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1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acordo as 7:45 AM com os gritos da minha mãe, espero conseguir chegar na escola em 15 minutos para não ter que ouvir mais dela o quão irresponsável eu sou.
—JÁ ESTOU PRONTA MÃE –grito descendo as escadas enquanto coloco meu casaco e equilibro minha bolsa em meu ombro
Quando consigo me ajeitar percebo meu pai sentado no sofá da sala, me olhando com um sorriso de canto.
—Atrasada de novo, Becs –disse se levantando e me dando um beijo molhado na testa
—O senhor sabe que não gosto quando me chama assim, pai.
—Eu te chamava de Becs quando você tinha 10 anos e você amava. –retrucou
—Mas agora não tenho 10 anos, é Becca! –exclamei brincando
—Certo, Rebecca –provocou
Eu poderia ficar ali o dia todo discutindo com meu pai a forma certa que ele deveria me chamar, mas devia ir.
—Vamos Rebecca, eu vou te levar de carro, se não fosse por mim você não chegava nessa escola no horário nunca! –minha mãe disse enquanto bufava saindo da cozinha
Dei um sorriso de despedida para o meu pai e sai pela porta, indo em direção ao carro.
Cheguei as 8:10 AM, em cima do limite. Dei bom dia ao guarda da portaria e subi nas escadas correndo. Por sorte o professor da primeira aula ainda não havia entrado.
—Bom dia minha flor –me encantava com a habilidade da Lise de ser simpática e sorridente as 8 da manhã
—Bom dia Lise –lhe dei um abraço
—Já te disse que você é muito rude de manhã?
—Você diz isso todos os dias. –suspirei
Lise é minha melhor amiga desde que eu me lembro de existir. Éramos vizinhas, antes de seus pais mudarem para outra casa, alguns quarteirões mais distantes. Até hoje não entendi bem o motivo da mudança, talvez o preço do aluguel fosse menor na casa nova, os pais de Lise são complicados e bom, ela não gosta de dar detalhes.
Me sentei ao lado dela e observei o professor entrar, filosofia, ótimo.
O bom de estar no meio do ano letivo é: férias de verão. Mas existe a parte ruim, o cansaço e matéria acumulada que já foi carregada durante 6 meses. Porém sempre tento pensar pelo lado positivo e AS FÉRIAS ESTÃO CHEGANDO. Lise tinha comentado uns meses antes sobre uma tal “viagem da turma”, ainda não sei que turma, mas também não sou tão sociável para saber.
(...)
As 10:40, finalmente, intervalo.
—Becca vamos comigo na hamburgueria? –Lise pediu encarecidamente
—Ah, eu estou com preguiça –respondi
—Eu te pago um hambúrguer –sorriu
Não resisti.
—Tá bom, vamos.
Saimos e apenas atravessamos a rua, eu sabia que se fosse para um lugar mais longe com ela não voltaríamos a tempo da aula.
Quando a vi pedindo dois X-bacon soube que meus passos tinham valido a pena. Sentamos em uma mesa para dois e ela me olhou com aquele olhar, o olhar que eu sabia que antecedia uma coisa bombástica.
—Vai, fala. Eu te conheço –disse e mordi meu lanche
—Você é uma bruxa! –riu
—Eloise! –exclamei- pra você me tirar da escola no intervalo e me pagar um lanche, só pode querer pedir alguma coisa. –disse de boca cheia
—Ainda bem que você sabe –riu- então amiga, lembra daquela viagem que eu comentei?
—Sei sei –disse com desdém
—O pessoal conseguiu alugar uma pousada em Poole...
—POOLE? –quase engasguei com o lanche- Lise Poole é a 2 horas daqui.
—Eu sei ué, qual é o problema? –perguntou
—Meu pai não vai deixar.
—Eu sabia que você iria arrumar essa desculpa mocinha. Já falei com ele, e pedi para manter segredo de você e da sua mãe, sei que ela contaria.
Ótimo, meu pai e minha melhor amiga estavam em um complô contra mim e minha falta de vontade de viajar. Esse era exatamente um dos problemas de ser uma pessoa antissocial e morar em Londres, um lugar turístico, com lugares para ir e coisas para fazer, eu nunca estava afim de nada.
—Combinamos de juntar minhas despesas com as suas, e ele e meu pai vão rachar para pagar, assim não pesa no bolso de ninguém –continuou
—Você é louca Eloise.
—Vamos amiga, por mim, vai ser legal.
—Quem vai nisso?
—Só um pessoal da sala, Clarke, Lucca, Linda, Johnny, Harry, Brunna...
—Você está me pedindo para descer no inferno –brinquei-
Ela sorriu e o silencio reinou, olhei no celular e infelizmente ainda tínhamos muito tempo para aquela conversa antes do intervalo acabar.
—Tá bom Lise, eu vou. –cedi
Ela deu um pulo da cadeira que fez todos que ali estavam trocar olhares, provavelmente pensando o motivo de tanto entusiasmo. Me deu um abraço e me encheu de beijos. Talvez eu estivesse assinando minha sentença de morte, mas ela estava feliz, então eu também estava.
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