seguinte assim como prometido. Ela pegou a patinete e voltou pra casa, mesmo com a disponibilidade de Zero para acompanhá-la.
Chegando em sua casa, Lezlie se olhou em seu espelho…ela tinha uma teoria sobre espelhos que chegava a intrigar as pessoas: os espelhos são mentirosos.
Encarou a si própria, pegou um espelho pequeno e olhou seu rosto. Depois, como se precisasse encontrar provas concretas, físicas, reais, ela tirou sua blusa e seu sutiã, olhando para seus seios.
_Cresceram muito comparado ao ano passado… -disse dando uma volta.
Sem se sentir satisfeita com isso, tirou seu short se vendo apenas com a calcinha rosa de renda.
Olhando-se assim, percebeu uma pequena manchinha no tecido, tirando-o para ver melhor.
_O que é isso? –Lezlie vendo uma mancha, úmida, e transparente bem no meio.
Cheirou de leve…tinha um cheiro bem leve e muito estranho, não chegava a ser ruim, mas era um cheiro com certeza desconhecido por ela.
Pensou um pouco…devia descobrir o que era aquilo, porque mesmo sendo uma superdotada, ainda era uma garota. E querendo ou não, não tinha contato direto com seus pais, já que eles eram…ocupados.
Continua
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