Cupcake
30 Acordo

Jungkook olhou para Namjoon completamente surpreso.
— Eu realmente agradeço a oferta, mas... como pode me pedir pra trabalhar justamente na empresa que tá tentando comprar a loja do meu namorado... ex-namorado... futuro namorado de novo... enfim, você entendeu. Como eu poderia fazer isso? — perguntou, encarando-o sem conseguir esconder a incredulidade.
— Veja bem, filho. — Namjoon cruzou as mãos sobre a mesa. — Você ama o Senhor Park, certo? E quer ajudá-lo a manter a loja. Por outro lado, eu preciso daquela propriedade para concluir um projeto bilionário. Então preciso de uma solução que beneficie os dois lados.
Jungkook permaneceu em silêncio, ouvindo atentamente.
— Se aceitar trabalhar comigo, será meu vice-presidente. Terá praticamente a mesma autoridade que eu dentro desse projeto. Sei que é capaz disso porque conheço sua formação e vi os resultados que conseguiu alcançar na Magic Shop. Se aquela loja não estivesse afundada em dívidas, tenho certeza de que cresceria enormemente sob a administração de você e do Jimin. Por isso minha proposta é simples: venha trabalhar comigo e eu colocarei esse caso nas suas mãos. Sua missão será encontrar uma forma de salvar a loja do seu namorado e, ao mesmo tempo, atender aos interesses dos investidores e dos sócios envolvidos. Você acha que consegue fazer isso?
Jungkook abaixou o olhar, mergulhando nos próprios pensamentos. Cruzou os braços diante do peito e franziu o cenho enquanto analisava todas as possibilidades.
— Eu teria autonomia para tomar decisões relacionadas a esse projeto? — perguntou depois de alguns segundos, apoiando a mão no queixo.
— Total autonomia. — Namjoon assentiu. — Mas existe uma condição.
— Qual?
— Que você convença seu pai a fazer um passeio em família comigo.
— Um passeio em família?
— Sim. Você, Jin e eu. — Namjoon sorriu sem graça. — Tecnicamente, agora eu também faço parte da família.
Jungkook piscou algumas vezes.
— Espera aí... você está me oferecendo o cargo de vice-presidente de uma das maiores empresas do país em troca de um passeio em família? Só isso?
— Não é "só" um passeio em família. — Namjoon soltou uma pequena risada. — Para mim, isso vale muito mais do que parece. E, para ser sincero, eu realmente quero que você trabalhe comigo. Como pode perceber, não tenho outros filhos. Você é meu único herdeiro. Quanto antes começar a aprender o funcionamento da empresa, mais rápido eu poderei me afastar um pouco de tudo isso.
— Se afastar?
— Sim, filho. — Pela primeira vez, Namjoon pareceu genuinamente cansado. — Eu construí essa empresa durante décadas. Ainda sou relativamente novo, mas estou exausto. Quero aproveitar a vida um pouco. Quero ser feliz enquanto ainda tenho tempo para isso. E gostaria de começar passando um fim de semana com você e com o Jin.
— Você sabe que meu pai é extremamente difícil, né?
— Sim, eu sei. — Namjoon riu baixo. — Pelo visto, Jin não mudou nada.
— Eu vou tentar convencê-lo.
— Obrigado, filho. — Os olhos de Namjoon suavizaram. — Eu só quero uma oportunidade. Nem estou pedindo que ele me perdoe. Só quero a chance de ser amigo dele novamente... para que, quem sabe um dia, possamos viver em paz como uma família.
…
Naquela noite, Jungkook chegou em casa cheio de expectativa. Queria convencer Jin a aceitar o fim de semana em família. Curiosamente, sua empolgação nem era pelo cargo que Namjoon havia oferecido. No fundo, ele tinha quase certeza de que o pai lhe daria aquela oportunidade de qualquer forma. O que realmente o animava era a possibilidade de ver os dois se entendendo. Afinal, gostassem ou não, suas vidas estavam ligadas agora, e os encontros entre eles seriam inevitáveis dali para frente.
— Pai... — Jungkook se aproximou com certa cautela.
— Não tenho dinheiro. Vai pedir para o seu pai rico. — Jin respondeu sem sequer levantar os olhos.
— Nossa, não é isso.
— Então o que você quer?
— Como sabe que eu quero alguma coisa?
— Talvez porque eu te conheça desde quando você estava dentro da minha barriga? — Jin arqueou uma sobrancelha. — Anda logo, desembucha. O que você tá aprontando?
Jungkook suspirou e reuniu coragem.
— Eu sei que você provavelmente vai dizer não, mas eu queria muito passar um fim de semana com os meus dois pais. Só pensa com carinho, por favor, e...
— Tá bom.
Jungkook piscou algumas vezes.
— Tá bom?
— Sim, tá bom. Eu topo. Para onde vamos?
— Espera... isso foi fácil demais. Você aceita mesmo passar um fim de semana comigo e com o Namjoon?
— Ele também é seu pai, não é? — Jin deu de ombros. — Isso é importante pra você, então é importante pra mim também. Eu topo. Mas saiba que estou fazendo isso por você e não por ele.
— Eu nem imaginei que você aceitaria tão rápido. — Jungkook abriu um sorriso enorme e o abraçou com força. — Obrigado, pai.
Jin revirou os olhos, tentando desesperadamente esconder o quanto tinha gostado daquele abraço e da felicidade estampada no rosto do filho.
— Nós vamos para um sítio. Já tá tudo organizado. Vai ser divertido. — Jungkook praticamente saltava de animação enquanto falava.
— Tenho certeza de que será uma experiência inesquecível. — Jin respondeu com um tom carregado de sarcasmo.
Mas Jungkook estava feliz demais para perceber qualquer ironia.
…
Durante toda aquela semana, Jungkook continuou mandando mensagens para Jimin. Dava bom dia todas as manhãs, perguntava como ele estava, contava pequenas coisas do seu dia e puxava assunto sempre que podia. À noite, nunca esquecia de desejar boa noite e, como de costume, sempre terminava a mensagem com algum poeminha fofo ou uma declaração carinhosa. Parecia que Jungkook simplesmente havia decidido ignorar o término, ou talvez nunca tivesse acreditado de verdade que aquele relacionamento tinha acabado.
Jimin nunca respondia. Mesmo assim, visualizava cada mensagem. Lia todas elas em silêncio, sozinho no quarto ou escondido no escritório da Magic Shop. Muitas vezes terminava chorando de saudade, apertando o celular contra o peito enquanto tentava se convencer de que estava fazendo a coisa certa. Odiava o fato de Jungkook ser filho de quem era. Odiava ainda mais perceber que continuava amando aquele homem da mesma forma. Quanto mais pensava na situação, mais acreditava que seria impossível para os dois ficarem juntos novamente.
Mas Jungkook se recusava a enxergar as coisas dessa maneira. Além de continuar acreditando que recuperaria Jimin, estava empolgado com o novo cargo e passava horas elaborando planos e estratégias para salvar a Magic Shop. Sua cabeça fervilhava de ideias, projetos e possibilidades. No entanto, naquele fim de semana, havia algo ocupando seus pensamentos ainda mais do que a confeitaria. Seu foco estava completamente voltado para os pais.
…
O dia da viagem finalmente havia chegado, e Jungkook estava uma verdadeira pilha de nervos. Fazia dias que aguardava aquele momento com a ansiedade de uma criança esperando um passeio especial. Era a primeira vez que passaria um tempo com os dois pais juntos, e só de pensar nisso seu coração acelerava.
— Vou colocar mais uma blusa de frio na sua mala. — Jin disse enquanto organizava as últimas coisas. — Esses lugares costumam ficar gelados durante a noite.
— Pai, não precisa. Eu já estou levando três. — Jungkook reclamou, observando a quarta peça de roupa surgir misteriosamente nas mãos do pai.
— Eu vou levar e pronto. Não estou pedindo sua opinião.
Quando finalmente terminaram de arrumar tudo, a campainha tocou.
— É o meu pai! — Jungkook praticamente correu até a porta, incapaz de esconder a empolgação.
Alguns minutos depois, ele voltou para o quarto acompanhado de Namjoon.
— Bom dia, Jin. Precisam de ajuda? — Namjoon perguntou com um sorriso amigável. — Posso começar levando essas malas para o carro.
Jin se levantou sem responder de imediato e terminou de fechar a mala. Depois colocou os óculos escuros, pegou o celular e uma pequena bolsa de mão. Ao passar pela porta, parou por um instante e lançou um olhar para Namjoon.
— Leve tudo para o carro.
Então saiu do quarto com toda a elegância e dignidade de uma primeira-dama prestes a fazer uma aparição pública.
Namjoon soltou uma risada baixa ao vê-lo se afastar.
"Definitivamente não mudou nada", pensou.
Quando chegaram ao carro, Jin fez questão de ocupar o banco do passageiro. Na cabeça dele, seria completamente absurdo sentar no banco de trás. Afinal, divos não viajavam na retaguarda. Jungkook ficou no banco traseiro e mal conseguia conter a animação. Seu sorriso parecia não caber no rosto.
Namjoon entrou no veículo, observou os dois por um instante e sorriu.
— Pegaram tudo? Estão usando o cinto? Posso partir?
Jin e Jungkook confirmaram que estava tudo certo, e Namjoon deu partida no carro.
— Vai ser uma ótima viagem. — disse ele, lançando um olhar para Jin acompanhado de um sorriso sincero.
Jin imediatamente desviou os olhos para a janela. Mas não antes de sentir aquele velho friozinho no estômago. O mesmo que jurava ter esquecido muitos anos atrás.
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