Crônicas de Ghost River #Wayhaught
31 Xeque-Mate
Ia fazer 40 dias que eu estava no hospital. Minha irmã estava tomando café ao meu lado e mexendo no computador. Tinha tirado o gesso do braço e era obrigada a fazer fisioterapia diariamente. A raiz do meu cabelo já tinha crescido consideravelmente na parte que tinham raspado. Eu tinha ficado com pneumonia, além de tudo. Já me sentia bem a maior parte do tempo e quase não precisava de analgésicos. Clarissa me deu um celular novo de presente e eu consegui recuperar minha agenda.
Waverly não me contou o que fez em relação a maldição ou se fez algo. Ela preferia não tocar no assunto e quando eu falava algo, ela falava sobre outra coisa. Wynonna parecia acostumada com nosso relacionamento e quando não aguentava mais o Dolls, ela vinha conversar comigo no meio da tarde. Ela tinha conseguido matar 72 retornados, mas não sabia mais o que fazer para encontrar os 4 que faltavam, eles sabiam se portar como humanos comuns e não chamava a atenção, mas uma hora ou outra tinham que fazer algo errado ou algo que chamasse a atenção dela, exceto Dini que estava sob supervisão do Dolls. Bobo Del Rey era um dos desaparecidos. Shorty's tinha sido abandonado e parece que uma moça chamada Lindsay tinha assumido o local.
Sai da fisioterapia e o médico entrou em meu quarto com uma prancheta na mão.
— Oficial Haught, você está se recuperando muito bem. Que tal ir para casa amanhã?
— Acho ótimo, não aguento mais ficar deitada e trancada aqui.
— Semana que vem a gente vê se já pode tirar o gesso da perna. Amanhã eu passo aqui na parte da tarde para assinar sua alta se tiver tudo bem. — Examinou minha garganta e olhos e saiu.
— Nat, posso te pedir um favor? — Me sentei na cama de frente para ela. Natalie fechou o notebook e me olhou.
— Depende. Fala.
— Amanhã é aniversário da Waverly e ela não sabe que eu vou ter alta. Provavelmente a Wynonna não lembra da data e não planejou nada. Acha que consegue organizar alguma coisa lá em casa?
— Tipo uma festa surpresa? — Perguntou pegando água na garrafa.
— Não, eu vou falar para ela que eu vou fazer algo aqui, porque eu não quero que ela fique triste o dia inteiro achando que a gente esqueceu. Quero que ela fique feliz o dia inteiro. — Ela revirou os olhos debochando do meu comentário.- Ai eu peço do Dolls levá-la em casa dizendo que eu pedi para ele buscar algo e só.
— Isso parece uma festa surpresa para mim.
— Mas não é a mesma coisa. — Natalie cruzou os braços me encarando. — Ok, chame do que quiser. Você vai me ajudar?
— Eu tenho feito outra coisa nesse último mês? Claro que te ajudo. — Peguei meu celular e dei para ela.
— Procura pela Chrissy, que ela conhece a Waverly a mais tempo e se ela te ajudar fica mais fácil.
— Ok, você quer que eu compre algo para ela de presente, como se fosse seu?
— Não, a Olívia cuidou disso para mim.
— Olívia é sua ex namoradinha? — Perguntou rindo. — Que agora namora a Clarissa que é irmã do Charlie?
— Sim. — Levantei uma das sobrancelhas.
— Tem alguma amiga que você não tenha beijado? — Voltei a me deitar e não respondi. — O que a Olívia comprou?
— Duas passagens para Espanha. Sem data. Os irmãos dela foram para lá umas semanas atrás e encontraram a avó Aurora. A família dela é um pouco complicada.
— Eu sei, ela me contou quando a gente foi beber no Shorty's. — Pegou o celular
— Vocês o que? — Perguntei, voltando a me sentar.
— Ela tinha que pedir sua permissão? — Olhei para ela mostrando que estava incomodada com a situação, mas ela não viu. — A Chrissy respondeu, vou me encontrar com ela. — Se levantou e deixou o notebook na mesa. — Não se divirta muito sem mim. — Acenou e saiu.
Quando anoiteceu Waverly veio para o hospital passar a noite comigo. Todo mundo continuava revezando para eu não ficar sozinha, embora depois de uns dias não fosse mais necessário.
Olivia trabalhava na parte administrativa de uma agência de viagens e tinha conseguido as passagens para Espanha sem data definida. Eu queria que a Waverly tivesse a chance de conhecer a avó, mesmo que nunca mais fossem se ver. Também era possível que a Aurora soubesse de mais informações sobre a maldição, como eu não sabia o que estava acontecendo, tentei ajudar de alguma forma.
Eu não tinha ficado nada feliz de saber que minha irmã e a Waverly tinham saído e não me contado antes. Fiquei pensando se ela não tinha saído com outras pessoas também, mas de outra forma e esses pensamentos me deixaram um pouco chateada.
— Ei, chegou cedo. — Abaixei o livro que eu estava lendo na cadeira para olhá-la.
— Senti sua falta. Às vezes eu esqueço que você está aqui e vou na sua sala para te ver e tem outra pessoa lá agora. — Sorri colocando o livro na mesa e puxei pelo braço. Ela se sentou em minha perna boa e me beijou.
— Também senti sua falta. — Ela sorriu, mas não estava feliz. Colocou a cabeça em meu ombro e eu a abracei. Depois de um tempo nessa posição resolvi perguntar. — Aconteceu alguma coisa?
— Estou cansada, treinei com a Wynonna por 3 horas seguidas hoje e depois teve uma denúncia, a gente foi atrás de um retornado... — Levantei o rosto dela e a encarei, sabendo que não era aquilo. — Ok, eu lembrei de uma coisa que me deixa um pouco triste, mas daqui a pouco passa. — Voltou a deitar em meu ombro.
— Você não deveria estar feliz porque amanhã é seu aniversário? — Perguntei tentando olhar para ela. Ela levantou o rosto franzindo a testa. — O que foi? Não é amanhã? — Perguntei confusa. Não era como se eu tivesse certeza do dia que a gente estava, todos os dias eram iguais. — Amanhã não é dia 08?
— Quem te falou meu aniversário? — Perguntou antes de me responder qualquer coisa.
— Você, depois que eu perguntei seu signo. Fiquei preocupada agora, não é amanhã? — Ela confirmou com a cabeça 4 vezes antes de encostar os lábios nos meus e me beijar com vontade. Segurei sua cintura e entrelacei meus dedos em seu cabelo, ela colocou a mão em minha nuca e a outra em meu quadril. — Desculpa, ainda fico com um pouco de falta de ar. — Encostei minha testa na dela.
— Não tem do que se desculpar. — Tirei a perna engessada da cadeira.
— Me ajuda ir para a cama? Fiquei muito tempo sentada, minha coluna começou a doer de novo.
— Claro. — Apoiei o braço em seu ombro e dei os três passos até a cama e me deitei.
— Posso te perguntar uma coisa? Mas não ache que eu estou te cobrando explicações, ok? Você sai com quem quiser e a hora que você quiser, mas... — Fiquei em silêncio por alguns segundos para ter certeza se ia falar.
— O que foi, Nicole? — Cruzou os braços. — A gente vai brigar de novo?
— Não, claro que não. — Segurei a mão dela. — Deita aqui comigo. — Me afastei um pouco e ela se deitou de lado comigo. — Eu só... — Tentei conter o tom chateado — só queria saber por que você saiu com minha irmã e não me contou.
— Ah, isso. Eu não saí com ela. — Se sentou na cama para me olhar melhor. — Eu estava no shortys com a Rosita ajudando a nova dona arrumar lá, para que ela deixasse a gente continuar usando o porão. Sua irmã chegou, eu tinha acabado de terminar, então eu e a Rosita nos sentamos com ela, ai a Wynonna chegou, começou a brigar com a Rosita porque ela tinha dormido no celeiro de novo... enfim, foi uma confusão por causa do Doc. Eu quase não falei com ela. — Claro que a Rosita tinha que estar no meio.
— Ah. Ok.
— "Ok" não. Lembra que não é assim que a gente resolve as coisas? Se alguma coisa te incomoda você fala, a gente conversa e resolvemos. O que foi?
— É que parece que eu estou perdendo uma parte da sua vida ficando aqui, você está sempre com a Rosita e agora fico sabendo pela Natalie que vocês conversaram.
— Ei, eu sei que você está desconfortável de ficar aqui no hospital, mas eu estou com você, em todos os sentidos, não importa se eu estou num quarto sozinha com o Champs ou no porão com a Rosita.
— Você não fazer algo, não te impede de sentir. Você sente algo por ela?
— Por que você insiste na Rosita? Você quer que eu pare de ir ao laboratório dela?
— Eu nunca pediria algo assim.
— Só não quero que toda vez que eu precisar ir encontrá-la você ache que está acontecendo algo entre a gente. Eu não sinto nada por ela. Você implica com ela à toa, ela é doida pelo Doc e eu sou doida por você. Não tem espaço para outra pessoa.
Estava assistindo série no notebook da Natalie quando Hannah entrou no quarto com um balão em formato de coração e um cupcake. Waverly cochilava em meu ombro, fingindo que estava assistindo comigo. A enfermeira me entregou o que trazia, eu agradeci e saiu. Amarrei o balão na cama e tentei acordá-la. Ela resmungou antes de abrir os olhos.
— Ei, feliz aniversário. — Ela me olhou e sorriu. — Para você. — Entreguei o cupcake. — Ela passou o dedo no chantily azul e rosa, passou em meus lábios e me beijou.
— Obrigada. — Pegou o cupcake da minha mão — Obrigada por ter lembrado.
— Nunca esqueço nada que envolva você. — Ela afundou o rosto em meu pescoço e me abraçou.
— Essa é a primeira vez que alguém planeja algo para mim e a primeira vez que eu não tenho que avisar. — Colocou o cupcake na mesa e pegou o celular. — Aposto que a Wynonna está acordada e não vai me mandar nenhuma mensagem. — Eu tinha avisado a Wynonna mais cedo.
Wynonna (00h01): Ei, babygirl. Feliz aniversário! Te vejo mais tarde na delegacia?
— Ok, você a lembrou, não lembrou? — Se sentou de frente para mim me mostrando a mensagem.
— Eu posso acidentalmente ter dito algo ontem a noite...
— É uma pena... — Começou a passar a mão lentamente em minha barriga — que você — beijou minha bochecha — ainda — começou a subir a mão bem devagar — esteja aqui.
— Isso não é nada justo. — Respirei fundo a olhando nos olhos, coloquei a mão em sua nuca puxando para beijá-la.
Acordei no dia seguinte, ela já tinha saído para trabalhar, mas me deixou um bilhete na mesa que ficava ao lado da cama e uma anotação nos lembretes do meu celular. (Entre aqui para ver os bilhetes https://twitter.com/_Astronautaa/status/929115987387002880) Depois do almoço Natalie apareceu lá no hospital com a Clarissa.
— Então, a gente fez o que pode. Acho que ela vai gostar. — Avisou Natalie sobre a festa. — Charlie veio me fazer companhia na festa e a Clarissa veio... só veio. Penetra mesmo.
— Eu que chamei. Ela adora a Waverly. — Olhei para a porta — Mas cadê o Charles?
— Ele parou em vaga proibida para não pagar estacionamento e está lá esperando você receber alta. — Informou Clarissa. — O estacionamento daqui custa 20 realidades por duas horas. É um absurdo. Por esse valor eles tinham que ensinar o carro a se lavar sozinho. — Se sentou na cama com uma canetinha e escreveu no gesso "Capitã do ship Wayhaught, Clarissa Cohen".
W(16h22): O Dolls disse que você pediu para pegar algo em sua casa. Eu podia ter ido para você.
N(16h23): Achei que você ia sair para beber com alguém, não quis atrapalhar. Você não pode ir com ele? Depois vem os dois para o hospital.
W(16h31): Não. Prefiro ir direto para o hospital.
— Gente, a Waverly vai estragar a surpresa. Natalie, pede para a Chrissy ir à delegacia enrolar a Waverly. O médico ainda não veio e eu tenho que estar em casa quando ela chegar lá.
— Ela não pode chegar antes das 20. Foi a hora que a Chrissy mandou para as pessoas.
— Só espero que o médico chegue logo.
— E você pretende ir assim? — Eu estava com a camisola azul do hospital.
— Eu estou com isso há tanto tempo que já incorporei. — Elas se olharam e começaram a me puxar para fora da cama.
— Você está com uma perna machucada, mas a outra está ótima e você vai por salto. — Disse Natalie
— Olha minha altura, agora me diz se eu preciso de salto. — Levantei da cama e peguei a muleta.
— Não precisa ir de salto, desde que se arrume, não aguento mais você de azul. — Me entregou a sacola que ela tinha deixado no chão ao entrar. — Eu sabia que você não tinha comprado nada para você vestir na festa, então eu comprei para você. De nada. — Natalie olhou para ela parecendo um pouco chateada dela me conhecer melhor.
Antes que eu pudesse começar a me trocar, o médico entrou no quarto e me fez assinar os papéis da alta médica, alguns a Natalie teve que assinar também. Depois me passou alguns remédios para dor. Minha coluna ainda doía, parte por causa do "trauma", parte por ter ficado muito tempo deitada. Me levaram de cadeira de rodas até o carro. Logo estava em casa. Elas realmente tinha decorado e pensado em tudo.
Chrissy ficou na porta recebendo as pessoas. Tocava músicas dos anos 80,90 e 2000. Mattie tinha conseguido enrolar Waverly mostrando algumas fotos de família. Dolls ficou de avisar quando eles estivessem vindo. Algumas pessoas já haviam chegado e estavam bebendo. Wynonna, Rosita e Doc faziam competição de quem terminava com a garrafa de cerveja primeiro. Eu não podia beber por conta dos remédios. Triste.
— É sério, depois da primeira palestra motivacional que eu dei, os sócios da empresa me forçam a fazer uma por mês em várias unidades. Às vezes eu acordo irritada e tenho que fingir que está tudo lindo. Devia ter virado atriz, sério. É cada coisa que a gente faz por dinheiro que nem sei contar.
— Ah, Clarissa, mas quando você quer persuadir alguém, encorajar ou animar você consegue. Sempre.
— Own. — Se levantou veio me abraçar. Meu celular começou a vibrar, era o Dolls avisando que já estavam chegando. Apagamos as luzes e desligamos a música. Todo mundo em silêncio na sala. Dolls começou a falar mais alto para gente saber que era ele que ia entrar primeiro. Mattie e Waverly entraram em seguida. Waverly de frente para Mattie, que estava de frente para a gente.
"Surpresa!!!"
Waverly gritou de susto e olhou para trás. Wynonna me ajudou a levantar e fomos até ela. Ela nos abraçou ao mesmo tempo, tentando associar que aquilo era realmente para ela. Depois ela soltou a Wynonna e me abraçou. Gus a cumprimentou em seguida.
— Te ajudaram a fugir do hospital? — Me deu um beijo sorrindo e foi cumprimentar as pessoas que faziam uma roda à sua volta. Mattie veio falar com a gente e depois foi pegar algo para beber.
— Agora vocês podem ir lá fora. — Gritou Chrissy abrindo a porta dos fundos. Esperei todo mundo sair e depois eu fui ver o que tinha lá. Antes que eu pudesse ver, Waverly veio correndo para me abraçar e agradecer. Eu não sabia porque ela me agradecia, só concordei e sorri.
— Esse com certeza é o melhor aniversário que eu já tive. Vem jogar comigo! — Passou o braço por baixo do meu e me conduziu para fora da cozinha, então eu pude ver uma cama elástica, uma máquina de algodão doce e um tabuleiro de xadrez gigante. — Vem, você fica na rainha comigo. Doc sentou no lugar do Rei no lado do time oponente. Começaram a gritar que ele tinha que ficar em pé. Wynonna subiu na peça de plástico do cavalo no time do Doc e encarou a Waverly. Dolls tirou a peça do rei do nosso lado e ficou no lugar. Enfermeira Hannah subiu no cavalo do time da Wynonna, Clarissa e Olívia os bispos do meu time, Chris e Charles também, mas do time oposto. Rosita ficou no lugar da rainha ao lado do Doc. Lindsay, a nova dona do Shorty's ficou na torre ao lado da Wynonna.
— Se a Rosita ganhar esse jogo também, eu nem sei o que eu sou capaz de fazer. — Disse Wynonna em voz alta. Rosita a olhou com cara de ironia.
— Sabe que a gente está no mesmo time, né? — Perguntou.
— A gente nunca está no mesmo time. — Respondeu Wynonna esperando o resto o pessoal se posicionar. Natalie passou distribuindo cerveja para todo mundo.
— Quando vocês estiverem bêbados o jogo vai ficar mais interessante. — Constatou Natalie ficando em pé em um banco. — Eu vou ficar responsável pelas peças Negras, o time da minha irmã e quem fica responsável pelo outro lado?
— Eu fico. — Perry levantou o braço com uma garrafa de cerveja pela metade e subiu no outro banco. — Peão E4. -Apontou para qual ele queria.
— Peão E5.
— Você sabe que poderia ter escolhido a rainha? — Perguntou Rosita para Wynonna.
— Cavalo, Wynonna- F3. -Apontou Perry.
— Com o Doc de rei? É uma piada?
— As peças não têm ligação. Você sabe que eu como rainha vou fazer o xeque, né? — Entregou a garrafa vazia para a Natalie e ela deu uma outra cheia.
— Peão F6. -Apontou Natalie.
— Duvido você ser boa em xadrez também. — Falou Waverly dando um gole na cerveja. Rosita chamou o Perry e falou algo em seu ouvido. Ele olhou o tabuleiro e concordou.
— Se eu der xeque o que você vai fazer? — Perguntou Rosita para Wynonna.
— Se você der xeque eu dou 4 rodadas de cerveja para você e mais 3 pessoas que você quiser. — Disse Lindsay olhando para Rosita e depois para Wynonna. Wynonna olhou para ela percebendo que ela tentou resolver a situação.
— Wynonna derruba peão na E5.
— Eu devia ter sido a Dama com tanta vantagem assim. — Comentou Wynonna olhando para trás.
— Você não precisa disso...- Respondeu Lindsay sem desviar o olhar. Waverly me olhou para confirmar se eu também tinha percebido o tom.
— Peão da F6 derruba Wynonna. — Riu Natalie olhando para mim. Mexi com a boca a frase "É melhor você correr agora enquanto dá tempo."
— Dolls E7.
— Agora que você está em casa, a gente já pode testar os degraus de novo? — Perguntou Waverly no meu ouvido.
— Waverly! — Ri olhando o jogo e para ela. Ela ficou me olhando esperando uma resposta. — A gente pode testar qualquer lugar desde que seja aqui embaixo. — Apontei para a perna. — Aliás, preciso sentar. Isso pesa. — Dei um beijo rápido nela e sentei na cadeira que estava perto do tabuleiro. Wynonna tinha xingado Natalie enquanto a gente conversava e foi beber algo mais forte na sala.
— F6 derruba cavalo na E5.
— Rosita H5 — Disse Perry
— Quem bebeu está proibido de entrar na cama elástica. — Gritou Chrissy.
— Rei E7
— Nicole, sua irmão não sabe jogar. Ela acabou de cair numa cilada. — Comentou Clarissa parecendo irritada.
— Se você é tão boa, então faz melhor. — Respondeu Natalie.
— Dama derruba E5
— Só começando de novo. — Tripudiou Clarissa colocando a peça no lugar dela e saindo do jogo com a Olívia. Perry sorriu sabendo que estava vencendo e que ela não ia poder fazer nada sobre o assunto.
— Rei F7. — Disse Natalie.
— Henry não quer dar nenhum palpite de jogada? — Perguntou Charles puxando a Natalie para ele.
— Eu só vim pela bebida. — Respondeu Doc.
— Eu ouvi isso! — Reclamou Waverly jogando a tampa da garrafa nele.
— F1, Charles. Vai pro C4.
— Desculpa, Waverly, por você também. — Tirou o chapéu e colocou de novo.
— Rei, Dolls. G6.
— Dama F5. — Apontou Perry
— Vai lá, Rosita. Arrasa! — Gritou Lindsay batendo palma. Rosita olhou para ela rindo, terminou de beber e só depois andou.
— Rei H6. — Wynonna olhou da porta como o jogo estava e voltou para dentro quando viu que a Rosita estava no meio dele.
— Peão D4. — Olívia voltou para o jogo, Clarissa foi para a parte de dentro da casa. Olhei para as duas e achei estranho. Elas tinham brigado?
— Peão G5. Apontou Natalie. — Peguei o celular e comecei a mandar mensagens para Waverly "Seus irmãos te enviaram uma carta".
— Peão H4. — Waverly respondeu a mensagem olhando para mim "O que diz?"
— F8, Olívia vai pro B4. — Respondi a mensagem "Não abri, é sua. Depois eu te dou."
— Peão do C2, vai pro C3. — Disse Perry. Waverly me mandou outra mensagem "Agora estou curiosa."
— Bispo da D4, vai pro E7. — Mandei de volta "Espero que tenha algo da sua avó".
— Peão da H4, derruba o G5. — Disse Perry — Waverly finalizou com "Também espero."
— Rei G7.
— Dama... — Começou Perry.
— Xeque-mate. — Informou Rosita
— Grande partida, a gente nem se mexeu. — Reclamou Waverly saindo do tabuleiro e sentando ao meu lado. Outras pessoas foram jogar. — Fica brava se eu for ali sem você? — Apontou para a cama elástica.
— Claro que não, pode ir. — Peguei o celular para gravar. Ela entrou em casa gritando pela Wynonna, antes delas subirem no brinquedo, Wynonna deixou a peacemaker com o Doc. Liguei a câmera do celular e comecei gravar as duas.
"Resolveram fazer uma festinha e não me convidaram, depois de tudo o que eu fiz por vocês? Mas não tem problema, eu vim assim mesmo!" — Ouvi uma voz conhecida falando atrás de mim. As duas pararam de pular quando viram quem era. Doc não estava muito perto.
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