Curse and Love
8 Correndo atrás de fantasmas
Notas iniciais
Estar a procura de alguém desconhecido não é fácil. Ainda mais quando ela parece ser desconhecida por toda a população de onde mora...
– Ainda acho que o nome está errado, ou essa mulher não existe... – argumentava Lyra sem paciência.
– Calma Lyra, vamos achá-la, só precisamos procurar mais. – Kid tentava anima-la. O ruivo estava humano, e os dois andavam pela cidade perguntando sobre essa mulher desconhecida.
O sol estava quente e o céu não possuía nuvens. O clima seco piorava o cansaço e a cada minuto a sede aumentava.
O dialogo no comércio se repetiu a semana inteira. Os dois tinham perdido todo esse tempo no Brasil procurando a Nerfertari Osíris.
– Eustass já perdemos a semana procurando essa mulher, não tem como ela estar viva ou morando nesse lugar.
– Eu sei, mas precisamos encontrá-la, pode ser de grande ajuda.
– Por que você quer tanto assim encontrar essa mulher? – indagou Lyra.
– ... – Kid não respondeu de imediato, tentou achar as palavras certas para explicar a situação. – Sabe aquela voizinha irritante que fica ecoando na sua cabeça até você se cansar dela e obedece-la?
– Sei...
– Então... É isso, por algum motivo eu sinto que tenho que procurar essa mulher custe o que custar. – suspirou antes de prosseguir – Desde que olhei a manchete dela na internet, senti que devia procurá-la.
– Isso se chama loucura. Você já começou a perder a cabeça por causa desse colar.
– Haha, muito engraçado!
– Eustass, se não acharmos essa mulher dentro de três dias, eu vou comprar as passagens para Portugal.
– Tudo bem. Isso está realmente ficando cansativo...
2 dias depois
O dia mal começara e Lyra e Eustass já estavam andando pela cidade, tudo acontecera como das outras vezes. Sem nenhum sinal dela. Cansados, os dois vão para uma praça que havia por perto, Kid se senta em um dos bancos e Lyra vai para uma das lanchonetes comprar água.
A praça estava com poucas pessoas, e o ruivo esperava em uma parte mais vazia enquanto resmungava. Estava irritado por não conseguir achar quem procurava.
– Droga, onde essa mulher se meteu? Nerfertari Osíris... – resmungava Kid
Um senhor idoso passava e acabou ouvindo os resmungos do ruivo.
– Com licença jovem, mas você disse Nerfertari Osíris?!
– Sim, por quê?
– O que você quer com ela? – indagou
– Bom, eu preciso realmente fazer umas perguntas sobre o Egito pra ela. Eu sou arqueólogo. O senhor a conhece?
– Claro que sim, mas faz um bom tempo que não há vejo... Estava viajando para o exterior, e não tive muitos meios de conversar com ela. – o senhor explicava o que acontecera nos últimos anos e o porquê de não saber onde e como a mulher estava.
– Mas você tem pelo menos um jeito de encontrá-la? – Kid estava ansioso, a primeira pessoa que sabia sobre a egípcia estava bem a sua frente. Não podia negar que aquilo o animou.
– Antes de deixar o país, sei que ela morava na rua...
– Na rua...?! – o encorajava a se lembrar.
– Agora, eu não me lembro, mas tenho certeza que tenho o endereço em minha casa.
Abrindo um grande sorriso em seu rosto Kid pede para que o senhor esperasse um minuto, e correndo o máximo que pode, foi ao encontro de Lyra, que estava prestes a atravessar a rua.
O ruivo apenas pega a mão da garota de longos cabelos pretos e a puxa para a praça. Sem entender nada ela grita:
– Ai, ai... Vai com calma Eustass, por que está me puxando?
– Conseguir informações sobre a tal de Osíris.
– Mas eu te deixei sozinho na praça por apenas cinco minutos...
– Creio que tenho sido sorte, ou sei lá, vai que o destino estava esperando o momento certo para nos dar pistas sobre ela? – o ruivo instigava uma explicação para tudo ter acontecido tão de repente e tarde.
(...)
Na casa do homem desconhecido, os dois esperavam sentados no sofá a volta do senhor com o endereço.
– Tem certeza disso, Eustass? – Lyra perguntava encabulada. Do nada um homem idoso sabe sobre a pessoa que procuram, ela suspeitava de algo.
– Oras, se ele disse que tem o endereço, por que não aceitar a ajuda?
– Tenho medo do que nisso vai dar...
O senhor voltava lentamente com um pequeno papel. Kid e Lyra se levantam no mesmo instante e em uma velocidade incrível, assim que o homem estica o braço para entregar o papel.
– Obrigado! – agradeceu o ruivo
– De nada meu jovem... Ah, sim... Se encontrá-la volte aqui para me avisar como ela está, por favor.
– Claro que voltaremos. – afirmou Lyra dessa vez.
Chamaram um táxi e foram para o endereço indicado. O taxista havia os deixado no inicio da rua, e para procurar o número da casa foram a pé. Quando acharam ficaram pasmos...
– Não acredito que essa mulher more aqui... – incrédula Lyra dizia de olhos arregalados.
– Mas... É o endereço correto. Como pode ser... ESSA CASA? – Kid perguntava.
– Ela não pode morar nessa casa... Ninguém pode morar nessa casa.
– Eu devo estar ficando cego.
– Você está vendo a mesma casa que eu?! – conferia Lyra
– Uma casa... Correção... Uma mansão gigante acabada, com janelas quebradas, quintal sujo e revirado, parecendo que vai cair a qualquer momento? – indagou o ruivo ainda desacreditado.
– Você não está ficando cego.
Os dois entraram devagar, e por muito tempo hesitavam.
A casa estava em estado deplorável, o piso era de madeira, este estava rangendo e muitas vezes estavam quebrados, as paredes mal pintadas e com buracos, rachaduras até mesmo infiltrações.
Alguns móveis rasgados, quebrados e revirados. Muitas coisas de vidro haviam sido jogadas ao chão. Para qualquer lado que se olhava podia ver camadas grossas de poeira e teias de aranha.
Tudo indicava que a casa não era se quer encostada há anos, e antes disso que alguém havia a destruído. No banheiro havia sangue dentro da pia, e possuía vários remédios em cima da mesma.
Os quartos bagunçados como o resto da casa, com roupas espalhadas e estiradas, e em cima da cama um retrato repousava, apesar de ter seu vidro estilhaçado.
– Como alguém pode morar aqui? – sussurrou Lyra.
– Não tenho a mínima ideia. – respondeu Kid
Conforme iam andando arrepios percorriam pelo corpo de Lyra e Kid achava tudo muito estranho. A morena olhava para a porta do quarto quando vê um vulto negro passar rapidamente pelo corredor.
– Ahhh... – resmungou. Logo em seguida correu em direção ao ruivo e o abraçou forte, para logo continuar a falar. – Eustass, tem alguma coisa aqui.
Ele envolve seu braço nela e engole a seco. Fixa seu olhar no rumo da porta, contudo não vê nada.
– Nerfertari Osíris?! – chama
– Não chama idiota, vai que aquilo aparece. – repreendeu a morena assustada.
– Não vai aparecer... Eu acho...
– Como assim eu acho?!
– Não sou espiritualista, não sei se esse treco é um espírito ou sei lá.
– I-Isso não tem graça Eustass... – gaguejou, ela estava com medo.
– Não estou fazendo graça. – afirmou
Naquele momento não se ouvia mais nada além do vento batendo nas janelas que rangiam alto.
– Estão me procurando?! – uma voz feminina soou no quarto. A voz tinha um timbre autoritário e feroz, e quando se ouvia pensava-se que seria de alguém fechado e solitário.
Os dois paralisaram de medo. Atreveram-se a virar a cabeça lentamente, e quando estavam totalmente virados contiveram um grito a princípio.
Uma mulher de longos cabelos negros e lisos, vestido branco e jóias douradas, estava sentada na cama. Seu vestido originalmente era comprido, porém este estava rasgado e em algumas partes levemente avermelhado.
– AAAHHHHHHH!!! – gritaram os dois em uníssono.
Eustass simplesmente começa a fechar os olhos e cai no chão. Tudo a sua volta havia escurecido...
Lyra o observa caído ao chão e volta seu rosto para a mulher sentada a cama.
– Não devia ser eu a desmaiar?! – arqueia uma sobrancelha
POV’S Kid
(...)
Depois de ver a mulher sentada a cama, tudo a minha volta escureceu e senti meu corpo bambear. Quando me dei conta estava desmaiado no chão.
Minha cabeça latejava e doía muito. Sentia minha cabeça repousada em algo macio. Estava tão confortável que não queria me levantar.
Ouço uma doce voz me chamar e sinto uma mão pequena e leve acariciar meus cabelos. Céus, não me digam que...
– Eustass você está acordado? – perguntava a voz
Abro meus olhos devagar, entretanto minha visão está embaçada, e conforme ela vai voltando ao normal, vejo Lyra olhando para mim. Parecia preocupada... E perto...
– Eustass você está bem?
– Minha cabeça dói. – respondi tentando me levantar. Segundos depois de me levantar percebo que minhas hipóteses estavam certas... Sim, eu estava deitado no colo da Lyra... Do nada sinto minhas bochechas esquentarem e muito. Que diabos, eu tenho que corar justo numa hora dessas?!
Minha cabeça doía muito, parecia que tinha levado uma martelada no local que latejava.
– A Nerfetari-san pediu desculpas por nos apavorar e faze-lo desmaiar... Agora... Explique para ela o porquê de você querer encontrá-la. – ordenou
Olhei em volta a procurando, vejo-a sentada em uma poltrona do outro lado do quarto. Ela era meio transparente e me encarava com seus olhos severos.
– Lyra, você está...? – comecei. Sim, nós estávamos na frente de um fantasma.
– Estou! – confirmou balançando a cabeça.
– O que quer me perguntar garoto? – indagou Osíris
– Bem... O que você sabe sobre maldições egípcias? – perguntei hesitando.
– Muitas coisas, tudo depende da maldição.
– Será que poderia nos dizer um pouco mais sobre elas? – pronunciou Lyra.
Ela estreita os olhos e nos fita. Afinal o que essa fantasma quer?!
– E o que ganharei em troca? – perguntou, sendo direta.
Eu e Lyra nos olhamos sem saber o que dizer ou fazer. Estava disposto a tentar ajuda-la como “recompensa”, mas sendo apenas coisas realmente úteis ou que estejam ao meu alcance. Dependendo do que ela pediria... Eu não poderia concordar.
– O que quer em troca? – Lyra reuniu coragem e perguntou.
– Digamos que eu tenha assuntos inacabados...
Engoli a seco e fechei bem as mãos em punhos. Sinto uma gota de suor escorrer pela minha testa. Olho disfarçadamente para Lyra, e ela encarava a fantasma aguardando o que seria dito em seguida:
– Mas... Um assunto começou e para mim ainda não está terminado. Eu costumava usar um colar que tinha como pingente uma pérola e um diamante. – fez uma pausar antes de continuar. – Esse colar pertenceu à minha mãe e tem um grande valor em dinheiro.
Ela deu um grande suspiro antes de continuar. Mal posso acreditar que estou conversando com um fantasma. Pensei que isso era apenas historinha de terror...
– No meu velório, minha irmã o pegou de meu pescoço. Ela não aceitava que o colar, que está em nossa família há milhões de anos, havia sido entregue para mim.
– E ela vendeu o colar? – perguntei
– Se vendeu eu não sei. Eu quero que vocês o recuperem e o coloquem em minha lápide.
– Por que ir atrás disso se é apenas...?
– Nós recuperaremos – Lyra me interrompeu. Nem acredito que ela quer ir atrás de um colar assim. Se eu o achasse, venderia e gastaria o dinheiro muito bem.
– Eu prometo que vou recuperar o colar – a morena dizia com segurança. Por que diabos ela está prometendo?! E se ela não conseguir?
– Você realmente tentará recupera-lo? – Osíris perguntava com um brilho nos olhos. Lyra apenas confirma balançando a cabeça para cima e para baixo. – Antes tenho que avisa-la que minha irmã é uma eximia ladra. Além de muito esperta.
– Nós damos um jeito nisso. – a morena falava com convicção.
– Afinal de contas, o que aconteceu para você ter morrido e ainda ter perdido o colar? – me intrometi na conversa, elas agiam como se eu não estivesse ali. Isso me irritava.
– Resumindo... Eu herdei uma grande fortuna de meus pais e avós. Minha irmã ficou com inveja, pois também queria o dinheiro. Com raiva e gana ela contrata alguém para me envenenar. Isso não funcionou, eu havia percebido seus truques, então... Ela veio pessoalmente e me esfaqueou.
Arregalei os olhos quando ela terminou de contar sobre o seu passado... Nunca imaginaria que a própria irmã dela faria isso, ainda mais de um jeito tão brutal.
– Peço para que fiquem até que a maldição se “manifeste”, assim poderei explicar melhor sobre ela. – pediu a egípcia. Concordamos e ali ficamos conversando...
– Eu também estou curiosa sobre vocês, por que não me contam sobre suas vidas também? Assim fica mais justo, certo? – apoiando a cabeça em uma das mãos ela nos força discretamente para contarmos nosso passado. – Por que não começa ruivinho?
– Eu?! – sussurro – Bom... Durante a escola eu era o “valentão”. Era também o “engraçadinho” da turma, fui expulso de três escolas por travessuras e desrespeito aos outros. Depois que me formei na faculdade de arqueologia viajei pelo mundo inteiro procurando lugares com relíquias. E... É isso.
– E você garota?
– Eu?! E-Eu não tenho nada de especial no meu passado. Sério mesmo. Vivi minha vida normalmente, estudei, trabalhei em vários lugares... – forçou um sorriso depois de tudo. Por que ela está tão nervosa?
(...)
O meio dia se aproximava e eu estava prestes a voltar a ser um felino fortemente avermelhado. Quando voltei, a egípcia me olha por completo, logo em seguida sorri de canto. Tenho certo receio de perguntar algo quando as pessoas sorriem assim...
– Você recebeu a maldição animal de um dos faraós do Egito antigo. Ele lançou essa maldição em seu bem mais precioso, o colar de Anúbis. Muitos não acreditam nas maldições ou lendas antigas, ainda mais quando elas se referem à morte. – explicava.
– Minha avó sempre dizia que lendas são lições e que elas carregam a verdade através do tempo. E que se elas existem é por que alguém já viu, viveu ou sentiu.
– Sua avó é sabia, e isso é como uma lei no Egito. Lendas ensinavam e ainda ensinam nosso povo.
– Mas como a maldição pode ser quebrada? – perguntei um pouco exaltado.
– A lenda conta que antes de morrer o faraó ‘Kamilah’ colocou o colar de Anúbis em um altar escondido no interior de uma das pirâmides e o amaldiçoou para que nunca fosse retirado de lá. A pedra que reside em seu meio escureceu, passando de vermelho sangue para negro.
– Ou seja, temos que achar esse altar e colocar o colar lá. – terminou Lyra. Eu apenas ouvia e prestava atenção.
– O colar com a jóia nele. – acrescentou. Espera aí! Que jóia?! O homem do museu nos Estados Unidos não comentou nada sobre uma jóia com o colar...
– E onde está essa jóia? – pronunciei-me
– Tudo que sei é que o avião que transportava ela quebrou e foi forçado a parar aqui no Brasil. Provavelmente a pedra caiu na troca de transportes, e com certeza alguém a encontrou.
– Bem informada você hein. – comentou Lyra em baixo tom.
– Quem a encontrou? – perguntei
– Ruivo, eu sou observadora não uma vidente. – afirmou com sarcasmo. – Não sei com quem a pedra está agora.
Eu e Lyra suspiramos de leve. Osíris nos deu o nome da irmã, e assim que agradecemos fomos embora. Sai primeiro, e Lyra ficou para trás por um tempo e a esperei na porta de entrada da grande casa. Na frente da mansão...
– Oe, Lyra... Você tem certeza que vai recuperar o colar?
– É claro!
– Olha, eu sei que você quer ajudar essa mulher, mas pense bem... Com toda a certeza a irmã dela não vai devolver de bom grado. Talvez peça dinheiro em troca e eu não posso pagar, e não vou deixar você pagar...
– E...? – dizia desinteressada
– E que mesmo se tivéssemos dinheiro, ela pegaria até o último centavo para “dar pro gasto”. Provavelmente vamos ter que roubar o colar... Vamos ter realmente todo esse trabalho, para pegar um colar?
– Eustass... Eu vou fazer por dois motivos... Primeiro, é algo de grande valor sentimental não em dinheiro, e para mim isso é o que mais incentiva alguém a recuperar algo. Segundo, eu prometi não foi? Eu nunca quebro uma promessa minha.
Suspirei e assenti. A morena depois acrescentou:
– E também... Até descobrirmos onde está a pedra da maldição, podemos recuperar o colar da Osíris.
Concordei, pois ela tinha razão, até estamos cientes de onde a pedra está, não poderemos fazer muita coisa, além de esperar... Chamamos um táxi e saímos dali.
Lembra-se daquele senhor que nos ajudou a achar a fantasminha? Bom, acontece que ele era tio da Osíris.
Fomos para a casa dele e lhe informamos o que havia acontecido com sua sobrinha. Ele ficou realmente mal, abalado, então não quis incomodá-lo perguntando sobre a sua outra sobrinha, uma tal de Cleo.
Voltamos para o hotel um pouco mais tarde, paramos em alguns lugares para comer, comprar água e até mesmo perguntar sobre a Cleo, a pessoa que viraria nossa vítima mais tarde e irmã de Osíris.
Chegando ao quarto do hotel...
– Lyra. – chamei – Por que você não quis detalhar o seu passado mais cedo?
– P-Porque não tem o que detalhar. – ela gaguejou e forçou um sorriso enquanto falava. – M-Minha vida sempre foi simples e monótona.
– Se não tem nada a esconder por quê gagueja?
– E-Eu não estou g-gaguejando!
– Lyra... – insisti
– Eustass, já falei que não tem nada de especial no meu passado. Por que está tão interessado? Tsc... Vou tomar um banho.
Assenti e ela foi. Entretanto, eu ainda não engoli essa de “não tem nada de especial no meu passado”.
A morena demorou no banho, algo que não é comum, principalmente para ela. As pessoas demoram no banho quando estão com raiva ou quando querem ‘esfriar a cabeça’, e ela age muito estranho quando o assunto é seu passado...
Não vou ficar engolindo suas desculpas esfarrapadas por muito tempo senhorita Lyra, ainda vou descobrir o que você tanto quer esconder.
POV’S end
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