Cupidos de Aluguel
3 Capítulo 2 - Algo errado não está certo.
Notas iniciais
Os dois são amigos de infância, mas mesmo assim o rosado não deixa de ficar nervoso com sua presença. Ainda mais se considerar a sua atual situação sentimental.
Quando era menor de dedicava totalmente a existência da loira. E por mais que fosse apaixonado por sua amiga desde pequeno, conforme foi crescendo, viu que ela continuava com a inocência de quando era menor, passou a se aliviar com outras garotas. Até chegou a namorar algumas, isto deve ter causado uma má impressão dele.
Mas o que podia fazer?
Ele era conhecido como o maior pegador de sua antiga escola, na época agir desta maneira e pegar várias meninas fazia sentido em sua mente, fazia os sentimentos que sentia pela amiga ficarem menos sufocantes.
Agora olhando para trás se pergunta o que tinha na cabeça em ter agido assim, isso só iria acabar com as chances de ter um amor com Lucy, ele devia ter se esforçado em conquista a garota. Mas quando se tratava desta loirinha ele se tornava um verdadeiro covarde.
Se arrepende de suas atitudes, e se pudesse faria tudo diferente, mas não pode. Então seu objetivo agora é conquistar o coração de quem já reina no seu.
Lucy Heartfilia.
— Já escolheu o que vai pedir? – foi tirado de seus pensamentos pela loira. – Eu não estou com muita fome, então vou pedir apenas essa sopa aqui. – explicou, o mostrando o cardápio e apontando para a foto do item.
As borboletas no estômago são tantas que mal consegue raciocinar. E a sensação de sufocamento volta. A vontade dele é de gritar para o mundo o quanto a ama.
Respirou fundo, sentindo seu corpo relaxar um pouco.
— Eu nem perguntei como foi lá no médico... Tá’ tudo bem com sua saúde? Esses dias eu raparei que você tem estado meio cansada. – perguntou preocupado.
A loira encolheu os ombros e esfregou as mãos em seus joelhos, em um claro desconforto.
— Bem... Promete que não vai ficar bravo por eu não ter lhe contado? – a garota tinha um sorriso amarelo nos lábios.
O rosado sabia que com essa pergunta o assunto era sério, anos de convivência. Ajeitou sua postura na cadeira e agarrou uma das mãos da garota, tentando lhe passar segurança.
— Pode confiar em mim, Luce. – deu o melhor sorriso que podia.
— Eu tenho sentido alguns sintomas, os mesmo que minha mãe sentia antes de descobrir a doença. – o garoto arregalou os olhos, sentindo o coração apertar. – Pode ser e pode não ser, mas considerando o histórico da minha família a possibilidade é grande... – a loira tentou de alguma forma tranquiliza-lo.
Engoliu seco, apertando mais a mão da garota. A mínima possibilidade de a perder o fazia entrar em desespero.
— Mas não é nada confirmado ainda, certo? Você não recebeu os resultados ainda.. – tentou se agarrar a uma esperança, sentido sua voz ficar trêmula.
Deu um breve suspiro de alivio ao ouvir a resposta da garota.
— Eu vou buscar daqui alguns dias, no fim do expediente.
— Vai dar tudo certo. Independentemente do resultado eu sempre vou estar com você, Luce.
Depois disto, o clima romântico que o induzia a falar sobre seus sentimentos se dissipou. Não teria nem coragem de fazer uma coisa assim com ela, colocar mais preocupações em sua cabeça. Os sentimentos podiam esperar. Sua prioridade agora é cuidar de sua loirinha.
Fizeram seus pedidos e logo que o consumiram foram embora.
A loira não tinha carteira, então veio com carro de aplicativo. Como era vizinha do rosado desde sempre, o lugar de carona já era seu por direito. O rosado no meio do caminho de volta para casa teve uma ideia.
Não queria que a loira fosse dormir pensando em algo como essa doença, queria que ela chegasse em casa e dormisse. Mas como conhece a amiga, sabe que quando a mesma está preocupada dormir é sua última opção. Então faria ela gastar o máximo de energia possível, não do jeito que ele gostaria. Infelizmente.
— Ei! O que você está fazendo? – a loira tinha o cenho franzido ao perceber o amigo mudando o caminho. – Decidiu finalmente mostrar seu lado Serial Killer e me fazer como sua primeira vítima? – perguntou com um sorriso zombeiro nos lábios.
O rosado riu, logo semicerrando os olhos, com um sorriso ladino.
— Boba. Só vamos esquecer o mundo hoje. Lembra daquele parque que abriu e você estava me enchendo o saco pra ir? – a viu concorda euforicamente com a cabeça. – Vamos lá hoje. Eu pago, por que sou muito cavalheiro, loira.
Como resposta só obteve uma cara de descrença da garota e uma risada escandalosa.
— Como você é um piadista. – ria cada vez mais.
O rosado fechou a cara, fingindo estar bravo com a risada. Mas logo não aguentou e começou a rir junto. Por mais que tentasse as vezes, não conseguia ficar bravo com ela. Era só fazer uma carinha fofa e um biquinho que todas as suas armas abaixavam.
Mas o que podia fazer?
Era um homem muito apaixonado.
o o o
— Cadê a Lucy? – Levy perguntou assim que o viu. – É estranho não ver vocês juntos.
— Hm, foi na frente. Enquanto isso, eu fui comprar um café pra gente. – respondeu levantando a sacola que tinha em sua mão.
Tentou seguir seu caminho, mas a garota o impediu.
— Então, como foi? – um ser minúsculo o seguia ansiosa desde o momento em que entrou na empresa. – Meu casal finalmente está junto?
— Levy, pelo amor de Deus. Deixa eu respirar. Não aconteceu nada. – a resposta saiu mais seca do que pretendia. – Posso pelo menos entrar direito no trabalho?
Estava um pouco irritado, a noite no parque durou até de madrugada. Os dois realmente esqueceram o mundo, inclusive que tinham que trabalhar cedo no sai seguinte. O resultado desta conta é obvio:
Dormir pouco + Acordar cedo = Mau-humor
Ele acordou atrasado, se arrumou correndo e percebeu que a loira nem tinha acordado ainda. Simplesmente pulou a janela do quarto dela e a fez se arrumar em cinco minutos. Vieram em toda a velocidade para a empresa, sem tempo nem para tomar café. Na sua opinião, eles bateram algum recorde. Chegaram com uma folga de dez minutos.
— Credo, seu bosta. Eu tento te ajudar e é assim que você me retribui. – fingiu estar magoada, com um choro falso.
"Rainha do drama", pensou revirando os olhos.
Sentiu uma pressão em sua cabeça e logo recebeu um fraco soco na barriga. Olhou para o lado dando de cara com o amigo.
— Não fale assim com ela só porque você é um cuzão.
— Gajeel, seu merdinha. – devolveu o soco, com um pouquinho mais de força. – Não que eu deva uma explicação para vocês... – sua vontade foi de virar e ir embora ao ouvir os dois murmurarem um: “Aham, senta lá Cláudia”, porém se conteve. – Mas estou de mau humor, dormi pouco então não me irritem.
Se virou indo em direção ao elevador, ouvindo os dois amigos atrás de si. Cochichando e rindo baixinho entre si. Ignorou, saindo do elevador com pressa.
Parou em frente à entrada do setor da amiga, a vendo sentada em sua mesa. Estava com uma pilha de notas fiscais. Sentiu até dó.
O grupo de amigos estavam divididos em dois setores. Ele, Levy e Gajeel estavam no financeiro, enquanto Lucy, Erza e Gray estavam no setor fiscal. O que não impedia nada. Sempre os amigos iam em seu setor encher seu saco. Já tinha até se acostumado e estranhava quando não recebia a adorável visita deles.
— Comprei o que você mais ama – disse ao chegar perto da amiga, recebendo um sorriso enorme. – Desculpa não ter deixado você descansar ontem.
Tirou da sacola dois pães de queijo e um copo de cappuccino, entregou para a garota.
— Boboca, não precisa se desculpar. – levantou. – Eu amei nossa noite.
O garoto sentiu seu rosto esquentar ao receber um abraço da garota. Mas apesar disso, retribuiu quase que imediatamente. Mas logo tiveram que se separar, estavam no escritório e isso podia não ser bem visto.
— Ah! Eu... Vou indo. Q-quer dizer, já estou atrasado. – se embolou com as palavras, sentindo o coração disparado. – Até daqui a p-pouco, Luce.
Saiu correndo ouvindo a loira se despedir junto com uma risadinha.
O que não contava era com uma ruiva com uma imaginação muito fértil sentada próxima a Lucy, criando inúmeras situações para as palavras ditas pelo rosado. Então o plano deu certo? "Preciso contar a Levy", pensava Erza com o rosto da cor de seus cabelos.
o o o
Natsu se encontrava ansioso e com medo. Finalmente o dia para receber os resultados do exame chegou e ele não esperava a hora do fim de expediente chegar.
No momento estava no refeitório, todos almoçando. Uma coisa que amava naquele lugar era a comida. Olhou para o lado vendo Lucy encolhida e um pouco abatida. Não iria a culpar, entendia perfeitamente o que ela estava sentindo, pois sentia o mesmo. Porém, não podia deixar isso transparecer. Tinha que ser o alicerce da loira.
Os dois estavam sobre a mira dos olhos ferozes de Levy, que percebia desde o dia anterior que os dois agiam estranho. Estavam um pouco isolados e vivam cochichando entre si. Como se estivessem bastante preocupados com alguma coisa.
A azulada também percebia a amiga um pouco abatida. Não queria se iludir, mas o que Erza havia lhe contado dias atrás se fazia presente em sua cabeça.
“– Eu estou te dizendo, Levy. – a ruiva teve de explicar pela terceira vez. – Eles passaram a noite juntos.
— Eles mentiram para nós o tempo todo? – a baixinha estava surpresa.
— Olha eu não sei, mas hoje de manhã o Natsu foi lá, deu pra Lucy o que ela ama tomar de café da manhã, sabe? Pão de queijo. Depois pediu desculpas por não ter deixado ela dormir e descansar direito. – se aproximou mais e sussurrou. – O que você quer que eu pense? Não tem outra explicação.
Na cabeça das garotas tudo se conectava.
— O Natsu chegou e disse que não tinha dormido direito... – comentou a azulada.
— E a Lucy reclamou que estava morrendo de sono e cansaço, tanto que dormiu metade do horário de almoço. – completou a ruiva, com a mão no queixo, pensativa.
— Alguma coisa está estranha nessa história e vamos descobrir. – concluiu.”
Desde tal acontecimento, as duas se puseram a observar os dois. Realmente perceberam o quão estranho os dois estavam. Tinha certeza que estavam escondendo alguma coisa. Mais cedo ela e Erza tinham planejado fazer uma reunião em seu apartamento, na intenção de beberem e arrancar a verdade da amiga. E sabiam que ela não iria recusar, a loira amava mais que tudo a noite das garotas.
— Nee, Lucy... Vamos na minha casa hoje? Erza e eu queremos fazer a noite das garotas. – convidou sorrindo diabolicamente por dentro.
A loira deu um sorriso pequeno e deu uma rápida olhada para Natsu.
— Não podemos fazer outro dia? – sua voz saiu um pouco baixa. – Hoje eu preciso fazer algo.
Todos na mesa pararam o que estavam fazendo e se viraram para a loira lentamente. Era conhecimentos da maioria naquela empresa dos gostos de Lucy. Tinham no rosto os olhos levemente arregalados, em clara surpresa. O fato dela rejeitar uma confraternização entre amigas é algo assustador.
Claro, todos menos uma certa loira e rosado.
— Nossa... Pra não querer ir na noite das garotas deve ser algo muito importante. – estava um pouco sem graça, isto não estava nos planos.
— É apenas algo que não pode ser adiado. – novamente a loira olhou para Natsu, com a feição preocupada, que correspondeu com um sorriso e acariciou sua cabeça.
Esses gestos não passaram despercebidos por ninguém. Agora os garotos presentes também desconfiavam de algo estranho nessa história.
— Ah! Então não tem graça fazer a noite sem a Lucy. – Erza lamentou, recebendo um “Ei! Eu sou muito legal, tá’?” indignado de Levy. – Boba. – respondeu mostrando a língua. – Já que a Lucy miou nossos planos, vamos sair com os meninos pra beber, topam?
“Ai podemos interrogar o Natsu”, pensava maleficamente.
— Por mim, de boa. – aceitou Gray.
— Idem. – respondeu Gajeel.
Olharam para Natsu, esperando sua resposta.
— Então.. – coçou a bochecha com o indicador. – Eu também tenho algo importante para fazer hoje, então não vai dar, galera. Foi mal.
“Realmente, muito suspeito”, foi o pensamento que passou na cabeça de todos naquele momento.
— Então só nós mesmo. – concluiu Gray.
Depois dessa conversa, terminaram de comer e foram para seus setores. Quando o fim do expediente chegou, o grupo se despediu da loira e do rosado e assim que eles sumiram de vista Levy se pronunciou.
— Escutem aqui. Gajeel você vai ser nosso motorista e vamos seguir aqueles dois, esse é o plano.
— Nós não íamos beber? – indagou em dúvida.
— Foi uma desculpa, esses dois estão escondendo alguma coisa e nós vamos descobrir. Se eles pensam que depois do meu esforço vão esconder que estão juntos, estão enganados. – dizia com uma aura ameaçadora em sua volta. – Erza, diz o que você ouviu dias atrás.
Enquanto Erza explicava o porquê de acharem que os dois estavam juntos, Levy entrava em seu celular ligando o rastreador que tinha no celular da Lucy. Isso era uma medida protetiva que tinham para quando saíssem, depois que aconteceu alguns acidentes nas baladas.
— Não estão curiosos para descobrir? – perguntou a azulada, vendo os dois concordarem logo em seguida. – Então vamos. Eles já saíram.
Entraram no carro de Gajeel, seguindo o carro do rosado de acordo com o rastreador. Ficaram assim por cerca de vinte minutos, até que o carro parou de se mexer na tela.
— Eles pararam aqui perto, cadê? – Gray olhava para os lados, os procurando. – Ali! Estaciona seu imbecil.
Observaram o rosado ajudar a loira a sair do carro, caminharam até a entrada de uma clínica e entraram. Ficaram encarando a porta por um tempo, até Levy se pronunciar.
— Oe, Erza. Essa não é a clínica que nós fomos com a Bisca quando ela foi receber o exame de sangue para confirmar se estava gravida?
— Foi... Seria possível? A Lucy esta gravida?
— Considerando o que a Erza nos contou que ouviu... – começou Gajeel.
— É mais do que possível. – Gray concluiu.
— Vamos embora, amanhã nós vamos colocar eles contra a parede. Somos amigos deles, eles deviam ter nos contado. – a ruiva estava irritada e já pensava nas palavras que diria a eles, os repreendendo.
Enquanto os aspirantes a stalker iam embora do local, dentro da clínica Lucy e Natsu já tinham o envelope com os resultados dos exames em mãos.
— Você quer abrir aqui? – perguntou o rosado, ganhando uma resposta negativa. – Vamos para minha casa então, lá vamos ter mais privacidade.
Natsu segurou firme a mão da loira. Independente do resultado, sempre iria ficar ao lado dela.
Sempre.
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