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2 Capítulo 2


Depois que se passaram os 60 minutos de intervalo, voltamos para a escola e tivemos todas as aulas até as 3 da tarde, sério, nenhuma aulinha vaga. Decepção.

Lise iria passar a tarde na minha casa aquele dia, pegamos o ônibus e chegamos as 3:30 PM.

—Oi tio, Oi tia –entrou cumprimentando meus pais que assistiam TV na sala

Os dois assentiram com a cabeça e voltaram seus olharem para mim, meu pai provavelmente já sabia que Lise havia falado sobre a viagem comigo.

Meus pais, Ellie e Robert, trabalhavam em casa, eles eram donos de uma pequena imobiliária. Era bom o sossego deles, mas ao mesmo tempo ruim não ter uma privacidade nunca.

Subi para o meu quarto com Lise e ela foi logo abrindo o notebook, me mostrou fotos da praia e da pousada, ela estava toda animada, confesso que eu também estava um pouco por passar as férias em uma praia bebendo e me divertindo com a minha melhor amiga. O problema mesmo era as outras pessoas.

—Eu posso ver se conseguimos ficar no mesmo quarto! –disse com entusiasmo

—Vai ser melhor para cuidar de você bêbada. –provoquei

Tanto eu quanto Lise éramos menor de idade, mas isso não nos impedia de tomar algumas cervejas e vodka em festas de aniversário ou escondidas no quarto dela.

—Juro que vou me controlar. –riu

Poderia fazer mais alguma brincadeira envolvendo Eloise Campbell e álcool, mas fui interrompida pela minha mãe batendo na porta, que estava aberta.

—Seu pai conversou comigo sobre a viagem, você quer ir? –disse séria

Olhei para Lise, que implorava com olhares, a minha resposta “sim”.

—Acho que quero, vai ser diferente, e legal. Tudo bem eu ir?

—Por mim sim, se você for prudente, nada de voltar grávida, parar em um hospital em coma alcoólico ou cheirar maconha.

—Ninguém cheira maconha, mãe. –ri

—E como você sabe disso Rebecca? –disse brava

Eu e Lise caímos na gargalhada com a situação, primeiro por minha mãe achar que maconha é cheirada, e segundo por ficar irritada com os meus conhecimentos cannabis.

—Relaxa dona Ellie, vou me cuidar. –disse rindo

—Eu cuido dela tia.

Ela nos olhou com aquele olhar que dizia: não confio em vocês.

Saiu do quarto e fechou a porta, o que me deixou feliz pois poupou os passos que eu daria até lá para fechar.

—Não quero dar uma de adolescente rebelde –disse- no máximo umas cervejas, nada de drogas e suruba.

—Meu Deus Becca! –Lise riu- sem suruba.

—E sem drogas! –exclamei

—É, isso.

Passamos a tarde conversando, dando risada, comendo besteira, e vendo fotos de garotos lindos na internet, mais especificamente os garotos que a Lise achava lindos, né. Sempre era assim quando estávamos juntas, sem brigas e estresse, só nós duas e o nosso mundo, e eu amava isso.

Lise sempre foi o sol, a alegre, agitada, entrosada e divertida, enquanto eu nasci reclusa, antissocial e quieta, ninguém nunca diria que somos melhores amigas, pois somos mundos diferentes, mas sei o quão essencial somos uma para a outra, e isso que importa.

(...)

Duas semanas se passaram, e olha só ÚLTIMO DIA DE AULA. Não sei bem se devia comemorar ou chorar, pois em dois dias eu estaria em Poole, uma praia a mais de duas horas da minha casa, com muitas pessoas que eu devo ter trocado duas palavras durante os três anos do colégio. Bom, ainda assim eu botava fé nessas férias.

O período finalmente tinha acabado, os professores se despediram e todos fomos dispensados.

—A galera de Poole vai na sorveteria conversar sobre a viagem e tudo mais, vamos? –Lise chamou como sempre sorridente

—Eu preciso ir? Você pode ser minha porta-voz. –brinquei

O fato de eu ter conseguido ficar duas semanas sem falar com as pessoas que iriam passar um mês em uma praia comigo pode deixar muita gente espantada, mas não eu.

—Claro que você precisa, trouxa. –me deu um leve soco no ombro

Já sabia que eu não teria opção a não ser ir. Então ela me puxou pelo braço e me levou em direção a um pequeno grupo de pessoas paradas no estacionamento da escola.

—Pessoal acho que todo mundo conhece a Becca né. –Lise disse

—Claro –Linda riu- animada Becca?

—Sempre –falei envergonhada

Naquela rodinha pude ver melhor quem iria nessa viagem, e notei algumas pessoas de outras salas, coisa que Lise não havia citado. Mas ali não devia ter mais que 10 jovens desesperados para passar o mês longe dos pais.

Caminhamos até a sorveteria, não muito longe da escola. Peguei meu celular para avisar o meu pai que chegaria mais tarde.

*Pai, estou na sorveteria com a Lise e o pessoal da viagem, não chego muito tarde. Beijos.*

Não demorou muito para que ele respondesse.

*Tudo bem Becs, cuidado com os namorados. Papai*

Ele tinha que fazer gracinha, né.

...

Sentamos na mesa com mais acentos que tinha ali, alguns que ficaram em pé pegaram cadeiras de outras mesas e se sentaram. Então Harry começou a falar, pelo o que me pareceu ele que estava organizando tudo.

—Bom pessoal, todo mundo aqui já pagou a estadia, sobre isso não tem nada pendente. Só queria dizer para vocês levarem dinheiro para lá, caso queiram comprar alguma coisa, não sei, vai de vocês mesmos.

Apesar de meu pai ter rachado minha estadia com o pai da Lise, os dois acabaram gastando muito com essa ideia de viagem, além de que a tal pousada não parece ser simplesinha, não acho que sobraria dinheiro para levar, não somos ricas.

—Todas as refeições são feitas no restaurante da pousada –Harry continuou- então não precisamos de comida, mas quem quiser levar um goró –deu um sorriso malicioso- será bem-vindo.

Todos riram. Inclusive eu.

—Cada um é responsável pelo o que levar, nem venham me procurar depois falando que sumiu alguma coisa. E sobre o transporte, temos que decidir, quem vai de trem, quem vai de carro, querem alugar alguma van? Sugestões por favor.

Sabia que meu pai iria querer me levar até lá.

—Eu e Lise vamos de carro. –eu milagrosamente disse

—Eu vou dirigindo. –Clarke disse.

Clarke era um dos poucos alunos que já era maior de idade, ele é repetente. E por acaso se acha o dono do mundo.

—Posso dar carona para quem tiver bundão e peitões –riu malicioso

Claramente eu não ia ganhar uma carona do Clarke Bannet.

Alguns disseram que iriam de trem, outros de carro, e claro as gostosas iriam no carro do Clarke, então ficou assim: sem van e cada um por si.

—Vai tirar a roupa Rebecca Wills? –Brunna perguntou entre risos

Percebi o deboche na cara de cada um, acho que eu não parecia o tipo de pessoa que iria para uma viagem com um bando de adolescentes drogados, bêbados e ninfomaníacos, mas eu não queria ser símbolo de piada.

—Se você tirar para mim, claro.

Ouvi alguns “uau”, “nossa”, bem baixinho, e notei o olhar fuzilador da Lise sobre mim, mas mantive minha pose de festeira em pé.

Depois de mais alguns assuntos banais e alguns sorvetes derretidos, fomos embora. Chamei Lise para ir para minha casa, mas ela recusou, parecia chateada comigo e eu imaginava o motivo, mas não o entedia.