Notas iniciais
Olá amados, como estão? :) Desculpem a demora, mas depois de quase 2 meses novamente, o capítulo finalmente saiu e até um pouco maior do que o costume, hehehe.

Esse capítulo está pronto há duas semanas, pra vocês terem ideia. Só que não tive tempo para digitá-lo, só nesse final de semana pude fazer isso, então, me perdoem, ok? xD Capítulo cheio de doce, tão doce que alguém vai ficar diabético.

Dou as boas vindas ao novos leitores, acho incrível a capacidade de alguém ter a coragem de acompanhar uma fic do começo á com tantos capítulos postados, haha. Por isso, sejam bem vindos, é um prazer tê-los aqui!

Agradeço a todos que comentaram e me incentivaram pelos reviews no capítulo passado, de verdade, muito obrigada, isso me deixou feliz pra caramba! n_n E não se preocupem, porque jamais abandonaria essa fanfic, hehehe.

Beijo e boa leitura!

Capítulo 26

“Ainda bem, que agora encontrei você.”

Ainda bem—Marisa Monte

159

Apenas uma palavra poderia definir Rukia Kuchiki naquela manhã: radiante.

Ichigo estranhou o fato de ela parecer tão animada e até mesmo abobalhada depois do desabafo sobre morte na noite anterior. Mas, apesar de tudo, resolveu deixar para lá e não se intrometer — no que quer que fosse o seu motivo para estar daquele jeito —, porque ela era estranha. Mas não podia evitar que seu olhar se desviasse para Rukia a cada minuto, realmente curioso pela situação.

Ao contrário dele, a ceifadora estava incrivelmente feliz e despreocupada. Era como se a declaração de amor de Ichigo, tivesse levado embora toda ou qualquer preocupação que tivesse. Era a primeira vez que amava alguém, mas já tinha entendido que o amor a deixava estupidamente otária e burra.

Completamente fora de si.

Sabia que tinha problemas maiores para resolver, mas queria aproveitar aquela sensação gostosa e quente que preenchia o seu peito ao saber que seu amor era correspondido. Mas até isso ela não podia fazer. Desfrutar do amor que sentia pelo sub-xerife. De qualquer modo, estivera a noite toda pensando em algo que pudesse saciar os dois lados da balança.

E achava que era um bom plano. Só tinha que colocar em prática.

— Rukia, você vai mesmo queimar a comida? — A voz de Ichigo a despertou do seu transe e ela se recuperou rapidamente, mexendo os ovos na frigideira. Ele continuou: — O que há com você hoje? Está distante e serelepe demais. E não costuma queimar a comida.

— Estava apenas pensando em algo que me deixou feliz. — Ao falar, suas bochechas coraram de puro deleite. Vendo a expressão interrogativa do homem, acrescentou rapidamente: — Não adianta! Eu não vou falar pra você o que é! E não insista, seu curioso! — Um sorriso sincero atravessou seus lábios.

Ichigo franziu o cenho, desconfiado. Estaria ela, aprontando alguma coisa? Não tinha muita certeza, mas era melhor ficar de olho de qualquer forma. Rukia era surpreendente.

— Pronto. Aqui estão seus ovos, sub-xerife. Levemente tostados, espero que isso não o incomode, milorde — anunciou ironicamente, mas sua felicidade era tão grande que os olhos violáceos brilhavam.

— Por que você está falando desse jeito? É esquisito — disse, pegando uma porção de ovos da frigideira e atirando de qualquer jeito no prato raso de porcelana.

— Você nunca leu nenhum livro de romance, Ichigo? — perguntou, sentando ao lado dele no balcão, sem se preocupar em colocar a comida no prato e sim comendo direto da frigideira.

— Não tenho tempo para ler essas porcarias — retrucou de boca cheia. — Só leio livros que vão me ensinar algo importante e não que me mostrem que não devo amaldiçoar na frente de uma dama em voz alta.

— E falar de boca cheia também — acrescentou com um sorriso condescendente até demais.

— Ah, claro! — retrucou de bom humor, apoiando os cotovelos no balcão e encarando-a diretamente nos olhos, os lábios se contorcendo em uma pronúncia de um sorriso. — Engraçado você dizer isso, já que come direto da panela, age feito uma ogra, come por mim e pelo Texas inteiro, fala palavrão e vive dizendo que definitivamente não é e nunca será uma dama.

“Eu realmente não sei. O que eu fiz para merecer.

Você.”

Ela largou o garfo em cima do balcão teatralmente e levou uma mão a testa — como as damas costumavam fazer quando iam desmaiar ou dar piti — e a outra ao coração, atirando a cabeça para o lado de forma dramática.

— Como ousa? — murmurou em um tom ferido. — Não respeita minha dignidade, milorde? — Os olhos se suavizaram e ela pareceu um gatinho assustado com tal expressão.

Dessa vez, Ichigo deixou uma risada escapar.

— Eu? Minha senhora, milady já me ameaçou de morte, se lembra? — brincou, realmente se divertindo com aquela encenação, e acrescentou: — Com um caroço de feijão. Caso você seja uma dama, é das perigosas.

— Oh senhor, se me recordo bem, as palavras exatas foram: Mataria alguém com um coração de feijão; e não que mataria milorde — retrucou, levando o polegar ao lábio como se pensasse. — E aliás, como um bom cavalheiro, o senhor me desafiou para um duelo, porque dizendo os boatos, eu era boa em corpo a corpo.

— É, em todos os sentidos. — Arqueou as sobrancelhas, mostrando que se recordava bem daquele diálogo. — E parece que estavam certos, não é mesmo?

— Certamente — concordou, ainda falando formalmente. — E eu te fiz voar que nem um pedaço de papel, lembra? — provocou, sorrindo matreira.

— Você teve que fazer bastante esforço para aquilo dar certo. Chega desistiu depois — provocou de volta.

— Está me desafiando? — repetiu exatamente as mesmas palavras que disseram na outra ocasião.

— Se eu dissesse que sim?

— Eu aceitaria — respondeu de boa vontade, a excitação crescente se espalhando por todo o seu corpo. Era quase nostálgico pensar no antes e no agora. Meses atrás eles estavam fazendo a mesma coisa, mas com propósitos diferentes. — Que tipo de desafio propõe, xerife?

— Sei que continua boa no corpo a corpo. Então... — Deu de ombros, sorrindo de canto.

— Está a fim de experimentar? — perguntou sugestivamente, como da primeira vez.

— Seria um ótimo exercício matinal. — Levantou da cadeira, andando até a porta devagar.

Rukia o seguiu para fora da casa, parou na ponta da escada e viu-o dar uns passos para longe dela. Virou-se para ele. Exatamente cinco metros os separavam. O sol estava mais ameno do que da outra vez e uma brisa roçava suavemente no rosto de ambos, fazendo o cabelo revoar.

— Há alguma regra nesse jogo?

— Quem perder, vai ter que contar algo precioso sobre si para o outro — Ichigo disse, sério, o tom determinado, quase selvagem na voz rouca e grave. — Além do desisto, claro.

“Porque ninguém dava nada por mim.”

— Como desejar — concordou sem nenhuma hesitação, confiante no próprio potencial. — Já?

— Já!

Dessa vez, bastou que ele dissesse o “já” para que ela partisse para cima dele, que estava com a guarda aberta. Tinha pegado impulso o suficiente para uma voadora e assim o fez. No último instante, Ichigo desviou para o lado, mas a perna dela ainda conseguiu acertar seu braço direito parcialmente.

Deslizou no chão empoeirado e se virou para ele com agilidade, bloqueando um chute estranhamente fraco. Segurou a perna de Ichigo com as duas mãos e puxou. Ele se desequilibrou e pendeu para frente, mas não caiu. Apoiando as duas mãos no chão, o ruivo pegou impulso para levantar, desviou de um chute na panturrilha e de um soco que passou zunindo por sua cabeça. Deu uma rasteira e, despreparada, Rukia acabou caindo no chão de bunda. Tentou levantar, mas o sub-xerife se agachou e empurrou os ombros dela, obrigando-a a ficar no chão sujo.

Ela o encarou bem, não teve nenhuma vontade de resistir. Na verdade, ela queria que Ichigo perguntasse qual era o segredo que mais lhe doía guardar. Os braços caíram no terreno duro e ficaram desse jeito, enquanto os olhos azuis não deixaram os castanhos por nenhum momento.

— O que há de errado? Está desistindo? — perguntou, sua voz saindo serena, sem nenhum tipo de zombaria.

A morena pensou seriamente nessa pergunta. Um longo minuto se passou. Um minuto que pareceu a eternidade. Ela deveria dizer, realmente deveria contar como se sentia, afinal, Ichigo dissera que a amava, mesmo que tivesse sido enquanto dormia.

Abriu a boca para falar, mas nenhum som escapou de sua garganta. O olhar dele continuava sob si, esperando uma reação, uma resposta, qualquer coisa. Então, o inesperado aconteceu:

— Eu desisto.

— O quê?! — exclamou incrédulo.

— Desisto — repetiu, engolindo em seco. — O que você quer saber? — Apoiou-se pelos cotovelos, não se importando com a posição em que estavam.

Ele estava agachado sobre ela, sendo que Rukia estava entre suas pernas, enquanto segurava os ombros finos para que ela continuasse naquela posição. O Kurosaki franziu o cenho, confuso com sua reação, tentando captar segundas intenções na declaração, mas não havia nada.

“Quem dava, eu não tava a fim. Até desacreditei.

De mim.”

— O que eu quero saber? Isso foi fácil demais — disse, sem dar sinal que sairia da posição em que estava.

— Sim. Qual é o problema agora? Sempre reclama que não conto nada para você, sub-xerife — sibilou o título dele, ironicamente. — Pergunte algo.

Ichigo absorveu as palavras dela com cautela. A primeira coisa que veio na sua cabeça foi perguntar sobre o que a incomodava tanto, qual era o fantasma que continuava a assombrá-la. Porém, não pareceu certo. Algo que dizia que era outra pergunta que deveria ser respondida.

— Conte algo que você jamais achou que seria capaz de compartilhar com alguém de forma sincera. — Foi tudo que escapou de sua boca e então, percebeu que isso sim pareceu certo, mesmo que não entendesse o motivo. — Algo tão profundo, que faz você se sentir estranha ao ter que falar para qualquer pessoa.

“O meu coração já estava acostumado com a solidão.”

O homem esperou que ela hesitasse, que pensasse, qualquer outra coisa, qualquer reação, menos a que veio a seguir:

— Eu amo você, Ichigo. — Quando percebeu o choque a confusão atravessando a face dele, Rukia se apressou em continuar: — Eu não sei exatamente como aconteceu ou porquê, mas quando me dei conta, eu estava me sentindo estranha, esquisita e... Viva. Como nunca. Havia algo, uma maneira que seus sorrisos faziam, não, faz meu corpo se esquentar e que me deixa imbecil, estúpida e ridiculamente feminina. Eu quero estar perto de você sempre, quero te abraçar, te beijar e ficar do seu lado, mas eu sei que é amor. Eu amo você. — Deu uma pausa, sentindo os olhos se enxerem de lágrimas. — Amo você, Ichigo — repetiu.

— Rukia... — murmurou debilmente, tão impressionado com aquela declaração repentina. Parecia irreal, achou que deveria estar sonhando ou algo do tipo, porque tal acontecimento era impossível. — Rukia...

Não seria agora que acordava?

— É bom que você tenha escutado tudo, porque é a primeira e a última vez que vai me ouvir falar isso — murmurou ainda mais baixo, as lágrimas presas em seus olhos exóticos, esperando ansiosamente por uma resposta.

— Isso é um sonho. Certeza que a Rukia jamais falaria algo assim — Ichigo ponderou, fazendo a boca de Rukia se abrir de surpresa e incredulidade. — Agora falta algo mais estranho ainda aconte...

O tapa de Rukia foi certeiro e com tanta força que a marca dos seus cinco dedos ficou perfeita no rosto dele. Ela ainda ficou parada ali, apoiada sobre um cotovelo e a outra mão suspensa no ar, tomada pelo choque. Qualquer vestígio de declaração amorosa emocionante tinha desaparecido, deixando apenas uma ira quase assassina no ar.

— Ai! — gemeu, caindo no chão de bunda e levando a mão ao local acertado. — Isso doeu e eu não acordei. Espera...

Antes que pudesse terminar a frase, Rukia levantou do chão coberto de terra com rapidez, batendo nas calças e olhando de cima para um Ichigo, que finalmente, estava se dando conta do que tinha acabado de ocorrer.

— Você é um idiota, sub-xerife! — retrucou emburrada, sentindo-se a pessoa mais tola do mundo, além de completamente humilhada, claro.

Dama? O cacete! Olha só no que dava ficar pensando que nem uma mulherzinha! Rukia pensava, cética, com raiva de si mesma. No que ela estava pensando, afinal? Por causa de um maldito sonho e da irritante mania de Ichigo de falar dormindo, achou que ele realmente a amava? Que seriam felizes para sempre?

Deu as costas para ele e começou a marchar para a casa de confinamento, amaldiçoando a si mesma, Ichigo e ao mundo. Pensava em ir embora. Que era o melhor e mais certo a fazer. Estava com tanta raiva.

— Rukia! — gritou o nome dela, levantando do chão depressa. — Espera!

Ela o ignorou e continuou andando, sentindo as lágrimas de raiva começarem a transbordar de seus olhos bonitos. Precisava ir embora, a dor no seu peito era quase insuportável. Estava sendo tomada pelo estupor e tudo que queria era um abraço para que aquela dor dilacerante fosse embora. Foi surpreendida pelo toque quente nos seus braços finos.

Ichigo a tinha agarrado pelos cotovelos e obrigou-a a se virar para ele. Os olhos castanhos perfuraram os azuis de maneira intensa, então, as lágrimas desceram pelo rosto pálido e feminino, fazendo uma trilha até o seu queixo. O coração dele deu um solavanco estranho, e foi com a voz firme que começou:

— Desculpe por ser idiota, Rukia. Eu só fui pego de surpresa! — explicou, não se detendo nessas palavras. — Não entenda mal amor. — Quando ele disse “amor”, um arrepio gostoso percorreu todo o corpo de Rukia. — Eu amo você, Rukia. Amo você. Eu nunca senti isso por ninguém, mas eu sei que é amor. Porque quando penso que você pode morrer, uma dor insuportável preenche meu peito.

“Quem diria que ao meu lado, você iria ficar. Você veio para ficar.

Você que me faz feliz, você que me faz cantar.

Assim.”

Sem aviso prévio, Ichigo puxou o rosto de Rukia para si e pressionou os lábios com força sobre os dela. Ela ficou estática, sem saber como reagir. Quando finalmente absorveu o impacto de suas palavras, começou a retribuir seu beijo lascivo. Envolveu os braços em torno do pescoço bronzeado, colando o corpo ao dele. Quando percebeu que Rukia já não oferecia resistência e o correspondia, segurou a nuca dela com uma mão e com o outro braço, segurou a cintura fina, prendendo-a a ele.

Os lábios masculinos percorreram os dela com maestria, demonstrando sua paixão, seu amor. A maneira que o beijo se aprofundava, os corpos se uniram ainda mais, como se fossem se tornar um só. Ichigo sentiu o salgado das lágrimas dela e finalmente se separaram.

— Não precisa mais chorar, nem se preocupar. Eu vou salvar você, Rukia.

Os olhos dela ainda estavam pesados de lágrimas. Lágrimas de alívio, de emoção e de culpa. Teria que contar para ele a verdade, não agora, porque iria estragar o momento, mas em uma outra hora teria que contar.

— Obrigada, Ichigo. Eu acredito em você — afirmou com convicção, olhando-o diretamente nos olhos. — Desculpe por tudo.

— Está tudo bem agora. Daremos um jeito em tudo. Eu prometo.

E ela só pôde abraçá-lo novamente com força, rezando para que ele estivesse certo.

I&R

160

Era uma madrugada quente. Rukia se levantou da cama silenciosamente para não acordar Ichigo. Duvidava que fosse, fizeram amor várias vezes, ele deveria estar cansado. Mas era melhor prevenir do que remediar. Vestiu as calças desgastadas de couro marrom, calçou as botas escuras e passou a camisa branca de Ichigo por cima da cabeça rapidamente.

Saiu do quarto e foi na direção da sala. Abaixou-se para pegar um livro grosso que estava escondido debaixo do sofá e pegou um papel amarelado que estava dobrado cuidadosamente, acendendo a lamparina que descansava perto de onde estava. Passou os olhos pelo papel e quando teve a certeza que estava tudo certo, saiu para a noite.

Pulou as pedras para chegar ao outro lado do rio e pousou ruidosamente na outra margem. Olhou para cima tentando ver alguma coisa, mas não thavia nada, assim como nenhum som. Aguardou por alguns instantes e finalmente pôde ouvir que alguém se aproximava.

As pedras menores deslizaram pela parede rochosa e em seguida, a figura morena desceu agilmente, até cair ao lado de Rukia.

— Você demorou, Yoruichi.

— Desculpe por isso, madame — murmurou sarcástica, um sorriso zombeteiro tomando seus lábios carnudos. — Tivemos um imprevisto e isso acabou tomando tempo.

— Que tipo de imprevisto? — indagou curiosa.

— Detalhes, detalhes — respondeu de forma evasiva, desviando o olhar. Uma atitude completamente atípica dela. — Você não vai levar nada? Nem pegou comida para o caminho? É uma viagem cansativa.

Rukia deixou o assunto de lado por um instante para responder a amiga.

— Eu não vou.

— O quê?! O que você quer dizer com isso? Está brincando, não é? — O tom de voz era sério e comedido, realmente não acreditando nas palavras da outra.

— Não. Você acha mesmo que eu brincaria com algo assim? Apenas uma mudança de planos.

Yoruichi pressionou o polegar na ponta do nariz e fechou os olhos, esperando que Rukia tivesse uma boa — ótima — explicação para a decisão repentina. Quando voltou a abri-los, o azul dos de Rukia reluziram diante do brilho lunar e estavam tão determinados, que um arrepio percorreu sua espinha.

“O meu coração já estava aposentado, sem nenhuma ilusão, tinha sido maltratado. Tudo se transformou, agora você chegou.”

— Você tinha dito na carta que eu arrumaria uma solução para que eu lutasse pelo que eu realmente queria e não desistisse... Eu iria embora, Yoruichi. Mas tudo mudou — Deu uma pausa. — Durante esses meses, eu achei que tudo era uma brincadeira e quando percebi que tinha me apaixonado, tive medo. Foi a coisa mais esquisita que já senti, mas ao mesmo tempo...

— Você pensava que ele não te correspondia — completou a outra, compreendendo tudo rapidamente. — Mas agora sabe que ele também te ama, por isso mudou de ideia, não é?

— Como você...

— Detalhes, detalhes. Mas então, penso que se decidiu ficar, deve ter pensado em algo para que não deixe seu irmão morrer — concluiu.

— Sim. Eu demorei a pensar, mas consegui. Não vai ser fácil, vou precisar da maior ajuda que puder. — Levantou o papel na altura dos olhos e continuou: — Eu escrevi uma carta para meu irmão, nela há tudo que aconteceu em relação ao governo do Yamamoto, inclusive sobre nós.

— Mas isso é como se você estivesse colocando uma corda no próprio pescoço e no do sub-xerife. Eles vão saber que você está tendo acesso a coisas do lado de fora da casa, isso pode prejudicar o Ichigo. É arriscado demais — observou.

— Eu sei disso, por isso preciso da sua ajuda. Quero que você, especialmente você, garanta que isso vá chegar nas mãos do meu irmão. Sobre o Ichigo, resolvo isso depois.

— E depois disso? — replicou, claramente cética.

— Conheço meu irmão. Ele não vai deixar isso passar, pode não acreditar, mas com certeza vai procurar por pistas e vai confirmar que é verdade. E bem, quando eu contar para o Ichigo, ele provavelmente vai nos ajudar.

— E se isso não der certo? Já pensou em um plano reserva?

Rukia assentiu devagar, parecendo receosa. Yoruichi ficou em silêncio por um instante e finalmente pegou o papel da mão dela, soltando um suspiro resignado. Analisou-o por um momento antes de colocar cuidadosamente na bolsa de couro marrom velho que carregava nos ombros.

— O que você quer que eu diga para os outros?

— A verdade — respondeu. — Para que tudo dê certo, você precisa contar os mínimos detalhes.

— Estou ouvindo.

— Está tudo bem aí? — Kaien perguntou o mais baixo que conseguiu.

A dona dos olhos felinos encarou a ceifadora e ela assentiu.

— Desça aqui, Kaien. Amarre os cavalos em alguma tora da madeira. Rápido! — ordenou, prática.

Dois minutos depois, o rapaz já estava ao lado delas. Teve que se conter para não abraçar Rukia; fez o que Yoruichi mandou e ficou encostado no paredão, enquanto ouvia atentamente o plano de Rukia para acabar com o Yamamoto. A cada palavra proferida, eles sentiam o sangue ferver de excitação antecipada.

— Entenderam? — Rukia finalmente terminou, dando um suspiro.

— Sim! — disseram em uníssono. — Mais alguma coisa? — Yoruichi completou.

— Estou curiosa sobre uma coisa. Você tinha dito que houve um imprevisto, o que aconteceu? — perguntou desconfiada, por algum motivo, isso a estava incomodando.

— Hum... Como eu posso dizer... — a morena titubeou.

— Ulquiorra apareceu depois de uma semana sem dar sinal de vida e trouxe uma mulher bonita. Ai! — gemeu ao receber uma cotovelada.

— Ulquiorra levando mulheres para perto de vocês? Que raro. Mas qual é o problema? — perguntou sem entender.

— O problema é que — começou Yoruichi. — a mulher que ele levou é Orihime Inoue.

Notas finais
Well, é isso. KKKKKKKKKKK. Espero que tenham gostado, dessa vez minhas notas não serão gigantescas, não tenho muito o que dizer, rs.

Obrigada por terem lido, deixem a opinião de vocês, é importante para mim. Sabe-se lá quando o próximo vai sair, mas irei me esforçar para que não demore!

Até o próximo, beijo!