Cupcake

8 Ansiedade pré entrevista



— Você realmente quer trabalhar conosco? — Jimin perguntou surpreso, franzindo as sobrancelhas, sem esconder o espanto.

— Adoraria, — respondeu Jungkook com um sorriso genuíno. — Acabei de chegar na Coreia e ainda não consegui um emprego. Ficaria muito feliz de fazer parte da sua equipe.

O que Jimin não sabia era que Jungkook já havia recebido ótimas ofertas de trabalho, posições estáveis, bem pagas, graças ao seu excelente currículo em Economia e Finanças. Mas nada disso importava. Nenhuma sala comercial, nenhum escritório chique o atraía tanto quanto aquele pequeno café com cheiro de bolo e… Jimin.

Ele queria estar ali, perto dele, e trabalhar na Magic Shop parecia o pretexto perfeito para isso.

— Você já trabalhou com atendimento ao cliente? — Jimin perguntou, agora um pouco mais sério, tentando manter a postura profissional.

— Já sim, — respondeu Jungkook, confiante. — Tenho jeito com clientes… ou pelo menos, é o que dizem por aí.

Taehyung o avaliou de cima a baixo, sem disfarçar.

— Realmente… tu é gato pra caralho, isso ajuda muito, — comentou, cruzando os braços com um sorrisinho. — Mas já vou avisando que o modelo da loja sou eu, tá? — disse, jogando os cabelos imaginários para trás como se estivesse em um comercial.

Jungkook riu, balançando a cabeça.

— Tá bem, tá bem. Prometo não roubar o seu posto… embora eu ache que seria difícil competir, — respondeu, entrando na brincadeira.

— Difícil não seria, — Taehyung rebateu, dando de ombros. — Mas a disputa seria acirrada. Afinal, somos dois gostosos.

— Pelo amor de Deus, para de falar besteira, — Jimin reclamou, rindo e dando um leve soco no estômago do amigo.

Ele voltou a olhar para Jungkook, agora tentando manter a seriedade, mesmo com o sorriso escapando nos cantos dos lábios.

— Pode vir amanhã? Vamos fazer uma seleção com todos que deixaram currículo. Gostaria de te entrevistar também. Tudo bem pra você?

— Perfeito. Que horas posso vir?

— Pode ser às oito?

— Ótimo. Estarei aqui às oito em ponto, — Jungkook respondeu, animado.

— Vou aguardar ansioso, — Jimin sorriu, mordendo levemente o lábio inferior.

— Bom… se me dão licença, preciso resolver algumas coisas. Meu pai deve estar me esperando. — Jungkook se despediu com uma reverência educada.

— Ah, claro. Até amanhã, Jungkook.

— Foi um grande prazer te conhecer, Jimin, — ele disse, com o olhar fixo no dele.

— O prazer… com certeza foi meu, — Jimin respondeu em um tom mais baixo, como se fosse um segredo entre os dois.

Taehyung, que estava calado observando a troca intensa de olhares, finalmente quebrou o clima:

— Eu o acompanho, — disse, já entendendo que, se não falasse nada, eles ficariam ali se encarando até o próximo Natal.

Jungkook lançou um último sorriso para Jimin antes de sair, com a sensação de que, se dependesse dele, nunca mais sairia dali. Mas respeitava o espaço, afinal, era o local de trabalho dele, e Jimin parecia ainda um pouco desconcertado.

Pouco depois, ele e Jin deixaram a loja com uma sacola cor de pêssego nas mãos, contendo uma caixinha delicada com camafeus de nozes, que Jin mal podia esperar para experimentar.

Jungkook, no entanto, carregava outra coisa ao sair dali.

A certeza de que queria muito mais do que apenas um emprego naquela confeitaria.

Jin havia terminado o jantar, mas continuava sentado à mesa, observando o filho com aquele sorrisinho malicioso que Jungkook já conhecia bem.

— Fala logo, o que você quer? — Jungkook perguntou, cruzando os braços com impaciência.

Jin apoiou o queixo nas mãos e piscou devagar.

— Eu vi seus olhares pro chef loirinho.

— Ele tem nome, — Jungkook rebateu na hora, sem pensar. — É Jimin.

Jin abriu um sorriso ainda maior, se inclinando um pouco mais pra frente.

— Hum… já estamos nesse nível? E aí, rolou alguma coisa entre vocês? — a voz dele era puro deboche e curiosidade.

— Pai! — Jungkook bufou, rolando os olhos. — É claro que não. A gente tava no ambiente de trabalho dele, não dava pra fazer nada além de conversar.

— Mas nem trocaram telefone pra marcar algo depois? — Jin dramatizou, colocando a mão no peito como se estivesse ofendido. — Que decepção, filho!

Jungkook segurou o riso e, com um ar vitorioso, respondeu:

— Na verdade… eu fiz melhor que isso.

Jin arqueou a sobrancelha.

— Melhor que isso?

— Sim. Eu me candidatei pra trabalhar lá. — disse Jungkook, estufando o peito de orgulho.

— Você o quê?! — Jin arregalou os olhos, quase derrubando o copo da mesa.

— Me candidatei pra trabalhar na confeitaria.

Jin jogou o corpo pra trás na cadeira, fingindo indignação.

— Não era mais fácil pedir o telefone dele, não?!

Jungkook soltou uma risada.

— Pai… você não entende a arte do flerte.

— Ah, claro que não, — Jin rebateu, sarcástico. — Então você tá mesmo flertando, né?

Jungkook deu um meio sorriso, mordendo o lábio.

— Pode-se dizer que sim… ele me deu um beijinho hoje.

Jin quase caiu da cadeira.

— O quê?! Um beijo?!

— O doce, — Jungkook corrigiu, rindo da cara do pai. — Mas em breve vai ser de verdade, eu sinto isso. É por isso que quero trabalhar lá. Ele chamou minha atenção de um jeito que eu não sei explicar. Quero estar perto, conhecer ele de verdade… e nada melhor do que passar o dia todo ao lado dele pra isso.

Jin observou o filho por um instante, vendo o sorriso bobo e os olhos brilhando.

— Vish… já tá assim? — Jin estreitou os olhos, apoiando o rosto na mão como quem já sabia a resposta.

— Assim como? — Jungkook fingiu desentendimento, mas a bochecha denunciava o leve calor subindo.

— Apaixonado.

— Claro que não, pai! Conheci ele hoje. — Jungkook rebateu, tentando soar convincente. — É só que… ele é bonito e… corajoso, e… determinado. Eu sempre tive tanto medo de arriscar, abrir meu próprio negócio e falhar… mas o Jimin não. Ele foi lá e fez. Ele mergulhou de cabeça e tá dando o sangue por aquele lugar. Isso me chamou atenção, sabe?

Jin colocou a mão no peito, fingindo se emocionar.

— Ah, que poético, que romântico… Vou fingir que não vi você secando o corpo dele.

Jungkook rolou os olhos, mas logo riu, abaixando a cabeça.

— Ah… ele é bem… — suspirou, sem conseguir esconder o sorriso. — Gostoso. Quer dizer, bonito! Não teve como não olhar, né.

Jin gargalhou alto.

— Realmente… só tem homem bonito naquela loja. Aquilo podia virar um clube para maiores. Eu seria cliente VIP!

— PAI! Que horror! — Jungkook franziu o rosto, chocado.

— Tô velho, mas ainda dou pro caldo, meu bem! — Jin rebateu, cruzando os braços com um sorriso atrevido. — Pena que o Taehyung é casado… mas será que o Yoongi topa um trisal?

— Meu Deus, pai… PARA! Que horror! — Jungkook gemeu, escondendo o rosto nas mãos.

— Tô brincando, bobinho… ou não. — Jin piscou, se divertindo com o desespero do filho.

Jungkook apenas balançou a cabeça, derrotado.

— Bom… amanhã é minha entrevista. Tô nervoso. — confessou, soltando o ar devagar. — Ficar frente a frente com o Jimin vai ser difícil.

— Difícil por quê?

— Porque… — Jungkook hesitou, mas acabou dizendo: — vai ser difícil olhar pra ele e não querer beijar. Rolou uma química, sabe? Da minha parte, pelo menos.

Jin se inclinou, estreitando os olhos.

— Deuses… só não vão foder na cozinha, pelo amor de Deus. Isso seria nojento.

— PAI! — Jungkook se engasgou. — Claro que não! Jamais faria isso! E também… nem sei se ele sente algo por mim. É por isso que quero trabalhar lá, pra conhecer ele melhor, conquistar ele devagar… quem sabe, né?

Jin sorriu, cruzando os braços.

— Esse é o espírito. Mas, se me permite um conselho… tenha atitude, meu filho. Quando sentir que é o momento certo, agarra ele e beija!

— Não mesmo, — Jungkook respondeu, firme. — Só vou fazer isso se ele quiser. Eu não sou desses.

— Parece nem meu filho… eu e seu pai éramos muito amigos, amigos de infância sabe… — Jin sorriu com um brilho nos olhos ao se lembrar de Namjoon — Mas teve um dia que eu o olhei melhor e vi que ele estava começando a crescer e ficar mais másculo, o corpo dele estava mudando e ele estava se tornando um homem. Daí então um dia a gente estava brincando na piscina e eu não resisti e o agarrei, o beijei com vontade. Foi o nosso primeiro beijo, se eu não tivesse feito isso provavelmente você nem existiria agora, seu pai era muito tímido e morria de vergonha de encostar em mim. Claro que eu amava a forma como ele me respeitava, mas… quando esse homem me pegava ahhhh…

— Ta bom, ta bom, informações demais. Não precisa me contar mais — Jungkook tampou os ouvidos.

— Pare de ser bobo, como você acha que fizemos você? Encomendamos no Mercado Livre? — Jin pegou um camafeu e colocou na boca, se deliciando com o sabor — Também quero conhecer melhor esse Jimin, é a primeira vez que alguém desperta seu interesse assim.

— Pai, calma, nem eu o conheço direito ainda. Vai que ele não goste de mim?

— Acho que não, pelo jeito que ele ficou quando você tocou o rosto dele pra limpar, com certeza ele deve gostar de você e por falar nisso... MENINO, O QUE FOI AQUILO?

— Meu Deus, pai. Não grita! Que foi?

— Aquela hora que você colocou a mão no rosto dele ahhhhhhhh foi tão fofo — Jin colocou as mãos na bochecha.

— Às vezes não parece que você é meu pai e tem quarenta e quatro anos.

— Shiu! Já falei que nas baladas somos irmãos e eu tenho trinta e cinco. Se me chamar de pai, ta fodido! Tenho carinha de novo, então posso mentir minha idade sem levantar suspeitas.

Jungkook riu balançando a cabeça e então suspirou.

— Ai pai… confesso que estou nervoso pra entrevista de amanhã. Preciso conseguir me concentrar, mas… — Jungkook imaginou o rosto de Jimin, dos olhinhos brilhosos e redondos, da pele lisinha e branquinha e dos lábios carnudos e vermelhinhos, pedindo por um beijo seu — Confesso que o Jimin tira a minha concentração.