DOIS ESTRANHOS, UM DESTINO...
8 Capitulo 8 : NADA É PARA SEMPRE...
Notas iniciais

Não havia outra opção a não ser esperar. Camus olhou para o céu e depois para a aldeia , observando os índios que haviam chegado e agora conversavam, trocando artesanato e utensílios.
Os Kuparanãs fixaram a aldeia em um lugar alto, cercado pela mata densa, o que facilitava a permanência deles ali. Havia um estoque de caça e frutas e as choupanas eram firmes.
Das tribos indígenas da Amazônia, os Kuparanã faziam parte de um grupo que mantinha um relativo contato com o homem civilizado, mas conservavam seus costumes e sua íntima relação com a floresta e sua natureza exuberante.
– Teremos de ficar, então. – falou o ruivo. — Como podemos ajudá-los na rotina *Odewa?
O xamã sorriu, enquanto soltava uma baforada de seu cachimbo.
– Não fique preocupado, cabelo de fogo. Tudo a seu tempo...
Milo acordou sentindo o corpo dolorido. O interior da choupana estava na penumbra fazendo-o forçar os olhos. Camus não estava e o fato fez com que levantasse rápido. Quando ia sair, o mesmo menino que o reconhecera, entrou sorrindo e oferecendo um pequeno ramo de erva para o grego.
Milo compreendeu, através dos gestos, que era algo para mastigar e assim o fez. Tinha um gosto adocicado e refrescante, semelhante a uma mistura de hortelã com pimenta. O menino sorriu e mostrou os dentes. O grego sorriu também aprendendo que aquela planta purificava o hálito, servindo como uma “escova de dentes” natural.
Quando encontrou Camus, Milo sorriu forçado, mostrando os dentes brancos e limpos. O ruivo franziu o cenho, depois entendeu, pois, em seguida que acordara e deixara a cabana, o xamã havia feito o mesmo com ele.
O grego se aproximou, louco para beijar o francês, mas se conteve. Olhou-o intensamente, as lembranças de como ele lhe proporcionara um prazer extremo dançando em sua mente, fazendo-o sorrir de um jeito sacana...
Camus recebeu aquele olhar e sorriu por dentro, mantendo a expressão séria de sempre. No entanto, um cantinho da boca se rebelou, exibindo uma ponta de sorriso, também malicioso.
O xamã olhou para os dois e sorriu. Então Camus resolveu perguntar:
– O que nos deu para beber, ontem à noite?
O índio franziu o cenho, depois deu de ombros dizendo:
– Awêua.
– Água? Somente água? – falou Camus.
– Sim. O que você achou que era?
O ruivo riu, meio sem graça.
– Achei que era algum chá de erva.
– Não, cabelo de fogo, não era nenhuma erva de poder. Eu só ajudei vocês dois a abandonar a bobagem das tais diferenças. A água é nossa mãe, também. Ela ajuda a desmanchar os problemas.
Camus não soube o que dizer, então se despediu do xamã e tornou a olhar para Milo que os observava atentamente sem entender bulhufas do que estava sendo dito.
– Vamos conversar. – disse o ruivo. – Nossos planos sofreram alterações. – continuou tocando o braço do grego de forma displicente, mas carinhosa.
Milo o acompanhou e logo os dois conversavam próximos de uma cesta suspensa em uma árvore e cheia de frutinhas semelhantes à amoras silvestres. Enquanto Camus falava sobre o que o xamã dissera, o grego olhava-o com uma expressão felina, pegando um punhado de frutinhas e colocando-as uma por uma na boca, devagar e sempre olhando nos olhos do ruivo.
Aquele ato surtiu um efeito estranho no baixo-ventre de Camus, porém ele continuou a explicar os planos que tinha feito.
Num determinado ponto da conversa, Milo ofereceu uma frutinha à Camus que entreabriu os lábios para a fruta e para o grego... O destino do resto das frutinhas, passada para a sua boca, atiçou o ruivo, deixando-o no ponto.
A intervenção de Makawe mudou o cenário que começava a ficar carregado de sensualidade. Camus, ao contrário do que Milo esperava, não se afastou de imediato, ele encarou o filho do chefe e o grego teve a impressão que havia um embate silencioso entre os dois.
– A época das chuvas está adiantada. Não poderemos nos afastar da aldeia. – disse o índio.
– O xamã havia me dito. Vamos esperar, então. – concluiu Camus.
Makawe sorriu olhando na direção de Milo e Camus, estrategicamente, colocou-se entre os dois fazendo o grego franzir o cenho e depois sorrir. A postura do ruivo parecia de alguém que estava com ciúmes...
– Por que você não gosta dele? – perguntou Milo como quem não quer nada, quando o índio já estava bem afastado.
– Quem disse que eu não gosto dele? – devolveu Camus.
– Ora, ruivo, eu vejo como olha e como age quando ele está por perto.
– Está vendo coisas. Agora vamos. Já que ficaremos um tempo aqui, vamos ajudar na rotina. – disse Camus encerrando o assunto;
– Está bem. – respondeu Milo com uma alegria interna, tendo a certeza que, mesmo sendo um homem racional, Camus demonstrava que era feito decarne e osso, afinal.
Após a cerimônia de troca, as outras tribos foram embora e, de madrugada, a chuva caiu, forte e inclemente. Parecia que o mundo desabava em água límpida, enchendo rios e engrossando cascatas durante cinco dias sem parar.
Camus colocou-se à disposição para ajudar na confecção de flechas e lanças, enquanto Milo entretia as crianças que gravitavam ao seu redor. O grego encenava histórias e as incitava a participar e assim, o tempo em que passavam dentro das choupanas se tornava divertido.
Quando chegava a noite, após partilhar a comida com todos, Camus e Milo se recolhiam na choupana cedida pelo xamã e rendiam-se à deliciosa rotina de fazer amor.
Milo sempre se entregava com paixão e Camus se deixava governar pelo desejo tempestuoso. Dormiam abraçados e dividiam as tarefas do cotidiano. A intimidade estreitou-se de tal modo que o tempo na aldeia pareceu voar. As chuvas foram cedendo, indicando que a hora de partir se aproximava...
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O céu noturno, agora livre das grandes nuvens, mostrava as estrelas e, como vinha acontecendo todas as noites, Camus cobria a boca de Milo com um beijo longo, profundo e explorador, enquanto pressionava o corpo contra o dele, sentindo-o corresponder e gemer do jeito que o alucinava. Alternando o ângulo da cabeça de um lado para o outro, fazia amor com a boca quente e ávida do grego.
Quando os lábios se afastaram um pouco, Milo sussurrou:
– É estranho... mas, apesar da falta de conforto, estar aqui me deixa feliz.
– Quando estiver em casa, isso aqui não passará de uma lembrança. – respondeu Camus.
Milo sentiu-se invadido por uma estranha melancolia.
– Ainda acha que sou do tipo frívolo.
– Não, Milo. Apenas esse não é o seu mundo.
– Nem o seu. – disse o grego.
– Não, mas passei muito tempo em condições mais precárias que essas.
O grego ficou sério e Camus percebeu que gostava mais quando ele sorria e o provocava. Sabia que estavam com os momentos contados e que nunca se sentira tão bem ao lado de uma pessoa como se sentia com Milo.
Acariciou os lábios carnudos do grego e sorriu, fazendo-o sorrir também. Em seguida, utilizou as mãos, os lábios e a língua de forma tão talentosa que os levou a um alucinante e simultâneo orgasmo. A saciedade sexual fora tanta que dormiram de imediato, aconchegados na esteira e ouvindo os sons da floresta.
Apenas o inesperado barulho das hélices de um helicóptero conseguiu perturbar-lhes o sono...
Ele perderia o helicóptero. Tinha de correr e ainda proteger os instrumentos que trouxera. A paisagem desértica e quente fazia com que não enxergasse muito bem e a claridade excessiva lhe feria os olhos. Ouvia as vozes alteradas e o som dos tiros e bombas. Um homem caiu e ele fez menção de ajudá-lo, mas sentiu um puxão e a ordem de prosseguir. Ele está perdido! Continue!
Como sempre, depois do pesadelo Camus acordava com o peito arfando e a testa ensopada de suor. Mas o som... o som não era o eco de um pesadelo. Era real!
Milo dormia profundamente ao seu lado. O ruivo levantou-se e, viu que alguns índios olhavam para cima. Ainda era cedo, porém o sol já brilhava no topo das árvores e ele podia ver o reflexo na blindagem de metal.
As crianças gritavam e acenavam, enquanto os adultos posicionavam-se de modo cuidadoso.
Camus adiantou-se, reconhecendo a palavra Rescue e, logo, Milo estava ao seu lado.
– Camus, é um...
– Sim, um helicóptero de resgate. Parece que não desistiram de procurar os sobreviventes da queda do avião. – falou Camus com um sorriso.
O helicóptero circundou o local e sinalizou que iria até um lugar onde pudesse pousar. Dez minutos, depois, em uma clareira próxima da aldeia, os dois pilotos desciam da aeronave e iam ao encontro de Camus e Milo que caminhavam em sua direção.
– Senhor Milo? – o sotaque grego era evidente.
Milo respondeu, olhando para Camus que encarava o piloto como que perscrutando as atitudes e se certificando da autenticidade do homem.
– Meu nome é Aristandros Kouros e este é meu irmão, Alessandros. O senhor Saga nos contratou para procurá-lo. As autoridades não estavam tendo sucesso, então ele entrou em contato conosco.
Milo sorriu, Saga era seu patrocinador oficial e um grande amigo.
– Foram os únicos sobreviventes do desastre? – perguntou o piloto.
– Sim, eu e o ruivo, quer dizer, Camus.
– Bem, estamos preparados para levá-los. Primeiro paramos em Manaus e de lá poderá seguir para Atenas, senhor Milo. Já o senhor... Camus? O senhor vai nos acompanhar?
– Eu fico em Manaus, obrigado.
De repente, a alegria de voltar para casa transformou-se em tristeza. Milo olhou para Camus e o ruivo não parecia compartilhar daquele sentimento. Ele e um dos pilotos conversavam descontraidamente e acabaram descobrindo que haviam participado da mesma guerra o que engatou numa longa conversa.
Despediram-se dos índios e Milo lançou um último olhar para a choupana que dividira com Camus. O ruivo também olhou e, naquele momento, o grego notou que ele parecia sentir o mesmo e aquilo aqueceu seu coração. Ele também sentirá falta.
O helicóptero subiu, erguendo-se sobre as árvores majestosas, enquanto os índios elevavam suas lanças num último aceno de despedida.
A viagem foi feita em silêncio quase constrangedor até chegarem ao aeroporto de Manaus. Mesmo Milo, que adorava conversar, agora se mantinha quieto e pensativo, assim como Camus.
– Puxa, vocês atraíram bastante gente. – disse Aristandros apontando em direção ao solo.
Camus e Milo viram que havia uma pequena multidão constituída de curiosos e equipes jornalísticas de vários lugares do mundo esperando-os próximos à pista de pouso.
– Como souberam? – falou Camus.
– Bem, quando decolamos fomos entrevistados por alguns jornalistas. A queda do avião foi bastante divulgada e o senhor Saga fez questão de deixar claro que faria tudo para encontrar o senhor Milo. Os repórteres disseram que nos esperariam para uma entrevista. – disse Alessandros com um sorriso orgulhoso.
No instante em que o helicóptero pousou, a multidão de repórteres pareceu duplicar. Os policiais locais tiveram dificuldade para abrir passagem e os flashes dispararam, mesmo durante o dia quente e claro que estava fazendo.
– Senhor Milo! Senhor Milo! Como se sente tendo sobrevivido ao terrível desastre? – perguntou um jornalista.
– E você, ruivo? Pode nos dizer o seu nome?
– O senhor Milo e o senhor Camus falarão depois. – disse um homem alto, parecendo um investigador.
Camus percebeu as credenciais, o homem se chamava Taylor Crawl e pertencia ao FBI. Pelo modo de agir, parecia bastante competente em comandar a equipe que mantinha o grupo de pessoas sob controle.
– Fomos comunicados do acidente, porque houve suspeita de sabotagem. Tínhamos um dos nossos agentes naquele voo. Parece que vocês dois foram os únicos sobreviventes. – disse o homem alto de tez negra e usando óculos escuros.
– Sim, o restante dos passageiros morreu na hora. – disse Camus.
– Notificamos às famílias e algumas pessoas vieram vê-los, talvez saber sobre parentes. Mas isso pode esperar, vamos tomar o seu depoimento e alimentá-los. Devem estará cansados e com fome.
Camus concordou com um movimento de cabeça, enquanto Milo, sempre acostumado aos holofotes e câmeras, sentia-se estranhamente deslocado. Sua boca estava seca e só então notou que tanto ele quanto Camus estavam “vestidos” como os índios, chamando a atenção de alguns que tentavam esconder a surpresa e falavam baixinho.
– Precisamos de um banho e roupas. – disse o ruivo. – E também preciso relatar um incidente ocorrido antes que nos resgatassem.
Milo adiantou-se para falar sobre Omar, porém Camus encarou-o, impedindo-o de falar no assunto. O grego olhou para o ruivo e recebeu um discreto sorriso que pareceu uma ordem quando ele falou:
– Eu cuido disso, Milo.
Em meio àquele caos, antes que Milo insistisse com o ruivo, um celular foi colocado em sua mão e a voz grave de Saga soou do outro lado da linha.
– Milo, graças a Deus! Como você está? Ficou ferido?
– Estou bem, Saga. Só machuquei a perna, mas já está quase boa.
– Sua perna? Como assim? Você quebrou ou algo do gênero?
– Não, nada disso. A gente se fala mais tarde, está bem?
Enquanto Milo falava com Saga, Camus relatava a morte de Omar e George, assumindo a responsabilidade pelos dois. Logo, uma equipe seria enviada ao local do acidente e da cabana para exumar os corpos enterrados.
Taylor verificou a patente de Camus, descobrindo que, além da participação dele na guerra do Golfo, ele era um pesquisador versado na arte do combate, mas ainda assim o seu nível dentro do exército era bastante elevado para um homem jovem como ele.
– Senhor Camus, não precisa se preocupar quanto aos homens que teve de abater. Eram procurados pela justiça americana e sabemos que o senhor é altamente qualificado para agir em situações extremas. Disse que Omar tentou agredir o senhor Milo? Vamos apenas tomar o seu depoimento e do senhor Milo para registrar nos autos e encerraremos esse assunto. Tem alguém que gostaria que comuniquemos o seu resgate?
– Eu gostaria de avisar Shion, ele preside uma ONG que protege os interesses indígenas em Manaus.
– Será feito. – disse Taylor com um sorriso simpático.
Camus agradeceu e tornou a olhar para o grego. Após algumas perguntas, os dois foram levados para um hotel próximo do aeroporto. Chegando lá foram guiados aos quartos para troca de roupa e banho. Milo olhou para a porta e depois para Camus.
– O que vai acontecer conosco? – perguntou o grego.
– Um dia de cada vez. Vamos tomar um banho, comer e descansar. – respondeu o ruivo apertando-lhe a mão.
– Você disse ser o responsável pela morte de Omar. Eu ia assumir o que fiz, porque se adiantou?
– Eu possuo licença para portar arma de fogo e sou habilitado para responder aos conflitos como um militar. Ou seja, simplificando, eu tenho licença para matar. Responderemos algumas perguntas e o principal é que você confirme que ele tentou agredi-lo. Depois disso, o caso será encerrado. Não seria justo você ser prejudicado por ter se defendido.
– Ainda me sinto culpado.
– Vai passar. Agora entre, tome um banho e relaxe. Nos reencontremos mais tarde.
Milo obedeceu e entrou no quarto, olhando o ambiente claro e limpo. Tomou um banho morno e lembrou-se do banho frio de cachoeira. Usou xampu e sabonete, sentindo o perfume suave, enxugou-se nas toalhas brancas e macias... A sensação era boa e relaxante. Então por que aquele conflito de sentimentos dentro de si?
Observou a coxa machucada e a cicatriz que ficara. Havia outra cicatriz, mas essa era invisível e profunda, localizada em seu coração. E também tinha um nome: Camus!
Vestiu as roupas de grife que lhe foram entregues em uma embalagem sofisticada e, certamente, enviadas por Saga. Ao calçar os sapatos, riu ao perceber que gostara de passar maior parte do tempo descalço e quase nu. O calor do sol na pele, o contato com a terra... Tudo tão simples e tão bom.
Quando saiu do quarto, Camus o estava esperando. Os cabelos avermelhados estavam úmidos e bem penteados. As roupas escuras acentuavam a beleza forte do corpo que conhecia muito bem...
– Não sei você, mas estou me sentindo estranho... – falou Milo com um meio sorriso.
– Logo você vai ver seus amigos e tudo volta ao normal.
– Voltar ao normal! Só se for prá você. Tudo que a gente passou e viveu lá... Acha que eu vou esquecer assim?
– Milo...
– Me diz Camus... Você já esqueceu o que aconteceu entre nós dois?
A mão longa se espalmou na nuca do grego, puxando-lhe a cabeça de encontro à sua. O calor de sua respiração sussurrando contra a sua pele, sua boca...
– Eu nunca vou esquecê-lo, Milo. Mas, a minha vida e a sua trilharão caminhos diferentes, daqui para frente.
Antes que Milo falasse algo, o agente Taylor os interrompeu, sendo discreto em não sinalizar que os tinha flagrado em uma situação íntima.
– Sinto interrompê-los, mas uma refeição foi preparada para os senhores antes do encontro com a imprensa e familiares que será daqui à uma hora.
O ruivo olhou para Milo e ambos acompanharam o agente. A refeição à base de frutas, carne, ovos e saladas os esperava em um buffet farto e colorido. Os dois comeram e, após uma hora se encontraram com a imprensa em um pequeno salão de convenções do hotel.
Sentados em uma mesa, tendo uma fileira de microfones à sua frente, responderam a uma bateria de perguntas que oscilavam entre o óbvio, o inteligente e o pessoal.
Os parentes das vítimas deram um toque dramático ao encontro e quando Milo já chegava ao estágio de mandar aqueles repórteres longe, Camus encerrou a entrevista.
– Já falamos o suficiente. Estamos cansados. Então, se nos dão licença. – disse o ruivo já levantando.
Um homem saltou da multidão e se aproximou do ruivo.
– Sei quem é o senhor e meu jornal está disposto a oferecer-lhe uma excepcional quantia em dinheiro pelos direitos exclusivos da história de vocês. Já posso visualizar as manchetes: Um ex-combatente e o famoso piloto de motovelocidade sobrevivem juntos ao acidente trágico unindo forças!
O olhar frio de Camus pareceu cortá-lo quando o afastou para o lado, dizendo baixo e educadamente o que ele deveria fazer com a sua oferta. Andou a passos rápidos com Milo, deixando-o aos cuidados de um grupo de seguranças que o cercou, protegendo-o do assédio dos jornalistas.
Enquanto era levado para o avião, Milo sentiu o corpo pesar e a perna doer. Franziu o cenho com aquele cansaço repentino e de repente, deu-se conta que perdera o contato com Camus.
Os olhos azuis procuravam aflitos e nada! Quando por fim, entrou na aeronave, reconheceu os cabelos avermelhados e o rosto alvo, encarando-o, enquanto acenava.
Desejou saltar do avião e ir atrás dele, mas a voz da aeromoça indicando que iam decolar jogou por terra as suas esperanças. Estava acabado. Camus nem havia se despedido.
Tudo o que tinham vivido, naquele mês, ficaria, apenas, nas suas lembranças...
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