Cupid's Kiss

6 Parte seis - Outra vez isso?


Notas iniciais
Aweee~~~~

— Nah, tem problema não. Também estamos em intervalo e não é como se fosse proibido ir de um prédio para outro. É tudo uma escola só. – o moreno deu de ombros, ainda agarrado ao pescoço pálido. Usopp estava cursando o primeiro ano do ensino médio, que possuía todas as turmas no prédio ao lado. – Enfim, eu vim pra saber se você pensou na minha proposta. E aí, o que cê acha?

Os ouvidos do Roronoa se aguçaram ainda mais – se é que isso era humanamente possível – depois de ouvir aquela frase cheia de variáveis interpretações. Como assim proposta? Afinal, onde eles haviam se conhecido? Com uma carranca sem tamanho no rosto virou-se para a dupla que conversava tão amigavelmente. A sua discrição que se explodisse, ele não estava mais nem aí se estava sendo óbvio ou não.

Por outro lado Sanji olhava para Usopp sem saber o que fazer quanto ao olhar castanho cheio de expectativa. Sentia que se lhe dissesse não o outro apresentaria uma expressão de pura tristeza. Mordeu o lábio inferior pensando por alguns segundos como poderia explicar pro moreno como se sentia em relação ao pedido.

— Bom... É que eu não sei bem como fazer isso e...

Usopp fez um gesto de mão como se dissesse "Me poupe!" e riu brevemente.

— Nem vem com essa, ontem você me pareceu experiente o suficiente e mil vezes melhor do que eu. Se continuar falando isso vou acabar me sentindo ofendido. – falou fazendo uma expressão de ultraje bem cômica. – Mas sério, seria bem legal se você topasse... Sem falar que sozinho não vou ter a menor chance.

Sanji suspirou. Provavelmente era por ser um anjo que não conseguia ignorar pedidos tão insistentes daquela forma. Sempre tendia a ajudar quem necessitasse.

— Certo, você venceu. Eu aceito, mas depois você não pode dizer que não te avisei. E eu vou querer o que você prometeu!

Usopp desfez o abraço, para a alegria particular de Zoro, e levantou os braços, sorrindo animado.

— Okay! Então a gente se vê depois da aula, tudo bem? – o moreno aumentou ainda mais o sorriso ao ver o outro anuir. Sorriso esse que rapidamente se desfez ao se deparar com a expressão pra lá de assustadora do garoto ao lado de Sanji. Os olhos estreitos que lhe encaravam pareciam mandar uma mensagem de morte iminente. – Err... Acho que já vou indo. Até mais tarde, Sanji! – acenou já se afastando da mesa, para depois apressar o passo para longe dali.

Percebendo os olhos arregalados de Usopp ao se distanciar praticamente correndo, o anjo virou o rosto a fim de ver o que o assustara. Mas não viu nada além de um indiferente Zoro que ainda olhava para a briga com uma expressão de quem observava um tedioso pôr-do-sol. Aquela típica cara de paisagem, sabe.

— Hm, ele já foi? – perguntou depois de algum tempo sentindo o olhar do outro sobre si e fingindo surpresa por não ver mais Usopp.

— Já. – respondeu, dando uma mordiscada no sanduiche de sua bandeja.

Os orbes negros fixaram-se na figura loira ao seu lado com curiosidade, arqueando de leve uma sobrancelha. A pergunta implícita no ar.

— O que foi? – indagou quando começou a ficar incomodado com o olhar fixo.

— De onde você o conhece? – fez o seu melhor tom desinteressado, embora a curiosidade misturada a ciúmes pudesse ser reconhecida em sua face por um olhar atento. E não, Sanji não era tão atento assim. Ao menos não com coisas relacionadas a si.

Sanji piscou surpreso.

— Ah, eu o conheci ontem quando saí para comprar os ingredientes para o jantar... – iniciou, enquanto botava a mão no queixo ficando com ar pensativo.

(...)

Ao voltar para casa na tarde do dia anterior acabou percebendo que não havia sido uma das melhores ideias. Afinal, ao ficar sozinho ele passara a se concentrar somente em sua dor e isso só a fazia tornar-se mais insuportável do que já era. Cansado de chorar e sentir pena de si mesmo resolveu encontrar algo para se distrair. Um hábito que adquirira recentemente – e que estava gostando muito por sinal – era cozinhar, então ele saiu para comprar mais mantimentos para cozinhar algo novo.

Sanji carregava uma sacola plástica cheia de frutas e legumes frescos, enquanto procurava um local onde poderia encontrar carne ou peixe por um preço mais acessível.

Estava avaliando a possibilidade de ir no mercadinho da outra rua quando um grito chamou sua atenção. Um sonoro "não" angustiado prolongou-se no ar. A voz parecia ter vindo de dentro de um arcade e o loiro virou-se na direção de lá. Logo um garoto de cabelos negros e nariz alongado saiu do estabelecimento cabisbaixo.

Quase era possível ver a aura de tristeza ao seu redor. Com o corpo curvado para a frente, os olhos vidrados nos próprios pés e os braços pendendo sem força ao lado do corpo parecia a personificação do sentimento de fracasso.

Por um momento Sanji sentiu pena do tal garoto, mesmo sem fazer a menor ideia do que o deixara naquele estado. Mas foi apenas por um momento, pois assim que o moreno levantou um pouco a cabeça e Sanji entrou em seu campo de visão, ele abriu um sorriso de orelha a orelha que o anjo não compreendeu. Em passadas largas Usopp atravessou a rua e tão logo se aproximou do outro, agarrou-lhe os ombros para em seguida agitá-lo para frente e para trás feito um boneco de pano.

— Hey! Você é da minha escola, não é? – seus olhos brilhavam desde o momento em que reconhecera o uniforme que o loiro trajava.

O anjo estava confuso e surpreso pela abordagem repentina, por isso não conseguia entender – e nem imaginar – o motivo que levaria o outro a ficar tão feliz com sua presença. Ou talvez simplesmente não estivesse conseguindo pensar direito por ter seu cérebro chacoalhando devido a Usopp ainda o estar balançando como um louco. Somente algum tempo depois ele percebeu o que estava fazendo e o soltou.

— E-eu creio que sim... – respondeu depois de o mundo ter parado de sacudir diante os seus olhos.

Usopp agarrou novamente seus ombros, dessa vez sem sacudi-lo, e aproximou o rosto fitando-o intensamente.

— Participa de algum grupo lá da escola? Está à procura de um? Entende algo de jogos? Já jogou em quais tipos de consoles? Tem algum jogo preferido? Ou algum que te marcou? – começou a encher o loiro de perguntas, uma atrás da outra compulsivamente.

— Calma! Me deixe respirar! – cortou-o quando sentiu que ele não pararia tão cedo com todo aquele turbilhão de perguntas. O princípio de uma dor de cabeça já começava a abarca-lo de tanto que o outro falara. – Primeiro, como é seu nome?

O moreno se afastou um pouco, permitindo que o anjo recuperasse seu espaço particular, e abriu a boca em um “o” parecendo surpreso com a pergunta.

— Ah, esqueci de me apresentar! – coçou rapidamente a nuca em um gesto de ligeiro embaraço. Em seguida estendeu a mão, cumprimentando-o. – Meu nome é Usopp e sou estudante do Colégio Nagayuki assim como você. E preciso de ajuda com uma coisinha.

— Uma coisinha...?

Depois de um breve diálogo, explicou-se que Usopp fazia parte de um clube de jogos eletrônicos da escola e que haveria uma competição de duplas onde iriam duelar em uma das máquinas do arcade do bairro. Contudo, após ir treinar vários dias seguidos, o moreno percebeu que era péssimo naquele tipo de jogo e sem falar que o desafio seria no dia seguinte e ainda não tinha arranjado uma dupla para si. Como o número de membros era ímpar, ele precisava arranjar alguém para ser sua dupla. Já estava tão desesperado que estava apelando para qualquer um que aparecesse em sua frente, que no caso foi Sanji. Depois disso o loiro foi praticamente arrastado para dentro do estabelecimento e incentivado a, pelo menos, demonstrar se tinha ou não aptidão para a arte dos jogos eletrônicos.

E para surpresa de ambos, Sanji se mostrou muito mais hábil do que o esperado e até superou o recorde marcado na máquina.

— Como você fez isso? – o de cabelos cacheados indagou boquiaberto.

Sanji apenas deu de ombros sem saber o que responder. Nem ele sabia explicar como conseguira uma pontuação tão alta visto que nunca sequer tentara jogar algo do estilo. Talvez possuísse dedos super ágeis ou algo assim. Ou quem sabe fosse por ser um exímio arqueiro – afinal a sua pontaria como cupido era uma das melhores dentre os seus companheiros – e por isso conseguia ser igualmente exímio nos jogos.

Realmente o anjo não fazia ideia.

No fim Usopp implorou de joelhos para que ele o ajudasse na competição – ao que parecia ele desejava muito o prêmio disputado – e quando percebeu que Sanji estava hesitando, acabou propondo um acordo. Pedindo que pelo menos pensasse um pouco em sua proposta, Usopp se despediu e foi animado para casa.

(...)

— Então quer dizer que você vai participar dessa competição? – indagou tentando não deixar visível a sensação de alívio que o preencheu. Por um instante, ao ouvir a conversa anterior, imaginara milhões de coisas indevidas que Usopp pudesse estar convencendo o garoto a participar. Mas eram só joguinhos. Teve vontade de rir do seu exagero.

— Pois é. – deu outra mordiscada no sanduíche natural. – No fim ele me ofereceu algo como recompensa e fiquei interessado.

— E o que ele ofereceu?

— Segredo. – respondeu com ar de cumplicidade. – Vai ser hoje a tarde no período em que estiver no seu treino, então não irei te esperar, ok?

Zoro ergueu uma sobrancelha. Naquele momento uma professora atravessou o refeitório, indo direto para os garotos que brigavam, e os levou para a sala do diretor puxando-os pela orelha. Era impossível não olhar para o chamativo vestidinho que a professora estava usando. Além das cores fortes, havia estampas pra lá de esquisitas como, por exemplo, lhamas azuis distribuídas ao longo da saia rodada.

— Hoje não tem treino. Irão fazer uma pequena reforma no ginásio e vamos ficar uns dias sem treinar. – alongou os braços e afastando a bandeja, acomodou a cabeça na mesa dando a entender que dormiria ali mesmo. Bocejou. – Vou com você.

Sanji assentiu e alternou um olhar entre a professora que saia e o jovem de cabelos verdes que começava a cochilar.

— Você 'tava olhando pra ela, não era? Ela é o seu tipo?

Zoro bufou, rolando os olhos. Com certeza preferia quando o anjo não parecia estar mais o interessado em encontrar um par romântico para si. Virando o rosto para o outro lado, decidiu ignora-lo pelo resto do intervalo.

— Não ouse me ignorar, Roronoa Zoro!

*

Depois do toque que indicava o término das aulas daquele dia, Sanji e Zoro seguiram para a entrada da escola onde Usopp já os esperava. De lá foram para o tal fliperama aonde o loiro encontrara-se pela primeira vez com Usopp e dentro do estabelecimento, perto das máquinas de jogos, avistaram um trio de adolescentes com os trajes da escola de Nagayuki.

— Chegamos! – saudou o moreno, acenando animadamente para os companheiros de clube.

O mais alto deles – e que possuía os cabelos azuis formando um alto topete – sorriu em resposta e fez um positivo com ambas as mãos para os recém-chegados. Ao seu lado estavam Nami com sua inconfundível cascata alaranjada e um garoto ligeiramente menor de curtos fios castanho-claro.

— Esses são Nami, Chopper e Franky. Todos membros do clube de jogos eletrônicos! – apresentou-os alegre. – E esses, galera, são Sanji e Zoro. Sanji vai ser minha dupla. Ué, cadê Vivi? – perguntou depois de olhar ao redor e não encontrar a última componente do clube.

Nami cruzou os braços, suspirando pesarosa.

— Ela ficou doente e não vai poder vir. Parece que ficou gripada... – lamentou aparentando frustração. Depois lançou um olhar irritadiço para o jovem de cabelos esverdeados, nem se dando ao trabalho de disfarçar seu desgosto diante os amigos. – E o que esse cabeça de alga está fazendo aqui?

Sanji deu uma discreta cotovelada no Roronoa ao perceber que este pretendia abrir a boca para revidar. Pelo visto a ruiva não se esquecera do episódio onde ele lhe roubara um beijo no refeitório e o anjo se sentiu um tanto culpado por ter sido ele quem provocou aquela ação no esverdeado.

— Ah, não ligue para ele. Só está aqui para me acompanhar. – esclareceu antes que o outro pudesse se pronunciar.

A ruiva alternou o olhar entre o Roronoa e o... Como era o nome dele mesmo? Ah, o Kuroashi! Já havia percebido a peculiar proximidade que tinha entre os dois e se seu sexto sentindo estivesse certo, naquela dupla havia muito mais do que os olhos podiam ver. Um discreto sorriso malicioso surgiu em seus lábios corados. Pobres garotas que ainda se iludiam com a possibilidade de tentar algo com o novato.

— E o que faremos agora? Sem Vivi, Nami fica sem dupla... – falou Chopper, chamando a atenção dos outros para si.

— Nami poderia simplesmente desistir. Ela nem gosta dessas coisas mesmo... – Franky sugeriu de braços cruzados e a ideia pareceu iluminar Usopp, que ao imaginar um concorrente a menos foi tomado pela esperança de ganhar.

Rapidamente a garota pôs as mãos na cintura, estreitando os olhos para os garotos.

— Nem vem! Aquela figure action vai ser minha e eu vou conseguir uma boa grana ao vendê-la na internet! – marchou pisando duro até Zoro e o segurou pelo braço, adorando ver o rostinho surpreso do loiro ali perto. – Se o problema é a falta da minha dupla, Zoro substituirá Vivi.

Zoro arregalou os olhos.

— E quem disse que eu quero jogar?!

— Você está me devendo uma por aquele beijo, lembra? – deu um sorrisinho convencido, arqueando uma sobrancelha alaranjada.

O garoto já ia retrucar quando recebeu outra cotovelada de Sanji junto a um olhar feio, como se o censurasse. Bufando ele revirou os olhos e ficou quieto. Infelizmente sua fraqueza era aquele teimoso anjo e seu olhar cerúleo.

— Certo. Tudo resolvido, vamos começar! – bradou eufórica. Já via até as notas verdinhas em sua mão que aquela vitória fácil iria lhe arrecadar.

A competição se resumiu em partidas em três jogos diferentes do fliperama e ao final ganhou quem tinha a maior quantidade de pontos. Não foi nenhuma surpresa Nami e Zoro ficarem em último lugar, visto a péssima desenvoltura que tiveram nos jogos além de passarem a maior parte do tempo discutindo pelas coisas mais idiotas possíveis. Usopp ainda precisou disputar o primeiro lugar com Franky, pois os pontos acabaram coincidindo. Depois de muito milk shake e concentração, Usopp pôde finalmente comemorar sua tão querida vitória.

— Tudo bem, você fez por merecer. – Franky sorriu-lhe entregando uma estranha figure action que Sanji não conseguiu identificar exatamente o que era.

Aparentemente eles haviam ganhado a tal figure ao cadastrarem o clube num sorteio do evento de geeks que tivera na cidade. O problema foi que ao ganharem acabaram não conseguindo decidir com quem deixa-la. Franky e Usopp gostavam da personagem, enquanto que a ruiva somente desejava a peça para poder vendê-la a um preço bem alto. Afinal, era uma bem rara.

— Oh, como é linda! – Usopp mirou o objeto com os olhos marejados e o segurou como se fosse de cristal. Havia uma devoção questionável em seu rosto. – Sailor Going Merry!

Nami rolou os olhos para a cena – como eles podiam gostar tanto de uma coisa tão estranha como aquela – e deu uma tapa na testa do garoto de cabelos verdes. Ato este que o irritou bastante por sinal.

— Sério! Como você conseguiu errar a direção de um jogo 2d?! – questionou irritada. Perder sempre deixava seu humor ruim.

— E eu lá vou saber! Aquele jogo devia estar com defeito! – retorquiu também com o cenho franzido.

Essa era um realmente uma boa pergunta que todos se fizeram quando Zoro conseguiu virar a nave para o lado oposto num jogo onde isso não deveria ser possível. Chopper apressou-se a se meter no meio dos dois para impedir maiores conflitos. O garoto pequeno encarando-os com a feição séria de quem não admitiria ser contrariado.

— Tome, Sanji. – o moreno se aproximou de Sanji entregando-o dois ingressos para um filme do sábado. O anjo o mirou sorridente. – Essa figure vale muito mais a pena que esses ingressos, mas é você quem sabe. De qualquer modo obrigado por ter me ajudado.

— Eu é que agradeço. – o loiro guardou os ingressos no bolso aproveitando que nenhum dos outros estava prestando atenção em si.

Ainda teria a sexta inteira antes do sábado enfim chegar, mas a ansiedade já lhe preenchia o peito. Só torcia para que tudo desse certo até lá.

Notas finais
Oi, amores! Tanananananan Ainda não revisei, mas to sendo expulsa aqui então fica para depois~~~~~