Cupcake
31 Ainda te amo

Jin estava ficando cada vez mais irritado com a empolgação de Jungkook e Namjoon. Irritado... e, principalmente, enciumado. Ele sempre preferiu músicas clássicas, daquelas embaladas por violinos e pianos. Já Jungkook era apaixonado por rock. Então, quando Namjoon sugeriu colocar uma música durante a viagem, Jungkook praticamente saltou no banco de trás de tanta animação ao ouvir os primeiros acordes de The Offspring.
Jin já não aguentava mais escutar os dois berrando a plenos pulmões a letra de Pretty Fly (For a White Guy). Como se isso não fosse suficiente, Jungkook ainda simulava que segurava baquetas imaginárias, batucando no ar como se fosse o baterista da banda. A cada refrão, Namjoon parecia rejuvenescer vinte anos, e aquilo só fazia Jin revirar os olhos com mais força.
Quando finalmente chegaram ao sítio, Jin agradeceu mentalmente a todos os deuses existentes. Não suportava mais aquela barulheira. Seu humor piorou ainda mais ao ver Jungkook e Namjoon caminhando lado a lado, abraçados ombro a ombro e conversando animadamente sobre os shows de rock que Namjoon frequentava na adolescência. Tudo o que saía da boca de Namjoon parecia impressionar Jungkook, e por algum motivo aquilo irritava Jin profundamente.
Um mordomo já os aguardava na entrada. Alguns funcionários rapidamente retiraram as malas do carro e as levaram para os quartos. Havia espaço de sobra na propriedade, então cada um ficou com um quarto diferente, garantindo certa privacidade durante o fim de semana.
A casa principal do sítio era enorme, cercada por janelas amplas que permitiam a entrada da luz natural. A decoração seguia um estilo rústico sofisticado, elegante sem ser exagerado. Tudo estava impecavelmente limpo e organizado. Na sala principal, algumas toras de madeira já queimavam na lareira, espalhando um calor agradável pelo ambiente, algo necessário naquela região onde as noites costumavam ser bastante frias.
— Jin... — Namjoon se aproximou dele. — Este é o Senhor Kang, nosso mordomo. Qualquer coisa que precisar, pode pedir diretamente a ele. — O homem fez uma reverência respeitosa para Jin. — Ele vai levá-los até os quartos. Tomem um banho, descansem um pouco e depois desçam para o jantar.
Jin retribuiu a reverência do Senhor Kang com educação e o acompanhou pelos corredores da casa. Jungkook veio logo atrás, falando sem parar como uma verdadeira matraca, enquanto Namjoon o acompanhava com um sorriso enorme, claramente feliz por finalmente estar vivendo momentos simples ao lado do filho.
…
Jin abriu a janela do quarto e respirou fundo, deixando o ar puro preencher seus pulmões. Estava hospedado no segundo andar do casarão e, daquela altura, tinha uma vista privilegiada da propriedade. Logo abaixo se estendia um enorme jardim repleto de flores dos mais diversos tipos e cores. Mais adiante, uma floresta densa tomava conta da paisagem, formada por árvores altas e verdejantes que pareciam não ter fim. O céu já adquiria tons alaranjados e dourados, anunciando que o sol estava prestes a se pôr. Por mais que não quisesse admitir, aquele lugar era simplesmente deslumbrante.
Ao entrar no banheiro, percebeu que alguém já havia preparado tudo para ele. A banheira estava cheia, envolta por uma leve névoa produzida pela água quente. Pétalas de rosas flutuavam pela superfície, transformando o ambiente em algo digno de um hotel cinco estrelas.
"Namjoon, seu cretino...", pensou, cruzando os braços. "Isso não vai me seduzir."
Mesmo assim, alguns minutos depois, estava completamente relaxado dentro da banheira, aproveitando cada segundo daquele banho longo e revigorante.
Quando desceu para a sala de jantar, o aroma da comida já se espalhava pelos corredores da casa. Seu estômago imediatamente roncou, lembrando-o de que não comia há horas. O cheiro era tão bom que, por um momento, até seu mau humor diminuiu.
Sentados à mesa, Jungkook e Namjoon conversavam animadamente sobre alguma bobagem qualquer e riam como dois adolescentes. Jin observou a cena por alguns segundos antes de se aproximar. Então se sentou ao lado de Jungkook e, de forma completamente deliberada, puxou o filho para um abraço possessivo e exageradamente carinhoso, tudo enquanto lançava um olhar provocador para Namjoon, que apenas balançou a cabeça e soltou uma risada baixa, reconhecendo imediatamente a afronta.
Namjoon pediu que servissem o jantar, e em poucos minutos a mesa estava repleta de pratos cuidadosamente preparados. Havia comida suficiente para alimentar uma família inteira. Durante a refeição, Jin precisou repreender Jungkook várias vezes por insistir em falar com a boca cheia. O rapaz ficava tão empolgado contando histórias e fazendo perguntas que esquecia completamente de mastigar antes de conversar.
Quando terminaram de jantar, Jungkook já mal conseguia manter os olhos abertos. Depois de desejar boa noite aos dois, subiu para o quarto decidido a dormir cedo. Queria acordar ao amanhecer para explorar cada canto da propriedade.
Jin limpou os lábios delicadamente com o guardanapo e, pela primeira vez naquela noite, sentiu um leve desconforto ao perceber que agora estavam apenas ele e Namjoon na mesa. O silêncio parecia muito mais evidente sem Jungkook ocupando todo o espaço com sua energia.
— Comprei o seu vinho favorito. Jungkook me contou que ele ainda continua sendo o seu favorito. — Namjoon sorriu de maneira tranquila.
— Moleque intrometido... — Jin resmungou baixinho, embora no fundo não estivesse realmente irritado.
— Me acompanha? — Namjoon se levantou e estendeu a mão para ele.
Contra a própria vontade, Jin aceitou. Segurou a mão que lhe era oferecida e permitiu que Namjoon o conduzisse para outra parte da casa. Foram até a sala principal, onde a lareira queimava lentamente, espalhando calor pelo ambiente. Um enorme tapete felpudo cobria boa parte do piso de madeira, e um sofá confortável estava posicionado diante das chamas. Jin se acomodou ali e ficou observando o fogo dançar de forma hipnotizante.
Namjoon foi até uma pequena adega embutida na parede, pegou uma garrafa de vinho e duas taças. Voltou para a sala, entregou uma delas a Jin e serviu a bebida com cuidado. Jin aproximou a taça do rosto, sentindo imediatamente o aroma familiar que tanto gostava. Então tomou um pequeno gole e, apesar de tentar manter a pose, acabou deixando escapar um discreto sorriso satisfeito na direção de Namjoon.
Durante algum tempo, a conversa não fluiu muito. Namjoon fazia perguntas ou puxava assuntos aleatórios, e Jin respondia por educação, mas sempre de forma breve, sem deixar espaço para que o diálogo se aprofundasse.
— Você se lembra do Senhor Finnigan? — perguntou Namjoon.
A pergunta pegou Jin desprevenido. Antes mesmo que pudesse se controlar, um sorriso largo surgiu em seu rosto, seguido por uma risada espontânea.
— Meu Deus... nós quase morremos naquele dia. — Jin balançou a cabeça com a lembrança.
— Também, né? — Namjoon riu. — O homem pegou a gente nadando pelados no rio da propriedade dele. E nós estávamos... bem... nós estávamos, você sabe...
— Transando?
— Isso. — Namjoon sorriu, ficando visivelmente sem graça. — E ele apareceu justamente naquele momento, apontando um rifle para nós.
Jin caiu na gargalhada.
— Você, todo machão, se colocou na minha frente para me proteger. — Ele mal conseguia falar de tanto rir. — E seu pau tava tão duro que quase batia na testa. Acho que até o Senhor Finnigan ficou com pena de mim.
Namjoon levou a mão ao rosto, completamente constrangido.
— Jin!
— O quê? Estou falando a verdade. — Jin continuou rindo, relaxado pela primeira vez desde que chegaram ao sítio. — Naquele dia eu aprendi uma lição muito importante: nadar pelado pode ser extremamente perigoso.
— Mas foi… gostoso.
— Foi mesmo. — Jin sorriu para o vinho em sua taça. — Bastante… divertido.
Jin ergueu os olhos para Namjoon, e seus olhares se encontraram. Por alguns segundos, nenhum dos dois conseguiu desviar. Era como se todo o tempo perdido, todas as palavras não ditas e todas as saudades acumuladas durante mais de vinte anos estivessem concentradas naquele único instante.
Então, quase ao mesmo tempo, largaram as taças de vinho sobre o tapete e diminuíram de vez a distância entre eles. O beijo veio impulsivo, carregado de emoção, saudade e sentimentos que nenhum dos dois havia conseguido apagar ao longo dos anos.
Foram mais de duas décadas esperando por aquele momento. Por isso havia tanta urgência naquele reencontro. Jin se acomodou em seu colo, apoiando os joelhos no sofá enquanto mantinha os braços ao redor de seu pescoço. Nenhum dos dois parecia disposto a se afastar, como se temessem que aquele instante desaparecesse caso se soltassem.
O coração de Jin disparava em seu peito. Talvez fosse o vinho, talvez fossem as lembranças, ou talvez fosse apenas o fato de que Namjoon ainda provocava nele as mesmas sensações de tantos anos atrás. Toda a mágoa, a raiva e a resistência pareciam se dissolver aos poucos, deixando espaço apenas para a antiga paixão que ele acreditava ter enterrado.
— Pai? Namjoon?
A voz surgiu de repente, interrompendo o momento. Os dois se afastaram imediatamente e viraram a cabeça na direção da porta. Jungkook os encarava completamente perplexo.
Afinal, até poucos dias atrás, seus pais pareciam mal conseguir ficar no mesmo cômodo sem discutir. E agora estavam ali, no meio da sala, se beijando como dois adolescentes apaixonados.
— J-Jungkook? — os dois disseram ao mesmo tempo, afastando-se tão rápido que quase perderam o equilíbrio.
— Filho, não é o que você está pensando. — Jin se levantou apressadamente, arrumando os cabelos e alisando a roupa amassada. — Nós só estávamos... conversando.
— E tomando vinho. — Namjoon completou, igualmente sem graça.
— Ai, pelo amor de Deus... — Jungkook revirou os olhos. — Vocês não são crianças. São dois adultos solteiros. E ainda por cima são meus pais. Então, sinceramente? Eu não vejo problema nenhum nisso. — Deu de ombros. — Na verdade, eu até gostaria de ganhar um irmãozinho algum dia. Enfim, só desci porque esqueci meu carregador. Onde o senhor deixou?
— Está na minha mala pequena. — Jin respondeu com um suspiro irritado.
— Valeu. — Jungkook se virou para ir embora e abriu um sorriso enorme. — Podem voltar para a conversa de vocês.
Antes que qualquer um dos dois pudesse responder, ele saiu quase correndo escada acima, radiante por descobrir que seus pais estavam se entendendo muito melhor do que havia imaginado.
Jin lançou um olhar mortal para Namjoon, que tentava inútilmente conter o riso.
— Está rindo do quê? A culpa foi sua!
Namjoon ergueu as mãos em rendição, mas o sorriso continuava estampado em seu rosto.
— Se serve de consolo, eu aceito toda a culpa.
— Que generoso da sua parte. — Jin cruzou os braços.
— Mas você também não parecia exatamente infeliz com a situação.
— Eu só me distraí por alguns minutos. Não tire conclusões precipitadas.
— Claro. — Namjoon assentiu com uma expressão divertida. — Vou fingir que acredito.
Jin bufou e desviou o olhar, mas o canto de sua boca se ergueu levemente antes que pudesse impedir.
Namjoon observou aquele pequeno sorriso e sentiu algo aquecer dentro do peito. Fazia muito tempo que não via Jin daquela forma, relaxado, leve, permitindo-se baixar a guarda nem que fosse por alguns instantes.
Por mais que ainda existissem mágoas entre eles, aquele fim de semana estava mostrando algo que ambos tentaram negar por anos: apesar do tempo, da distância e de todas as escolhas erradas, ainda havia um vínculo que se recusava a desaparecer. Namjoon sentiu que talvez ainda existisse esperança para os dois.
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