Cupido Também Se Apaixona
24 Pombos
Notas iniciais
– Ela não veio. — De uma voz cansada e exausta. Abri a porta e ele se surpreendeu.
– Eu tive que vir — Eu disse e ele me olhou surpreso. Sorriu.
– Oi — Ele disse vindo até mim — Eu achei que não viria. — Ele entrelaça seus dedos nos meus. Ele fica me olhando. Meu coração batia rápido. Ele sorri mostrando as covinhas. Alguém entra.
– Senhor? — Ninguém se manifesta. Ficamos nos encarando. — Senhor? — O moço continua.
– Ed? — Eu chamo e ele pisca — Tem gente te chamando.
– Ah. Quem? — Ele diz.
– Sou eu senhor. Suas fãs estão ai esperando foto. Mando entrar?
– Sim. No esquema de sempre. Obrigado Fred.
– Eu é que agradeço senhor — Ele diz saindo. Ele fica na mesma posição.
Durante toda sessão de fotos ele segurou minha mão, não a largou em nenhum segundo, ela já estava doendo.
Depois que umas quinhentas meninas tirarem fotos, fomos embora e a equipe do Ben desmontou o palco. Ele ainda segurava a minha mão. Fomos direto para a casa da Mélie pegar minhas coisas. Eu entrei por que tinha a chave e ele subiu comigo.
– Oi Mélie, só vou pegar minhas coisas — Eu disse e ela olhou nossas mãos. Sorriu.
– Tá bom — Ela disse. Eu me despedi dela e disse que eu voltaria em breve. Terminei de pegar minhas coisas e fomos para casa. Entramos, e subimos.
– Ed, minha mão está doendo! — Eu disse.
– Eita! Eu esqueci! — Ele disse soltando. Ele se joga no colchão.
– Se importa se eu... Tocar um pouco? -Eu pergunto
– Não, pode tocar, enquanto eu tomo banho. Agora é uma da manhã. E eu estou sem sono.
– Eu também — Eu digo me sentando ao piano. Enquanto eu tocava ele desceu e preparou um chá e assou bolachas com semente de abóboras e gotinhas de chocolate. Ele trouxe e nos sentamos no tapete. Comemos devagar.
– Tá gostoso? — Ele pergunta
– Sim, está ótimo — Eu digo.
– E Louis?
– Acho que está bem também, aliás, ele ia voltar com a Valentinna — Eu disse.
– Oi? — Eu percebo que falei merda.
– Ah nada não... E ai ansioso para viagem?
– Sim, quero te mostrar muitos lugares. E dentro de uma semana você estará de volta.
– Ah tá, espera eu? — Eu perguntei assustada.
– A gente eu quis dizer... — Ele diz. Me encosto na lateral da cama.
– Hum. Não está mentindo certo?
– Sim, eu não estou mentindo — Ele disse desviando o olhar e passando a mão nos cabelos.
– Se você diz — Eu respondo — Vou dormir. — Subo na minha cama e me deito. Ele suspira.
– Boa noite — Ele diz e eu cochilo.
Acordo berrando, assustada. Estava num lugar aonde monstros iam me devorando lentamente, monstros de olhos azuis.
– Sky?! SKY! — Ben me acorda. — Ai meu Deus! Você está bem? — Ele me abraça.
– Sim, eu tive um pesadelo — Eu respondo tremendo.
– Calma você estava pedindo clemência... — Ele me cobre e beija minha testa. — Você vai ficar bem tá? — Ele diz apagando o abajur. Ele volta e deita e eu fico com medo. Rolo e caio em cima dele.
– Vou ficar bem aqui — Eu digo me aninhando e adormecendo. Acordo e já era hora de ir. Nossa eu estava a um passo do meu sonho. Há alguns meses atrás eu não era ninguém, e agora se Deus quiser, vou conseguir meu contrato. Ai, obrigada Deus. E eu ainda encontrei o amor. Mas ele não sabe mais encontrei. Rindo no meu cérebro. Vesti um vestido preto, cola alta com pluminhas no pescoço, e sapato vermelho. Ed disse que estaríamos lá de noite, e eu tinha que estar linda. Daqui iriamos até Nova York e depois pegaríamos o jatinho dele e iriamos até Whitehorse, onde ele iria gravar o filme, e depois iriamos para Ottawa, a capital, para gravar uns demos e assinar contrato, depois eu seria transferida para uma gravadora nos Estados Unidos, perto de Little Swan. Arrumei na minha bolsa o necessário, e peguei minhas três malas pretas. Eu me despedi do meu pai, e da minha mãe e eles me desejaram sorte. Fomos de carro até o Aeroporto, e esperamos o nosso avião, meu vestido era de manga comprida e muito quentinho, eu estava confortável. Estava tão sonolenta que nem tinha percebido o que o Ed estava vestindo. Ele vestia um terno, e uma camisa social azul clara, e óculos escuros. Mal embarcamos e eu caí no sono. Eu estava tão nervosa, eu tinha muitas coisas que devia tomar cuidado, tipo não falar palavrão, não comer muito rápido, ser educada e o mais importante. Não bater nas pessoas. Ai senhor, como se eu fosse barraqueira. Rindo nos pensamentos. Quando eu acordo já estamos no Aeroporto de Nova York, e a cidade era linda! Little Swan era uma formiga perto de N.Y. Era linda de verdade.
– Ah eu quero ver a Times Square! — Eu disse animada enquanto descíamos do avião.
– Hoje não dá, mas prometo outro dia. Tudo bem? — Ele disse estendendo o braço pra mim.
– Tá, promessa hein. Vou cobrar. — Eu disse. Nos sentamos, esperando o rodízio de malas para pegarmos as nossas e irmos para o outro lado do Aeroporto, para embarcar no jatinho. Meninas de todos os lados vieram para tirar fotos com ele, e seus seguranças brotaram não sei de onde para protegê-lo. Esses caras são bons. Depois da sessão de flashes tomamos café, e seguimos para o jatinho. Ele entrou. Eu o segui. Era imenso! Tinha de tudo, uma cama, um sofá, um frigobar, um banheiro, DVD, livros, dava para morar ali.
– Nossa, Ed! Que chique — Eu disse me acomodando no sofá.
– Eu sei, obrigado. Presentinho do Lisoannel. — Ele diz indo para frente.
– Mas cadê o piloto?
– Sou eu — Ele diz e eu arregalo os olhos.
– COMO ASSIM VOCÊ?! — Eu digo desesperada. Eu vou morrer!
– Sim sou eu, — Ele disse olhando no celular — Relaxe eu não vou matar você, não se preocupe.
– Ai meu Jesus, me ajude a não surtar! Por que não me contou antes?!
– Por que eu não queria que você ficasse nesse estado antes da hora! E olha só como você ficou! — Ele diz preocupado — Ah olha essa noticia 'O Cantor e Ator Ben Danniel, foi visto esta manhã saindo do Aeroporto de Nova York, ao lado de sua mais nova compositora Skylla Evergreen, seria apenas trabalho? '- Ele lê em voz alta e eu coro.
– Ai meu Deus! Estamos nos sites de fofocas! — Eu digo — Suas fãs vão me matar! — Eu solto uma risada.
– Ótimo, agora vamos partir. E confie em mim okay? — Ele diz se preparando para decolar. Balancei a cabeça. Senti o mesmo pressentimento de quando fomos assaltados. Joguei-me no sofá, e tentei esquecer. Ouvi música, comi, joguei, cantei, e a bendita sensação não passava. Passado quase umas três horas, eu estava entediada. Procurei minha bolsa, mas não encontrei.
– Ed, minha bolsa, onde está? — Eu questiono
– Ah tá aqui no banco da frente — Ele diz e eu ando até lá. Procuro meu celular e sem querer ele cai no chão.
– Ai — Eu reclamo me abaixando para pegar. Era muito apertado ali, e eu não estava encontrando.
– Estamos quase chegando medrosa. — Ele diz — O quê está fazendo? — Ele pergunta.
– Pegando meu celular — Eu digo
– Sai dai, você está me atrapalhando — Ele diz.
– Espera! — Eu reclamei.
– Tá no meu pé! — Eu vi meu celular perto do pé dele, e fui pegar.
– Ah achei — Eu disse me sentando ao lado dele.
– Ah que bom — Ele diz me olhando. Ficamos nos olhando. Olho pra frente.
– Ai meu Deus! — Eu disse
– O quê foi? O quê foi? Tá passando mal? — Ele pergunta ainda me olhando.
– POMBOS! — Eu disse e ele olhou pra frente mas já era tarde, os pombos estavam sendo destruídos pelas hélices, e o sangue jorrou por todo nosso campo de visão.
– AAAHHH! — Gritamos juntos
– E AGORA?! — Eu berrei.
– Sei lá! Não faço a mínima ideia! -Ele berra
– A gente vai morrer!
– Aahh! — Berramos juntos de novo. Nos jogamos no chão
– O quê você tá fazendo aqui?! Você tem que dirigir! — Eu digo
– Mas eu não sei! — Ele diz desesperado, senti que estávamos caindo. Bati a cabeça e apaguei.
Abri os olhos lentamente, minha cabeça latejava, passei a mão lentamente e senti um ferimento. O frio entrava. Eu me sentei lentamente e olhei ao redor, minha visão estava turva. Soltei um gemido de dor. Suspirei. Procurei o Ben.
– Ed? — Eu disse baixinho. Eu me levantei e vi-o caído. Eu sacudi ele — Ed? — Ele tinha um ferimento na testa, era pequeno e estava roxo. Sai do jatinho. A gente tinha mesmo caído. Tinha muita neve ao nosso redor, e ouve um estrago grande na frente do jatinho. Vi uma floresta de árvores congeladas, era uma floresta de Tundras. Nada de civilização. Estava muito frio! Ótimo, estou presa em Frozen! Peguei um pouquinho de neve e voltei pra dentro. Coloquei sobre o machucado dele.
– Au! O quê você tá fazendo comigo?! — Ele acorda assustado
– To tentando ajudar! — Eu digo na defensiva.
– Você está bem? — Ele me pergunta e toca em meu ferimento.
– Sim, com um pouco de dor. — Eu digo — Agora eis a questão. Onde a gente tá?! — Eu digo.
– É. Onde a gente tá. ONDE A GENTE TÁ?! Uh, eu estou frito! E agora, tenho que aparecer no set! — Ele se levanta.
– Você tá preocupado com o Set? E a GENTE?! Sabia que podemos pegar hipotermia?
– Temos que sair e procurar ajuda! Vem — Ele me puxa. Saímos e senti o frio gelado nas minhas bochechas.
– NÃO TEM NINGUÉM! — Eu digo
– Aqui, não tem ninguém, mas algo me diz que vamos encontrar pessoas! Vem — Ele diz me puxando. Empurro-o e saio bufando. Droga, isso tinha que acontecer logo hoje?! E eu nem tô com roupa de inverno. Ai meu Deus! To com muito frio. Tremendo. Frio, frio, frio, frio, frio, frio, e frio. Tinha que ser no Canadá? Não podia ser nas praias de Miami com areia branca e quentinha, e que nos bronzeasse em vez de nos congelar lentamente? Argh que ódio. Estávamos chegando perto de um rio congelado.
– Você tá com frio? Quer meu casaco? — Ele pergunta
– Não, você dá azar! — Eu continuo andando.
– Eu? Eu nada.
– Ah é? Então por que a gente caiu?! — Eu digo revoltada.
– Não tenho culpa dos pombos entrarem na nossa frente. Se você não tivesse me distraído! — Ele diz.
– Ah agora a culpa é minha?!
– Sim, você sabe tirar minha atenção!
– Eu sei tirar? Me poupe seu motorista de meia tigela! — Pego uma bola de neve por impulso e taco nele. Ele arqueia uma sobrancelha.
– Eu sei dirigir! — Ele pega outra e taca nas minhas costas. Me irritei.
– Não sabe não! Por que estamos caídos aqui? — Eu taco outra de volta
– A culpa foi sua! Quem mandou ir pegar aquele celular!? — Ele acerta uma bola bem na minha cara. Ele ri quando olha a minha cara de irritada. Eu estava muito puta! Desabotoei o colar do meu pescoço e taquei no rio. — NÃO! — Ele arregala os olhos pulando de barriga no rio.
– Edward saia já daí! — Eu berro. Ele começa a escorregar tentando pegar o colar. Ri da situação dele.
– A gente vai conversar quando eu sair daqui! — Ele diz escorregando, até que conseguiu pegar o colar. Com muita dificuldade saiu do rio respirando — Tá muito frio! — Ele se levantou, colocou o colar embaixo da camisa e gemeu quando encostou em sua pele.
– O quê você tá fazendo? — Eu pergunto
– Esquentando ele pra você colocar. Pronto — Ele tira de baixo da camisa e coloca no meu pescoço. — Nunca mais faça isso mocinha — Ele diz beijando minha testa. Isso me aqueceu. Senhor! Esse homem é muito hot! Ouvimos um rugido.
– AAAHHH! Urso! -
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