Curse and Love
12 Conflitos internos...
Notas iniciais
Muitas vezes pensamos que ora ou outra vamos achar uma posição confortável e iremos dormir. Com Lyra não era assim. Ela rolava de um lado para o outro, mas o sono não vinha.
A lembrança do quase beijo rebatia em seus pensamentos a todo o momento, isso estava se tornando torturante. Estava cansada, queria dormir para esquecer o “beijo”, porém o sono não se tornava presente.
Sem mais esperanças de conseguir pegar no sono essa noite, a menina se levanta e vai rumo à cozinha. Eram exatamente 3h12min da madrugada. Lyra prepara um chá para tentar se acalmar. Em vão...
Ela olha o céu através da janela do hotel, e ele ainda estava estrelado e muito bonito. Assim que acaba de beber o chá, ela sobe até o terraço do hotel, havia lembrado que haveria um eclipse essa noite.
As horas iam passando e mais perguntas vinham a sua mente. Durante todo o eclipse lunar, a morena não tirava os olhos do céu. Tempo depois, a lua fica vermelha parecendo que estava manchada de sangue.
Sem mais aguentar o cansaço e as dúvidas atormentadoras que estavam presas a sua mente, ela se deita ao chão com os braços abertos. Olhava cada centímetro da lua “ensanguentada”.
Vermelho... Uma das cores que sempre lhe fascinaram era o vermelho... Principalmente aquele vívido e que parecia sangue, ou como muitos chamam, o vermelho escarlate.
– Por que isso está acontecendo comigo... Novamente? – sussurrou para si
Ela coloca suas mãos sobre os olhos, aproveita que não há ninguém por perto e deixa algumas lágrimas escaparem.
– Eu nunca... Quis me sentir assim... – dizia entre os soluços – Eu... Não vou me... Apaixonar... Não de novo... Não posso estar...
Seus olhos estavam vermelhos, seu rosto estava encharcado junto de vários fios de seu cabelo.
Começava a amanhecer, e o sol banhava a pela da morena aos poucos. Tudo agora deixava o tom de preto e vermelho (lua) para ficar totalmente alaranjado.
Poucas nuvens que pairavam sobre o céu, não eram brancas, era uma mistura de rosa claro com um tom de pêssego mais alaranjado. As poucas estrelas que haviam no céu, agora já sumiam.
Lyra começava a se imaginar como uma nuvem... Algo simplório, que todos viam e sabiam que estava lá, mas realmente davam importância quando precisavam dela ou de algo que ela pudesse fornecer. Não davam a menor importância para sua verdadeira existência...
A noite passara depressa. Quando menos podia se esperar o sol já raiava e cobria a todos com seu brilho.
POV’S Lyra
Eu ainda estava no terraço, mas agora eu estava sentada, minhas costas estavam doendo de ficar deitada naquele chão. Todo o meu rosto estava molhado e meus olhos estavam inchados.
– Droga... Mal posso chorar e meus olhos já incham...
Sei que ainda era cedo, muito cedo, mas decido entrar e ficar sentada em um lugar mais confortável. Assim que desço novamente para o quarto do hotel, desvio do sofá e vou para o banheiro.
Mudei de ideia, seria melhor eu tomar um banho de água bem gelada. Afinal é o que mais me acalma, e uma das coisas que mais gosto.
Debaixo do chuveiro deixo a água cair por meu corpo. Me arrepio com o frio ao tocar minha pele. Tudo o que eu queria agora é poder voltar no tempo e apagar aquele quase beijo.
Tinha e ainda tenho medo de me apaixonar de novo... Ainda tenho muito receio do que pode acontecer... Saio do banho e vou para o quarto trocar de roupa.
Eustass dormia tranquilamente. Agachando-me ao lado da cama, cruzo os braços e apoio a cabeça neles, e assim passo a fitar o rosto sereno do ruivo. Mesmo dormindo ele era lindo... AHHHH por que eu estou pensando isso?
Admita! Você adora admirar esse lindo rosto alvo.
Não, não gosto.
Confesse...
Preciso aprender a calar meu outro eu.
Ainda apoiada na cama, solto um de meus braços e levo minha mão a uma mecha de seus cabelos. Deixo sua mecha parada e miro agora em sua face.
Com as costas dos dedos vou acariciando levemente seu rosto, logo vejo um terno sorriso abrir em seus lábios. Me aproximo de seu rosto e continuo o fitando. Mesmo dormindo seu rosto é lindo.
Quando percebo a minha proximidade, salto para trás e arregalo os olhos. Perto demais. Perto demais! Penso.
Saio do quarto o mais silenciosamente possível. Ficar no quarto do hotel estava me agoniando, se continuasse assim iria enlouquecer. Tiro, então, o pijama e coloco uma roupa mais arrumada e vou em direção a porta.
Antes de sair, encaro a maçaneta por alguns segundos, volto a realidade e saio.
Sem precisar andar muito, acho uma pequena praça. Mesmo sendo muito cedo, havia várias pessoas andando por lá. Creio que não seja a única com problemas de insônia por aqui...
Vou caminhando devagar, apenas para arejar a cabeça mesmo. Vou em direção ao centro da cidade, as lojas começavam a abrir, a rua começava a se encher de carros a cada minuto que se passava e cada vez mais podia se ver uma quantidade maior de pessoas andando sem rumo ou apressadas.
Numa das praças centrais da cidade, eu me sento e encaro meus pés. Estava confusa... Sei que sou uma idiota por não saber reconhecer o que sinto, mas... O que quer que seja... Aconteceu muito rápido...
Algumas das árvores que lá tinha, possuía flores. Com o vento quente logo de manhã, elas foram sendo derrubadas uma a uma. Uma flor roxeada e esbranquiçada acaba caindo em meu colo.
Por algum motivo desconhecido, me lembro de Osíris, a fantasma... As suas palavras agora rebatiam em minha cabeça como uma bolinha de pingue-pongue...
Flashback on
A mulher egípcia havia nos agradecido e já nos virávamos para ir embora, o ruivo segue na frente. Eu fico para trás por meros segundos. Quando estou prestes a sair a mulher de cabelos morenos me chama, dizendo:
– Lyra... Por que não fala logo?
– O que? – respondo em forma de pergunta sem entender absolutamente nada.
Ela suspira e logo reformula a pergunta:
– Por que não se declara pra ele?
– Pra quem? – continuo sem entender nada
– Esta mais do estampado em sua face que você gosta dele, do ruivo...
– Sim eu gosto dele, ele é divertido e — fui interrompida antes de terminar
– Não gostar como amigo, minha cara. Seus olhos demonstram claramente que o ama.
Sem ela precisar dizer mais nada, coro... Fico vermelha como um tomate.
– É claro que não! – retruco
Ela fecha os olhos e parece pensar em algo extremamente sério. Fico em silêncio esperando algum argumento de sua parte, mas nada.
– Escuta... Eu não o amo, só... Gosto dele como amigo... Além do mais... Só o estou ajudando, não estamos em uma busca romântica igual aos filmes... – digo rindo torto
– Se é assim que pensa... – ela responde ainda de olhos fechados. Faz uma grande pausa e logo me aconselha – Apenas... Não desista dele caso mude de ideia e...
Engulo em seco antes de ela continuar.
– E não o abandone.
Faço que sim com a cabeça e saio do quarto, indo de encontro ao ruivo do lado de fora.
Flashback off
Antes estava convicta de minhas palavras, agora... Já não sei mais o sinto.
– Nunca desistir dele, é... – sussurro abrindo um sorriso terno e abobalhado em meu rosto.
Começa a ventar, meus cabelos soltos voam em meu rosto e eu fecho os olhos por reflexo. De olhos fechados a imagem de um gato ruivo se forma, e me lembro de quando nos conhecemos.
Era engraçado, fazíamos piadas a todo minuto. Mas eu falo como se isso fosse há anos, muitos, muito anos. Sendo que na verdade foi apenas no mês passado.
Suspiro. Eu só não queria me apaixonar novamente, queria viver sozinha e isolada. Será que isso é pedir demais?!
Sim, isso é pedir demais...
Não é não! Muitos querem namorar e casar, ou só ficar acompanhados de alguém no qual gostem, entretanto eu não.
Kami-sama não vai atender um pedido egoísta como esse...
A que ponto eu cheguei pra discutir comigo mesma?
– Ainda acho que não é pedir para ficar sozinha não é pedir demais... – murmuro baixo fazendo bico.
Me levanto e começo a andar sem rumo, algumas lojas já estavam abertas, então decido entrar. Vejo roupas, sapatos, livros, jóias... Nada me faz esquecer o assunto de fato, contudo me distrai o suficiente para não entrar em colapso em público.
Meu estômago agora roncava de fome, então entro em uma lanchonete aleatória. Assim que termino, pago a conte e saio sem rumo de novo.
No hotel... (Narrador pov’s)
O ruivo acordava perto das 8h:00 da manhã. Percebe que Lyra não estava dormindo, depois de olhar as horas pensa que ela estaria sentada no sofá ou estaria na cozinha preparando o café da manhã.
Segue para o banheiro, faz sua higiene matinal e vai para a sala. Nada da morena. Cozinha. Nada da morena. Corredor. Nada da morena. Ele olha em volta confuso e perdido. Onde ela estaria?
– Onde essa louca pode ter ido tão cedo assim? – resmungava
Ele corre para o quarto e troca de roupa em uma velocidade descomunal. Logo que sai do prédio, corre vários quarteirões pelas redondezas a fim de achar a garota. Estava preocupado que alguma coisa ruim pudesse ter acontecido a ela.
Cerca de uma hora depois o mesmo já se encontrava no quarto do hotel novamente. Não havia a achado, e pensava que se ela voltasse e não o visse poderia ficar preocupada.
Por fim decide ficar no hotel a espera dela, porém, estava muito preocupado, e o nervosismo o corroía por dentro.
Mais tarde... (Pov’s Lyra)
O tempo passou devagar, muito, muito devagar, contudo agora já passavam das 15h:50min da tarde. Por algum milagre divino, meu celular estava com sinal. Pensei em ligar para Eustass, apenas para avisar de que estou bem e não fugi do país abandonando ele.
Todavia desisto, o que não é novidade, afinal eu não faço várias tentativas até chegar a coisa certa. Minha vida se baseava em uma tentativa e dois erros a cada uma tentativa. Ou seja, tentativa-erro-erro...
Sim, eu sou um desastre ambulante...
As horas se passaram mais rápido, já estava de noite, e era bem tarde. Devia ser por volta de umas onze da noite. O pior de tudo é que a resposta de meu “problema” estava clara, mas eu não queria acreditar. Não mesmo.
Da mesma praça no centro da cidade em que eu estava mais cedo eu me pego olhando as estrelas novamente. Sim eu voltei a estaca zero da minha caminhada...
Enquanto as olhava, percebo que desde ontem a vontade de sentir o gosto da boca do ruivo era presente. Não havia notado isso...
Ponho a mão nos lábios e meus olhos são iluminados pela lua. Sem mais hesitar eu deixo a ficha cair.
– Eu estou apaixonada por ele... – comento para mim mesma em um toma mais baixo.
Finalmente! Posso soltar fogos agora? Temos de comemorar!!
Dou um leve sorriso bobo e decido que já é hora de voltar para o hotel. Até porque eram mais de meia noite...
Afinal de contas, eu não consegui cumprir a minha promessa... No fim, eu não consegui me isolar como pretendia... E no fundo... Eu sei que essa não vai ser como das outras vezes, mesmo que coisas ruins aconteçam, sei que Eustass não seria capaz de fazer o que os outros fizeram...
Mas não vou ficar criando esperanças também. Sei que algo pode dar errado, e eu poço acabar tropeçando no caminho... Decido que é melhor aguardar, pelo menos uns dias...
Chegando no quarto de hotel, abro a porta com uma tranquilidade imensa, agora que havia tirado um peso das minhas costas já me sentia melhor.
– Ei, onde estava? – vociferou o ruivo. Ele me encarava com olhos preocupados e nervosos.
– Desde quando sou sua cadelinha para ficar te seguindo o tempo todo?! – retruco
– Desde nunca, mas pelo menos avisasse que iria sair. Fiquei o dia inteiro preocupado com você. – afirmou. Sinto minhas bochechas esquentarem, estava corando devagar.
– Ah... Então estava preocupado comigo? – vejo-o corar levemente com a provocação. Ele é tão fofo assim.
– Você me entendeu... E não suma mais desse jeito sua louca desorientada!!
– Se sabe que sou desorientada porque pede ajuda para mim? – digo enquanto rio
Ele cruza os braços e faz biquinho. Dou risada e logo comento:
– Estou de volta...
Ele também sorri largo e fala logo em seguida:
– Seja bem-vinda, Lyra!
– Obrigada.
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