Finalmente aceitei. Aceitei que era você. Aceitei que era aquilo que queria pra mim. Que o resto de meus dias, queria passar com você. Surpreendentemente, não houveram decepções. Você disse que sentia o mesmo. Disse que me amava. Mas...

"Mas. Sempre tem um mas..."

Eu não esperava por essa. Me vi numa ansiedade monstruosa, esperando sua justificativa. Talvez um "só quero amizade". Ou até mesmo um "meu amor é passageiro". Naqueles milésimos de segundos cogitei todas as possibilidades possíveis. E você disse. A palavra que eu mais conhecia. Temia. Respeitava. E o motivo pelo qual eu não tinha me declarado antes. O medo. Maldito medo. Medo de se decepcionar. Medo de que eu a decepcionasse. Medo de que eu fosse apenas mais um. Eu não podia julga-la. Passara por algo parecido meses antes. Ainda sentia a dor da decepção e o furor da ruptura de um relacionamento na qual depositou tudo no qual acreditava e pensava ser o certo. E estava errado. Afinal, acabou. E lá estava ela amando de novo. Tinha jurado que não faria isso nem tão cedo. Assim como eu. E, assim como eu, acabou quebrando a cara.

"Nos encontramos em momentos das nossas vidas onde estabelecemos bases, fincadas ao solo, sustentando uma pequena Casa de Campo. Mas não foi esse nosso erro. O maior problema foi tentar fazer com que esta Casa crescesse. Se tornasse uma construção gigantesca e cheia de beleza. Digna de padrões gregos, cobiçada por tudo e todos. Mas, pergunta-se, e a base? continuou a mesma. A mesma base de uma simples casa de campo. Uma hora ela não aguentou o peso. A beleza, a vastidão e o poderio da Casa Grega. E desmoronou"

Mas o erro não se repetirá, pensei comigo. Criarei, antes de tudo, uma base forte. Talvez ela tenha razão. Aquela talvez não seja a hora. Aguardar. Ter paciência. Fazer a melhor base já pensada por qualquer arquiteto no mundo. Respirei fundo e comecei a construção.