Códigos Mortais.
7 NY é uma merda.
Notas iniciais
Lisa Thompson.
Só o nome da garota em si trazia problemas.
Loura, com o corpo de um dourado escultural e seios enormes deveria chamar atenção até em cachorros no cio por onde passava. Suas roupas não ajudavam muito. Ela vestia um short jeans que mostrava a poupa da bunda e uma regata vermelha totalmente apertada. Duvido muito que algum ser vivo pudesse respirar com aquilo.
Mas e daí? Eu não teria nada contra a garota…
Se a maldita não tivesse cruzado meu caminho.
— Ela não pode ir com a gente, isso não tem cabimento! — gritei mais uma vez enquanto os dois garotos fingiam me ignorar — Vocês tem noção do que essa guria pode fazer? E-e se ela for uma espiã ou algo do tipo… — cruzei os braços, marrenta — Definitivamente, não!
— Harvey, a garota é uma chave de cadeia, mas e daí? Ela já sabe de tudo — olhei como uma maníaca para Addie que tentava se explicar da pior maneira possível.
— Você é o culpado, seu desgraçado — acusei-o, colocando meu dedo indicador contra seu peito, empurrando-o para trás — Onde estava com a cabeça quando abriu essa sua boca grande?
— Er… Na verdade, era ela que estava com a boca no meu…
— CHEGA! — berrei — Livre-se dela! — ordenei à flor da pele, sentindo meu sangue borbulhar.
— Já chega! — Trevor colocou-se em nosso meio, parecendo impaciente com tudo aquilo — Lisa vai conosco Harvey, não vou sujar minhas mãos com ela. Além do mais, pode ser de grande ajuda. Se precisarmos tirar informação com alguém, os peitos dela serão nossa primeira opção.
— E ela sabe lutar! — o bombadão lembrou enquanto vangloriava-se.
— Cala essa boca — murmurei.
Estávamos preparando o carro para finalmente partirmos daquele hotelzinho de quinta, quando o loiro veio com o rabo entre as pernas nos contar que “casualmente” deixou uma informaçãozinha ou duas escapar durante sua “intimidade” com a peituda. Primeiramente, Trevor não demonstrou reação – nem segundamente ou terceiramente. Aposto que o maldito estava amando tudo isso –, já eu… Extravazei! E vocês perceberam isso.
— Gatão, eu já estou ficando impaciente — a vaca… Quer dizer, nosso alvo, aproximou-se abraçando Addie por trás, colando seus seios nas costas do maior. Ele sorriu travesso, parecendo pensar as coisas mais obscenas possíveis.
— Já estamos indo — avisou, esquivando-se dela, tentando manter sua sanidade. — Certo Harvey?
Grunhi nervosa, ainda com os braços cruzados olhando com raiva para Trevor, que há essa hora já havia voltado para o carro e terminava de colocar as bagagens no porta-malas. Lisa não parecia ter ido com minha cara – o que de certa forma me confortou, porque eu não era nem um pouco fã da megera.
Voltei alguns passos para trás e gritei:
— Se ela for eu me recuso a ir! — e sentei-me no chão, emburrada.
E sim, eu costumava ser infantil quando estava com raiva.
Os dois safados bufaram e entraram de mãos dadas no automóvel.
Quem essa idiota pensa que é? Mal chegou aqui e já está se apropriando das coisas. Fala sério. Será que todos resolveram pegar seus cérebros e fazer sabão com eles? Já havia muita gente metida nessa história. Não precisávamos de mais ninguém. Principalmente de um par de melões ambulante.
O bombadão cutucou o magricela e sussurrou algo como “dá logo um jeito nisso” e o outro assentiu. Continuei ainda ali, com o sangue fervilhando dentro de mim.
— Já terminou seu showzinho? — o garoto provocou-me, com a voz pesada.
— Não tem nenhum showzinho aqui — rebati — Não vou a lugar nenhum com aquela… aquela… vadia anti-roupas.
Ele suspirou pesadamente revirando os olhos de forma impaciente.
Continuei firme.
Ainda me restava um tantinho de dignidade.
Deu de ombros para minhas caretas aproximando seu corpo um pouco mais que o normal do meu. Não deu tempo para gritar ou correr.
O maldito já havia me tirado do chão a força e esparramado meu corpo em suas costas. Debati-me que nem louca, xingando-o das piores coisas que viam a minha mente. Fiquei espantada por não ter quebrado a espinha do cara.
Não que meu objetivo fosse esse, longe disso.
Até parece.
— Me coloque no chão! Agora! — minha respiração já começava a ficar ofegante.
Argh! Como eu odiava aquelas pessoas!
— Agora vê se cala um pouquinho essa boca — o magrelo jogou-me no banco passageiro da frente e fechou a porta rapidamente. Soltei o ar que estava aprisionado em minha garganta, tentando me recompor.
— Isso é culpa sua! — berrei para Addie momentos antes de o outro ocupar o banco do motorista.
— Não grite assim com ele — a vadiazinha mor fez beiçinho massageando o queixo de seu amado.
— Vá se foder — cruzei os braços virando-me para frente. Estava decidida a ignorar todos aqueles seres repugnantes pelo resto da minha vida.
—
— MINHA VEZ! — berrei novamente sentindo o ar gelado do lado de fora tomar completamente meu corpo.
Tomei mais alguns goles da garrafinha de uísque que peguei (lê-se: tomei a força) de Trevor e estava rindo igual uma hiena com algo enfiado em seu orifício anal. Minha risada era a pior possível. Sabe quando a pessoa acha graça de algo e começa a rir pra dentro e fica se balançando sem fazer som nenhum?
Prazer, eu.
E ela não melhora quando estou bêbada.
— Quando eu tinha quinze anos, conheci Joe — comecei, soluçando um pouco —, foi o primeiro garoto que eu… Bem… Você sabe — mais um gole — Foi frustrante, era o menor pênis do mundo. Broxei na minha primeira vez, algo horrível — ri novamente, abrindo um pouco mais a janela, fazendo com que meus cabelos se esvoaçassem.
Trevor também ria, enquanto os dois idiotas do banco de trás dormiam como bebês.
Bebês nojentos que roncam, mas bebês.
O graveto humano estava no mesmo nível de embriagamento que o meu, porém, mais controlado, já que havia se acostumado com toda aquela quantidade de álcool no cérebro durante tantos anos. Cutuquei-o de canto, quase gritando:
— Vamos, é sua vez.
Ele riu, tombando meu corpo para o lado com seu ombro pesado. Eu estava semelhante com uma ameba que quase bati a cabeça na porta.
— O que quer que eu diga? — verbalizou, deslizando o volante do automóvel com apenas uma mão. A outra havia tomado a garrafa de mim, onde logo encaixara os lábios fazendo o líquido descer pesadamente por sua garganta.
— Qualquer coisa — dei de ombros, ainda com a cara no vento — Algo sujo ou sem moral que tenha escondido até agora.
— Hã… Vamos ver… — ele parecia confuso. Sua vida me parecia um livro aberto. Mas sei que essa linha de raciocínio estava bastante errada — Eu achava minha mãe gostosa.
Olhei-o séria, e por um momento ele tirou aquele sorriso cínico de seu rosto magro e pálido parecendo concentrar-se verdadeiramente no trânsito.
Esperamos mais alguns segundos e caímos outra vez na gargalhada.
— Mano, que porra — gozei-o, com a voz embargada.
— Mas ela era, ué — tentou justificar-se.
— Ela era sua mãe, cara!
— Não totalmente, eu só a via alguns dias na semana. Quando não estava bêbada ou dando por aí. Ela era uma bela puta, Harvey. — ele olhou para o horizonte como se divagasse — Uma bela puta…
— Isso é doentio — reclamei, porém dei de ombros alguns segundos depois. — Não que a minha não fosse. Quer dizer… Não a adotiva.
— É, estou lembrado do vídeo que teu pai gravou — um silêncio parcialmente estranho instalou-se sobre nós.
Sim, eu me lembro do que Clark informou-me sobre a tal de Hannah através daquele vídeo. A vadia só ficou grávida por pensão. Deveria estar em qualquer canto nesse momento. Vendendo-se por míseras moedas. Pra mim não havia nada mais nojento que vender o próprio corpo.
Ah, havia sim! Ter tido um pai mafioso e corrupto.
Mas isso é outra história, afinal, preciso aceitar meu destino. Ainda tenho meus trinta milhões. Ou menos. Sei lá.
— Trevor — chamei-o com a voz baixa. Ele continuava dirigindo, mas eu sabia que prestava atenção — O que vai fazer com a Lisa? Q-quer dizer… Você não vai deixá-la conosco por muito tempo, certo?
O branquelo deu de ombros e tomou mais um golão de sua garrafa. Era como se não estivesse ali. Iria refazer minha pergunta, mas o jumento logo resolveu se prontificar:
— É só relaxar, Harvey — outro gole — Só relaxar…
— Eu tenho feito muito isso ultimamente — praguejei baixinho, ajeitando-me mais no banco e não tendo muito tempo para reconfortar-me. Alguns segundos depois aquele meu lado ranzinza desapareceu como um passe de mágica.
Um sorriso largo e satisfeito brotou do canto de meus lábios com a visível e bonita placa do lado direito da rodovia.
Bem-vindo à Nova Iorque.
–
A cidade era tão bonita… Tão populosa… Tão convidativa.
Quem sabe eu poderia passar algum tempo aqui depois de receber minha bufunfa...
Trevor dirigiu por mais alguns quilômetros e chegamos a um simples hotel bem próximo de uma rodoviária. O lugar era quase inabitável. De repente, todo aquele meu encanto sumiu.
Não que eu imaginasse que iríamos passar a noite em um hotel cinco estrelas…
Por favor, quem pensaria nisso?
— Amor, chegamos — Lisa esgueirou-se dos braços aconchegantes de Addie e começou a acordá-lo carinhosamente.
Eca.
— Essa é a nossa última parada antes de Moscou — o garoto ao meu lado decidiu manter-me informada — Ficaremos por dois ou três dias para que Addie tenha tempo de localizar o cofre e tomar conta do sistema.
Assenti rapidamente, e tirei a chave da entrada.
— Vou pegar minhas coisas — falei calmamente e saí. Só a voz daquela garota já me deixava com náuseas.
Acomodamo-nos em dois quartos. Só após arrumar todas minhas coisas e deixar Sid em uma almofada aconchegante, fiquei sabendo que teria de dividir o quarto com Schneider. Não tínhamos mais tantas economias para bancar três quartos, e certamente a galinha de cabelo loiro dormiria com Addie. Dormiria entre aspas, é claro.
Quando a noite caiu, ele forrou o chão com alguns lençóis e um cobertor. Tomou um banho demorado e saiu com os cabelos pingando e vestido apenas com um bermudão, deixando seu abdômen um tantinho definido e magrela à mostra.
— Está sem água morna — pronunciou após ter deitado com uma revista de futebol americano em mãos.
— Ótimo — rolei os olhos, com a toalha em ombros e o pijama nas mãos.
A noite estava um pouco fresca, por isso foi difícil entrar naquela água congelante. Meu cabelo estava um nojo de tanta oleosidade, porém decidi que não o lavaria antes de reclamar no saguão por água morna. Sai de lá batendo os dentes com uma camiseta e calça de moletom larga. Trevor já cochilava com a revista cobrindo sua face e os braços cruzados a cima da nunca.
— Tsc, tsc. Mal começou a leitura e já se entediou — sussurrei aproximando-me dele e puxando o objeto dali. Levei um susto, quando uma de suas mãos agarrou meu pulso com força fazendo-me soltar aquilo.
— O que está fazendo? — rosnou entre dentes olhando-me nos olhos — Ah, é você.
— É, em carne e osso. Por enquanto — vociferei esquivando meu pulso de suas mãos — O que deu em você?
— Lamento, mas preciso estar sempre atento — ele sorriu de lado, sem humor voltando a ficar sério — Até em sono.
— Você é doentio.
Apaguei a luz e deitei-me naquela cama de colchão duro. Revirei-me por alguns minutos. O sono não batia em minha porta, por mais que eu o ansiasse. Acendi o pequeno abajurzinho na pequena cômoda desgastada ao lado de minha cama e dei uma espiada no cara ao lado. Agora, ele estava com os braços cruzados em cima dos olhos. O abdômen movimenta-se minimamente com sua respiração, e os lábios avermelhados estavam um tanto entreabertos.
— Trevor? Está acordado?
— Agora estou — disse com a voz fraca — O que quer?
— Sei lá, só não consigo dormir — dei de ombros, sentando-me com as pernas cruzadas para não atingi-lo.
— Me acordou para dizer uma porcaria dessas?
— Sabe o que é? Estive pensando… Não são nem dez horas ainda. Estou na cidade que nunca dorme. Sonho em conhecê-la desde criança e…
— Tá querendo dizer o que? — interrompeu-me, sem paciência. Ainda na mesma posição.
— Bem… Quero sair por aí. Só um pouquinho. Por favor! — fiz uma voz de criança pidona.
— Fora de cogitação — retrucou.
— Ah, por favor! Aposto que você nem estava dormindo.
— Não, nem pensar.
— Mas eu…
— Harvey! Chega! Eu já disse não.
–
Aquela cidade era realmente linda. Os postes, os faróis dos carros, as lojas, os outdoors… Tudo brilhava tanto! As pessoas pareciam extremamente ocupadas e andavam muito depressa. Olhava tudo maravilhada. Nunca havia visto nada igual.
— Vamos parar ali! — pedi, feito uma criança apontando para uma casa noturna onde entravam e saiam jovens de todos os tamanhos e estilos.
— Não tenho mais dinheiro — Trevor vociferou, odiando tudo aquilo e de como eu havia implorado para que saíssemos até o mesmo não aguentar mais.
— Eu tenho algumas economias aqui na minha mochila. Vamos beber e escutar algumas músicas. Depois voltamos! Juro.
O rapaz suspirou pela centésima vez naquela noite e estacionou o carro alguns quarteirões depois, já que era impossível deixar o automóvel ali por conta da lotação. Caminhamos em silêncio. Porém, silêncios distintos. Eu de euforia, e o outro de impaciência.
Ele usava uma camiseta polo larga branca, uma jaqueta de couro e um jeans ridículo esfarrapado no joelho. Estava de óculos escuros e bem entediado. Já eu, estava com uma blusa bata amarela e uma calça jeans preta um tanto justa. Calçava um salto não muito alto preto com strass.
A casa noturna era bonita… Não muito espetacular e nem muito podre. Havia um barman e seguranças na entrada. Havia aquela fumaçinha do tipo efeito especial no local em que as pessoas dançavam. Só.
Um tanto agradável.
— Uma dose de blue ice — ele pediu assim que nos sentamos — Pra começar.
— Uma batida de morango.
O careca assentiu e começou a preparar nossas batidas.
Olhei para o lado e percebi que Trevor batucava os dedos incansavelmente sobre a mesa, não deixando nunca de olhar para os lados. Ele parecia estar ligado em uma tomada de 220v. Não se dispersava. Por nada.
— Ei tudo bem? — seus olhos se voltaram a mim, ao que o mesmo assentiu sem muito trabalho. Os lábios comprimidos em uma linha reta. As sobrancelhas arqueadas — É só… relaxar, ok? Daqui a pouco já vamos embora — coloquei minha mão sobre a sua, tentando ao menos acalmá-lo e sorri simpaticamente.
As bebidas logo chegaram e praticamente viramos o primeiro copo juntos. Já sentia minha garganta queimando e minha cabeça vibrando um pouco. Schneider parecia imbatível nessa exceção da bebida. Ele parecia ter vivido muito mais do que sua idade aparentava, e aquilo me deixava um tanto incomodada.
Parei em meu terceiro copo, quando vi que nada mais entraria. Já estava ficando tonta com tantas luzes piscando ao meu redor.
— Vou ao banheiro — anunciei, levantando-me.
Senti-o segurando meu braço, fazendo-me encará-lo profundamente.
— Vou com você — informou, parecendo-me bastante sóbrio.
— Não. Eu vou sozinha. É rápido — afirmei, com convicção.
— Se você não voltar daqui a três minutos irei atrás de você — sentenciou, voltando sua atenção aos copos ainda não virados.
Rolei os olhos e caminhei lentamente até lá. Não queria levar um tombo ali mesmo.
Lavei o rosto e quando me olhei no espelho, percebi que já estava vermelha.
Eu era tão fraca.
Talvez nem gostasse de beber, só de demonstrar que já era autossuficiente para fazer isso sozinha. Queria ser forte para encarar todos os baques que já me aconteceram até agora. Mas tudo que fiz fora reclamar e deixar o peso sobre os ombros de outras pessoas.
Não sabia o porquê, contudo estava odiando-me naquele momento.
Voltei para nossa mesa e notei que Trevor não estava mais lá e sim, trocando palavras com uma vagabundinha qualquer de saia curta e piercing no umbigo. Ela sorria, pregada a parede, e ele estava com as mãos apoiadas ao lado de sua cabeça.
Não sei se foi o álcool ou uma súbita coragem momentânea, porém caminhei até lá puxando o “garoto” pelo ombro enquanto apresentava-me para a megera. Ela disse que se chamava Harper e era nova na cidade, estava procurando alguém para ser seu guia durante sua estadia por lá e perguntara se August tinha disponibilidade.
O idiota sempre dava nomes falsos e aconselhava-me a fazer o mesmo. Ao menos até nossa “jornada” chegar ao fim.
— Desculpe, mas ele mal conhece a cidade — informei, com um sorriso falso nos lábios — Mas você pode deixar seu telefone comigo. Conheço ótimos guias por aqui — menti.
Ela não pareceu muito contente e logo saiu dali. Observei-a até se perder na multidão.
— Não tenha ciúmes do que não é seu, rosinha — o panaca sussurrou próximo ao meu ouvido, curvando-se e apoiando seu queixo em meu ombro, espetando-me com sua barba rala.
— Cale essa boca — ordenei, ficando de frente à ele.
A vareta podia ser o que fosse, mas tinha de admitir que ele era bonito. Seus olhos eram verdes como duas esmeraldas, e seus lábios eram carnudos bem chamativos. Limitei-me a observar sua boca.
Trevor fitou-me confuso, mesmo assim com o olhar pesado. Sentia sua respiração contra mim e seu hálito de álcool tomar conta de minhas narinas.
Talvez eu quisesse me embriagar nele.
Talvez não. Era exatamente o que eu queria.
Foi então, que eu o beijei.
Sim, beijei.
Sua boca ficou parada por alguns segundo, entretanto, o mesmo entendeu o que estava ocorrendo e me aproximou tão rápido que fiquei um tanto zonza. Seu beijo era violento e sem pudor. Chegava a machucar. Porém, não me importei com aquilo. Era bom estar em seus braços. Mesmo que ele não considerasse nada sério.
Meu coração começou a disparar tão forte, que tive medo dele perceber. Eu não estava mesmo atraída por Trevor Schneider… Estava?
Suas mãos se entrelaçaram em minhas costas e seus dedos, logo percorreram para debaixo da minha blusa, apertando minha pele, enquanto sua língua explorava minha boca por completo. Um arrepio passou por minha espinha e minhas mãos foram parar em seu cabelo, massageando com certa força. Aquele lugar estava quente demais.
Bem, eu esperava que fosse o lugar.
— Hotel — sussurrei para o mesmo entre uma pausa e outra. Sua boca contra a minha. Ele assentiu.
Meu Deus, contenha-se Harvey! Você parece tão desesperada!
Ah, que se danasse o mundo. Que se danassem todos. Era bom estar ali. Com ele. Era isso o que eu queria.
Mesmo que fosse por uma noite.
Mesmo que fosse o álcool falando.
Mesmo que ele não se lembrasse no dia seguinte.
Ele dirigiu tão rápido que por um momento cogitei me jogar do carro só para salvar minha vida.
Cogitei. Não me importava mais com isso.
Se fosse para morrer, seria a morte mais legal que me preparam.
Chegamos, e quando finalmente entramos no nosso quarto o rapaz me comprimiu contra a parede, distribuindo beijos entre meu pescoço criando uma trilha até perto de meu busto e depois voltando sua atenção aos meus lábios. Empurrou-me contra a cama ficando por cima de mim e fazendo questão de fazer todo o trabalho sozinho. É claro que não deixei barato. Ele rasgou minhas blusa sem dó nem piedade enquanto eu deixava marcas em suas costas, tentando rasgar sua carne com minhas unhas.
De repente, o mesmo havia parado e me encarava de forma estranha.
— Eu preciso…
“— De você! Você é só minha agora, Harvey. Desde que você entrou em minha vida, tudo mudou completamente!” – pensei, com os olhos brilhando.
— … Vomitar!
— O quê?
Tarde demais. O maldito já havia saído de cima de mim e corrido para dentro do banheiro.
Eu sabia que ele era um bêbado, mas aquela noite havia exagerado na dose. Claro que não acabaria de outra maneira.
Suspirei chateada, tentando recompor-me. A noite havia terminado por ali para nós dois. Dei tempo a ele. Não é nada legal ficar amolando pessoas com início de ressaca. É melhor deixá-las sozinhas mesmo.
Voltei a colocar meu pijama e rolei para debaixo dos lençóis.
Quem sabe foi melhor aquilo ter acontecido? Eu estava prestes a me entregar para Trevor… Aquela vareta sem educação e impaciente.
Porém com uma bela pegada.
Ah chega! Eu estava bêbada. E ele também. Foi só isso.
Nada mais.
Ainda ouvia seus grunhidos, e adormeci com eles mesmo assim.
Fale com o autor