Curse and Love
15 Separados?!
Notas iniciais
Lyra havia ido embora há dois dias. Eu ainda estava no Egito, Hancock terminava seu trabalho, e enquanto esperava andava pelas ruas movimentadas da cidade.
Não demorou muito para voltarmos para o Japão. Assim que chego em casa, começo a olhar a papelada que estava em minha bagagem. Sem conseguir me concentrar, vou para o banheiro. Jogo um pouco de água bem gelada em meu rosto e me encaro no espelho.
Duas noites de sono foram perdidas e olheiras profundas começavam a se formar embaixo de meus olhos. Sentia-me cansado, física e mentalmente. Em meu quarto uma janela grande dava vista para a cidade de Tóquio, sento-me na beirada da cama e observo a vista que me era concedida.
A casa em que morava no momento era simples. Dois quartos, uma sala grande e cozinha bem arrumada, um banheiro espaçoso e grandioso. E como a casa ficava em um local mais alto da cidade a vista era “privilegiada”. Sim, eu morava com Hancock.
Decido ligar o rádio, apenas para aliviar o stress. Me espreguiço e deito na cama colocando o braços atrás da cabeça. A música começava a tocar. As lembranças invadiam meus pensamentos e para tentar visualizar melhor fecho os olhos...
– E você não sabe mesmo como quebrar essa maldição?
Kid apenas balança a cabeça de um lado para o outro respondendo a pergunta da garota. Um silêncio paira na sala onde estão e eles ficam encarando o nada como se estivessem em uma situação embaraçosa.
– Bom Eustass... Eu decidi te ajudar a quebrar essa maldição.
...
– Oe, você tem certeza de que o museu fica pra esse lado? – Lyra me perguntou. Cara, isso já estava me perturbando, ela perguntava isso a cada dois metros que andávamos.
– Sim, eu tenho certeza. – respondi tentando manter a calma.
– Soube que aqui contêm dois museus, pra qual deles você vendeu o colar? – interrogou.
– Para um que se chama “eu não faço ideia”. Quando vendi o colar não fui informado de New York possuía dois museus. – respondi brincando, o arrancou algumas risadas da morena.
É bem melhor vê-la sorrindo do que com a feição de tristeza de ontem. Sim, isso foi uma confição interna.
...
– O que acha que mais falta acontecer?
– Hum... Só falta aparecer um titã na minha frente e vir me cumprimentar. – fiz graça para tentar animar a situação. E funcionou.
– Não saia falando o que não deve, pode ser que daqui a pouco passe um caminhando aqui, hahaha.
Fomos andando devagar, um fazendo o outro rir. Creio que aquele momento seria o mais propicio para fazer graça, assim nenhum de nós ficaria pensando no que acabara de acontecer.
...
Abro meus olhos devagar, entretanto minha visão está embaçada, e conforme ela vai voltando ao normal, vejo Lyra olhando para mim. Parecia preocupada... E perto...
– Eustass você está bem?
– Minha cabeça dói. – respondi tentando me levantar. Segundos depois de me levantar percebo que minhas hipóteses estavam certas... Sim, eu estava deitado no colo da Lyra... Do nada sinto minhas bochechas esquentarem e muito. Que diabos, eu tenho que corar justo numa hora dessas?!
...
Estávamos sentados embaixo de uma arvore muito rara do Japão, o Ipê amarelo.
Conforme o vento batia na árvore suas folhas caíam em sua volta deixando uma linda visão. Já havíamos acabado de comer, e Lyra apreciava a linda paisagem amarelada em cima de nós.
– É lindo... – comenta em baixo tom, contudo consigo ouvir.
– É lindo como você. – digo olhando de modo fixo em meus olhos, tentando, novamente, desvendar o que não havia conseguido da última vez.
Vejo-a corar e meu corpo se inclina devagar para frente. Vejo-a fazer o mesmo, seu corpo pendia para frente e aos poucos se aproximava de mim. Seus olhos iam se fechando conforme se aproximava e eu ia fazendo o mesmo.
Nossas bocas começavam a se encostar, finalmente eu podia sentir a maciez de sua boca, e agora eu me sentia cada vez mais instigado a sentir seu gosto.
Eu selava nossos lábios, uma de minhas mãos rodeava sua cintura e a mão dela ia em direção a meu ombro e passeava por essa área até o peito esquerdo.
Devagar eu passava a língua em sua boca pedindo passagem e prontamente me é concedido. Nossas bocas eram territórios desconhecidos um para o outro, e nossas línguas percorriam cada centímetro para conseguir sentir melhor o sabor do outro.
Puxei sua cintura para que chegasse mais perto, esses pequenos infinitos de segundos que estávamos juntos de verdade seriam inesquecíveis para mim.
Eu conseguia sentir o gosto do sorvete de morango se misturando com o meu de chocolate invadir minha boca.
...
A cena do beijo ainda estava em minha mente. Abri os olhos e passei a fitar o teto. Senti meu coração ser apertado forte...
*
Estava na empresa cedo como de costume, minhas férias não haviam acabado, mas eu disse para Luffy que o ajudaria a pagar a multa. O menor estava em uma reunião junto de Trafalgar e Robin. Eu?! Bom, pela primeira vez na vida eu estava sem fazer nada na empresa.
A sala de Monkey-san estava arrumada, o suficiente para eu poder esperar a reunião acabar e fazer algo, e as outras coisas não eram tão importantes para fazer com urgência.
Na sala uma grande janela ocupava quase todas as paredes do cômodo. Parada de frente para uma delas eu observava Tóquio de cima. Olhava o azul do céu, e lembrava de Eustass.
Mais uma vez sentia lágrimas pesadas escorrerem pelo meu rosto. Ouço a porta ser aberta e meu nome ser chamado. Era Luffy.
– Lyra você pode... – ele se interrompe quando vê que estou chorando. – LYRA O QUE ACONTECEU?!
Ele berrava enquanto corria em minha direção. Respondo com um falso e descarado “nada”. O mesmo não acredita, com um olhar desconfiado ele tranca a porta e me faz sentar em uma das cadeiras de sua sala.
No fim ele me deixa só e volto a fitar a paisagem oferecida pelo prédio. Ainda deixando minhas lágrimas escorrerem começo a murmurar:
– Eu...
*
Tampo meus olhos com os braços e sinto lágrimas gélidas escorrerem por minhas bochechas. Sem perceber deixo as palavras saírem de minha boca.
– Sinto...
* – Tanto...
– Sua...
* — Falta! *– Falta!
Meus olhos iriam ficar inchados de tanto chorar, contudo eu precisava, eu queria, eu tinha que chorar. Aos poucos consigo segurar o choro e controlar minha respiração. Bem a tempo. Hancock entra no quarto já perguntando:
– Voltei querido, sentiu minha falta?
Dou um sorriso forçado para ela, o que não passa despercebido. Como a insistência é sua melhor amiga, a desistência passa longe, invento uma desculpa qualquer e vou para o banheiro tomar um banho.
O dia passou-se devagar e cansativo. Tentei evitar Boa todo o tempo e com muita dificuldade consigo. No fim do dia me deito e vou dormir.
*
Luffy me mandara para casa mais cedo, insistiu para que descansasse por pelo menos mais um dia. Assinto e vou para o apartamento. Olho para o livro de capa azulada e lembro-me de sua história.
– Alguns infinitos são maiores que outros néh... – resmunguei
Assim que tomei um banho coloquei meu pijama e me dirigi para a cama. Dormi quase que imediatamente.
No dia seguinte, recebo uma notícia que me espanta. Não sabia se ficava feliz ou apavorada. Era estranho ouvir aquelas palavras saindo de sua boca.
– Eu vou me casar!
Não! Você não leu errado e eu não estou surda. E de quem estas palavras estavam sendo pronunciadas? Ninguém menos do que o senhor Trafalgar Law...
Sim, Trafalgar Law havia me dado a noticia de que iria se casar... E não seria com qualquer pessoa... Seria com Nico Robin! Minha irmã! O casamento seria dali a duas semanas, e nesse mesmo dia teria um desfile com uma marca de sucesso, que eu desconhecia sua identidade no momento.
*
O tempo passava devagar. E a cada dia que se passava meu coração se lembrava cada vez mais de Lyra. Hancock teria um baile... Desfile... Festa... Ah! Algo do gênero para ir em duas semanas, e eu teria que ir junto.
O ânimo era zero, e a coragem negativa. Mas conforme o tempo passa tento ver a tal festa de forma positiva. Não era fácil, porém eu teria que aguentar.
*
O dia do casamento enfim havia chegado, e para comemorar um amigo de infância se juntaria a festa. Seu nome é Sabo. Ele é um amigo de infância meu e de minha irmã, e por incrível que pareça ele também é conhecido de Monkey D. Luffy.
Depois de muito pesquisar conseguira descobrir quem seria nosso ajudante para o desfile especial de hoje... Seria a Mary Maquiagens. E quem é sua dona?! Ninguém menos do que Boa Hancock, ou a esposa de Eustass Kid.
Não estava nervosa por ter de revê-la, nem triste. Apenas sentia uma grande nostalgia crescer dentro de mim rapidamente, pois pensar nela significava pensar em Eustass...
Balancei a cabeça de um lado para o outro e para ajudar dei um leve tapa em minha bochecha, não queria entrar em transe tão perto da cerimônia. Luffy estava fazendo esse desfile com dedicatória aos recém casados.
Ou seja, seria um desfile de roupas no qual eles criaram juntos e vestidos de noiva. A festa também seria também para os dois, então seriam duas coisas em uma só.
Sabo estava em minha casa, eu me trocava e ele tomava banho. Minha roupa seria simples para a cerimônia e mais elegante para a festa.
*
Esperava Hancock se arrumar para irmos logo ao local marcado da festa. Iríamos ajudar a arrumar os últimos detalhes.
Sentia uma ansiedade estranha crescer dentro de mim, um nervosismo a acompanhava e eu me sentia mal. Nas últimas três noites sonhei com Lyra, e acordara com a morena olhando para mim com grande fúria. Quando meus olhos desembaçavam percebia que não era a morena, e sim Boa.
Tinha medo de encontrá-la na festa, contudo era isso que mais queria que acontecesse...
*
A cerimônia havia começado e não havia nem sinal de Boa Hancock e Eustass Kid. Por um lado me sentia aliviada, e por outro entristecida.
Onde eu estava no momento?! Bem, eu estava sentada no segundo banco da igreja do lado esquerdo olhando de um lado para o outro esperando duas pessoas em especial aparecerem do nada.
Ouço a música começar e me endireito. A cerimônia de casamento leva cerca de 15 minutos. Sabo entrara com Robin na igreja e agora se sentava ao meu lado.
Quando tudo chega ao fim nos dirigimos para a festa. Fiquei o tempo todo conversando com Sabo e um amigo seu Ace. Juntos eles formavam uma dupla de idiotas, e suas palhaçadas me animaram. Consegui me distrair por um bom tempo, até que sinto meu estômago roncar.
Me dirijo ao bar e pego uma bebida, depois passo pela larga e farta mesa de petiscos mais ao canto do lugar. Da mesa vejo Eustass conversando animadamente com alguém de cabelos verdes curtos. Termino de encher o prato e volto para a mesa.
*
Enquanto conversava com uma amiga de Hancock percebo que Lyra passa pela mesa de comida. A olho rápido. Sentia saudades, mas não podia simplesmente chegar e dizer isso para todos ali ouvirem. Minha noiva me mataria.
Desde que conheci Lyra sinto que fiz uma escolha precipitada. Não deveria ter pedido a mão de Hancock, nos conhecemos a apenas 1 ano...
Quando me volto para a mesa ela já não estava mais lá, havia desaparecido assim como chegara. Rápida e sorrateiramente.
*
Ao fim da festa vejo o “salão” vazio e sujo. E pensar que na manhã seguinte ele estaria limpo como um jarro de cristal... Pego as chaves de meu carro e vou para casa depois de uns minutos olhando o vazio do céu através das janelas de minha sala.
Quando chego em casa tiro o vestido e o jogo em cima da cama, coloco apenas uma blusa larga e velha. Vou para o sofá e me jogo, literalmente, nele.
Rapidamente tudo escurece...
*
Já era tarde. Hancock vai dormir assim que chega da festa. Eu me apoio na sacada que havia e miro o céu estrelado, contudo, meu olhar, realmente, é fixado no nada.
Eu teria que decidir como seguir minha vida. Voltar as memorias recentes e revive-las ou continuar o que foi começado?
A cada minuto perguntas novas, mas de um assunto desgastado vinham a minha mente, rondavam meus pensamentos para em seguida novas tomarem seus lugares.
As horas se passam e com o silêncio consigo pensar calmamente. Relativamente, em pouco tempo decido o que devo fazer a partir daquele momento!
E depois disso, nada mais teria volta...
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