Crônicas de Natasha, a herdeira dos Kirke
12 Capítulo 10: Uma canção de ninar, a ponte para o fim da jornada.
Notas iniciais
Depois de cinco dias de viagem, na manhã do 6° dia, nossos herois estavam no fim do percurso, que era passar por um desfiladeiro. Mas bem no meio do trajeto uma surpresa os aguardava.
– Mark... Será que o mais difícil desse caminho é o esforço físico? Por que... Tipo... Nada de mais aconteceu... E... – A moça é interrompida ao tropeçar numa “pedra esquisita” e cai causando um enorme estrondo.
– Nat, você esta bem? Se machucou? – Pergunta preocupadamente o sátiro.
– Acho que eu tropecei num nariz! – Ela responde surpresa.
– Nariz? – Indaga o jovem um tanto quanto espantado. – Tem certeza?
– Sim, tenho certeza absoluta. – E logo após ela terminar a frase eles escutam um rugido, que mais parecia um enorme espirro. Então a areia que estava em volta do tal “nariz” foi escorrendo, deixando aparece um pequeno goblim
– Nunca te ensinaram a nunca pisar no nariz dos outros, menina? – Irritado a criatura esbravejou.
– A-Acho que não. – Disse Natasha um pouco confusa.
– Pois bem, nunca mais faça isso. Nunca mais! – Gritou o goblim baixinho, mais baixinho que a própria Natasha, o que tornou a cena um pouco cômica.
– Sim senhor! – Respondeu rapidamente, antes que recebesse outra bronca.
– Pois bem, meu nome é chosy. Sou o guardião da entrada do desfiladeiro que leva a vilarejo dos sábios... Mas como o nome do meu cargo é “meio” grande eu prefiro as siglas: GEDLVS.
– Muito prazer, Chosy, sou Mark, e essa é a Natasha. – Mark se pronunciou.
– Humpf, não me importo com o nome de vocês. Enfim, para você passarem daqui vocês irão precisar responder uma pergunta, mas não poderão usar nenhum item mágico.
– Tudo bem. Diga, qual é a pergunta? – Indagou Nat, com seu coração batendo muito rapidamente por causa do nervosismo.
– A pergunta é... – Fez uma pausa dramática e concluiu – Se um centauro tinha 50 anos a dois dias atrás, como ele pode fazer 53
no ano que vem? Você tem até o por do sol, depois disso eu vou voltar a dormir, e só desperto no dia seguinte com outra pergunta.
– Tudo bem, acho que até o final do dia conseguimos responder. – Falou Mark se sentando numa pedra.
– E então? Alguma ideia sobre como resolver isso? – A arqueira pergunta preocupada.
– Primeiro a gente tem que descobrir quando é o aniversário dele, assim fica mais fácil. – Concluiu.
Assim, eles passaram mais ou menos 3 horas, antes de chegarem a uma resposta plausível. Eles foram correndo até Chosy, que estava “brincando” de jogar pedras no ar e vê-las cair, se esborrachando no chão e lançarem milhares de pedaços por todos os lados. Ao ouvir os jovens chamá-lo, se virou e espero eles chegarem até ele.
– A resposta é: O centauro faz aniversário no último dia do ano. – Começou o fauno.
– E como ele faz aniversário no último dia, o dia seguinte será o próximo ano, e no ano seguinte ele terá 52. – Terminou concluindo a jovem.
– Muito bem! Vocês acertaram ao enigma. – Parabenizou. – Mas, esse não é o único teste que vocês terão que passar.
– Como assim? – Disse o homem-bode assustado.
– Vocês terão que passar por mim.
Depois de ter dito isso, Chosy ficou com o tamanho dobrado e depois triplicado. Agora media aproximadamente três metros, pesava mais ou menos 400 Kg. Logo depois de terminar sua transformação, ele rugiu e começou a atacar o casal. Eles por sua vez, correram para trás de uma grande pedra na entrada do desfiladeiro.
– E agora? – Perguntou a menina ofegante.
– Ele ficou muito grande, acho meio difícil um combate corpo-a-corpo. Que tal o velho truque do: “Eu distraio e você corre”? – Sugeriu Mark.
– Uma boa ideia, mas é meio complicado distrair e fugir num desfiladeiro. E como você iria para o vilarejo?- Falou a menina preocupada.
– E se eu o atrair para fora, você corre para dentro, e depois de levá-lo para longe, eu entro correndo até te alcançar? – Sugeriu o Fauno. E logo depois se ouviu um estrondo causado pela pedra jogada por Chosy na direção deles.
– Acho melhor, alguém subir em cima, e empurrar uma grande pedra em cima dele, e depois corrermos até chegar ao vilarejo. – Opinou Natasha.
– Ainda não acho que seja muito seguro... Ei! Será que no seu livro não tem nenhuma canção de ninar? Creio que seria mais seguro. – Lembrou-se o menino.
– Ótima ideia! Vou ver isso agora mesmo. – Logo depois de terminar de falar, a jovem tira o livro de sua bolsa, e pergunta ao livro. – Olá Mesben, será que você conhece nenhuma canção de ninar para goblins? Isso seria muito útil agora.
Assim, num piscar de olhos, eles tinham a música completa escrita no maravilhoso livro mágico.
– E agora? Eu canto de novo? – A menina indaga
– Lógico, a sua voz é linda e acalma o coração de qualquer um. – Diz Mark com os olhos brilhando de admiração.
E poucos segundos antes do “monstrinho” jogar outra pedra na direção deles, Natasha começou a entoar a canção mágica. O pequeno começou a piscar, se sentou e largou a pedra ao seu lado. Deu um longo bocejo, e depois de muito lutar contra o sono, caiu deitado no chão em sono profundo. Para garantir a segurança dela e de seu amado, ela cantou mais 2 minutos, e então parou. Por ter cantado tão docemente, Mark quase dormiu, mas conseguiu se manteve acordado até ela parar.
– Vamos? – Chamou a menina num sussurro.
– Antes que a bela adormecida desperte. – Concordou o jovem.
Depois de passarem por Chosy, eles caminharam pelo desfiladeiro até pararem para comer o almoço. E após a mesma, seguiram normalmente em direção ao vilarejo. Mas cada vez mais o caminho ia se estreitando e ficando mais pedregoso o que fez com que o fauno carregasse a menina nos braços. E no fim, da tarde, eles finalmente conseguem chegar ao seu tão esperado destino, o vilarejo dos sábios. Natasha se sentiu muito aliviada, pois não teria mais que dormir num chão duro, e poderia tratar das suas feridas, que agora já estavam um “pouco” infeccionadas. Mark se sentiu muito feliz por chegar ali. Era um lugar que tinha um ar diferente, um pouco familiar por estar cheio de faunos. Natasha pulou nos braços de seu amado num forte abraço e os dois correram vilarejo à dentro.
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