Me surpreendi. Talvez não dá maneira que eu pensava. Mas, de forma negativa, você me decepcionou. Me deixou amargurado. E pior: me deixou com raiva de você. Não gosto de admitir. Não consigo admitir. Mas, querendo eu ou não, me fez ter vontade de sair de perto de você. E doeu muito. Uma dor suportável?! Sim. Até você abrir a ferida. Botar o dedo lá dentro. Me socar, chutar e desdenhar. Me deixar estirado e machucado. Me abandonar na escuridão sem fim que é o ciúmes. Esfregou na minha cara meu ponto fraco. Me fez refém de minha própria fraqueza. Pela primeira vez, pensei em desistir. Isso foi a gota d'água.
"E eu dancei com as trevas. Era um ritmo sombrio, com batidas fortes e pouco ritmadas. Via os dançarinos ao meu redor. Eles zombavam, debochavam e zoneavam com meus pensamentos e sentimentos. Tais demônios me empurravam e faziam com que cada ação fosse motivo de vingança e ódio. Me feriam com garras. Fiz com que cada pedaço de meu ser aceitasse e acreditasse nos seres medonhos. Mas, antes que me tornasse um demônio igual eles, eu dancei com você.
Era uma dança totalmente diferente dá anterior. Calma, ritmo suave e com trechos que me faziam lágrimas só de ouvir. Você girava ao meu redor e dançava levemente. Uma dança de perdão. Uma dança de desculpas. Uma dança na qual eu aprendi a jogar o orgulho para os ares e me fazer cada vez mais um dançarino. Talvez a coreografia não fosse perfeita. Talvez a própria melodia não fosse. Mas você era. E, já esquecendo dos demônios, me vi à dançar..."
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