Notas iniciais
Olá amados leitores! Aqui está um capítulo fresquinho! Não postei no sábado como o habitual, porque estou um pouco doente e estava muito indisposta para digitar. ^^ Me desculpem, ok? Irei continuar nesse ritmo. Agradecimentos a: A Clélia (adoro você!) A Fê (inclusive usei um comentário seu nesse capítulo, vou dar uma lida na sua nova fic), a Keithy (amore, comecei a ler sua fic e deixarei um belo review lá!), a Kuchi Kuchiki e a Elijica!

Capítulo 05

“Todos apontam para mim, sempre me condenando. Ninguém sabe no que eu acredito. O que eu acredito.”

45 – Shinedown

Rukia

190

Os dias passaram mais rápido do que eu esperava. Muito mais rápido, mesmo. De fato, isso não é tão ruim assim. Nos últimos dias, a minha relação com o sub-xerife Ichigo Kurosaki tem sido ótima.

Diferente dos primeiros dias, ele não me olha mais com aqueles olhos julgadores, não me perguntou nada ainda, talvez pense que falar do passado é algo doloroso — e de fato, foi um dia — e esteja esperando que eu fique preparada para falar a respeito.

De qualquer forma, em seis dias, descobri coisas bem simples sobre Ichigo, como sua cor preferida — roxo —, que tipo de comida ele gosta — apimentada —, se ele gostava de ler ou algo parecido. Tive o privilégio de ver os raros sorrisos que ele dava.

Foram três vezes que o vi sorrindo — contando com aquele sorriso no dia em que nos beijamos — e essas três vezes foram o suficiente para que eu quisesse vê-lo sorrindo novamente.

A nossa convivência estava se tornando cada vez mais fácil. Como eu tinha “prometido”, estava me comportando melhor. E uma das principais regras era: Não ande sem roupas pela casa.

— Por que? — havia perguntado descaradamente e a reação dele foi hilária.

— Por-por quê? — gaguejara um pouco e esforcei-me para não sorrir. Quase consegui. — Não é óbvio? — Oras, era claro que eu sabia o porque.

Eu o deixava excitado. Há. Mas era certo que o Ichigo poderia ser candidato ao celibato!

— Se fosse, não estaria perguntando — tinha dito, fingindo-me de sonsa e ouvi-o suspirar e o sangue subir-lhe a face.

— Damas não ficam nuas na frente de outras pessoas ao não ser se for outra mulher ou seu marido — respondeu com convicção e tive que revirar os olhos.

E como não podia perder a chance de me divertir e ser maliciosa, soltei:

— Então case comigo. — A boca dele abrira-se de surpresa e eu não consegui me conter, começando a rir. Como o habitual, não estava preparado para essa. Sorri e levantei do sofá. — É brincadeira. Se bem que eu garanto que é excitante ficar ao meu lado.

Nesse mesmo dia, horas mais tarde ele me perguntara quem escolhera meu nome.

— Minha avó — respondi com um sorriso, enquanto tragava meu cigarro.

— O que significa?

Achei estranho ele se importar com isso, mas respondi:

— Luz. — Ri sem humor. — Irônico, não?

Não esperava que ele concordasse ou discordasse. Passaram-se vários minutos.

— Por que acha isso?

Olhei-o sem entender e depois me recordei do que tinha dito.

— É bem simples — respondi o encarando. — Sou uma criminosa. Criminosos não trazem luz a ninguém. Apenas escuridão. Não combina comigo.

Talvez eu possa ter entendido errado, mas eu o ouvi falando/murmurando/sussurrando para algo/alguém/alguma coisa a seguinte coisa: “Acho que combina perfeitamente com você.”

Tenho quase certeza que meus ouvidos me enganaram. Jamais ele falaria algo assim para mim. Ignorei isso e resolvi perguntar o mesmo:

— E o seu?

— Minha mãe. Significa protetor.

— Perfeito para você. — Essa foi a segunda vez que o vi sorrir. Foi lindo.

A terceira foi quando me assustei com uma barata. Ichigo teve a coragem de zombar de mim.

— Rukia, você tem medo de barata?

Como eu não havia respondido, havia assumido que sim. E nada mais que a verdade.

Triste.

— Você disse que eu deveria me comportar como uma dama — murmurei com sarcasmo. — Que eu sabia, damas gritam e sobem em cima de algo quando veem uma barata — terminei com a intenção de fazê-lo acreditar que era encenação.

— Sei. — E naquela hora, um sorriso zombeteiro havia tomado conta de toda a sua face.

— Não zombe de mim. — Já bastava Renji, Grimmjow e Ulquiorra. — Ou coloco essa barata dentro de suas calças quando estiver dormindo!

— Isso foi uma ameaça? — Continuara com aquele sorriso. Fuzilei-o com os olhos antes de responder.

— Veja como quiser. Mas lembre-se disso quando pensar em fechar os olhos na hora de dormir — respondi com uma carranca.

Claro que não fiz nada. Tinha medo só de olhar, imagina de pegar. Vai que ela ressuscitava? Eu hein.

Nojento.

E agora, diferente dos outros dias, o céu está nublado. Estava sentada no degrau da escada, fumando. Decidi entrar em casa quando meu estômago escandaloso roncou alto. Levantei e entrei na casa com passadas longas. Mas na metade do caminho, algo começou a acontecer.

Senti-me fraca e um pouco tonta. Cambaleei no cômodo derrubando alguma coisa e tentei me apoiar na parede. Respirei fundo, uma, duas, três vezes. Estava me sentindo melhor.

Parei de me apoiar na parede e continuei a andar. E tudo aconteceu rápido demais para que eu pudesse perceber: Minhas vistas escureceram, minhas pernas pareciam manteiga e tombei no chão de uma vez só. Ainda no chão, abri os olhos e tudo girava.

De repente, Ichigo estava ali com apenas a toalha enrolada nos quadris.

— Rukia? — Foi tudo que eu ouvi, antes de desmaiar.

Ichigo

Já era quase noite. Parecia que iria cair um toró e de certa forma, isso era bom. Faz simplesmente meses que não chovia e isso era agonizante.

Rukia andava bem comportada e isso era um alívio, pois já estava sendo bem difícil resistir a ela sem que me provocasse. Odiava ter que admitir que ela tinha razão, mas tinha. Havia uma grande tensão sexual entre nós dois, e isso acontecia com apenas um olhar.

Ficava me perguntando que diabos era isso. Todos os dias ficava repetindo para mim mesmo “Ela é uma criminosa. Uma criminosa.” para ver se essa atração poderia ser inibida, mas cada vez que eu pensava isso, minha mente fazia questão de acrescentar “Ela é uma criminosa. Uma criminosa incrivelmente linda, atraente e sexy”.

E não fazia o efeito desejado, que era repelir. Fazia-me era querer ela mais. E você pensa. Então por que aceitou a trégua que ela propôs permitindo que ela se aproximasse? Bem simples. Porque eu sou um burro. Poderia me chamar de masoquista também, porque de certa forma — ou total — é o que eu sou.

Deveria mantê-la longe e agir friamente como xerife Kuchiki faria. Mas a ideia de passar cento e poucos — muitos, até demais — dias agindo friamente com a única pessoa que “me faz companhia” e que irá ser executada, era horrível, além disso...

Bem... Não que eu fosse a pessoa mais sociável do mundo, para falar a verdade, era bem antissocial. Mas, por algum motivo bem doido, na segunda vez que ela havia me dito que odiava o silêncio, senti a necessidade de preencher cada silêncio com palavras. Mesmo que fossem palavras vazias.

Tudo isso era novo demais para mim. Mas... Com ela, era tudo relativamente fácil. Parecia que a conhecia há anos e estava começando a sentir coisas que eu não me permitia sentir.

E eu sentia, por mais absurdo que fosse, que ela precisava de mim. E não iria simplesmente fugir. O único problema era que não sabia quanto tempo poderia resistir.

“Então não resista.” Uma voz irritante ecoou na minha cabeça.

Balancei a cabeça como se isso fosse ajudar a tirar o assunto da minha mente. Ficaria remoendo depois. Certeza. Tentei voltar a me concentrar no banho, talvez ajudasse a esquecer. Estava me ensaboando quando ouvi um barulho estranho vindo da sala.

Esperei por um tempo e continuou um leve silêncio. Voltei a tomar banho e segundos depois um barulho mais forte que o anterior soou.

O que diabos Rukia estava fazendo?

Sai do lavabo um tanto irritado. Assim que abri a porta, dei de cara com Rukia estendida no chão. Corri até ela e seus olhos estavam opacos e desfocados.

— Rukia? — Fora a única coisa que consegui dizer. Um segundo depois seus olhos fecharam-se e nem preciso dizer que uma onde de desespero me invadiu. — Rukia! — gritei enquanto me abaixava e balançava seus ombros magros levemente.

Ela não reagiu.

Rukia não poderia ter morrido ou algo do gênero! Não podia. Levei meu rosto próximo ao dela e fiquei aliviado quando senti sua respiração. Estava fraca, mas o importante é que ainda respirava. Peguei-a no colo e a coloquei no sofá, ela era incrivelmente leve.

Depois disso, fiquei parado ao lado do sofá sem saber o que fazer. Não tinha nenhum conhecimento médico e não fazia a mínima ideia do que tinha ocorrido e isso não era nada bom.

Aproximei-me novamente e senti o vento forte batendo em meu corpo, fazendo-me arrepiar. Lembrei que só estava de toalha, mas não me importei com isso na hora. Como eu ficaria preocupado em me vestir quando Rukia está... Sei lá. Semi-morta?

Conferi sua respiração e parecia ainda mais fraca. Oh céus. O que eu fazia?

A única coisa que me ocorreu, foi levantar a cabeça, porque diabos eu não sabia o que fazer. Infernos! Pelo menos funcionou e a respiração voltou ao “normal”. Sentei ali e apoiei sua cabeça em meu colo, rezando para que ela acordasse logo.

Passaram-se um, dois, cinco, dez minutos e nada. Estava começando a ficar ainda mais preocupado. Respirei fundo. Mais alguns minutos passaram e finalmente Rukia começou a dar algum outro sinal além de respirar.

Mexeu-se um pouco no meu colo e segundos depois abriu os olhos daquela cor azul intensa. Pestanejou algumas vezes e seu olhar ganhou foco. Observei-a atentamente.

— Ichigo? — sussurrou com uma voz rouca.

— Sou eu — respondi, enquanto em um ato impensado, acariciei os cabelos negros de Rukia. — O que aconteceu?

— Eu desmaiei? — A afirmação dela pareceu uma pergunta. Os seus lábios se curvaram em um fraco sorriso. — Não sei exatamente. Acho que foi minha pressão que abaixou... — Continuei a olhá-la sem dizer nada. — Já faz um tempo que não como algo salgado. Você tem me alimentado apenas com frutas. Não sei como estou viva.

Senti uma pontada de acusação em sua voz. Impressionante como até “doente” era implicante.

— Oh, me desculpe por não saber preparar algo adequado para a senhorita Rukia. — Dei uma pausa dramática antes de continuar: — Resumindo: você precisa de sal?

— Creio que sim.

Um silêncio instalou-se entre nós. Eu sabia que poderia dizer qualquer coisa para quebrá-lo. Porém, não parecia o certo. Ficamos nos encarando por um tempo indeterminado, e durante esse tempo, vi algo em seus olhos. Aqueles belos olhos violáceos que desde que a conheci estavam repletos de zombaria, ironia, desdém, sedução e autoconfiança, estavam agora, demonstrando o primeiro sinal de fraqueza em onze dias.

— Não me deixe — pediu como se estivesse suplicando.

— Não irei. — Não era mentira . Tinha sido real. Havia uma conexão, havia alguma coisa.

Lembrei-me que ela seria executada. Ela morreria. Um desespero invadiu meu peito. Ela não podia morrer.

— Não irei — repeti como se isso pudesse impedi-la de morrer.

— Com quantas mulheres você já esteve, Ichigo? — perguntou do nada e ergui as sobrancelhas diante da pergunta. — É sério. Seja sincero.

— Com apenas uma — falei com sinceridade.

Na verdade, não queria dizer que era a única mulher que eu ainda continuava ficando. Mas eu percebi que ela já havia entendido isso e que era esse o motivo por ainda não ter pego Rukia nos braços e feito amor com ela.

— Disse que não era casado. — Seu tom era brando e não tinha nenhuma acusação.

— Mas não sou mesmo. Apenas... — Não sabia como explicar. E não iria mentir para ela. — É...

— Tudo bem. Não precisa explicar. — Um sorriso triste desenhou seus lábios. E isso doeu em mim. Queria ler os seus pensamentos.

— E você? — perguntei de volta.

— Ah. Com mulheres? Nenhuma. — Revirei os olhos para ela e não consegui evitar sorrir. — Eu entendi. Não sei dizer.

— Foram tantos assim? — Senti algo como uma pontada de ciúmes ou inveja.

— Sim. Mas isso não é tão impressionante assim. O que é impressionante é você ter ficado com apenas uma mulher com isso tudo. — Ela se ajeitou em meu colo e me lembrei novamente que estava só de toalha.

Er... Rukia deslizou os dedos pelos músculos do meu abdômen e todos eles iam retraindo-se à medida que seu toque me atingia. Não dava nem para disfarçar que eu a desejava.

— Eu já disse que você era gostoso, mas agora, acho que é pouco.

Foi inevitável. Um sorriso presunçoso tomou conta dos meus lábios.

— Obrigado... Eu acho.

Rukia sorriu. Não maldosamente como eu já estava acostumado. Levantou do meu lado e andou até a cozinha. Observei-a pegar uma pitada de sal e colocar debaixo da língua. Depois, andou na direção do quarto dela e parou.

— Eu que agradeço. Ela... Tem sorte. — E entrou no quarto me deixando com uma sensação esquisita.

Rukia

Entrei no quarto e uma sensação estranha invadiu meu peito. Poderia até dizer que era angustia, mas por quê? Eu não tinha nenhum motivo para me sentir desse jeito. Deve ser porque fui indiretamente rejeitada, e nunca me acostumei a ser rejeitada, apesar de ter sido toda a minha infância.

Mas era aceitável.

Quem iria querer se envolver com uma criminosa podre quando se tem uma dama nos braços? Quando se tem uma mulher delicada, educada, gentil, sorridente e totalmente dependente? Além de homens criminosos, nenhum homem de bem como o Ichigo.

Estava sentindo remorso. O fiz prometer que não me deixaria. Como sou estúpida e impulsiva! E ele deve estar com toda certeza que irei morrer. Deve ter prometido porque estava com pena de mim. Que patético.

Deveria dizer para ele a verdade... Não.

Do que adiantaria? Melhor deixá-lo pensar que irei morrer mesmo... Não fará nenhuma diferença na vida dele. Apenas menos uma criminosa no mundo.

A chuva começou a cair fortemente. O cheiro de terra molhada invadiu o quarto e me deliciei com isso. Eu amava a chuva. Amava.

Ainda estava encostada na porta quando me dei conta. Andei até a janela e observei o tempo por alguns minutos e decidi que iria nadar enquanto chovia. Espiei pela fresta da porta e Ichigo não estava lá. Despi-me e sai na direção do rio no fundo da casa.

Mergulhei o mais fundo que consegui, o mais fundo. Voltei e sentei na margem, enquanto chuva morna caia sobre mim.

Senti saudade de Grimmjow. De todos, porém, mais dele. Em uma hora dessas, ele teria me abraçado e murmurado palavras de conforto e quanto conseguisse me fazer sorrir de verdade, começaria a falar coisas pervertidas até me deixar excitada e se aproveitaria disso depois. Eu não o amava, mas o adorava. Afinal, ele tinha sido oficialmente meu primeiro.

Lembrei-me de seu sorriso e sorri. Queria estar com ele agora.

Deixei de pensar nisso um pouco enquanto mergulhava no meu rio particular de solidão e lembranças.

Notas finais
Bem, não sei se vocês ouvem as músicas que eu coloco no início, mas aconselho a escutar. Eu acho todas lindas! Não sei se já disse, mas os trechos das músicas refletem os sentimentos de algum personagem do capítulo! As vezes não tem fluxo temporal, falando do passado/presente/futuro. Enfim. O que acharam? Comentem, podem dar sugestões, críticas construtivas. Beijos e até o próximo capítulo!