Notas iniciais
Yo minna! Desculpem não ter postado esse capítulo no final de semana, é que ele ficou grande e eram muitas ideias para colocar nele que acabei demorando para ajeita-lo, sinto muito. Avisos de hoje: Estou muito triste e ao mesmo tempo muito feliz. A fanfic está acabando... Sim, ela, infelizmente está chegando ao seu fim. Se tudo correr como eu quero, ela terá apenas mais três ou quatro capítulos no máximo. Estou feliz por fazer uma fic boa, e ao mesmo tempo triste porque ela está acabando... Vou parar de enrolar falando de minha tristeza e vou deixar vocês lerem. Boa leitura!



POV’S Lyra

Eram cerca de quatro da manhã, ventava frio e a noite era serena. Eustass e eu estávamos no aeroporto embarcando no avião. Enfim íamos para o Egito.

Decidimos, quer dizer, Eustass decidiu que dessa vez seria melhor sair mais cedo. Poderíamos enfrentar problemas no check-in do hotel, e para evitar que ele se transforme em gato na frente de várias pessoas é melhor chegarmos mais cedo do que de costume.

Egito... Sempre o imaginei um extenso mar de areia escaldante com três pirâmides centrais e mais a tumba de um faraó. Pessoas vestidas com roupas parecidas com burcas¹ por causa do imenso calor que faz lá e que pode prejudicar a pele.

A viagem demora por algum motivo desconhecido. Nesse tempo de espera eu fico pensando em como ou se deveria dizer a Eustass o que sinto. Levei um dia inteiro ou um pouco mais para me decidir, mas não sei o que devo fazer.

Sei que com Eustass seria diferente, pois ele não me faria mal. Não seria necessário temer tanto quanto das outras vezes, dessa vez eu estava mais segura.

Depois de muito reclamar que meu traseiro estava doendo, finalmente chegamos a um dos lugares mais quentes do mundo. Demoramos mais um pouco para desembarcar, haviam muitas pessoas.

O ruivo inspira fundo e depois solta o ar normalmente com as mãos na cintura.

– É bom voltar para o Egito. – afirma ele

Apenas sorrio. Não sabia responder a essa afirmação então pergunto:

– Para que lado fica o hotel?

– Vamos para o que eu já estava hospedado antes de receber a maldição. – responde calmo

Minha imaginação estava completamente errada. O Egito não é apenas um mar de areia escaldante por onde se olha. Ele é mais do que isso. É cheio de prédios altos e bonitos, casas lindas e grandes mansões também. A areia é diferente de como eu imaginava, ela é mais clara e fina, parece aquela areia de praias puras e limpas.

Tudo era muito bonito e modernizado. Toda minha vida eu fui enganada acreditando que o Egito era apenas uma imensidão de areia e pirâmides. Isso tudo é culpa dos desenhos animados...

Pegamos um táxi, e assim que chegamos ao hotel Eustass procura alguma atendente do lugar, assim que avista uma começa a falar:

– Com licença! Eu gostaria de saber se o quarto 457 ainda está ocupado.

– Sim, ele está sendo usado. – respondeu a mulher com uma voz aguda e tranquila – Mas posso arranjar outro quarto para o senhor.

– Na verdade, sou eu quem deveria estar hospedado neste quarto, contudo apareceram alguns problemas e tive de fazer uma viagem ao Japão de última hora.

– Ah sim. Vou confirmar a estadia e já libero o quarto novamente senhor... – dizia ela prolongando o ‘senhor’ enquanto procurava o nome dele em uma lista no computador – Eustass!

Ele assente e se vira para mim, sorrio em resposta. O silêncio entre nós dois se torna presente, isso é, simplesmente, constrangedor. A mulher loura volta e lhe entrega a chave do quarto.

– E você senhorita? – pergunta ela em inglês se dirigindo a mim.

– Ah, não eu estou com ele/ Ela está comigo. – dizemos eu e Eustass juntos. Creio a mulher não tenha entendido absolutamente nada. Rimos meio sem jeito e logo Eustass repete. – Ela está comigo.

A mulher sorri de um jeito gentil e assente nos dizendo:

– Tenham uma boa estadia.

Subimos para o quarto, e chegando lá não fazemos nada além de nos deitar em qualquer canto do cômodo. Pode não parecer, mas uma viagem cansa e muito.

Nem mesmo eu consigo entender como ficar sentada por horas fazendo nada pode ser tão exaustivo.

Como sempre, no dia em que chegamos não fazemos absolutamente nada, a não ser descansar, dormir e comer. Então não é necessário explicar como o dia se passou...

No dia seguinte acordo perto das oito e meia da manhã. Eustass se levantara um pouco mais cedo do que eu. O calor era grande. Havia saído da cama com dificuldade, me sentia tonta e com o estômago embrulhado.

– Oe, você está bem? – pergunta o ruivo assim que me vê.

– Eu odeio o calor. – respondo com a voz arrastada

– Logo você se acostuma. Quer remédios para passar o mal estar? – oferece

– Não, obrigada. – recuso, não gosto de tomar remédios para tonturas, sou mais do tipo que deixa a chegar a um estado que realmente precise antes de tomar algum remédio. Outra coisa no qual odeio são remédios...

Decido que não vou à pirâmide com Eustass, pelo menos não hoje, realmente me sentia mal. Meu mal estar piora, e o ruivo insiste que não irá sozinho para a pirâmide, diz que tem medo de fazer besteira novamente.

Cinco dias. Fico de cama por cinco dias. O calor era tão grande que conseguiu me deixar de cama, e isso não é algo comum de acontecer. Durante esse tempo o ruivo cuida de mim e me auxilia em algumas coisas.

E você detestou isso, não é...

No início da segunda semana no Egito, eu já me sentia melhor, já havia me acostumado aos dias escaldantes e às noites gélidas. Esse revezamento de clima é horrível.

– Já está disposta para ir até a pirâmide? – pergunta ele com um leve tom de preocupação.

– Claro!

Era cedo, ainda estava amanhecendo. Como o tempo ainda estava meio frio vou com uma blusa branca de botões e uma jaqueta marrom bem escuro para me aquecer. Usava uma bota preta e calça jeans escura. O ruivo não estava muito diferente do de costume.

Pedimos um táxi e ele nos leva até certo ponto da cidade, pois dali em diante seria apenas areia. Levamos duas mochilas, cada uma contendo várias garrafinhas de água, comida e alguns panos para nos tamparmos do sol.

Chagamos lá exaustos. Parecia que tínhamos andado todo o Egito, mas foram apenas dois quilômetros...

Ofegantes, entramos na pirâmide. Eustass pega um pedaço de madeira jogado no chão e faz dele uma tocha, com um isqueiro que ele tinha na mochila. Ele segue na frente e eu o sigo a alguns passos atrás.

O interior da grande construção parecia mais um extenso corredor com o chão de concreto rachado sujo de areia. As paredes passavam a impressão de uma túnel qualquer de terra que ainda não havia sido terminado, é muito difícil de explicar.

Sem precisar andar muito chegamos a uma câmara. Ela tinha as paredes diferentes, eram lisas em um tom mais dourado, parecendo concreto pintado, e nelas se encontravam vários hieróglifos antigos.

– Sinceramente... Nunca pensei que fosse entrar em uma pirâmide. – comento mais para mim mesma.

– E eu nunca pensei que fosse virar um gato. – brinca. Eu rio e ele abre seu lindo sorriso.

No chão havia uma imagem pintada, estava toda rachada e parecia que ia desmoronar. Eustass sugere que demos a volta, como não conheço nada sobre pirâmides concordo e o sigo.

Logo em seguida dos deparamos com dois túneis, cada um levando a uma direção oposta.

– Para qual lado você foi da ultima vez? – indago preocupada

– Quer saber... Eu não me lembro de nada da minha ultima expedição nessa tumba. – responde. Eu arregalo os olhos e entreabro a boca.

– O que?!

– É como se tudo fosse um borrão manchado de preto e cinza.

– Vamos arriscar então. – palpito. E depois de olhar para os dois caminhos sugiro – Vamos pela direita?

– Hum... – grunhi como se estivesse tentando se lembrar – Não sei...

– Então esquerda?!

– Pode ser, eu não consegui me lembrar de nada mesmo. De qualquer forma vamos depender da sorte.

– Não gostei desse “vamos depender da sorte”, pois ela nunca está do meu lado. – sussurro

Andamos o que parecia ser uma eternidade. Encontramos uma escada e descemos.

– Tem certeza de que é por aqui Eustass? – pergunto desconfiada. Nos deparamos com um grande buraco muito fundo que ocupava toda a sala, em seu meio havia um estreito caminho de pedras e embaixo dele várias cobras venenosas deslizavam pelo chão.

– É... Creio que não seja por aqui, vamos voltar. – ordena e eu assinto já subindo as escadas para voltar à pequena câmara que dividia os caminhos.

Chegando lá já vamos seguindo a segunda escada, que também descia. No final dela se encontrava outro enorme buraco e com o mesmo caminho estreito em seu meio, contudo deferente do outro este não havia cobras dentro...

– O que foi? – perguntou o ruivo enquanto eu esticava o pescoço para ver dentro do buraco. Depois viro minha cabeça para ele e o olho com os olhos estreitados.

– Eu fico com as cobras. – digo voltando para as escadas.

...Havia estacas de metal pontiagudas o suficiente para te rasgar ao meio, e como elas estavam aglomeradas iriam te partir em vários pedaços. Isso não seria nada legal...

Voltamos e com um pouco – modéstia a minha, muita – dificuldade conseguimos passar. Continuamos seguindo em frente, e conforme íamos passando mais túneis surgiam, porém não seguíamos nesses, pois eles levavam para cima, e nós tínhamos de descer.

Encontramos mais escadas que davam para baixo e descemos, depois de descer duas escadas gigantescas, encontramos uma sala vazia. Sim, vazia! Com absolutamente nada nela.

A porta se encontrava do outro lado da sala. O ruivo não via problema em passar, com cautela, é claro. Quando estávamos quase na metade da sala sinto o chão estremecer.

– Eustass! – chamo, ele olha rapidamente para o chão e este estava se partindo debaixo de nós.

– Corre. – grita e eu obedeço sem hesitar. Mesmo que ele dissesse isso eu o faria.

Como eu havia falado antes, a sorte não me acompanha, e o chão se parte onde eu estava, sem conseguir lugar para pisar e continuar eu caio. Comecei a gritar de medo, não sabia o que havia lá embaixo. Tinha medo de morrer!

Kid percebe quando começo a cair e se gira rapidamente, e sabe-se lá como ele consegue segurar minha mão. Ele estava se apoiando ao chão, que estava quase se partindo, e ele próprio estava quase caindo também.

Ele tenta me puxar, mas, novamente, a sorte não estava do meu lado e agora puxava o ruivo junto. Ou seja, o chão se quebrou e nós caímos.

A altura era grande, muito grande. Eu, como sempre, berrei de medo. Nos esborrachamos no chão, e acho que ganhei um roxo na testa. O chão estava coberto de terra, isso amorteceu um pouco nossa queda.

Com toda a certeza sairíamos dali com vários hematomas e arranhões. Eu me levanto com a ajuda de Eustass, estava com o corpo doendo, e aposto que ele também estava. Como ele consegue se levantar tão fácil?!

– Aguenta continuar? – tirando a poeira do corpo ele me pergunta. Assinto com a cabeça. Olhamos ao mesmo tempo para cima, calculando a distância do topo até aqui, e era muito grande.

Olho em volta procurando uma corda ou qualquer outro objeto que talvez possa nos ajudar a sair dali. Acho algo melhor. Uma pequena saída na parede oposta a que estávamos, alguém provavelmente havia quebrado essa parte para escapar daqui. Ou poderia também ter sido feita de propósito para que caíssemos em uma armadilha.

– Eustass, tem uma passagem ali. – digo apontando para o lugar.

Andamos até lá e vemos que é pequena, porém conseguíamos passar.

– Não vai ser fácil, mas é o único jeito.

Com muita, muita dificuldade passamos. Quanta novidade, demos de cara com outra câmara. Nunca pensei que um “passeio” nas pirâmides pudessem ser tão deprimentes assim.

Caminhamos normal e tranquilamente. E mais uma vez uma armadilha é acionada, dessa vez por culpa minha. Não, não caímos em outro buraco, foi pior. Flechas pontiagudas eram lançadas em alta velocidade em várias direções.

Por descuido meu, deixo uma flecha me atingir. Não me fere gravemente, mas consegue passar arranhando meu braço esquerdo bem fundo. Quando conseguimos passar o ruivo percebe meu ferimento e rasga um bom pedaço de sua blusa e diz:

– Não sou médico, porém isso deve pelo menos segurar o sangramento.

– Não precisava.

Não precisava! – repetia ele tentando imitar minha voz em um fracasso vergonhoso. – Claro que precisava, isso poderia infeccionar e doeria muito mais tarde.

Suspiro em desistência e agradeço. Voltamos a andar. A cena das armadilhas se repete mais três vezes, nelas ninguém se machuca gravemente, só alguns arranhões leves.

Por obra de algum milagre chegamos a um cômodo gigantesco, era todo dourado e quatro pilares não muito altos foram construídos de lado de uma cama de pedra. Neles vasilhas de vidro e fechadas pedaços de carne estavam descansavam.

Na cama de pedra um sarcófago, que não passava de 1 metro e 70 centímetros, fora depositado cuidadosamente. Um cheiro podre e muito forte infestava o local.

– Ahrg. Que cheiro é esse? – eu reclamava tampando o nariz com as mãos.

– Está vindo daqueles vidrinhos das pilastras. – apontava ele enquanto examinava o lugar da múmia.

– Que nojo. O que é isso? – pergunto. Mas tinha medo de descobrir a resposta.

– Você não sabe? – respondo que não com a cabeça. Ele suspira de leve e começa a explicar de uma forma breve – Antigamente os egípcios acreditavam que depois de morto, eles seriam julgados por Anúbis e Isís os deuses da morte. Por isso retiravam os órgãos dos faraós e os colocavam nesses vidros, fáceis de abrir, para que os deuses os pesassem e dissessem se o dono deles iria ou não ser punido.

– Então quer dizer que isso aqui são órgãos? – indagava prestes a dar um berro de medo.

– Bem não é qualquer órgão. Eles tiravam órgãos mais específicos como o cérebro, o coração, um dos pulmões, os olhos e a língua. Se eles fossem julgados como ruins Cérberus, o cão de três cabeças, comeria a alma da pessoa.

– Que nojo... – murmuro dando mais atenção a lista de órgãos do que o cão de três cabeças comendo espíritos.

Sinto um calafrio percorrer meu corpo, sentia que poderia desmaiar a qualquer momento.

O ruivo continuava observando o caixão egípcio e eu o observava. Ele pega o colar na mochila e o “concerta”. Com a joia encaixada em seu devido lugar ele o encaixa em cima do sarcófago.

Com cuidado ele se afasta e olha em volta. Nada acontece. Arqueio uma sobrancelha e me sinto uma idiota.

– Era para acontecer alguma coisa? – pergunto

– Sim... Era para a maldição ser retirada. – responde ainda olhando aleatoriamente para os lugares.

– Bom, como vamos saber se ela foi ou não retirada?

– Temos de esperar o horário para saber.

– Ainda são nove horas, Eustass. – adverto-o olhando para o relógio em meu pulso.

– Bom, então, vamos tentar sair daqui. – sugeriu. Concordei sem nem pensar duas vezes.

Subimos escadas, andamos por corredores que pareciam ser iguais, fizemos outra tocha para que não ficássemos no escuro total, descemos escadas, acionamos mais armadilhas. No fim de tudo:

– Eustass!

– Diga. – autorizou ele

– Você já percebeu que... Voltamos para o mesmo lugar?

– Percebi sim.

– Alguma sugestão para sairmos daqui?

– Andar mais?

– Tudo bem, você segue na frente, por que seu for eu a guiar nunca mais veremos a luz do dia. – expliquei

Andamos por uma eternidade. Em uma das armadilhas caímos em outro buraco, nesse meu casaco se rasga após ficar preso em uma estaca de metal na parede.

– Você sabe quanto me custou aquele casaco? – indago nervosa apontando para os trapos de minha antiga e boa roupa.

– Ah... Uns 20.000 ienes?

– FORAM 236.000 IENES! – grito – Você está me devendo um casaco novo.

– Tudo bem, dou um jeito de lhe pagar depois. – diz suspirando por estar me devendo mais uma.

Como as paredes dessa fossa eram menos lisa que a outra, conseguimos sair. Voltamos a andar. Durante uma hora inteira andamos sem conseguir sair daquele lugar medonho.

Todas as vezes que pensávamos estar conseguindo chegar perto da saída, nos deparávamos com o sarcófago. Era frustrante, parecia que estávamos correndo em círculos.

– Chega Eustass. Estou exausta. – lhe informei já me encostando em uma parede, estava tão cansada que deixo meu corpo escorregar até ficar sentada.

Ele percebendo que deveríamos descansar pelo menos um pouco se senta ao meu lado e murmura um sinto muito por ter te metido nessa. Encaro o chão sem saber o que dizer e sinto meus olhos pesarem.

Minha cabeça vai tombando para o lado e acabo me encostando no ombro de Eustass. Sinto-o recostar sua cabeça sobre a minha antes dormir.

Sonhava com algo muito estranho e difícil de explicar. Abro os olhos minimamente e vejo uma fraca luz vir do corredor. Abro melhor os olhos e vejo que o ruivo também dormiu de exaustão, ele estava com a cabeça encostada na minha e com sua mão sobre a minha quase entrelaçando nossos dedos.

Deixo a estranha luz me distrair mais do que nossas mãos juntas. Me sento corretamente e chamo pelo nome do ruivo. Ele desperta ainda sonolento e sem entender meu alvoroço.

Me levanto rápido e começo a ir em direção da luz, que parecia vir de uma tocha já meio gasta. Kid se levanta rápido, pega sua mochila e me segue.

– O que foi? Lembrou-se do caminho? – questionava

– Não.

– Então, o que – o interrompo.

– SHHH! Fique quieto e me siga. – disse em um tom mais alto, entretanto a luz acelera como se a pessoa que segurasse a tocha quisesse fugir.

Acelero meus passos também, quando percebo estamos correndo pelos corredores da tumba, passamos por corredores e salas que antes não havíamos visto.

Quando chegamos a uma sala desconhecida percebo que estamos de volta ao buraco com cobras dentro e o caminho estreito que passamos assim que entramos na pirâmide.

– Voltamos quase que ao ponto de início. – comemora Kid alegre.

Incrédula e de boca aberta eu concordo com um “aham” e sigo em frente. Na entrada/saída da pirâmide o ruivo m pergunta entusiasmado:

– Como você se lembrou do caminho de volta?

– Não me lembrei do caminho, eu apenas segui a luz de tocha que tinha lá dentro. – quando explico, ele me olha torto como se inventasse coisas. Iria falar mais alguma coisa enquanto me virava para trás, e vejo as pontas de um vestido branco e longos cabelos negros.

Calo-me e não tento explicar mais nada. Agradeço mental a ela e me dirijo novamente para o ruivo.

– Quer saber... Esqueça. – digo e ele da de ombros.

Lembro-me da maldição e olho para o relógio em meu pulso. Quando me dou conta das horas arregalo meus olhos.

– Eustass – chamo-o já começando a sorrir – Já são 12h:15min, a maldição foi quebrada.

– O que? – pergunta incrédulo. Ele puxa meu pulso para confirmar as horas e depois sorri alegremente. – Rá rá! Quebramos maldição. Nós conseguimos Lyra!!

Ele me abraça e levanta, começando a rodar com aquele sorriso largo e bobo se formando em sua boca. Sorrio de volta e também começo a sorrir como uma boba.

De repente ele me beija na bochecha e vai parando de rodar aos poucos. Sinto-me corar de vergonha. Quando Eustass para de rodar volta a me encarar nos olhos, tentando, decifrar algum tipo de segredo que se escondia em meus olhos.

Nossos rostos estavam perto, perigosamente perto. Observo seu rosto começar a ficar vermelho, e ele me põe no chão. Suas mãos ainda estavam em minha cintura e as minhas ainda estavam em seus ombros largos.

– V-Vamos voltar para o hotel? – sugeri sem jeito. Nós dois estávamos sem jeito, por algum motivo desconhecido.

– C-Claro.

O resto do dia seguiu como qualquer outro, normal e tranquilo. Não é necessário que eu explique.

No dia seguinte acordo mais tarde que normal e depois do almoço vou ao aeroporto, chegando lá procuro uma atendente e pergunto quantos estavam as passagens para o Japão e ela me responde:

– Desculpe, os aviões estão com defeito e não estamos autorizadas a vender nenhuma passagem de ida para nenhum lugar até que eles sejam concertados.

– E quando eles vão voltar a funcionar?

– Daqui a três dias.

Agradeço as informações e volto para o hotel. Quando chego lá Eustass me pergunta quando vamos viajar e eu simplesmente respondo:

– Não vamos.

– O que?! – indaga ele incrédulo pulando do sofá.

– Os aviões estão estragados e só vão voltar a funcionar nos próximos... – empaquei, não conseguia dizer os dias que ficaríamos aqui. Penso em mentir, apenas para passar mais uns poucos e preciosos dias com ele, mas tinha medo de dar errado.

– Nos próximos...? – incentiva

– Cinco dias – minto descaradamente

– Cinco dias? – reclamava. Ele suspira de leve e volta a falar – Se não há outro jeito, então, vamos ficar aqui por mais cinco dias.

Ficaríamos mais cinco dias no Egito, e estes seriam para descansar e se divertir. Seriam literalmente dias de folga.

Estávamos os dois sentados no sofá da sala sem saber o que dizer, e o silêncio mais uma vez se tornava presente. Kid se mostra pensativo e fala em seguida:

– Que tal ir ao clube?

– Ótima ideia, estamos mesmo precisando de algo refrescante. — comento

O cronograma da semana foi basicamente:

1° dia: Ida ao clube e atividades refrescantes.

Passamos o dia nadando e tomando drinks bem gelados enquanto tomávamos um pouco de sol e outras vezes conversávamos em uma sombra da piscina.

2° dia: Parque de diversões

Não preciso descrever como o dia se seguiu certo? Fomos aos brinquedos e passamos o dia comendo baboseiras como algodão doce e pipoca.

3° dia: Passeada no centro da cidade

Preciso mesmo descrever?!

4° dia: Compras de roupas e jogos no shopping

Shopping... Uma palavra mágica para a mulher e uma palavra amaldiçoada para o homem. Passamos o dia comprando coisas como roupas, sapatos, jogos. Nem parecia que há alguns dias estávamos perdidos dentro de um labirinto chamado pirâmide. Agora parecíamos duas pessoas normais...

5° dia: Bom, isso ainda está sendo planejando...

Estávamos na cozinha conversando sobre coisas aleatórias, quando o assunto “morre”.

– Por que hoje não vamos ao parque? – pergunto

– Claro, é uma boa ideia. – sinto meu coração se aquecer quando ele concorda.

O parque do Egito era bem diferente do esperado. Ele era grande e cheio de árvores grande bem esverdeadas. Por onde se olhava arbustos com varias flores coloridas podiam ser vistos.

O ruivo tinha comprado sorvetes para nós dois. Quando estávamos terminando, achamos um banco de madeira e nos sentamos lá. Estávamos sentados embaixo de uma arvores muito rara do Japão, o Ipê amarelo.

Conforme o vento batia na árvore suas folhas caíam em sua volta deixando uma linda visão. Já havíamos acabado de comer, e eu apreciava a linda paisagem amarelada em cima de mim.

– É lindo... – comento em baixo tom, contudo o ruivo consegue ouvir.

– É lindo como você. – diz ele olhando novamente em meus olhos, tentando, novamente, desvendar o que não havia conseguido da última vez.

Sinto-me corar e meu corpo se inclinar devagar para frente. Vejo-o fazer o mesmo, seu corpo pendia para frente e aos poucos se aproximava de mim. Seus olhos iam se fechando conforme se aproximava e eu ia fazendo o mesmo.

Estávamos mais perto do que naquela noite. Isso era perigoso. Estávamos tão perto que eu conseguia sentir sua respiração e me inebriar com seu aroma viciante.

Nossas bocas começavam a se encostar, finalmente eu podia sentir a maciez de sua boca, e agora eu me sentia cada vez mais instigada a sentir seu gosto.

Meus lábios estavam selados, uma de suas mãos rodeava minha cintura e a minha ia em direção a seu ombro e passeava por essa área até o peito esquerdo.

Devagar ele passava a língua em minha boca pedindo passagem e eu prontamente lhe concedo. Nossas bocas eram territórios desconhecidos um para o outro, e nossas línguas percorriam cada centímetro para conseguir sentir melhor sabor do outro.

Não era um beijo apressado nem feroz, e sim um carinhoso e dado para saciar a sede que – pelo menos eu tinha– tínhamos um do outro. Por mim esse momento duraria para sempre.

Ele puxa minha cintura para que eu chegasse mais perto, esses pequenos infinitos de segundos que estávamos juntos de verdade seriam inesquecíveis para mim.

Eu conseguia sentir o gosto do sorvete de morango se misturando com o meu de chocolate invadir minha boca.

Ouço meu nome ser gritado ao longe, entretanto ignoro. Quando começamos a dar por falta de oxigênio nos separamos. Continuo ouvindo meu nome ao longe, procuro a direção de onde ele era gritado e vejo uma menina de cabelos rosa correndo para minha direção.

Olho de canto para Eustass e ele estava tão vermelho quanto um pimentão, eu não estava diferente é claro.

Aperto os olhos par tentar reconhecer a pessoa que vinha e percebo quem era.

– Bonney? – indago perplexa e com os olhos arregalados.

– Lyra, a quanto tempo. – dizia ela quando tinha chegado até mim. Ela me abraçava e sorria de orelha a orelha.

– Sim, a quanto tempo. Você está bem diferente, cresceu em todos os sentidos... – comenta para ela

– E você também não ficou para trás.

Ficamos um bom tempo conversando. A apresentei para Kid e eis o que ela me sussurra:

– Você arranjou um bom partido hein.

Apenas suspirei em resposta. A noite vinha, nós duas nos despedimos dissemos uma para outra que pretendíamos nos encontrar quando voltássemos para o Japão.

O ruivo seguiu para o hotel, enquanto eu fui para o aeroporto comprar as passagens. Logo iríamos voltar para o Japão, e talvez não nos veríamos mais... Claro que eu tentaria não deixar isso acontecer, queria estar com ele o tempo todo.

Antes de perguntar o preço das passagens, pergunto sobre os aviões par a mesma mulher que havia me atendido em outro dia. Sim, infelizmente os aviões estavam concertados.

Depois de comprar as passagens volto para o hotel, o ruivo já arrumava as malas, pelo menos o essencial. Vou tomar um banho e depois iria dormir, já era tarde e nós partiríamos cedo no dia seguinte.

Eu apenas esperava para saber o que o destino aprontaria comigo, e eu esperava que ele conspirasse a meu favor pelo uma vez em minha vida...

POV'S end

Notas finais
E aí gostaram? Espero que sim... Se gostaram comentem, favoritem, compartilhem ou recomendem, se fizerem isso vão deixar uma autora muito feliz!! Obrigada a minhas leitoras queridas que comentam em minha fanfic, Angel e Tyra! Muito obrigada mesmo, vocês sempre me animaram com seus coments, e obrigada por isso!! E obrigada também aos leitores fantasmas, que apesar de não comentarem, leem minha fic. Enfim, obrigada e até o próximo capítulo! o/