Culto: O Inicio

2 Capítulo 1 : A noticia


Notas iniciais
Muitas pessoas acham que um telefonema jamais pode mudar uma vida. Mas estão enganados. (Boa leitura, desculpem a demora)

Alguns meses atrás.

A cidade de New York estava dormindo tranquilamente, ou a maior parte.

Mas o único lugar onde realmente reinava a paz e a escuridão era o condomínio Villa Green, a Lua encoberta por algumas nuvens que passavam lentamente. O ar fresco passava pelas casas em estilo georgiano e entrava pelas janelas abertas. Os jardins bem cuidados com suas flores coloridas e árvores, que quando havia sol, davam boas sombras para se refrescar.

Tudo parecia tranquilo.

De repente um telefone toca.

Alguns minutos depois se ouvia passos apreçados pela casa, subindo as escadas e se dirigindo para uma porta no corredor largo.

A porta foi aberta com um estalido mínimo, os passos continuaram até parar perto da cama. A excitação tomou o ar, uma respiração saia com dificuldade, abafada por lábios cerados. Uma mão foi esticada e pousou no ombro de quem dormia tranquilamente, ou parecia pelo menos. Sacudiu o ombro devagar e chamou:

— Srta. Stanley! Por favor, acorde — chamou uma voz rouca de mulher.

Na verdade Selena Stanley já estava acordada a um bom tempo, havia tido um pesadelo bem estranho e acordado assustada, depois ficara observando a luz da Lua por sua janela. Ela girou o corpo para o som da voz e piscou tentando ver quem ela conhecia há tanto tempo, havia fechado os olhos quando ouvira a porta se abrir, fingindo acordar lentamente. Hay Lin, a governanta, odiava pegar ela acordada, dizia que ia ter muitos problemas no futuro caso não dormisse bem na fase de crescimento.

Hay Lin era uma senhora que jamais ficava velha, pelo menos nos pensamentos de Selena, desde que está se lembrava de Hay, já tinha cabelos brancos, olhos sonolentos e frios, o rosto curtido por rugas o corpo curvado e meio cheio e o que era mais marcante era seu cheiro de gente velha, lavanda com hortelã. Hay era japonesa, seus olhos eram fendas, o que Selena achava engraçado quando era criança, os olhos pretos apareciam parcialmente, sempre se perguntou como ela conseguia enxergar as coisas direito sem ao menos usar óculos.

Há muito tempo Selena vira os cabelos soltos de Hay, era uma cascata de cabelos brancos que desciam até os tornozelos, eram lisos e brilhantes. Mas nunca mais vira, pois ela sempre os mantinha em um coque groso no alto da cabeça, aquela vez ela brigara com ela por entrar sem permissão em seus aposentos.

Selena olhou para o rosto pouco iluminado de Hay, viu um brilho estranho na face enrugada e pálida da governanta. Selena se assustou.

—Sra. Lin a senhora está bem? — perguntou preocupada, já se sentando na cama.

Hay estava com seus cabelos cinza caídos pelos ombros até o tornozelo onde balançavam com a brisa suave que entrava pela janela um pouco aberta. Ela ligou a luz e olhou a pobre senhora, ela viu do que era o brilho, eram gordas gotas de lágrimas que desciam lentamente pelas bochechas e iam até o queixo, depois caiam em direção as cobertas de sua cama. Hay respirou fundo algumas vezes e depois fungou em um lenço de seda que estava na mão, enxugou as lágrimas e tentou falar, mas a voz não saiu, apenas vinham mais lágrimas.

Selena se levantou puxando Hay para uma cadeira de balanço perto da janela.

— Eu vou pegar um copo d’água- disse Selena ao sair do quarto apresada.

Correndo para as escadas e descendo pulando alguns degraus, estava sem as pantufas e seus pés sentiam o duro e gelado piso de madeira branca. Quase escorregou virando no corredor para entrar na cozinha, pegou um copo do armário e o encheu de água, voltando para o quarto um aperto no peito fez diminuir o ritmo da corrida. Seu coração acelerou sentindo algo ruim. A pulsação acelerou considerável, algo que ultimamente vinha acontecendo, seu sono era perdido por isso desde que seus pais saíram se despedindo com beijos rápidos nela.

Respirou fundo e entrou, encontrou Hay ainda sentada na cadeira, parecia mais composta, voltando aos poucos a ser a mulher que dava ordens e que não demonstrava sentimentos com ela, apesar de Selena saber que Hay a considerava a filha que ela nunca teve. Selena entregou o copo de água e Hay o aceitou e bebericou, a voz fraca agradeceu.

Selena sentou na cama e esperou Hay tomar o copo de água.

— O que aconteceu? Selena perguntou assim que Hay tomou o último gole. Depois que pronuncio a pergunta ela sentiu outra pontada no coração.

— Bem... — Hay começou, mas a voz se perdeu logo em seguida, ela respirou fundo e tentou de novo — eu vou logo ao ponto — Selena reconheceu a mulher que a cuidara desde criança, a mulher que diz achar ela uma peste, quis rir da lembrança, mas engoliu em seco esperando o que seu coração sentia — o senhor e a senhora Stanley, seus pais eles... morreram. — Hay voltou a desabar, Selena a encarava, a dor no peito aumento.

— Isso não é verdade, eu falei com eles antes de vir dormir... — ela pensou — faz umas cinco horas nem isso talvez, eles não estão mortos. Por que a senhora está me assustando? — falou Selena indignada, pensando que Hay apenas tivera um pesadelo muito real e ficara assustada.

—Minha querida — Selena notou ser verdade, apenas quando se tratava de assunto sério, que ela achava que era brincadeira, Hay a tratava desse jeito, chamando a de querida. — A polícia acabou de ligar me informando. Infelizmente isso é verdade minha criança. — As palavras pronunciadas entre soluços sofridos.

— Como? — Não querendo acredita.

Assim que ela fez a pergunta ela viu em sua mente uma luz vindo em sua direção. A buzinada do carro de seus pais, de repente ouviu os gritos de seus pais. Balançou a cabeça e prestou atenção no que Hay dizia.

— Um caminhoneiro estava bêbado e bem... o caminhão empurrou eles para fora da estrada e foi pra cima deles esmagando completamente.

Selena sentiu algo se agitar dentro dela, o escuro a tomou e deixou ser consumida por ela, parecia mais reconfortante o escuro e o silêncio.

Notas finais
Próximo cap: Viagem, ondem destinos se cruzam. comentem e me deixem felizes. :)