Curse and Love
16 Um final como qualquer outro
Notas iniciais
POV’S Lyra
4 meses depois...
Quatro meses haviam se passado desde que eu vira Eustass pela última vez. Pensava que poderia vê-lo na rua algumas vezes, mas não aconteceu. Sentia sua falta, e queria pelo menos saber se ainda estava vivo...
Minha vida mudara um pouco... Agora não era mais a estilista de Luffy, e sim sua vice-presidente. Law largara a empresa de moda e com sua nova esposa, Robin, assumiu a gerência de um hospital. Nami fora promovida também e nos tornamos muito íntimas.
Em resumo minha vida profissional, econômica e social melhorou. Porém meu psicológico sente falta dos velhos hábitos...
Hoje estava em uma reunião com Luffy e Nico, por incrível que pareça Luffy assumiu a verdadeira postura de um empresário e me ajudou a comandar a empresa do jeito que se deve.
Sanji se casara também. Sua esposa era bela e com cabelos rosados, jovem e bem portada. Seu nome era Shirahoshi. Ao final do dia vou para minha casa pensando em tomar um bom banho e relaxar enquanto via a televisão.
Quando chego em casa, através da porta escuto o barulho abafado de panelas batendo no fogão. Abro a porta vagarosamente e espio pelo canto, contudo não consigo ver quem estava ali na cozinha. Decido encarar o “perigo” de uma vez e dou a cara no cômodo rapidamente.
Meus olhos arregalam instantaneamente quando o vejo, sinto meu coração parar e o ar me faltar. Ele se vira para mim e com um grande sorriso me diz:
– Oi Lyra! Há quanto tempo não?
– E-Eustass? — estava perplexa. Primeiro por vê-lo novamente, e segundo por ele ter entrado em minha casa sem as chaves. — O que faz aqui? E o mais importante como entrou aqui?
– Vim lhe fazer uma surpresa. Um jantar como pedido de desculpas.
– Está se desculpando por...? – enquanto tentava entender aquela historia toda eu sentia o aroma salgado e apetitoso que saia das panelas. Em uma panela maior e mais funda havia uma sopa, pego uma colher limpa e experimento um pouco. Aquilo estava realmente delicioso.
– Estou me desculpando por fazer você passar por toda aquela humilhação em relação à minha ex-noiva.
– Ex?! – não consegui segurar e a pergunta escapa dos meus lábios como o vento. Sinto-me culpada por tanta curiosidade. – S-Se não quiser responder- sou cortada no mesmo instante.
– Me separei dela algumas semanas atrás. Depois da viagem ao redor do mundo ela se tornou insuportável. Incrível como alguns meses e um pouco mais de dinheiro podem mudar as pessoas...
– Foi apenas por isso que se separou dela? — aos poucos sentia uma esperança crescer dentro de mim, e um pequeno sorriso se formou em meus lábios.
– Não. É que eu me apaixonei por outra mulher. – lembram-se da esperança que crescia? Bom então, acho que jogaram um balde de água fria nela...
– Ah ta...
Tinha medo de perguntar se essa outra mulher seria eu ou não. Temia muito a resposta, por isso não me expresso.
– Desde quando sabe cozinhar? — tentei puxar assunto para não deixar o clima morrer.
– Eu aprendi logo que nos separamos. Não poderia ficar comendo em restaurantes todos os dias, tive que aprender a me virar. – respondia alegre.
Sentamos para comer e experimento a comida. Me impressiono com o sabor. A sopa servida como prato de entrada era de cogumelos, com salsa e levemente temperada com pimenta. O prato principal era arroz brasileiro com carne grelhada ao molho de laranja e um purê sensacional de batatas.
– Eustass! Você realmente fez um curso profissional. Isso está delicioso. — elogio e o vejo corar.
– Fiz tudo o que pude para dar a comida um sabor perfeito. Levei um tempo até acostumar, mas os resultados são ótimos.
– Se você abrisse um restaurante faturaria uma fortuna, sua comida é simplesmente incrível.
Assim que terminamos de comer as tortas de limão e morango, Eustass se levanta e tira uma caixinha preta do bolso. Agora que eu estava virada de lado pra a mesa ele se ajoelha em minha frente e abre a caixinha.
Havia um anel prateado com uma pequena faixa dourada em seu meio, e em certo ponto do anel uma pequena pedra de brilhantes. Reparei que por dentro estava escrito meu nome e o dele.
– Lyra você quer namorar comigo?
Estava tão emocionada que mal conseguia abrir a boca.
– A resposta não poderia ser outra se não um grande e alegre sim Eustass! – finalmente respondo.
Ele tira o anel da caixinha e o coloca em meu dedo anelar. Dou-lhe um grande abraço e depois um beijo lento e apaixonado. Nossas línguas dançavam em nossas bocas, mais uma vez sentindo cada sensação nova explorando cara canto possível.
O sabor azedo do limão se misturava ao sabor adocicado de morango que se instalara na boca dele pela sobremesa. Um sabor diferente e único. Que daqui para frente poderia sentir quando quisesse.
Rompi o beijo por falta de ar. Meu coração batia forte e rápido. Estava feliz.
Meu medo afinal era uma ilusão. Não sabia se aquela paixão iria sumir com o tempo, ou se iria durar uma vida. Não importava o quanto durasse. O que importava era que eu não me arrependeria depois.
– Estou tão feliz! – disse enquanto passava os braços envolta de seu pescoço.
Um tempo se passou desde então. Nada aconteceu de muito novo, apenas um namoro normal com brigas, romances e novas experiências. Mais ou menos depois de quatro anos de namoro. Eustass finalmente me pede em casamento. Quando contei para Robin e Nami, a resposta não poderia ser outra se não gritos e em seguida:
– Nem posso acreditar Lyra você vai se casar! — gritaram para toda a empresa ouvir quase que ao mesmo tempo.
– Ei, ei! Assim as duas me deixaram surda.
– Precisamos conferir a lista de convidados! – dizia Robin em voz alta. Seu sorriso era enorme, indo de orelha a orelha. Enquanto ela e Nami se olhavam ia complementando as tarefas que tinham que organizar para o casamento.
– Contratar um bom chef.
– Comprar sapatos.
– Jóias.
– E o mais importante... – o olhar de empolgação de ambas chegava a assustar. – O VESTIDO DE NOIVA!
– Eu pensei que o casamento fosse meu, e não de vocês duas. – sem sucesso ao tentar convence-las de que quem deveria arrumar tudo seria eu.
– Não se preocupe Lyra, nós ajeitaremos tudo para seu casamento. Faremos de tudo um grande evento, ficará tudo maravilhoso. – Nami afirmava com muita convicção.
– Tudo bem então...
O casamento havia ficado marcado para dali uns meses. Nesse tempo fui arrastada para vários restaurantes e experimentei vários vestidos. Conseguia sentir meus pés latejando de tanto que havia andado. Mas ao fim, tudo estava pronto.
(...)
O dia do casamento finalmente havia chegado. Robin me ajudava a colocar o grande e comprido vestido de noiva, enquanto Nami recebia e ajeitava os convidados na igreja.
Alguns minutos antes de começar a me arrumar, eu dei uma olhada na decoração da igreja, e estava magnífico. Ao lado dos bancos da igreja grandes fitas brancas com dourado faziam laços e laços até o altar, e em cada fileira de cadeiras jazia um vaso de rosas vermelhas vívidas.
Um tapete vermelho fora jogado no meio do caminho do lugar, onde eu passaria. E a decoração da igreja natural já era linda, com suas pilastras brancas igual mármore, e suas pinturas de anjos no teto. Em cada pilastra uma vela queimava dando um ar sofisticado e maravilhoso para o local.
Meu vestido era bem largo, parecia com o de uma princesa. Meu cabelo estava enrolado e o véu comprido e esbranquiçado estava prendido em minha cabeça com uma coroa de prata. Minhas joias eram vermelhas rubras, quebrando aquele tom pacífico que o branco trás. O buquê de flores era amarelo e estava sendo prendido por uma fitinha vermelha aveludada.
Minha aparência parecia estar calma, mas meu coração estava disparado. Sentia-me muito nervosa e minhas mãos suavam como nunca. Quando ouço uma batida na porta. Era Eustass.
– Sei que é tradição o noivo não ver a noiva antes do casamento, por isso não vou entrar, só vim dizer que estou ansioso pelo nosso casamento.
Fui até a porta e segurei sua mão. Fechei os olhos e senti uma enorme felicidade crescer dentro de meu peito... Aquela sensação era indescritível.
POV’S end
Os convidados iam chegando na igreja. Pouco a pouco uma pequena multidão se formou na porta do lugar. Todos com trajes elegantes e finos, combinando com a ocasião.
Não mais do que alguns minutos depois que a igreja se enche musicas instrumentais calmas começam a tocar. Conforme o tempo corre, lentamente as pessoas vão se acomodando os bancos de madeira.
A música clássica de um casório começa a tocar. Com grandes sorrisos e esperanças estampados nos rostos, o público se levanta e olha em direção a grande porta da igreja que se abre, porém ninguém aparece.
Meio desnorteados, as pessoas cochicham entre si enquanto olham para fora da igreja. Outros observavam o altar, e algumas vezes esticavam o pescoço o máximo que conseguiam para tentar enxergar algo que o resto não via.
Sem nada de diferente acontecendo todos tiram a mais obvia conclusão de que a noiva estava atrasada, muito comum em casamentos, afinal uma noiva não fica pronta de um segundo para o outro.
Mais alguns minutos se passam e Robin aparece correndo e ofegante ao centro da passagem da noiva e grita:
– Os noivos sumiram!
Muitos ficaram boquiabertos, sem palavras, outros não entendiam o porquê, mas todos se perguntavam o que havia acontecido e só conseguiam imaginar o pior.
(...)
Um pouco mais longe dali, bem no alto de uma montanha encostada ao monte Fuji. Uma linda vista dada para um grande bosque e um lindo por de sol, havia um banquinho de pedra.
O banquinho estava meio quebrado e bem mal cuidado, dano a impressão de que ninguém o usava há anos. E naquele mesmo banquinho defasado, estava um casal. Uma noiva com vestido rodado enorme e lábios vermelhos por causa do batom e um noivo ruivo com um elegante terno.
Lyra recostava sua cabeça no ombro de Eustass e segurava sua mão. As alianças já colocadas em seus devidos dedos reluziam a luz do por de sol. Ambos conversavam alegremente, com grandes sorrisos sendo exibidos.
– Acho que estragamos o casamento. – Lyra disse em tom de brincadeira.
– Você acha? – ironicamente perguntava o rapaz.
Lyra ria como se tudo não passasse de uma grande brincadeira. – Uma confusão de historia, com coisas sem sentido e muito menos nexo com a normalidade e um final feliz... Muito clichê. – rindo mais uma vez ela resumia toda o tempo ao lado de Eustass.
– Bom... Então acabei de descobrir que adoro coisas clichês. – com um sorriso lindo estampado em sua face, ele passa o braço ao redor de Lyra e beija sua testa.
Aquele por de sol seria inesquecível...
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