DOIS ESTRANHOS, UM DESTINO...
7 Capítulo 7: DOIS ESTRANHOS, UM DESTINO
Notas iniciais

Os dois olharam o artefato e, após um pequeno instante de resistência, beberam o líquido contido dentro dele. O xamã sorriu e apontou para uma choupana um tanto afastada e ambos entenderam que deviam ir até lá.
No curto caminho, quando andavam lado a lado, as mãos se tocaram sem querer, e Camus, sem planejar, pegou na mão do grego em um silêncio cúmplice. Ao contrário do que fizera antes, Milo não recusou o gesto. Ambos entraram no espaço pequeno e iluminado por um braseiro. Mal podiam vislumbrar seus corpos, mas sentiam com intensidade, tudo ao seu redor.
Camus sabia que, por mais irracional que fosse, o desejo que sentia por Milo não poderia ser mais suprimido. De nada adiantava se ater ao fato que seus estilos e filosofias de vida eram tão diferentes. Aquilo não importava. Não naquele momento.
Milo encarou-o, enquanto o ruivo tocava o seu rosto.
– O que me disse, instantes atrás... Estava falando sério?
Os olhos rubros nem ao menos pestanejaram naquela penumbra.
– Sim, estava.
Acostumado à ação cautelosa e planejada, Camus percebeu que aquele momento exigia muito mais que palavras. Esticou a mão e fechou os dedos longos em torno da nuca de Milo, apossando-se da boca carnuda e sentindo, mais uma vez, a textura inebriante dos lábios do grego. Ao mesmo tempo, deixou escapar um ofego selvagem, enquanto invadia o interior da boca com a língua e Milo o correspondia com a mesma impetuosidade.
Os braços fortes do ruivo envolveram a cintura estreita do grego, sincronicamente ao ato de Milo ao erguer os seus para lhe enlaçar a nuca, colando ainda mais os corpos ardentes de desejo.
– Mon Dieu... – deixou escapar Camus, enquanto sua boca deixava os lábios entreabertos e vagava pelo pescoço de Milo. As mãos se enterrando nos cabelos longos, deixando os fios se entrelaçarem sedutoramente em seus dedos.
Quando tornou a voltar aos lábios de Milo, Camus encarou-o com as feições tensas de desejo.
O grego sustentou-lhe o olhar com o mesmo ardor.
– Eu quero você, Camus...
A boca exigente do ruivo se apossou dos lábios ainda molhados pelo beijo anterior em uma exploração erótica que tirou o fôlego de Milo. A frieza e o autocontrole de Camus cedeu lugar a carícias ousadas...
Uma esteira ao chão serviu como cama e a ausência de roupas facilitou o acesso das mãos, bocas e línguas. Deitados e nus, os dois podiam tocar-se, dar vazão àquela ânsia que os consumia há muito tempo...
Cada movimento dos corpos despertava uma intimidade natural que fazia sentir onde os batimentos do coração ecoavam no pescoço, onde a pele se arrepiava ao roçar dos lábios, o poder das mãos apertando, atiçando as ereções...
Milo alisava a pele que revestia os músculos duros do peito e dos braços de Camus, deliciando-se com a sensação de tê-lo sobre si e pressionava sua nudez de encontro à dele, fazendo-o sentir o falo já ereto roçando no seu que despontava pulsante.
Vagando com seus lábios e sua língua pelos mamilos túrgidos, sugando-os e mordendo-os, Camus continuava a exploração, totalmente transtornado, imerso na luxúria que o grego despertara em si de forma enlouquecedora...
Enquanto beijava Milo, Camus buscava as mãos do grego e deslizava as suas sobre elas, até entrelaçar os dedos nos dele, estreitando o contato dos corpos, sentindo os fluidos do desejo gotejando, ao longo das coxas que se entrelaçavam, unindo-os numa ciranda frenética e fazendo-os suar de prazer.
Enfeitiçados um com o outro, os dois se provavam, Camus levava a mão de Milo à boca, sugando seus dedos devagar, lambendo o dorso e a palma de sua mão, enquanto o grego também o mordiscava, acariciando-o com os lábios grossos, fazendo o ruivo sentir-se possuído pelo prazer e gemer baixo e rouco, quase em transe.
O francês nunca sentira, com outra pessoa, aquela voracidade e necessidade de acariciar e provar. Com Milo, parecia outro homem, completamente entregue ao prazer que era, ao mesmo tempo, selvagem e transcendente, um gozo primitivo que afastava a racionalidade dominante e trazia calor ao corpo e à alma...
Pulsava dentro dos dois um instinto mais profundo que a razão e as mãos se extasiavam em tocar as costas largas, um do outro, em sentir a totalidade das coxas musculosas, em fundir-se na pulsação dos corpos que se desejavam e se despiam de toda a couraça erguida pelas diferenças...
A visão de Milo, entregue e sensual ao extremo, excitou Camus de uma forma inédita que misturava um desejo faminto permeado por um sentimento que lhe causava estranheza e certo temor. Jamais sentira essa emoção unida ao desejo. Sabia ser erótico, mas nunca ultrapassara os limites físicos da intimidade. Mantinha na vida pessoal o mesmo distanciamento que usava para deixar tudo organizado e em seu devido lugar. Então porque com aquele grego tudo era diferente?
Camus afastou as pernas de Milo e se insinuou ainda mais entre elas, enquanto sua língua traçava círculos molhados lambendo e sugando a pele rente ao pescoço, a nuca, a curvatura dos ombros...
Continuava explorando os lugares mais íntimos do corpo do grego, seus quadris se alinhando sobre os dele, as mãos deslizando para o meio de suas pernas para sentir-lhe o falo rígido e tocá-lo, arrancando gemidos ainda mais altos. A língua escaldante continuava a morder e atormentar Milo com aquele frenesi carnal que fazia a pele se alvoroçar e o sangue pulsar ensandecido...
Então, quando ambos os corpos suplicavam para serem satisfeitos, Camus se ergueu e puxou Milo pelos quadris, olhando-o febril, esperando a permissão que veio com um gemido sensual do grego.
– Nunca fui passivo, ruivo... então vai com calma.
O coração de Camus deu um salto estranho no peito e uma emoção parecida com felicidade o atingiu. Não tinha experiência com tal sentimento, portanto não o reconheceu de imediato.
Entretanto, o grego não deu tempo para que Camus processasse tudo aquilo, ignorou o ferimento na coxa e trançou as pernas ao redor do quadril do ruivo, entregando-se por completo, vendo o falo de Camus enterrar-se inteiro dentro de si, sentindo-se preenchido, tomado de êxtase, dor e prazer...
Camus sentiu uma espiral de prazer abarcar seu membro. Era quente, estreito e pressionava seu falo de um jeito que o alucinou, preenchendo um espaço em seu corpo que nunca fora despertado em nenhum encontro erótico. Estancou um pouco, sentindo o latejar do falo e depois se moveu com força, sua virilidade intumescida arremetendo fundo, dentro do corpo de Milo.
Gemendo rouco, o ruivo era engolido pelas trevas voluptuosas que o apertavam. Sentia-se adentrar um túnel de paredes estreitas e ardentes e ser devorado por suas profundezas, fazendo-o vivenciar um prazer violento e insano dentro de si.
Milo ofegava, a boca abrindo-se para puxar o ar, as pupilas dilatadas, o rosto em brasa, a cabeça jogando-se para trás ao sentir o francês aprofundado em seu corpo... Apertou o corpo de Camus segurando-o pelas nádegas, cravando os dedos nela de forma ardente e desesperada, deliciando-se em ouvi-lo grunhir de prazer, enquanto se arremetia cada vez mais forte contra si...
O coração de Camus batia loucamente e o de Milo também. Os movimentos intensos cobrindo a pele com uma febre lasciva que se expandia e os gemidos roucos se alastravam pela semiescuridão.
Camus imprimiu mais força, tocando as paredes da entrada estreita sem parar, atingindo um ponto profundo dentro de Milo fazendo-o gritar de prazer e projetar à pélvis de encontro a dele, sentindo uma profunda conexão com tudo ao seu redor. Os sons dos tambores, o aroma daquela terra selvagem e mágica, os cantos atávicos, o sangue pulsando...
Milo agarrou-se àquela conexão e sentiu Camus investir com mais intensidade, o falo entrando e saindo firme, túrgido, aquecido pela cavidade que o sugava, prendendo-o cada vez mais dentro de si. Então, sem suportar mais o ardor alucinante, Milo arqueou o corpo e grunhiu, sentindo as contrações apoderando-se do falo que o penetrava e, em seguida, o orgasmo invadi-lo com fúria, fazendo-o derramar-se quente contra o abdômen de Camus, enquanto ao mesmo tempo, sentia o gozo do francês preenchê-lo.
Os corpos ficaram unidos num abraço cúmplice, com Camus deitado sobre o corpo de Milo, até a respiração voltar a serenar e o coração parar de retumbar por todos os poros do corpo. Os dois se olharam e Milo tocou o rosto do francês vendo os olhos rubros fixar-se dos seus.
O francês sorriu e Milo desejou ter mais luz só para presenciar aquele ato raro. Sabia que ele tinha dentes bonitos, brancos e perfeitos, assim como um olhar capaz de devassar qualquer um, fosse para o bem ou para o mal. Porém, quando se mostrava mais alegre e menos sisudo, parecia encantar o mundo e, principalmente, encantá-lo...
– Você nunca me enganou, ruivo... Eu sabia que seria assim... – sussurrou o grego, entre os lábios ainda arfantes de Camus.
O olhar duvidoso de Camus pousou na face afogueada.
– Por que comigo?
Milo suspirou. Por fim, resolveu falar algo que jamais achara importante revelar.
– Não sou o garanhão que todos exaltam. Metade dos homens e mulheres que dizem ter ido para cama comigo o fizeram para ter os seus minutos de fama e não por ser verdade. Não sou santo, gosto de sexo, mas sou seletivo e... nunca tinha me entregado deste modo até conhecer você.
– Milo... eu me sinto honrado por confiar em mim, mas não vamos...
– Criar expectativas. Eu sei Camus. Tivemos um momento, um momento fantástico de sexo e só. Não estou cobrando, nem fantasiando nada. – disse Milo disfarçando a decepção com uma entonação falsamente despreocupada.
Camus pareceu relaxar, mas algo dentro de si ficou vazio e desagradável, como se a resposta do grego tivesse sido rápida demais.
– É melhor nos limparmos e voltar para a festa. – falou o ruivo.
Quando os dois adentraram a grande choupana, Makawe sorriu e seu pai também. Ambos foram convidados a sentar junto ao chefe e as danças e cantos se estenderam noite adentro.
Depois, quando os tambores cessaram, todos foram para as suas choupanas e o silêncio reinou soberano. Os únicos sons vinham dos predadores noturnos que assumiam seu lugar na grande floresta.
Na cabana em que tinham cedido ao desejo, Camus e Milo ajeitavam as redes para dormir. Por alguns instantes os dois se olharam, um tanto constrangidos, então o grego sorriu.
– Acho que vou dormir na esteira... – disse ele, provocativo.
Por um momento, Camus olhou-o, hesitante. Porém, suas pupilas o denunciavam, os olhos rubros acastanhados já estavam turvos de vontade. Seu corpo inteiro reagindo à lembrança do que acontecera, instantes atrás...
– A esteira... tem certeza?
– Absoluta.
A boca do ruivo secou e seu coração se acelerou. Sempre fora bom em esconder suas emoções, mas ao encontrar o olhar de Milo, seu corpo inteiro foi inundado, mais uma vez por aquela intensa luxúria...
Mais uma vez, a esteira os recebeu num nó de corpos trêmulos e nudez absoluta. A primeira vez tinha sido tão intensa, tão “honesta”... Nada havia preparado os dois para aquela intimidade extasiante que os arrebatou, nem para a voracidade que as bocas e as peles despertavam.
Milo deitou por cima de Camus e exigiu um beijo, ardente, acariciando com a língua cada canto daquela boca fogosa. Deixou que o ruivo ditasse as regras por alguns segundos, depois voltou a dominá-lo com a língua que se movia sugando e mordendo os lábios, o queixo e o pescoço. Camus gemeu entre o beijo, erguendo os quadris, apertando-os contra os de Milo, enquanto este lambia e chupava deixando marcas na pele que ficariam ali, como uma tatuagem erótica...
Sentindo as unhas de Camus, cravando em suas costas, o escutando gemer enquanto pressionava e esfregava seu sexo duro contra o dele , Milo continuou a deliciosa tortura, descendo com a língua até o tórax do ruivo, fazendo a linha dos músculos perfeitos que estavam cobertos de suor, colocando, alternadamente, os mamilos claros entre os lábios, sugando e mordendo enquanto massageava o sexo quente e latejante do outro.
Ficaram naquela batalha sensual de beijos e carícias arrebatadoras permeadas de sorrisos e ofegos deliciados...
Camus gemeu longamente e abraçou Milo alisando as costas fortes dele, sentindo os músculos tensos. Acomodou-se, mais uma vez entre as pernas do grego,queria penetrá-lo, queria sentir-se bem fundo dentro dele e o modo como o grego se esfregava em si só acentuava o tesão. No entanto, já haviam transado e Milo confessara que fora a sua primeira vez como passivo, não seria prudente invadi-lo novamente, pois poderia machucá-lo...
Se encaixou com volúpia entre as pernas de Milo, mas não o penetrou. Com uma mão guiou seu membro para unir-se ao do grego e com a outra segurou na cintura dele , erguendo-o um pouco. Então, começou o movimento de vai-e-vem, lento e sinuoso, arrancando gemidos baixos..
Milo arranhava as costas de Camus, deixando marcas e sentindo os músculos ondularem sob a pele quente, enquanto ele o masturbava com o próprio corpo.
– Ah... Camus... – sussurrou Milo sentindo prazer, mas também uma necessidade crescente que o ato evoluísse mais.
– Não quero machucá-lo... – murmurou o ruivo rente aos lábios intumescidos pelos beijos vorazes trocados entre cada carícia.
– Mas eu quero... quero sentir você de novo...
Camus sentiu seu falo pulsar com aquelas palavras... Talvez uma posição não muito profunda. Pensou, enquanto virava o grego de lado e se esfregava na bunda roliça, mordiscando-o no pescoço e na orelha.
Milo gemeu, sentindo a carne rija sondar sua entrada. Sim, estava um pouco dolorido, mas o ardor em seu corpo exigia sentir novamente...
O ruivo gemeu rouco quando se sentiu afundar novamente do grego. Respirou fundo, tentando se controlar para não acabar tão rápido com aquela deliciosa sensação de aperto e calor. Quando sentiu Milo remexer-se ao encontro dos seus quadris, o abraçou e saiu um pouco de dentro dele, voltando a penetrá-lo com mais força e vigor. Milo deu um gemido profundo, falando rouco ao seu ouvido:
– Mais fundo...
Camus suspirou e empurrou, se enfiando o máximo possível dentro de Milo, saiu e entrou mais uma vez, rápido e com força... não estava mais aguentando sentia que ia gozar e sabia que o grego não demoraria muito visto a expressão descontrolada de seu rosto.
Sentindo os tremores do orgasmo. Milo rebolou contra o corpo do ruivo e sentiu-o cravar os dedos em seu quadril, enquanto com a outra mão tomava seu falo pulsante e imprimia o mesmo movimento que seu corpo empreendia.
Milo arqueou as costas e gozou, sentindo Camus se enterrar todo em si, pressionando fortemente o ponto sensível tão escondido, o corpo dele roçando seu sexo com mais intensidade, o atrito prazeroso fazendo sua pele incendiar.
Camus sentiu Milo estremecer e gozar, seu sexo sendo apertado com o espasmo o outro. O sêmen do grego molhando sua mão, o rosto dele em fogo, enquanto gritava seu nome com a voz rouca e cheia de desejo, seu corpo tremendo e o puxando ainda mais para dentro... não aguentou e gozou também, puxando Milo para um beijo apaixonado e se enfiando nele até o fundo.
Milo gemeu entre o beijo intenso, enquanto Camus ainda se movia, esgotando cada gota de seu prazer bem fundo dentro dele. Manteve as mãos em torno da cintura do grego, não saindo de imediato de dentro daquele corpo. Aos poucos foram parando de se mover...
Camus deitou ao lado dele e o grego se aconchegou em seu peito. Ficaram em silêncio, abraçados e ofegantes. Milo fechou os olhos, querendo dizer alguma coisa, mas foi vencido pelo sono e cansaço. Camus afagou seu rosto, ternamente, passando os dedos na pele e nos lábios entreabertos, provocando uma careta no rosto adormecido.
Ficou um tempo, imerso na sensação gostosa de tê-lo junto a si, até desfazer-se, devagar, dos braços do grego em volta do seu corpo. O movimento fez Milo abrir os olhos e sorrir, mas Camus percebeu que ele fizera isso dormindo. Normalmente, ignoraria a intimidade e voltaria para a rede, onde dormiria sozinho, como era do seu agrado. No entanto, sua vontade exigia que ficasse e desfrutasse do calor envolvente do corpo de Milo, um sentimento inédito que o confundia. Olhou-o, mais uma vez, vendo se remexer e tocá-lo. E então, decidiu. Fechou os olhos e dormiu abraçado com o grego.
As primeiras horas da manhã não revelaram o forte sol como de costume. Nuvens negras e pesadas cobriam o céu e o xamã as observava com o cenho franzido, enquanto fumava seu cachimbo.
Camus encontrou-o acocorado, observando a movimentação de troca que a cerimônia se propunha. Apesar de cego, o xamã parecia mesmo ver tudo e mais além. Cumprimentou-o e ele sinalizou para que sentasse ao seu lado.
– A época das chuvas chegou mais cedo e a nossa cerimônia terá de ser mais curta.
O semblante de Camus ficou pesado. O período das chuvas impediria que pudessem andar pela floresta a fim de chegar a uma rodovia.
– Quanto tempo duram as chuvas?
– Quatro luas.
A resposta fez Camus inspirar fundo.
– Se Makawe levar-me hoje, qual a chance de conseguirmos chegar até uma rodovia?
– Vocês podem até chegar, mas não poderão voltar. Assim que cair a primeira chuva, os rios encherão muito rápido. Por isso as tribos voltam daqui a pouco para as suas aldeias. Vai ter de esperar mais um pouco, cabelo de fogo.
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