Crônicas de Natasha, a herdeira dos Kirke
11 Capítulo 9: Uma tarde chuvosa
Notas iniciais
Após vários turnos de vigia e de o sol nascer, Natasha e Mark decidiram partir. Pois se permanecessem muito tempo em um só lugar, correriam risco de um ataque. Eles apagaram a fogueira, recolheram suas cobertas e voltaram à caminhada. O céu daquela manhã parecia ter sido colorido por giz de cera cinza, e ameaçava derramar sua chuva a qualquer momento. Andaram até meio-dia tranquilamente, sem que nada os surpreendesse, nenhuma chuva nem dores no pé. Fizeram uma pausa para o almoço, e utilizaram-se do mesmo esquema que funcionara anteriormente. Tudo parecia tranquilo e fluindo bem, quando o inevitável aconteceu. A chuva não aguentou mais ser aprisionada pelo céu, e decidiu se libertar, causando uma bela tempestade com direito a raios. Os dois começaram a correr procurando um abrigo, Natasha pessoalmente pensava em salvar seu livro. Alguns segundos depois encontraram uma gruta que aparentemente não era usada há muitos anos. Ao correrem para dentro Mark escorregou no chão molhado e caiu com toda a força do mundo.
– Santo Aslam, você esta bem? – A jovem pergunta tentando conter uma risadinha.
– Acho que sim, só quebrei todos os ossos do meu corpo. – Respondeu o fauno em tom de piada.
Depois dele se levantar e se recompor, a moça exclama feliz:
– Ufa, ainda bem que não deu tempo da chuva encharcar a minha bolsa. – Comemorou ela um pouco ofegante e tremendo de frio.
– Por quê? – Indagou curioso o seu amado enquanto tirava a sua coberta.
– Obrigada. – Disse dando um beijo na bochecha dele e o enrolando junto a ela. — Por causa do presente da minha mãe, não tinha te contado? – Estranhou ela.
– Acho que não. Mas enfim, que presente é esse? – Os olhos castanhos do fauno brilhavam.
– É um livro mágico. Graças a minha bolsa de couro, ele não ficou nem com uma gota de chuva. – Falou a jovem.
– Como assim mágico? Já deu uma olhada nele? Talvez tenha alguma coisa que possa nos ajudar. – Disse ele olhando para a saída da gruta, que gotejava.
– Também não entendi por que mágico. Quando eu abri pela primeira vez em casa ele estava em branco. Quem sabe agora já tem algo escrito. – Falou abrindo o livro presenteado pela mãe. Mas é interrompida por um espirro.
– Aqui, toma esse chá quente, ele vai te aquecer. – Mark ofereceu ao ver que sua companheira estava congelando de frio.
– Pronto agora eu não morro congelada, nem meu namorado. – Disse dando um pouco ao seu companheiro. – Pera, como você tem chá quente depois de tanto tempo de viagem?
– Eu fiz esse hoje no almoço com as ervas que eu peguei no caminho, mas fica calma que eu tenho certeza que não são venenosas. – Falou seguro o menino.
Ao abrir o livro, uma surpresa. As palavras começavam a ser escritas graças à magia que cobria aquele objeto de sabedoria. Depois de alguns segundo, já podia se ler o pequeno texto que fora escrito. “Olá, sou o Mesben, um livro auxiliador. Toda vez que me abrir, e fazer uma pergunta eu irei lhe mostrar a resposta mais apropriada.”. E continuou, “Mas só poderei dizer o que já foi descoberto, não sei nada sobre futuro.”.
– Wow, acho que vai se bem útil pra gente! – Exclamou alegremente Mark.
– Que tal perguntarmos o caminho mais curto para a Vila dos sábios? – A menina lançou a ideia.
Ao ouvir a pergunta, novamente o livro “se escreveu” com a resposta: “O caminho mais rápido para a vila dos magos, é muito mais complicado de se passar, e de chegar ao destino desejado. Pois, terão que lutar contra uma criatura sem nome definido e responder a uma charada. Apenas algumas pessoas conseguiram chegar à vila. Resposta da chara: Indeterminado (a cada charada respondida, outra deve ser feita para os próximos viajantes)”.
– Então? O que é melhor fazer? – Perguntou pensativa a loira.
– Espera um pouco, me deixa fazer uma pergunta também? – Indagou olhando para a menina.
Ela fez que sim e entregou-o para Mark.
– Quanto tempo demora a viajem daqui até a Vila dos magos por esse caminho mais curto? E o caminho comum?
Logo depois de terminar de falar, o livro respondeu: “Pelo caminho mais curto = 7 dias, pelo caminho comum = 12 dias”. Os dois se entreolharam por um momento, indecisos sobre qual caminho tomar, até o fauno se pronunciar:
– Acho melhor irmos pelo caminho mais curto, assim podemos cuidar mais rápido desse seu machucado. – O jovem apontou preocupado aos arranhões da garota.
– E temos mais tempo para procurar ajuda. – Concordou Natasha. – Mas com essa tempestade vai ser meio complicado sair...
E novamente o livro os surpreendeu. Aos poucos um cântico foi sendo escrito pelas páginas antes em branco, e um desenho de várias pessoas juntas embaixo de uma árvore observando uma garoa.
– O que é isso Nat? – Curioso o garoto observava as palavras.
– Será que é uma história pra gente passar o tempo até a chuva passar? – Tentou adivinhar a menina, mas o livro já estava revelando do que se tratava. Bem no final da folha, um título. “Canção à chuva” “Escrita pelo compositor oficial de Encantamento da Organização dos bardos”.
– Acho que o livro quer que nós cantemos... – Disse Mark um pouco receoso.
– Eeer, Sr.Livro não acho que seja uma boa ideia. – Tentou convencê-lo, mas o “Sr. Livro” não estava muito para conversa, e não reagiu ao comentário. – Okay, okay. Quem canta? Eu ou você? – Ela perguntou olhando com uma sobrancelha levantada em direção ao amado.
– Vamos rodar a garrafa e para quem ela apontar com o bico canta. Tudo bem? – Falou colocando o “objeto seletor” no chão. Ela apenas assentiu.
Depois de dar impulso na pequena roleta, o jovem se afastou e deixou com que a sorte decidisse o “escolhido”, e aos poucos a garrafa vai parando, até selecionar Mark. A menina pulou de alegria por não ter de cantar na frente do fauno, digamos apenas que cantar não era seu forte. O jovem respirou fundo, tomou fôlego e iniciou a sua surpreendente performace. Como Natasha era expert em instrumentos musicas, e entendia os símbolos para uma melodia, ela percebeu que o garoto executava cada uma das notas com perfeição. Porém, o mesmo não achava isso, e gradativamente ia ficando corado, até a canção terminar.
– Wow, isso foi incrível! – Falou a humana com olhos brilhantes.
– Lógico que não, foi horrível. Nunca mais canto na sua frente. – Disse envergonhadíssimo.
– Ei, eu entendo de teoria musical, e isso aqui foi simplesmente perfeito. – Ela o elogiou.
– Obrigado. – Agradeceu todo encolhido. – Olhe! A chuva parou! – Feliz, apontou para fora.
Quando os dois saíram da gruta, o céu estava azul e límpido. Parecia até que nem tinha chovido, mas ao olhar para as árvores e a grama, conseguiam ver os vestígios da tempestade que caíra naquela tarde. E finalmente retomaram a caminhada, agora com a ajuda de Mesben.
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