Códigos Mortais.

6 O inimigo mora ao lado.


Notas iniciais
Heei, olha eu aqui postando tudo em dia *__* ~ressuscita velha Evy. Muito obrigada as leitoras que não me abandonaram e continuaram a acompanhar meu trabalho mesmo depois de tanta putice de minha parte kkkk Sério, vocês que são as divas aqui :3 Boa leitura!

Olhava atentamente o telefone móvel a minha frente com um nó enorme se formando em minha cabeça.

É claro que a escola já denunciara meu sumiço aos meus “pais”. Mamãe deveria estar maluca de tanto tentar ligar em meu celular – que, recapitulando, Trevor havia quebrado em outrora – e não ser correspondida. E meu pai? O que será que ele estava pensando? Eles nunca deixaram de manter contato comigo. E é claro que eu estava com falta deles.

Só não sabia o que fazer.

E se os bandidos houvessem os sequestrado para poder chantagear-me depois? Será que desconfiavam de que descobri toda verdade? Será que estavam bem?

Aquilo estava me torturando.

Suspirei pesadamente, jogando-me sobre os lençóis – que deveriam ser brancos, porém encontravam-se amarelados e em um péssimo estado – ansiando para que meu sono viesse logo.

Não me pergunte como, porém, conseguimos achar um hotelzinho barato de estrada umas duas horas depois de todo aquele alvoroço de mais cedo. A vareta humana jurou por todo seu estoque de Marlboros que nunca mais deixaria com que eu pegasse no volante de novo, e bem… Não discordei. No comecinho da próxima madrugada já conseguiríamos chegar à Nova Iorque para agendarmos nosso voo para Moscou com as identidades falsas que Addie conseguira dias antes da viagem. Os trinta milhões pareciam cada vez mais próximos… Puxa! Eu nem conseguia contar tanto dinheiro assim.

De alguma forma, estava feliz por ter entrado naquela confusão toda.

Sim, isso é um pensamento idiota. Minha vida estava por um fio.

Mas e daí? Passei dezessete anos inteiros da minha vida apenas acatando ordens dos outros como um bichinho de estimação, estava mais do que na hora de mostrar ao mundo que eu poderia ser muito mais do um fantoche nas mãos desses superiores de merda.

Sorri em meu íntimo com tais pensamentos, levantando-me daqueles lençóis manchados, ignorando meu desejo de agarrar-se ao telefone e fazer alguma bobagem de que pudesse se arrepender depois. Entrei no banheiro simples e cubículo, respirando aliviada por finalmente poder tomar um banho quente e relaxante – ou talvez não tão relaxante assim.

Deixei com que as gotas mornas tomassem conta de meu corpo alvo e gélido, notando gotículas cor-de-rosa escorregando até o azulejo desgastado daquele local, afirmando em meu íntimo que precisava renovar a cor do meu cabelo. O rosa já estava se desbotando e cá entre nós, já estava um tanto ultrapassado demais.

Além disso, eu teria um bocado de dinheiro mais tarde para fazer a transformação que quisesse nele.

Certo, eu realmente precisava maneirar em minhas expressões de velha.

Fiquei ali por mais alguns minutos, até o cômodo estar totalmente tomado pelo vapor da água quente de mais cedo. Enrolei-me na toalha branca que trouxe na mala comigo e finalmente voltei ao quarto. Xeretei alguma roupa confortável na mochila e optei por uma calça moletom cinza e um suéter azul marinho do natal passado. Escovei os cabelos recém-molhados que ainda soltavam tinta rosa e deixei por assim mesmo. Deslizei novamente no colchão, aconchegando-me a meu cobertor velho felpudo com um exemplar de Cartas na Rua de Charles Bukowski em mãos, extasiada por todo aquele conforto. Tudo estava á meu favor. Frio. Roupas confortáveis. Um bom livro e um companheiro – não preciso citar que Sid dormia gloriosamente sobre meu outro travesseiro – e um lugar silencioso. Só precisava de um pouco de café. Contudo, não me preocupei muito com isso.

"Olhe garota, sinto muito, mas será que você não percebe que esse emprego está me deixando maluco? Olhe, vamos desistir. Vamos apenas deitar por aí, fazer amor, dar passeios e conversar um pouco. Vamos ao zoológico. Vamos olhar os animais. Vamos pegar o carro e dar uma olhada no mar. São só 45 minutos. Vamos brincar nas arcadas. Vamos às corridas, ao Museu, às lutas de boxe. Vamos fazer amigos. Vamos rir. Esse tipo de vida que levamos é comum demais: está nos matando."

Esse velho bêbado me entendia completamente. Oh, céus! Bukowski conseguia exalar tudo que estava cravado em minha garganta há tempos. Algo que implorava para sair, porém era esgoelado por normas e regras que precisavam ser seguidas a riscas.

Acho que estou em alguma crise de meia idade.

— A que ponto eu cheguei, em garoto? — brinquei com o gato que me olhou furioso por ter seu sono interrompido pelo meu afago em sua cabeça momentos atrás.

Gatos não têm sentimentos, cara.

Dei de ombros voltando a minha leitura de tão saudosa paz.

Até o momento de alguém arreganhar a porta quase quebrando a parede rochosa do local.

— Desculpe lhe interromper — Addie se prontificou assim que percebeu que havia destruído minha leitura — Eu preciso de sexo, só isso.

— Hã? — certo… aquilo havia sido um pouco assustador.

O idiota com um curativo nos ombros caminhou até a cabeceira do lado da cama, abrindo desesperadamente a gaveta ao lado, retirando uma fileira de preservativos logo em seguida.

— Reencontrei uma garota de algumas festas passadas lá no saguão. Lisa Thompson. Loira e gostosa. Preciso dizer mais alguma coisa? — esclareceu minha cara de dúvida, enquanto sua respiração parecia ofegante.

— Não — ri com humor — Você viu o…

— Não faço ideia! — gritou nos corredores, após fechar (lê-se: quase derrubar) a porta.

Uou, isso realmente foi inusitado.

Após algumas páginas de leitura me dei por satisfeita. Ainda eram oito da noite e o maldito sono não havia chegado. Encarar o teto já havia se tornado um hobbie cansativo e eu estava com fome. Levantei-me com os músculos um tanto doloridos por ficar parada tanto tempo e me dei ao luxo de esticar as pernas em um pequeno tour pelo hotel.

Nada de interessante. Não dei de cara com Trevor ou Addie, muito menos alguém que valesse a pena conversar. Apenas a calada da noite tomava conta do local. Sentei-me nas escadas que davam acesso a porta central, e inalei a brisa refrescante que perfuravam meus pulmões.

— Pode me dar um gole? — indaguei, quando um semimorto sentou-se ao meu lado com uma garrafa novinha de Johnnie Walker.

— Ter te colocado nesse mundo dos vícios custou caro — Trevor resmungou passando a garrafa para mim. Dei algumas goladas rápidas, sentindo minha garganta ferver.

— Relaxa, não sou uma bêbada de cair — ri alto, lhe devolvendo a bebida.

— Dane-se — retrucou visivelmente incomodado, terminando o serviço por mim — Uau! Isso sim é um gosto do bom e velho whisky escocês! — riu das próprias palavras, já sentindo o efeito do álcool em seu sangue.

Dei de ombros, sentindo a brisa cada vez mais fria de encontro ao meu corpo.

— A propósito, quem lhe autorizou a sair do quarto? — Trevor questionou-me enquanto fungava um pouco, com a voz um tanto rouca. Parecia o começo de um resfriado.

Olhei-o indignada. Seus fios escuros recaíam sobre aqueles típicos olhos sem brilho. Aquela barba por fazer me incomodaria em tempos passados, porém, passei a admirar o excêntrico com o passar daquela aventura perigosa. E sua pele me assustava. Era como se estivéssemos encarando algum papel manchado ou coisa do gênero. O branco se fundindo com o roxo de suas bolsas escuras por baixo dos olhos. Aquilo denunciava algumas – longas – noites mal dormidas suas. Era deprimente e um tanto assustador olhar para o garoto.

— Eu mesma me autorizei, Sr. Schneider — sentenciei, beirando a ignorância.

— Não me lembro de toda essa sua audácia, Srta. Schmid — o mais velho se prontificou em caçoar da minha pessoa — Se você é tão corajosa assim, pode se defender caso algum mafioso nos encontre, não é mesmo?

Ora, ora, temos alguém que gosta de alfinetar por aqui, não é?

Pena que eu também sou boa nisso.

— Não — levantei-me rapidamente, sentindo certa tontura por conta do álcool ingerido minutos atrás — Você fará isso por mim. E sabe por quê? Porque eu sou seu baú no fim do arco-íris. Não pode me perder. — sorri cinicamente em sua direção.

O idiota também se levantou, deixando a diferença notável de altura entre nós. Um de frente pro outro. Cruzei os braços, sentindo seu hálito quente e alcoólico ir e vir de encontro ao meu rosto. Aquilo de certa forma aquecia-me. Meus dentes batiam freneticamente um com o outro, porém o orgulho não deixava com que eu entrasse e me aquecesse na segurança de minha cama. Confrontá-lo era bem melhor que isso.

— Você está certa. Mas não quer dizer que estará em plena segurança comigo aqui — sorriu de lado, colocando as mãos sobre os bolsos de sua calça jeans com aquele seu jeito debochado e antipático que me irritavam profundamente — Nós nunca saberemos se eu realmente irei te deixar viva depois de conseguir aqueles milhões, minha cara.

Nisso ele estava certo.

Tá, agora fiquei com medo.

Só de pensar nessa possibilidade, frios terríveis percorreram minha espinha. Eles não fariam isso quando achássemos o cofre em Moscou…

…

Fariam?

— Cala essa boca, seu idiota — cuspi as palavras, enquanto tentava me manter segura. Mudar de assunto deve funcionar. — E se você não percebeu, eu estou morrendo de frio! Os homens deveriam nos oferecer suas jaquetas, sabia?

Trevor se forçou a gargalhar de minha fala. Uma risada patética e sem humor. Argh! Idiota! Minhas mãos coçavam para atingir sua face e deixar uma vermelhidão por ali.

— Eu não sou seu príncipe encantado, garota — verbalizou desviando seu olhar do meu e andando a passos largos e lentos para a porta central, deixando a pobre garrafa para trás — Procure um garoto de programa. Faria mais sentido.

Depois disso a conversa se deu por acabada.

Fui para a cama aquela noite com essa ideia maluca de me matarem por dinheiro ao final da missão. Rolei várias vezes sobre os lençóis, enquanto suava frio só de me imaginar numa situação dessas. Não preguei os olhos uma vez sequer, e logo, a insônia abraçou-me de vez.

Será… Que eu estava dormindo com o inimigo?

Notas finais
Perguntinha do dia hohoho: E aí? Acham que isso é coisa da cabeça da Harvey ou não? Deixem suas opiniões, sugestões... Enfim! Qualquer coisa que quiserem *u* Curiosidade: Qual a matéria que estão mais fudidos esse bimestre? Estou passando por uma crise em matemática e geografia, ajudem-me T-T