Cupido Também Se Apaixona
4 A Proposta
Notas iniciais
– Meu cabelo?! – eu digo assustada
– É, só nas pontas, vai por favor – Delante pede – só nas pontas. Terei cuidado, eu prometo.
– Ai – eu olho para ele e depois para Filipe, e a cara de cachorrinho molhado deles me convence – ta – reviro os olhos — mais se ficar ruim eu faço no cabelo de vocês!
– Vai ficar super top – Delante me assegura que vai dar certo e tira meu gorro de panda. Depois de meia hora, já estava começando a ficar com receios de que isso não ia prestar. Meus cabelos são compridos e extremamente loiros. Se eu os estragasse mamãe iria me matar, e depois fritar meus olhos com sal e pimenta e iria os comer. Enquanto eles iam dar o toque final, fiquei imaginando como um pessoa pode ser tão fútil como Ben, nossa o jeito dele, a forma de falar, com aquele ar de pouco caso, ele te olha como se fosse inferior a raça de ameba dele. E é um nojento. Um nojento bonito, mais um nojento.
– Ah, você ficou linda! – Delante diz passando a mão nas minhas bochechas – a pianista mais linda que conheço, Phil, o gorro dela. – Filipe passa o gorro e ele ajeita em minha cabeça, arrumando minha franja. – Phil, o espelho. – eu pego o espelho em minhas mãos, e me olho. Fiquei totalmente impressionada, eu fiquei linda. As mechas azuis e verdes, combinaram certinho com meu tom de pele.
– Ah, Del fiquei linda mesmo obrigada – me levanto animada e dou um abraço nele e em Filipe. O sino bate
– Vamos? – Eles estendem o braço pra mim e eu pego os dois, fiquei sinceramente impressionada com o trabalho, e devo isso aos garotos. Chegamos no refeitório e Ben estava sentado em nossa mesa.
– Ta zuando que aquele... – eu digo tremendo de raiva- vai sentar com a gente?
– Sorriem a acenem rapazes, sorriem e acenem – Delante diz imitando os pinguins de Madagascar. – Ah eu adoro Madagascar!
– Quem? Goma de mascar? – Filipe diz rindo
– Madagascar e não fale do rei Julian.
– Ah eu tenho um gorro do rei Julian, e do Alex.
– Vem amanha, e a gente tira uma selfie – ele diz todo animado. Nos sentamos e aceno a todas, porque os meninos estavam em outra mesa.
– Olá – eu digo – cadê os meninos? – digo me sentando entre Delante e Filipe.
– Ain, eu não sei – a Amélie diz toda apaixonada.
– Coitado do Luke – eu digo e os meninos riem.
– Ah que kule, digo, Luke o que? Meu coração só é do Ben – ela diz e ele sorri. Como eu odeio esse cara.
– Por incrível que pareça, por mais que eu ame minhas fãs, meu coração só tem lugar pra um garota – ele diz com seu sorriso de um milhão de dólares. Fico interessada.
– E quem é a sortuda? – eu pergunto e as meninas da mesa tudo começam com “eu sou eu, ele me ama e blá, blá, blá” reviro os olhos.
– Olha querida Skylla – ele diz com suavidade e as meninas ficam com raiva de ele saber meu nome – Eu ainda não a encontrei, mais quando eu a encontra-la eu saberei. – ta okay ele é fofo, mais ele ainda não me cheira bem.
– Affe, cansei de tanta viadagem, tamo vazando – Phil diz se levantando com Delante.
– Ah – eu digo e eles saem. — Gente vou pegar hambúrguer já volto – me levanto e Ben segura meu braço.
– Me espera – ele pede e eu espero. — Ahn, então Skylla Evergreen você...
– Ah por favor me chame apenas de Skylla ou Sky – eu digo entrando na fila e ele me segue imitando meus movimentos.
– Vi que você é uma típica adolescente e estudante, bonita e sociável, conhece todo mundo e os caras te adoram – ele diz fazendo rodeios.
– Onde quer chegar? – digo levemente irritada, ando mais na fila e pego uma bandeja vermelha, e ele pega uma igual sendo que tinha varias cores. Esse cara ta me deixando puta. Respira.
– Tenho uma proposta pra você. – ele diz e eu me sirvo de uvas. E ele também.
– Proposta? – eu digo desta vez me servindo de pudim de leite e ele também.
– Sim, podemos conversar em um lugar reservado? – ele diz e eu me sirvo com o hambúrguer e ele também, ele olha para o lanche como se fosse coisa do outro mundo.
– Olha, tem o meu emprego, é depois da aula, hoje sairemos mais cedo, logo após o intervalo, é reunião dos professores. – ele sorri
– Ótimo, não vou desgrudar de você até lá. – ele diz
– Ai – eu digo, minha dor de cabeça está atacando novamente.
– Você está bem? – ele me pergunta preocupado, eu acho ou era fingimento, saímos da fila e voltamos a nossa mesa.
– Sim eu acho – ele me observa. Me sento e as meninas o cercam para ficar falando dele.
– Desculpa meninas, mais hora da comida é momento sagrado – ele diz.e elas fazem um “oooooownn” tipo boca do gatinho. Abro meu hambúrguer e coloco bastante mostarda e ketchup, Ben faz o mesmo. Eu dou uma mordida, e ele também e meleca tudo a boca. Ri.
– Do que ta rindo?
– Da sua forma big babe de comer um lanche. – rimos. Depois do intervalo fomos liberados e marquei de encontrar o bebezão mimado no café. Dirigi até o café, entrei e me troquei rapidão, e fui direto para o piano, minhas ideias estavam aflorando para uma nova canção. Eu geralmente escrevo sobre meus sentimentos. Solidão, família, mãe, amigos, amizade, comida, e como é bom cantar. Nunca sobre amor, e eu já tentei. Sai uma merda. Para aquecer toco The Heart Wants What It Wants, da Selena Gomez e sinto a musica no fundo da alma. Era como se cada nota pudesse sentir a batida do meu coração.
– Caramba, você tem talento – paro de súbito ao ouvir a voz.
– Ai que susto Ben – eu digo – já chegou?
– Sim, e é incrível como toca. Eu toco um pouco, mais nada grave.
– Ah, obrigada. Bom sobre o que quer falar? – fui rápida e direta ao ponto.
– Nossa, ta na cara a antipatia que sente por mim, as pessoas parece que me odeiam – ele diz se sentando um uma da mesas vazias e analisando uma orquídea. Me sinto mal pelo que disse
–Não... é ... que ... desculpe – eu digo tentando me justificar.
– Tudo bem, acho que nada mais dói do que ser rejeitado pela própria família, mais esquece. Bom os negócios – ele passa a mão na testa, eu me senti extremamente injusta sobre o que eu disse ou a forma que disse.
– Me desculpe – eu me levanto do piano e me sento na frente dele – bom você tinha uma proposta?
– Sim, e ela é irrecusável – ele diz com um tom de voz que nem parecia que ele tinha acabado de falar de seus sentimentos.
– Hmmm sobre o que é?
– É sobre você. É notório que você tem talento, tanto para cantar, tanto para tocar, quanto para compor. E é meio obvio que você quer um contrato com uma gravadora e gravar álbuns certo?
– Sim, mais onde quer chegar?
– A minha proposta é a seguinte. Se você me ajudar a agir como um típico adolescente estudante e normal para meu filme, consigo um contrato para você, te treino para como se portar diante das câmeras e palco, e deixo você abrir um de meus shows na Yellou Tour – ele diz, e eu absorvo tudo.
– Ta falando serio? Tipo não brinca comigo seu puto – eu digo e ele ri
– Sim, de acordo? – ele diz e eu penso. Não tenho nada a perder. Só a ganhar.
– De acordo. Só uma pergunta. Você quer agir como eu? – Ele sorri
– Aham. Aqui esta o contrato – ele me entrega uma folha sedosa e uma canta chique.
– Nossa. – assinei.
– Eu estou lisonjeado por você ter aceitado. Estou ansioso para começar. – ele diz. E caralho, ele é muito formal. Tenho que ensinar a ele um monte de coisas de adolescentes não famosos. E puta merda como eu sou troglodita, ele tem que me ensinar um bocado de coisas. É foi um acordo justo.
– Bom, o meu patrão vem de mês em mês. Você pode trabalhar aqui comigo no café. E essa linguagem formal pode esquecer.
– Trabalhar? Não, nunca trabalhei. – ele diz voltando com aquela antipatia, e a raiva que eu sentia por ele volta rapidão.
– Ah que pena, pois agora vai. Levante a bunda branca daí e se mova, já vou abrir a loja, e vou avisar a Jen e a Cat que elas não precisam vir por uma semana. Vamo! – tiro um uniforme do antigo funcionário que trabalhava aqui antes. – que numero você usa?
– 38.
– Perfeito. Ou faz o que eu digo ou foda-se sozinho. – eu digo indo abrir a loja. Ele se levanta.
– Vou ao toilette, com licença. – ele diz e sai. São só seis meses. É um bocado de tempo. Abro o café e os clientes começam a entrar. Hoje é sexta e é dia de gorjetas gordas.
– Vamo princesa Cinderela, os clientes já estão aqui! – digo mandando uma mensagem pra Jen e pra Cat que comemoram com a folga. Ele sai do banheiro todo estiloso e cheiroso. – que merda você fez nessa roupa?
– Dei um toque meu, agora vamos ao trabalho. O que eu faço?
– Ta, pegue os pedidos. As vezes eu fico sozinha aqui, então dou conta. Preste atenção. – eu digo e pego o caderno. Ele me segue com um caderno dele, sondando meus movimentos. Depois de pegar todos os pedidos. Faço os cafés e levo, depois os bolinhos. E por ultimo a conta. Como somos uma equipe, ele fica no caixa e eu faço o resto. Depois invertemos. No final do dia, temos o lucro de cento e cinquenta e dois dólares. Só de gorjetas pra cada um.
– O que você faz com esse dinheiro? – ele me pergunta enquanto terminamos de limpar e arrumar o café.
– Bom, eu estou juntando para comprar um piano novo, porque o que eu tenho lá em casa ta velho. Mais o som é excelente. E você, o que vai fazer com o seu?
– Vou dar pra você. Eu tenho tudo o que preciso e ainda faço caridade. – oia, é uma ameba solidaria. – risos eternos –
– Não precisa. É serio.
– Eu quero fazer isso. – ele diz – em troca de aulas de piano.
– Affe, cara você é mala ein? – eu digo e ele ri.
– Obrigado pelo elogio.
– Você não tem que agradecer, bobão, você tem que retrucar.
– Como assim?
– Tipo eu falei que você é mala, garotos normais falariam: — ah vai se catar. Ou cala boca, ou foda-se que é o mais comum.
– Aah, entendi. Estou exausto. Vamos? – ele tira o avental.
– E o que eu acabei de falar vai para o lixo. – ele ri – vamos pra onde?
– Ué, pra sua casa, se eu tenho que ser você em versão masculina, tenho que dormir na sua casa.
– Como assim, isso não tava no contrato? – eu digo indignada.
– Tava. Parágrafo 11 linha 3.
– Mais que porra, e o que minha mãe vai falar?
– Já conversei com ela, e ela já aceitou. Não se preocupe. – ele diz pegando minha bolsa e abrindo a porta pra mim.
– Cada hora que passa eu te odeio mais. – eu digo e ele sorri debochadamente. Pego minha bolsa com raiva e ele ri.
– Eu também, e alias adorei o que fez no cabelo. Devo fazer também?
– Não né! Daqui a pouco você ta usando minhas calcinhas só porque eu uso.
– É serio eu preciso usar? Ia ser estranho. – ele diz entrando no carro.
– Ai cala essa boca.- falo e entro no carro dirigindo em silencio até a minha casa. Chego e entro. Deixo ele só.
– Mamae? Cheguei – eu grito
– Oi filha, vai tomar um banho, e venha jantar. Cadê seu irmão? — quem?
– Quem?
– Eu to aqui – a ameba grita
– Ai não, você agora é meu irmão?!
– Sim e vamos dividir o quarto.
– Aarrrhhhg! – bufo e subo correndo para meu quarto. Vejo que tem um cochão no chão e um travesseiro com colcha. Nem ele sendo os One Direction inteiros que eu dormiria no chão. Esse tomador de lugar dos outros. Calma Sky pensa no contrato e seu sonho. Conto até dez em sueco porque demora mais, e ele entra.
– Onde você vai dormir? – ele me pergunta.
– Olha aqui, seu miserável, tem quarto de hospedes, porque não dorme lá?! – eu falo
– Porque aquele quarto mal coube minhas roupas. Tive que transformar em um Closet. Nada de entrar lá em Skylla – ele diz puxando o “s”
– Fala meu nome direito.
– Eu falo a porra do seu nome do jeito que eu quiser – ele diz e eu arregalo os olhos – carambola, eu to ficando bom. – ele faz uma dancinha e eu voo no pescoço dele.
– Você chamou quem de porra, sua anta veia? Quem? – eu digo e ele me afasta
– Peço desculpas, Sky, entrei no personagem. Desculpa. Dá um abraço de irmãos. – ele estende os braços e vou até ele. So que em vez de abraço, aperto as bolas dele com as mãos.
– Aqui as meninas enchem o saco! – eu digo e saio do quarto, enquanto ele se contorce de dor.
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