Cupid's Kiss
7 Parte sete - Verdades não ditas
Notas iniciais
Uma discussão acalorada iniciou-se entre Zoro e Nami, que Chopper – mesmo com toda sua seriedade muito fofa – não conseguiu evitar. Franky, inclusive, precisou retirá-lo do meio dos dois adolescentes que trocavam insultos para que o menor não acabasse sendo envolvido também.
— Me solte, Franky! Preciso dar um jeito nesses dois briguentos! – exigiu agitando as pernas para descer, mas sua ordem foi prontamente ignorada pelo maior, que acabou segurando-o nos braços como se fazia a um bebê. Era tão leve que tornava essa ação muito fácil.
— Melhor deixar eles mesmos se resolverem... De qualquer forma eles nem pareciam estar te vendo ali. – um riso escapou ao ver Chopper cruzar os braços e fazer um biquinho chateado. Podiam até ter a mesma idade, mas a diferença de tamanho e traços (Chopper nem aparentava estar na adolescência) eram evidentes até demais. – Te compro um sorvete na ida para casa.
O rosto do moreno se iluminou, esquecendo rapidamente do porque estava se sentindo contrariado. Eles ainda foram se despedir dos outros dois garotos e nem cogitaram a ideia de tentar se aproximar da dupla que ainda brigava. Antes de sair ainda viram Nami pular sobre o esverdeado como uma gata arisca, parecendo estar bem empenhada em tentar arrancar os fios verdes que tanto lhe irritavam. Ao que tudo indicava Zoro havia soltado alguma ofensa que ultrapassara o limite da paciência da ruiva e agora estava pagando o preço por isso. Franky riu mais um pouco e com um Chopper animado nos braços, seguiu para fora do fliperama.
— Err... Não deveríamos separá-los? – indagou Sanji depois de alguns segundos observando a garota que tentava furiosamente arrancar tufos do Roronoa. A algazarra começava a atrair a atenção de alguns outros poucos clientes no local, que lançavam olhares tortos na direção deles.
Usopp fez um gesto de pouco-caso com a mão. No ombro repousava a mochila com sua figure muito bem guardada.
— Já já eles cansam, se preocupe não. – deu tapinhas no ombro do loiro como que para acalma-lo. – Mas, cara, teu namorado é ciumento, viu! Achei que ela ia me comer vivo depois do olhar que ele me deu no almoço. Já estava até pensando em fazer meu testamento... – comentou em tom de riso, mas se prestasse bem atenção perceberia um leve teor de verdade.
Os olhos de Sanji se arregalam tanto que por um momento o outro achou que iriam cair do seu rosto. Em seguida um forte tom vermelho coloriu todo o rosto do anjo, que começou a tropeçar em suas próprias palavras como se a boca tentasse formar frases que ainda estavam inacabadas pela mente.
— Quê?! – murmurou depois de algum tempo, perdido demais para conseguir desviar do assunto. – De quem você está falando?!
Estranhando a pergunta, Usopp inclinou um pouco a cabeça antes de gesticular em direção a dupla irritadiça.
— De Zoro, é claro. Quem mais poderia ser? – indagou com obviedade.
— Não, não, não, não. – agitou as mãos e a cabeça para dar ainda mais ênfase em sua negativa. Contudo, suas bochechas coradas não convenceram o moreno daquela resposta. – Não somos namorados, somos só... Vizinhos, por assim dizer.
Usopp sorriu divertido, entendendo um pouco do porque que do outro ser tão ciumento. Sanji tinha um encanto que o tornava bem singular. Talvez uma aura agradável? Ele não sabia dizer com exatidão.
— Se você diz... – sua voz deixando claro que não havia acreditado numa só palavra proferida pelo loiro. – De qualquer modo, acho que sei como acabar com a briga deles.
O anjo olhou-o curioso.
— Como?
— Vamos sair primeiro, como se fossemos ir para casa sem eles. – o garoto continuou olhando-o sem entender. – Anda, vai dar certo.
Sanji não via como só sair na frente dos outros faria aqueles dois pararem de se engalfinhar no chão, mas acabou seguindo o moreno para fora sem questionar mais. Haviam dado poucos passos na calçada quando um Zoro descabelado irrompeu do fliperama e partiu no encalço deles, deixando para trás uma ruiva agitando os braços enfurecida gritando a plenos pulmões que da próxima vez conseguiria deixa-lo careca.
— Viu! Deu certo! – Usopp riu e se afastou com o falso pretexto de recuperar algo esquecido no fliperama, deixando o casal sozinho.
Zoro ainda lançou um último olhar para o garoto que se afastava antes de virar-se para Sanji.
— O que vocês tanto conversavam?
Sanji pigarreou torcendo para que seu rosto não esquentasse denunciando-o. Era o cúmulo ficar tão facilmente constrangido.
— Ah, nada demais. – respondeu momentos depois com falso descaso. – Agora vamos para casa. Quero tentar fazer uma torta hoje.
— Sabe, tem uma coisa que venho me perguntando há um tempo... – coçou a nuca, soltando um bocejo logo a seguir. – De onde você tira o dinheiro para sair comprando o que precisa?
Afinal, até onde ele vira Sanji não trabalhava. Pensou na possibilidade de vir dinheiro do céu, mas não conseguiu imaginar uma maleta sendo trazida por anjos. Isso era fantasiar demais.
— Ah, eu pego um pouco do dinheiro que tem naquele envelope laranja no armário. – explicou tranquilamente nem um pouco preocupado em saber a origem daquele dinheiro.
Zoro rolou os olhos. Era o dinheiro que seus pais mandavam e ele costumava ignorar por conseguir arrecadar o suficiente para viver em seus empregos de meio período. Bem... Ele não se importava com isso de qualquer maneira. Não era como se fosse dinheiro ilegal ou proibido.
— Não sei nem porque perguntei. – murmurou rindo depois de um tempo, atraindo um olhar confuso do outro.
*
Na manhã de sexta-feira Sanji acordou inquieto, como se algo de errado fosse acontecer. Porém, julgando ser paranoia sua ele preferiu apenas ignorar. Havia coisas mais interessantes para se preocupar naquele dia de qualquer modo. Como, por exemplo, qual seria a reação de Zoro quando ele o contasse que tinha conseguido ingressos para a pré-estreia de Samurais do Futuro 3. Nem ele mesmo acreditara que Usopp tinha tais ingressos por tê-los ganhado num bingo. O narigudo parecia ter uma sorte ímpar para ganhar em jogos do estilo.
Afastou os cobertores e levantou-se animado. Estava utilizando o quarto livre que havia no apartamento – aquele que o antigo colega de Zoro deixara mobiliado ao partir as pressas – e depois de passar a semana ali já tinha se acostumado ao cômodo. O difícil mesmo foi limpar toda a poeira acumulada, o que o fez espirrar por todo o tempo da faxina, mas agora que estava limpo o lugar havia ficado bem acolhedor. Afastou as cortinas da janela permitindo que os raios de sol iluminassem livremente todo o espaço.
Espreguiçou-se observando o dia livre de nuvens e depois pegou os ingressos sobre o criado-mudo, indo em direção ao quarto ao lado. Antes de entrar, no entanto, ele espiou através da porta entreaberta, observando o corpo desacordado na cama roncar bem alto. Seus olhos também observaram os pôsteres de um samurai lutando com uns robôs na parede. Zoro ao que parecia gostava muito daquela trilogia, por isso quando Usopp mencionou os tais ingressos o anjo resolveu pensar seriamente na proposta.
Uniu os lábios prendendo um riso com certo esforço e aproximou-se da cama o mais silencioso que conseguiu. Em seguida pegou os ingressos cinzentos e com um pedaço de fita, colou-os na testa exposta do jovem adormecido. Observou seu trabalho, mas não gostando muito de como ficou, acabou tirando-as. É claro que Zoro nem se moveu. Seu sono era incrivelmente profundo.
Sanji encarou os pedaços de papel retangular na mão tentando pensar em alguma forma mais interessante de surpreender o maior com eles – talvez se colasse sobre suas pálpebras... Não, isso seria aí já estaria beirando a esquisitice. E como nenhuma ideia legal surgiu em sua mente, guardou os pedaços de papel e começou a sacudir Zoro para que acordasse. Lógico que ele não deu o menor sinal de que despertaria. Que tipo de sono profundo era aquele? Começou então a chama-lo, mas visto que também não estava dando certo o anjo deslizou para fora do quarto e foi para a cozinha. Encheu um recipiente com todos os cubos de gelo que havia na geladeira e com um sorrisinho travesso, jogou todo o conteúdo sobre Zoro.
Em seguida voltou para a cozinha como se nada tivesse acontecido, ouvindo perfeitamente a voz do outro bradar irritado inúmeros palavrões que ele preferiu não prestar muita atenção. Ainda tinha que pensar numa forma de chama-lo para o cinema, mas ele pensaria nisso mais tarde.
*
Os dedos tamborilaram ritmicamente na mesa de madeira, irritando os ouvidos de um garoto ao seu lado. Não que Sanji tivesse percebido que fazia barulho, só foi perceber seu ato inconsciente quando a professora chamou sua atenção uma terceira fez para que respondesse algo relacionado à aula. Deu uma rápida olhada na lousa e respondeu sem dificuldades o que lhe fora pedido, despertando alguns suspiros femininos pela sala.
O motivo de sua desatenção obviamente era porque ainda não tinha encontrado uma boa maneira de inserir os tais ingressos numa conversa com o Roronoa. Por algum motivo o momento nunca parecia apropriado, ou se não era por isso era por alguém irromper ao seu lado atrapalhando sua tentativa de conversar sobre.
Ou talvez, só talvez, fosse porque em seu íntimo ele estava com receio de ter seu convite rejeitado caso Zoro o interpretasse errado. E isso o fazia sentir um frio na barriga terrível só de imaginar a cena. Olhou distraidamente para o caderno aberto, rabiscando qualquer coisa ali.
Rabisco vai, rabisco vem e ele decidiu entregar no fim da aula não se importando que o momento parecesse apropriado ou não. O filme era no dia seguinte e o quanto antes mostrasse os benditos pedaços de papel, melhor seria. O resto do dia seguiu bem normal e ao fim das aulas Sanji saiu na frente – indo para os armários dos sapatos–, pois Zoro foi chamado pelo professor responsável pelo clube dele para resolver algo sobre um torneio que se aproximava.
Grande foi a surpresa do anjo ao reconhecer a figura encostada ao lado do seu armário. Ela vestia um casaco fofinho por cima do uniforme, o tempo estava esfriando com o passar dos dias, e fitava as próprias mãos como se houvesse algo muito interessante ali.
— Olá, Kuina. – ensaiou um sorriso para a garota, torcendo para que ele não parecesse muito falso. – Soube que estão reformando o ginásio e por isso não 'tá tendo treino.
A menina ergueu o olhar para Sanji, dedicando-lhe um sorriso gentil em resposta.
— Sim. Mas ao que tudo indica próxima semana já poderemos voltar, não é uma reforma muito grande. – ficou observando Sanji trocar os sapatos e quando este se colocou outra vez de pé, ela perguntou tímida. – Onde está Zoro?
Uma sensação desagradável ocupou o peito do rapaz, mas ele fez seu melhor para não deixar transparecer.
— Um professor o chamou para conversar. Acredito que ele não demore muito. – respondeu sentindo a boca secar. Depois, com certo esforço, acrescentou. – Decidiu falar com ele hoje?
As bochechas dela tornaram-se avermelhadas e embora a cena fosse fofa, a confirmação lhe causou mal-estar. E, é claro, ele quis se esmurrar por isso.
— Eu queria te ver também, Sanji, para agradecer por todos os seus conselhos e... Pedir para que me ajudasse a ter um momento a sós com ele. S-se não puder eu vou entender, afinal posso estar abusando da sua boa vontade e...
— Não, tudo bem. – o garoto assentiu antes que aquilo se prolongasse demais. – Deve ter percebido que geralmente vamos embora juntos, pois moramos na mesma direção. Ele deve estar vindo para cá me encontrar, então você pode espera-lo aqui. Se ele perguntar por mim lhe diga que precisei resolver uns assuntos meus, ele vai acreditar.
A menina sorriu ainda mais e abraçou o loiro, surpreendendo-o. Sanji retribuiu o abraço de maneira fraca. Algo oscilando dentro de si.
— Obrigada mesmo! Nem sei direito como vou falar, mas só de ter uma pequena chance já fico feliz.
— Porque não o convida para isso aqui? – sugeriu retirando os ingressos do bolso e entregando-os para Kuina, antes que se arrependesse do que falara num impulso. – Tava procurando alguém para dar eles, pois estarei ocupado amanhã e não poderei ir. – acrescentou quando a viu hesitante. Era uma bela de uma mentira, mas seu lado cupido dizia ser o certo a se fazer.
Após Kuina agradecer sorridente outra vez o loiro partiu. A cada passo que dava para longe da escola fazia com que algo ruísse em seu peito, mas sabia que não podia voltar atrás. Estava ali para cumprir uma obrigação e não para praticar atos egoístas baseados num sentimento que ele nem deveria possuir. Acima de tudo ele era um anjo e fez questão de frisar isso em seu subconsciente.
Mais tarde quando Zoro retornou – algo em torno de quarenta minutos após a chegada do loiro – encontrou o menor terminando de preparar um bolo. Era sua folga do trabalho e também não tinha como treinar kendô, portanto chegara consideravelmente cedo em casa.
— Você tem cozinhado bastante, não é?
Sanji deu de ombros. Ah, se ele soubesse que era tudo reflexo de um estresse acumulado. Ou seria melhor chamar de “dor de cotovelo”?
— Acho divertido.
Era impressão sua ou Sanji estava mal humorado? Teria algo a ver com os tais assuntos que Kuina mencionou que ele precisava resolver? Eram questionamentos demais para a lenta capacidade de raciocínio do Roronoa.
— Hoje Kuina veio falar comigo. – iniciou a conversa em seu típico tom despreocupado, enquanto buscava uma garrafa com água na geladeira – Ela parecia meio estranha, mas no fim era só pra me dizer que tinha ingresso extra para o Samurai do Futuro 3. Vamos amanhã. – deu uma olhada de soslaio para o garoto que estava de costas para si procurando alguma reação suspeita. Contudo nada viu. – Você não tem algo a ver com isso, tem?
Aí sim Sanji virou o corpo para encara-lo, abandonando momentaneamente o bolo que estava cobrindo com chocolate. A sobrancelha arqueada e uma expressão de "o que você andou fumando" no rosto.
— E porque eu teria?
Agora foi a vez de Zoro dar de ombros, despreocupado.
— Nunca se sabe o que um cupido como você pode estar aprontando, não é? – talvez ele estivesse sendo desconfiado demais, mas Kuina parecera realmente suspeita. Em qualquer outro dia ele nem se preocuparia, entretanto a presença do anjo em sua vida mudara muita coisa. Vai que os dois estavam trabalhando juntos para fazer um encontro de Zoro com alguma pessoa estranha... Realmente ele não sabia o que esperar.
Sanji bufou e passou a ignora-lo voltando sua atenção pro alimento doce. Podia não aparentar, mas ele suou frio diante a acusação tão certeira. Contudo, uma onda de alívio também o abarcou ao saber que Kuina ainda não havia se declarado. Ao que tudo indicava ela deixaria isso para o dia seguinte, no encontro. É claro que depois ele se recriminou por sentir-se aliviado.
Passaram a tarde vendo filmes velhos, alguns de ação e outros de terror. Ambos aproveitando aquele momento só deles. Ao anoitecer comeram um jantar leve preparado obviamente pelo loiro, embora Zoro tenha se arriscado a ajuda-lo em algumas partes, e quando ficou mais tarde se recolheram para dormir, cada um em seu quarto.
Lá por volta das onze, tudo já estava bem quieto, Sanji se esgueirou para o quarto ao lado, indo discretamente para debaixo dos lençóis do outro. Aquela podia ser sua última chance de aproveitar um momento ao lado daquele cabeça dura e imaginando que ele já estivesse dormindo, ficou fitando o rosto tranquilo do garoto de cabelos verdes.
— Algum problema, Sanji? – perguntou ao abrir os olhos de súbito, assustando imensamente o anjo que quase caiu da cama. Sorte que Zoro o segurou bem a tempo e o puxou para mais perto. – Ah, foi mal. Não pretendia te assustar. – deu um meio sorriso diante o rosto irritado do menor.
— Que raios, seu cabeça de alga! Não finja estar dormindo!
Zoro riu.
— Acho que você esta andando demais com Nami, 'tá até falando como ela! – riu baixo. – E de qualquer modo é você que invadiu minha cama. Eu é que deveria estar assustado com um anjo de intenções suspeitas me visitando na calada da noite!
O anjo ruborizou de leve.
— Argh. Quieto! – reclamou sem saber o que dizer.
E então ficaram se encarando em silêncio deixando os olhares transmitirem sentimentos sem nem perceber. Zoro já estava se sentindo um pouco sonolento quando ouviu a voz do outro em um tom bem baixo, próximo do sussurro. Foi tão baixo que ele nem entendeu da primeira vez.
— O que disse?
O anjo ruborizou ainda mais, mas assumindo que depois que Kuina se declarasse não teria outras chances como aquela, uma súbita coragem o envolveu.
— Posso te beijar? – repetiu constrangido, desviando o olhar para qualquer outro lugar que não fosse seus olhos.
Zoro surpreendeu-se num primeiro momento, mas rapidamente se recompôs e sorriu.
— Não precisa pedir permissão, Sanji. Qualquer investida sua aceitarei de bom grado. – respondeu e esperou pacientemente o que o outro faria em seguida. Ele podia ter começado como sempre fizera tantas outras vezes, mas esperar o outro ter a iniciativa de começar por espontaneidade o deixou animado.
Sanji voltou a mirar seu olhar e, embora estivesse encabulado, levou os dedos para o rosto alheio, tocando-o timidamente. Deixou os dedos correrem da maçã do rosto para o queixo em carícias suaves, para então fazer o caminho contrário. Precisou de um tempinho ainda para reunir coragem o suficiente para tomar uma atitude mais ousada, mas quando conseguiu avançou sobre os lábios do maior depositando um casto selinho. Depois se afastou corado até as orelhas, desviando o olhar novamente.
Sim, um simples roçar dos lábios.
Zoro precisou de muito autocontrole para não rir daquele beijo tão inocente. Se ele risse naquele momento provavelmente seria mal interpretado e despertaria a ira do outro. Adorava provoca-lo, mas aquele não era um momento oportuno para isso. Portanto ele apenas levou a mão agilmente para a nuca do rapaz e o beijou como se deveria.
Mal o loiro abriu a boca e Zoro mergulhou a língua na cavidade que tanto gostava de saborear, investigando detalhadamente a tudo que tinha alcance. Sanji gemeu abafado em meio ao beijo tão bom. Adorava o modo autoritário com que o outro impunha as carícias e quando o maior pesou o corpo contra o seu, ele fez com que seus dedos dedilhassem o abdômen definido, só então percebendo que este não usava camisa. E quando Zoro partiu o beijo para dedica-lhe uma mordida em especial no pescoço alvo, adorou afundar suas unhas nas costas firmes. Um arrepio cruzando sua pele.
Um gemido mais alto escapou do anjo quando o outro abocanhou seu mamilo despreparado – quando fora tirada a sua camisa ninguém saberia responder –, logo iniciando uma sucção que o fez arquear as costas em busca de mais contato. O seu corpo havia aumentado vários graus de temperatura e seu baixo-ventre latejava desejando atenção. Atenção essa que Zoro fez questão de dar ao abaixar ambas as calças (quer dizer, o Roronoa usava apenas uma cueca preta) e unir os membros pra lá de acordados.
Sanji mordeu o lábio inferior ao mesmo tempo em que Zoro levantou o olhar para seu rosto; e que visão maravilhosa ele teve. Com as bochechas coradas e a respiração ofegante, o loiro era quase um pecado de tão lindo que estava. A ironia dessa comparação fez o maior sorrir, chamando a atenção do outro que o mirou curioso.
— O que foi?
— Me dê sua mão, vou te mostrar como fazer. – ostentando ainda o sorriso malicioso com um quê de professoral, segurou a mão que lhe foi oferecida levando-a iniciar uma masturbação lenta.
O anjo observava tudo com uma incrível curiosidade, enquanto sentia as ondas de prazer causadas pelos toques percorrer seu corpo de modo incendiário. E ter aqueles olhos negros brilhantes de lascívia fitando-o sem parar, enquanto conduzia as mãos para cima e para baixo, contribuiu e muito para Sanji alcançar seu limite. Talvez também fosse culpa de ser sua primeira vez sentindo tudo aquilo, mas isso ele não falaria nunca. Ainda tinha um orgulho a zelar apesar de tudo.
Derramaram-se sobre a barriga do loiro, finalizando tudo com um beijo lento e carregado de sentimentos não verbalizados. Acabaram dormindo não muito tempo depois. Guardando sua reflexão sobre o que tinha feito para o dia seguinte, Sanji fechou os olhos e aproveitou o calor humano que era cedido pelo Roronoa.
E nunca lhe pareceu tão certo estar ao seu lado.
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