Cupidos de Aluguel
2 Capítulo 1 - Idiotas que chamo de amigos.
Notas iniciais
Acordou de seu breve cochilo com o som do despertador.
Não teve uma boa noite de sono, isto é, se fechar os olhos por três horas for considerado dormir. Passou parte da madrugada relembrando momentos que os dois tiveram juntos com um sorriso bobo os lábios. Estou fodidamente apaixonado, pensou.
Sentou-se na cama, apanhando o celular e vendo que se passaram cinco minutos desde que o toque do despertador soou por seu quarto. Levantou com o aparelho em mãos, entrando em suas redes sociais para dar uma olhada. Andando em rumo ao banheiro, parou em frente ao espelho observando que sua aparência estava horrível.
Cabelos desgrenhados e ensebados. Bolsas gigantes e escuras embaixo de seus olhos. Barba por fazer.
— Por isso que a loirinha não te nota, Natsu. Está parecendo um mendigo.
Entrou no cômodo, se colocando em frente ao vaso sanitário, fazendo as necessidades que todo mundo tem ao acordar. Ainda com o celular em mãos, o atendeu com prontidão ao receber uma ligação da razão de sua insônia.
— Bom dia, Luce. – por mais que tentasse evitar, não conseguia parar de sorrir ao receber uma mínima parcela da atenção dela.
— Oi, Natsu. Bom dia. — ouviu sua voz do outro lado da linha. – Te liguei pr- Que barulho é esse?
— Hm, eu tô mijando. Estava né, porque acabei de terminar. – soltou uma risadinha. – São apenas detalhes, você já viu e escutou coisa pior. Agora continue o que estava falando, linda.
— Seu... ogro. — limpou a garganta. – Como eu ia dizendo, não precisa me esperar para irmos ao trabalho juntos, hoje eu preciso fazer um exame no médico, então fui liberada.
Franziu o cenho em confusão.
— Está doente? – indagou.
— Não não, é só um exame de rotina. – houve uma pausa em sua fala. – Que aliás, estou atrasada para ir... Até mais tarde, Rosinha. Beijos. — as palavras são ditas rapidamente pela amiga.
— Lucy espera. – tarde demais, a loira já tinha desligado. – Ah! Só ia perguntar se ela iria querer tomar um sorvete mais tarde, como nos tempos da escola. Enfim.
Apoiou o celular na pia e continuou a se arrumar para ir trabalho. Escovou os dentes e tomou um banho rápido, que melhorou um pouco sua cara de sono. Colocou o uniforme e foi pentear o cabelo. Na verdade, tentar domar seria a expressão correta.
— Merda! Vai ficar assim mesmo, cabelo infeliz. – resmungou, jogando o pente longe.
Pegou o celular novamente, verificando as horas.
— Acho que dá tempo de comprar um café no meio do caminho. – murmurou consigo mesmo.
Saiu em busca da chave do seu carro, logo encontrando perto de uma caixa de pizza vazia na sua sala. Preciso dar um jeito nessa bagunça quando chegar, se reprendeu mentalmente por ser um bagunceiro.
No meio do caminho deu uma passada rápida em uma lanchonete que sempre ia com os amigos, era como se fosse o ponto de encontro deles. Sempre no mesmo lugar, na mesma mesa, com os mesmos pedidos.
Os conheceu na empresa em que trabalha desde que se formou no ensino médio, ele e Lucy são amigos de infância e ingressaram no local primeiramente como aprendizes, faziam pequenas tarefas administrativas e serviam bastante café, por conta do esforço e proatividade, logo foram efetivados. Não tem intenção de sair, tanto que a faculdade que cursa é justamente para poder subir mais seu nível hierárquico.
Antes era somente os dois, aos poucos seus amigos foram entrando na empresa e conforme foram se conhecendo, se identificaram uns com os outros e agora são esse grupo inseparável. Mas o garoto as vezes se pergunta se isso realmente valeu a pena, considerando todas as zoações para cima de si.
Estacionou seu carro no estacionamento do seu local te trabalho, saiu em rumo a portaria cumprimentando o porteiro. Pegou o elevador, sentindo um leve enjoo com o balançar e respirou fundo antes de sair para o seu setor. Eles vão me zoar demais, lamentou soltando alguma espécie de grunhido.
Entrou no local um pouco encolhido, cumprimentando as pessoas e olhando em volta no objetivo de não encontrar com seus amigos e ser motivo de risadas. Soltou um suspiro de alivio assim que se sentou na sua mesa, sem encontrar ninguém que comprometeria sua dignidade.
— Fugindo de nós, Natsu-sama? – sentiu sua espinha congelar até a alma, quando alguém sussurrou em seu ouvido. – Não se preocupe, vamos até você. – Gray tinha um tom de voz manhoso, em claro deboche.
Gajeel chegou de mansinho, apoiando seu braço esquerdo em seu ombro e aproximando sua boca de seu ouvido.
— Natsu-kun só está chateado por ser um bundão, Gray-sama. – seu café da manhã quase voltou ao ouvir a sua voz tentando imitar uma garotinha de colegial.
— Quem diria, o grande pegador da escola está deprimido como um cachorro que perdeu o osso. Natsu-sama, nós estamos aqui pra darmos o nosso amor. – os dois amigos se abraçaram e gritaram como as fãs dele faziam na espoca do colégio. Kyah!
— Traumatizado. Estou traumatizado. – o rosado levou as mãos na altura da orelha, simulando estar as arrancando.
Olhou em volta, vendo que eles eram o centro das atenções e todo mundo presente soltava umas risadinhas da dupla de comediantes.
— Porque vocês querem estragar meu dia logo de manhã? – se afundou na cadeira emburrado.
— Ah! Sei lá, cara. Eu acho um passa tempo muito bom. – o moreno cheio de pincergs na cara disse, ganhando uma confirmação do outro. – Enquanto tu não tomar uma atitude quando sua vida amorosa, vamos continuar. Gehe.
— Não se preocupe, Natsu! – pronunciou Erza, que havia acabado de chegar no local. – Os meninos já vieram rir de você pra mim, estou ciente de tudo, vamos te ajudar. – a garota tinha uma aura positiva radiante, quase fez com que o rosado acreditasse que ia dar tudo certo em pouco tempo.
Soltou um suspiro e se pôs em frente ao seu computador, já começando a fazer suas funções. Estava ignorando as provocações, porque sabia que se dessa atenção ia ser pior. Seguiu fazendo isso até o horário de almoço, onde infelizmente iria sentar com esses inimigos disfarçados de amigos. Pensava isto brincando, é claro, adorava seus amigos.
Após um tempo esperando na fila, conseguiu pegar seu almoço. Caminhou até uma das mesas, onde estava parte do seu bando. Chegando mais perto percebeu que estavam rindo de si. Retiro o que disse, são inimigos mortais, pensou os encarando mortalmente.
Se perguntava porque o mundo tinha que ser tão cruel e o forçar a conviver com essas pessoas. Não havia um ser humano normal no local de trabalho, isto é um fato e não existe maneira alguma de negar. Porém tinha que ter se dado bem justo com os mais anormais?
— Primeiro, nos conte como isso começou. – a sua frente estava uma mulher com compridos cabelos de cor vermelho escarlate. Riu, lembrando como foi tolo em achar que ela seria a mais normal do grupo. – Estamos no meio de uma consulta, Dragneel. Mais respeito com sua terapeuta.
Natsu deu uma boa olhada em volta, logo retornando sua atenção para a ruiva.
— Ahn... no horário de almoço? E terapeuta? Desde quando? – o garoto tinha as sobrancelhas unidas, formando uma ruga no meio da testa.
Recebeu uma cotovelada discreta no lado direito de sua cintura. Gray se aproximou um pouco e o repreendeu em um sussurro.
— Cara, não tira a Erza das fantasias que a mente dela cria. Se ela disse que é, então é. – o moreno deu uma rápida olhada para a ruiva, que estava distraída fazendo anotações em uma prancheta junto com Levy, uma baixinha metida a sabe tudo, que era legal as vezes. – Se você quiser continuar com os ossos inteiros, é claro. – concluiu.
O rosado até pegou sua garrada d'água para tomar um gole, por que ao lembrar do que Erza é capaz ficou até difícil engolir a saliva.
— Agora que você terminou de fofocar com o Gray, Natsu. – a ruiva lançou um olhar mortal para o moreno ao pronunciar o nome deste. – Podemos voltar para onde estávamos.
— Tem certeza que isso vai dar certo? – perguntou incerto. – Eu admito que o que eu preciso é coragem pra dizer com todas as letras o que eu sinto, mas se a Lucy não colaborar...
— Se a Lucy continuar com a lerdeza dela, todo o nosso trabalho não vai ajudar em nada. – Levy se pronunciou pela primeira vez na conversa. – Digo, você disse com todas as palavras que gosta dela e ela não entendeu, certo?
Gajeel foi o próximo a chegar, já se intrometendo na conversa, diminuindo as esperanças do amigo.
— Ou ela entendeu e se fingiu de boba para não ter que rejeitar esse mané aqui. – disse por fim, mordendo seu sanduiche logo em seguida.
O rosado levou as mãos à cabeça, puxando seus cabelos e encostou sua testa na mesa. Soltou um gemido em lamentação.
— Natsu.
O garoto levantou a cabeça, se pondo a olhar para quem lhe chamou. Levy tinha as mãos no queixo, pensativa.
— Lucy gosta de você, acredite em mim quando digo isso. Mas precisamos fazer ela perceber isto. – disse com convicção.
Engoliu o que estava mastigando, para responder a azulada.
— E o que a senhorita sugere?
— Eu e a Erza cuidamos de tudo, só fique atento ao nosso sinal.
◇ ◇ ◇ ◇ ◇
— Finalmente em casa! – o rosado jogou sua chaves na mesa de centro, tirou seus sapatos e se jogou no sofá. – Eu deveria arrumar isso aqui né.
Com muita dificuldade levantou e se pôs a arrumar a bagunça grossa, para deixar o ambiente no mínimo aceitável. Logo após, foi tomar um banho para renovar as energias, foi um dia puxado tanto fisicamente quanto mentalmente.
Enquanto se perguntava se iria cozinhar algo ou simplesmente pedir uma pizza, morava sozinho e esta era sua realidade, seu telefone tocou. Atendeu revirando os olhos, ao ler o nome no visor do celular.
— Late anãzinha.
— Eh!? Eu estou te ajudando e você me ofende assim, imbecil. – o tom de voz de Levy era raivoso. – Escuta aqui, é uma intimação. Sabe aquele restaurante que a Erza comemorou o aniversário?
— Aquele cheio de frufru? – perguntou.
— Esse mesmo. Quero você lá as oito horas. Não pergunte nada só vá. Se arruma, tá? Tchau, Natsu-sama. – pronunciou seu nome com deboche, igual seus amigos fizeram mais cedo, e desligou.
— Mas que garota abusada. – olhou inconformado para seu celular, mas mudou seu expressão e arqueou suas sobrancelhas ao ver as horas. – Sete horas, já? Considerando o trânsito neste horário, eu devo demorar meia hora para chegar lá. – calculava. – O que significa que eu já deveria me arrumar.
Como já havia tomado banho, apenas foi se vestir. Escolheu uma roupa não muito casual ou formal. Uma calça preta, com algumas correntes prateadas no bolso, um tênis preto e uma blusa social azul escuro. Passou seu perfume preferido. Parou em frente ao espelho e encarou seu maior inimigo. Os fios rosas em sua cabeça.
Pegou o pente e tentou pentear de diversas formas, para um lado e para o outro. Quando achou que estava conseguindo, a hora de sair chegou.
— Eu desisto de você! – passou a mão no cabelo bagunçando o pouco que estava arrumando.
Pegou suas chaves e saiu dirigindo rumo ao restaurante. Chegando no local, deu uma breve olhada na decoração romântica até demais do local, e saiu procurando alguma cabeça conhecida, encontrando logo a que mais faz seu coração palpitar.
— Luce? – só de ver seu rosto seu coração falhava uma batida.
— Oi, Natsu. Pensei que o pessoal ia vir com você. – a garota tinha um sorriso encantador no lábios.
— E eu pensei que eles estariam aqui. – respondeu se sentando em frente a amiga, tentando controlar sua afobação.
Seu celular tremeu em seu bolso, logo aparecendo a notificação do aplicativo de mensagens: Levy Anã: Ninguém vai aparecer. Só vocês dois. Aproveite ♡
— Sua ordinária. – sussurrou para si mesmo.
— Disse alguma coisa? – havia se esquecido que Lucy presente por um momento.
Só me resta aproveitar essa oportunidade. Obrigado, Levy. Agradeceu mentalmente a azulada.
— Não, Levy avisou que houve um imprevisto e não vão conseguir chegar. – explicou. – Hoje somos só eu e você, loirinha.
Embora seus amigos fossem um bando de pé no saco, que vivessem em função de descobrir maneiras de irritar Natsu Dragneel. As vezes eles conseguiam fazer algo legal.
Mas só as vezes.
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