Notas iniciais
Esse capitulo é dividido em duas partes. 1º Narração da Nicole 2º Narração do Dolls. > Espero que gostem (muito) nessa parte. < —---------------

Olhei para o pescoço de Wynonna e de Waverly, ambas usavam o colar de ammolite, não fazia sentido Bobo ter conseguido entrar ali. A gente voltou a ter medo dele? Por que ele estava na festa da Waverly?

— O que você está fazendo aqui? — Perguntou Dolls olhando para Bobo e outros dois caras atrás dele.

— Excelente pergunta. Sugiro que você a faça para seu amigo Doc Holliday. — Respondeu passando um canivete entre os dentes. Todo mundo olhava para ele. Bobo parecia apreciar toda aquela atenção.

— Doc? — Wynonna olhou para ele e tentou sair da cama elástica, mas Bobo levantou uma arma para ela a repreendendo. Doc permanecia em silêncio, parecendo culpado.

— Já que o amigo de vocês está com vergonha de falar, eu falo. — Bobo deu um passo a frente, vindo em minha direção. Dolls estava armado, mas a arma dele não ia ser suficiente. — Doc sabe que eu não quero que essa maldição acabe e me propôs que além de acabar com os poderes da Constance Clootie, daria um fim a Peacemaker. — Apontou para o objeto citado que estava em posse do mesmo. — Parece que — deu outro passo em minha direção — uma das coisas você conseguiu hoje... Mas enterrar a Constance e depois tirá-la de lá não foi muito inteligente.

— Como você consegue ficar perto de Ammolite? — Waverly perguntou. Bobo olhou para Rosita, essa franziu a testa não entendendo.

— Parece que sua amiga fazia algumas experiências para a Mattie e anotava, só precisei fazer um "antídoto". — Mostrou um anel azul brilhante.

— Eu juro que eu não sabia, Waverly. — Rosita se desculpou ainda no tabuleiro de xadrez. — Waverly ignorou o comentário quando Bobo deu mais dois passos para frente ficando ao meu lado. Um dos rapazes apontou uma arma em direção ao tabuleiro.

— Agora vamos ao que interessa. — Pegou o canivete e passou lentamente em meu braço. Enquanto mantinha a arma apontada para minha garganta.Gemi de dor e fechei os olhos por alguns segundos. — Doc vai entregar pacificamente a Peacemaker para meu amigo ali. — Apontou.- Depois vocês podem continuar com a festa normalmente, porém levarei alguém comigo como garantia que não vão me seguir. — Colocou a mão que segurava a arma no coração — Mas prometo que não vou machucar ninguém, dessa vez. — Waverly desceu da cama elástica correndo em minha direção, Bobo a encarou enquanto aumentava o corte eu meu braço.

— Waverly, não. — Pedi olhando a manga da minha blusa de frio encher de sangue.

— Faz o que você quiser comigo, mas não faz nada com ela. — Implorou Waverly ficando ao meu lado.

— NÃO! — Gritei junto com Wynonna. — Não encosta nela. — Completei.

— Leva a peacemaker, mas não chega perto da Waverly! — Bobo respirou fundo como se estivesse entediado e fez sinal para o amigo pegar a peacemaker. Doc olhou para Wynonna pedindo autorização para realmente fazer isso, ela confirmou com a cabeça. Dolls levantou a arma para atirar no rapaz que estava com a peacemaker.

— Ele não é retornado e eu ainda estou com sua agente nas mãos. Joga a arma no tabuleiro. — Dolls não obedeceu, Bobo ameaçou me fazer mais um corte, fechei os olhos por alguns segundos, Waverly tentou impedir o ato e cortou a mão, quando olhei para o lado quem estava com a peacemaker não estava mais lá. Bobo apontou para Clarissa e pediu para caminhar até ele, ela obedeceu e ele a usou como escudo para sair dali. Eu mal conseguia respirar, ele tinha levado minha melhor amiga. Waverly levantou minha manga para ver a profundidade do corte, não parecia nada muito sério, mas ainda sangrava um pouco.

Wynonna encarou Doc por alguns segundos e entrou em casa com raiva. As pessoas começaram a ir embora, ficando Olívia, Wynonna, Chris, Charles, Waverly e Gus. Doc levou o Dolls para fora da festa para conversar enquanto tentavam achar Clarissa.

— Eu avisei a placa do carro para o xerife antes de saírem daqui, então daqui a pouco ele liga para dizer onde estão. — Avisou a Gus.

— Quando você fez isso, tia?- Perguntou Waverly.

— Eu estava aqui dentro o tempo todo. — Respondeu como se já tivesse lidado com isso outras vezes e não fosse surpresa. Se sentou no sofá com uma lata de cerveja na mão e ficou olhando para gente como se estivesse tudo resolvido.

— Eu estava tão perto... — Reclamou Wynonna batendo a porta da frente ao sair. Waverly me olhou e olhou para a porta.

— Tudo bem, vai atrás dela.

Algumas horas depois Nedley me ligou dizendo que Clarissa estava na delegacia e inteira. Bobo e os outros dois homens haviam fugido. Charles me levou com Waverly até lá e os outros foram em outro carro. Clarissa conversava animadamente com a moça que estava em meu lugar. Olívia e Charles correram para abraçá-la. Ela repetiu diversas vezes que estava bem, até eles a largarem.

— Oficial Brooks, minha avó está lá embaixo? — Perguntou Waverly.

— Não, o Dolls levou ela e a Dini outro dia, quando voltou não as trouxe de volta. — Deu a volta e se sentou em minha mesa.

— Bom, Nicole... falei com sua mãe e ela disse que se você não viesse comigo ela viria te buscar. Pelo menos enquanto você estiver com a patinha quebrada, é para você voltar para casa. — Informou Olívia. Waverly me olhou pensativa depois assentiu.

— Não vou nem questionar.

— Sabe? Se eu não tivesse visto aquela cena toda, nunca ia acreditar que aquele cara era mau, ele foi tão legal comigo, até me deixou ganhar no pôquer. — Comentou Clarissa enquanto a gente andava até o carro. Olívia me ajudava a andar.

— Por que vocês jogaram pôquer? — Perguntou Olívia parando no caminho.

— O cara que pegou a arma precisava fazer alguma coisa e a gente ficou esperando no carro. — Voltamos a andar. — Eu perguntei se ele era do tipo de cara que queria dominar o mundo, ele disse que não precisava disso, então eu disse que ele parecia um líder, dei dicas de como ele poderia melhorar o potencial dele e ele me comprou um sanduíche.

— Você deu dicas de comportamento para o Bobo del Rey? — Perguntei sentando no banco de trás.

— Sim. A gente comeu o sanduíche jogando pôquer. — Se sentou no banco carona. Waverly se sentou ao meu lado, Olívia foi dirigindo.

— Você é a melhor pessoa que eu conheço, Clarissa. — Comecei a rir. Waverly me empurrou reclamando. — Oops.

Olívia estacionou o carro em frente minha casa e subi com Waverly para meu quarto. Peguei algumas roupas no guarda-roupas e ela ficou parada olhando para mim, encostada na parede. Olhei o relógio, ainda era aniversário dela. Joguei as últimas roupas na mala e a coloquei no chão. Segurei a cintura dela e encostei minha testa na dela.

— Semana que vem eu volto para tirar o gesso.

— Vou sentir sua falta, mas eu sei que é melhor você ficar com sua família. — Encostou a mão em meu rosto delicadamente.

— Antes de ir e antes que acabe seu aniversário, preciso te dar seu presente. — Abri minha bolsa em cima da cama.

— Você já me deu o melhor presente, não precisa de mais nada. — Andou até onde eu estava, segurou minha nuca e me beijou. Pressionou meu corpo contra a cama e me sentei, ela continuou me empurrando até se deitar sobre mim. Coloquei as mãos em sua cintura por baixo da blusa.

Seu celular tocou, era Wynonna. Waverly colocou no viva-voz.

"Waverly, babygirl, presta atenção. A Dini está atrás de mim e é possível que ela vá atrás de você também. Fuja enquanto pode. Eu... " — Ligação interrompida.

— Wynonna? Wynonna? — Se levantou — Desculpa, eu preciso achá-la. Me liga quando chegar na casa da sua avó. — A ouvi descer as escadas correndo. Tentei ligar para Dolls e Doc, ninguém atendeu.

Narração do Dolls — Flashback

Eu tinha acabado de sair do hospital, Nicole havia entrado em cirurgia, estava em estado crítico pela segunda vez, embora os médicos tivessem dito que ela estava muito machucada e que não corria risco de morte, minha vontade era de pegar quem fez isso com ela e matá-los.

Wynonna estava presa, a única pessoa disponível era o Doc e em caso de emergência a Rosita.

Cheguei à delegacia, no porão estavam Constance e Dini. Quando passei pela recepção, Dickenson disse que o Champs havia deixado uma caixa para Waverly. Mandei uma mensagem para Waverly e ela me disse que eu podia abrir, pois dias atrás ele havia dito a mesma que antes do Curtis morrer tinha enterrado algumas coisas na floresta onde eles costumavam caçar e que talvez fosse de interesse dela. Abri a caixa e eram pergaminhos escritos em uma língua que eu não conhecia, normalmente quem cuidava dessa parte era a Waverly. Levei a caixa para Mattie, mas não adiantou muito, só ficamos sabendo que se tratava de maldições e quebra de maldições, mas quais? A única pessoa que poderia ler aquilo talvez fosse a Constance, mas era um risco enorme entregar aquilo para ela. Ela poderia lançar outra maldição.

Constance com certeza faria um acordo para salvar Dini e Dini depois de ser salva poderia nos fazer um pequeno favor. Comecei a pensar em que tipo de acordo eu poderia fazer com elas e quem eu salvaria primeiro.

Wynonna estava presa e se alguém resolvesse matá-la ali, ninguém ia impedir, muito pelo contrário ajudariam se precisasse. Sem a Wynonna os retornados estavam fazendo a festa por ai, cada um com seu poder específico. Em poucos dias a cidade estava começando a ficar um caos e era provável que o fim fosse igual em Maldito. Nicole, por outro lado, apesar de machucada, não corria risco de morte, a foto dos caras estava espalhada por toda cidade e sempre tinha alguém lá no hospital com a oficial. Resolvi que salvaria primeiro Wynonna, embora ela fosse minha primeira opção, eu fui racional para ter certeza que estava fazendo o certo, mas com certeza eu ainda ia dar uma boa lição naqueles cretinos.

Cheguei ao porão com a caixa. Constance, cheia de sal, me encarava com raiva.

— A gente precisa fazer um acordo. — Avisei. Ela parecia me ouvir atentamente.- Sua tataraneta ama a Wynonna e não quer perder a irmã. Parece que eu tenho aqui o que sua amiga precisa e eu preciso dela para tirar a Wynonna da prisão, afinal seu marido lançou uma maldição e a cidade está um caos por causa dele. — Ela cuspiu no chão como se não tivesse aprovado o acordo. — Eu posso fazer o acordo só com ela e acho que ela não vai se opor a te obrigar a ler esses rolos para o exorcismo ser realizado. Ou eu posso sumir com a Waverly, já que ela é uma peça fundamental para quebrar a maldição inteira, aparentemente. — Dini tentava entender o que acontecia dentro da caixa a prova de som. Eu não sabia se usar a Waverly naquela situação ia surtir algum efeito, mas eu precisava tentar.

— O que você quer por eles? — Perguntou me olhando com desdém, amarrada à cadeira.

— Dini precisa falar com o Juiz, ele precisa assinar os papéis de soltura da Wynonna. — Abri a caixa — Eu não sei o que está escrito aqui, então se isso for uma nova maldição e você a lançar, vou ser obrigado a te matar. — Ela riu, como se eu tivesse contado uma piada hilária.

— Eu sou imortal, agente Dolls.

— Veremos. — Peguei um pergaminho — Te dou um antes dela ir e outro quando ela voltar.

— Mas são três. — Afirmou, desconfiada.

— Não sei se um complementa o outro ou se são para coisas diferentes, também e não sei qual serve para quebrar a maldição. Vamos torcer para o que sobrar não seja o que você procura. — Fechei a caixa — Vou te dar 1 hora para pensar, temos que falar com o juiz ainda hoje. — Sai de lá e fui para a sala da BBD. Meu telefone tocou, Penitenciária feminina. Aceitei.

"Dolls! A Waverly está com você?"

"Não, estou sozinho na BBD. Aconteceu alguma coisa?"

"Tem um retornado aqui, preciso falar com a Waverly. Me tira daqui, Dolls."

"Estou tentando, talvez eu consiga algo hoje. Consegue esperar mais algumas horas?"

"Dolls!!! Eu só tenho mais duas horas!"

"Já estou a caminho."

Corri até o porão com a caixa, parei de frente para a Cece e pedi para ela escolher um.

— Já teve muito tempo para pensar. Ela vai ajudar a gente? — Apontei.

— Acho que sim, mas não tenho como falar com ela com esse vidro a prova de som. — Peguei uma bandana e passei por onde deixavam a comida da Dini e fiz sinal para ela colocar nos olhos. Depois que ela fez o que eu pedi a tirei de lá e Constance contou bem resumidamente o que ela ia precisar fazer enquanto ela traduzia o pergaminho. Dini concordou, parecia fraca. Era possível que o bebê estivesse tirando boa parte da energia dela. Constance continuou amarrada dentro da cela e levei Dini até o juiz, quando desliguei o carro, já tinha dado todas as orientações para ela, caso ela comprisse o que prometeu, daria tudo certo. Tirei a venda.

Dini ficou frente a frente com juiz e disse "Você acredita na inocência de Wynonna Grace Earp e vai soltá-la ainda hoje." Estávamos na escada do tribunal, ele deu meia volta. Alguns minutos depois Gus ligou para Waverly para pedir que ela fosse buscar a irmã. Waverly me ligou logo depois para me contar, enquanto Wynonna gritava do outro lado da linha que era uma mulher livre. Agradeci Dini, a levando de volta para a delegacia. Provavelmente sentia muita dor, não contestou nada do que eu disse nenhuma vez.

Quando cheguei na delegacia, Constance parecia impaciente.

— Isso que você me deu é uma receita, não serve para nada sem o começo. Essa era a última parte.

— Isso quer dizer que eles são sequenciais. — Abri o cubículo onde Dini ficava e a fiz entrar, ela olhou para mim e ameaçou falar, fechei os olhos e logo a porta de vidro com ela dentro. Ela podia ter falado qualquer coisa durante o caminho todo, mas não disse, fazer contato visual era perigoso com ela. Peguei os dois pergaminhos que restavam e mostrei para Constance. — Direita ou esquerda? — Dini começou a bater no vidro, havia sangue. Ela estava morrendo. Eu podia terminar aquela tortura dando os dois rolos para Cece e correr o risco de não conseguir mais nenhum favor ou deixar que ela morresse dolorosamente. Peguei a caixa e entreguei para Constance. — Rápido.- Pedi. Se a bruxa de Stone conseguisse quebrar a maldição ou pelo menos a parte de separar o demônio do corpo humano, ajudaria naquela situação. A abri a porta de vidro novamente e a tirei de lá.

— Me dá uma caneta e um papel. — Gritou, tentando ultrapassar o volume dos gritos da Dini. Peguei o que ela pediu. — Preciso que você me traga isso. Se vira. — Olhei o papel, não fazia ideia do que eram aquelas coisas. Dini se deitou no chão do lado de fora da redoma me puxando pelo braço, enquanto gemia de dor.

— Solta a bruxa. — E eu olhei em seus olhos obedecendo prontamente. Tranquei a porta do porão e sai, apesar de achar que se Constance quisesse abriria com facilidade. Liguei para Mattie e passei o que eu precisava, ela tinha parte das coisas, mas outras não existiam mais ou eram muito raras. Inclusive informou que a Rosita tinha tentado reproduzir um dos elementos, em laboratório, mas ainda não tinha chegado a uma fórmula final. Liguei para Rosita, talvez ela pudesse tentar novamente. Fui ao Shorty's, algumas horas depois ainda estávamos na estaca zero. Entrei no Mercado Livre por desencargo de consciência, claro que não encontrei o que precisava. Fui obrigado a recorrer à Deep Web, quando eu terminava de digitar o código para acesso, Jeremy me ligou. Jeremy era um dos químicos da BBD.

"O cara que você trouxe para a Lucado está fora de controle, dá para vir ajudar a gente?"

"Depende, vou te passar umas coisas por mensagem, se você me disser que consegue reproduzir isso em laboratório eu vou e tiro vocês daí."

"Dolls, ele vai ma..." — Desliguei e mandei o que eu precisava por mensagem. Ele me respondeu em seguida com "Já estou fazendo, me tira daqui!"

E eu achando que a Lucado tinha prendido o retornado, que eu tinha pego com a Nicole, em um lugar seguro...

Liguei para Wynonna.

"Eu sei que você deve estar eufórica de estar de novo em casa, mas eu preciso de você e da Peacemaker. Está pronta para voltar a ação, Earp?"

"Eu nasci pronta, Agente Dolls!"

"Te busco em 20 minutos."

Chegamos logo na sede da BBD e na entrada vimos dois seguranças caídos. Desmaiados ou mortos? Verifiquei, desmaiados. Entramos o mais silenciosamente possível, cada um com sua arma na mão, olhando para os lados a cada segundo. Os gritos da Lucado começaram a ficar mais altos. Passamos do corredor para o galpão, onde havia algumas caixas grandes que serviam de prisão. O retornado tentava abrir a porta da caixa, Lucado estava lá dentro, então Jeremy estava no laboratório. O retornado conseguiu abrir a porta e puxou Lucado de lá, mordendo o braço dela com vontade, o grito foi estridente. Se Nicole estivesse lá, estaria brigando comigo, porque Waverly brigaria com ela mais tarde. Virei para o lado para fazer um sinal para Wynonna, mas ela já não estava mais lá, olhei para frente e sua voz logo preencheu o lugar "Eu sou Wynonna Earp e isso acaba agora!", apontou a peacemaker para a testa dele e atirou. Lucado a olhava com os olhos arregalados, nunca tinha visto um retornado ou demônio ser morto, apenas desmembrado.

— Obrigada. — Disse Lucado, se levantando do chão, com o braço respingando sangue.

Entrei no laboratório, Jeremy tinha separado alguns frascos, mas ainda fazia alguma mistura com líquido azul.

— Tenho quase tudo pronto, mas esse para chegar no ponto que você precisa pode demorar algumas horas. Foi o máximo que eu consegui fazer, o prazo normal é de um dia. — Jeremy avisou e eu resmunguei enquanto ligava para Rosita. Ela apenas confirmou a informação que ele disse, mas não deu nenhuma dica de o que poderia ser útil para acelerar aquele processo. Liguei para Mattie. Nada de diferente. Peguei o que estava pronto e voltei para a delegacia. Dini parecia estar dormindo, Constance se levantou.

— Trouxe? — Entreguei o que eu tinha.

— Falta um, só vou conseguir te trazer de madrugada. — Sentei na cadeira, exausto.

— Não consegue fazer nada direito. — Reclamou e foi olhar se Dini estava respirando. — Se ela morrer a culpa vai ser sua. — Eu não precisava ouvir aquilo. Sai de lá em poucos minutos. Constance pegou dois potes vazios para misturar os pós e os líquidos. Voltei para minha sala. Meu corpo todo doía.

Wynonna levou Lucado ao médico, mas quando perguntaram o que aconteceu, tiveram que inventar que estavam em um parque ambiental e tinham alguns macacos-pregos com "raiva". Lucado ficou em quarentena.

Fiquei no laboratório com o Jeremy até amanhecer. Entre um bocejo e outro a fórmula estava pronta para o exorcismo.

Dini estava pálida e abatida, ainda gemia de dor. Constance parecia levemente preocupada, talvez fosse esse o máximo dela. Entregou um copo para Dini e a fez beber tudo, depois passou algumas gotas na barriga dela falando uma língua estranha. Dini desmaiou imediatamente.

— Saia! — Ordenou Constance. A olhei tentando entender porque ela estava me dando ordens. — Se isso sair dela, mas não morrer, vai procurar outro corpo para possuir. — Pensei por alguns segundos e saí. Voltei logo em seguida deixando um celular pré-pago ao lado de Dini.

— Quando terminar, me ligue. Único telefone da agenda. — Constance continuou falando coisas que eu não entendia. Saí da delegacia e vi dois rapazes distribuindo folders.

"Reinauguração do Shorty's, primeira vez sendo gerenciado por uma dama. Amanhã, não percam! Chopp pela metade do preço!"

Wynonna dobrou a esquina segurando o folder e ao me ver veio pulando mostrando que estava alegre com a notícia. Claro, bebida pela metade do preço para uma alcóolatra era como ganhar na loteria.

— Estou pronta para voltar a trabalhar e amanhã o dia promete. -Balançou o papel e andou para dentro da delegacia.

— Earp — Como eu ia dizer que estava rolando um exorcismo lá dentro sem que ela quisesse participar? Ela me olhou — Não prefere ir conhecer a irmã da Haught e voltar amanhã na hora certa? -Olhei o relógio, dando a entender que ela estava atrasada.

— Nicole tem uma irmã? -Deu longos passos até ficar de frente para mim.

— Pois é, aliás, sua irmã está péssima. Seria bom se você pedisse para ela ir para casa dormir, ela não sai daquele hospital. — Ela me olhou, entendendo o recado e começou a andar para o lado oposto.

— Mas amanhã você não vai se livrar de mim tão fácil! — Gritou no meio da rua. Eu senti falta dela, muita, mas ela não precisava saber, precisava? Não.

Constance tentou me ligar, mas não consegui atender. Liguei de volta, nada.

No dia seguinte, Wynonna e Waverly chegaram na hora para trabalhar. Nedley entrou na sala sem bater e parecia eufórico. Wynonna olhou para ele impaciente. O Xerife olhou para gente e contou que pegaram os caras que tinham batido em Nicole. Eles tentavam sair do triângulo de Ghost River por uma estrada de terra abandonada, mas antes de chegarem ao fim a polícia os parou por alta velocidade e os reconheceu.

— Estão trazendo os marginais para cá, mas eles serão transferidos para a cidade deles. -Avisou Nedley antes de sair da sala.

— Ah, não vão mesmo. -Corri até o porão esperando que as duas estivessem lá. Ao abrir a porta, vi Dini, mas não Constance Clootie.

— Foi procurar alguns morcegos para fazer uma sopa. -Respondeu, sentada numa cadeira, fora da redoma. Franzi a testa com a frase.

— Ela conseguiu? -Apontei para sua barriga.

— Você a subestimou muito, mas sim, meu bebê é uma coisa só agora, mas se sua amiguinha continuar querendo me matar, uma das duas vai morrer e pode ter certeza que essa pessoa não será eu. — Se levantou, era arriscado demais aquela aproximação, eu podia morrer só com uma palavra, ou matar alguém sem querer. Fiquei de costas, enquanto recolhia as revistas que Cece havia deixado jogadas na cela.- De qualquer forma, eu te agradeço por ter buscado e procurado tudo o que a Cece pediu.

— Que tal você me agradecer de outra forma?

Quando dei por mim, estava com Wynonna, Waverly, Doc e Dini em frente ao poço onde encontraram Nicole. Dentro do carro da polícia estavam os dois marginais. Os tirei de lá ainda algemados e os coloquei de frente para Dini. Disse para ela o que ela deveria dizer a eles e pedi que esperasse, Waverly não precisava ver a cena, nem Wynonna.

— É melhor vocês irem embora, não precisavam ter me seguido.

— Achei que ela tivesse te controlando. -Disse Wynonna preocupada. -Vai me explicar depois?

— Posso tentar. — Fiz sinal para o Doc as tirar de lá e depois que eles estavam no carro, orientei Dini que começasse a falar.

— Seu negro imundo, volta pro zoológico humano de onde te tiraram! — Gritou um deles, mas estava ocupada demais para responder.

— Fiquem parados e me ouçam com atenção. — Ela iniciou e eu tirei as algemas, deixando duas cordas no chão em seguida. — Começando pelo da direita, vocês vão fazer um com o outro, exatamente o que fizeram com a Oficial Haught, intercalando a cada 15 minutos, para que os dois apanhem o suficiente. Não se esqueçam do grande final, depois de 5 horas, caso ainda estejam vivos, deverão se jogar no poço. -Olhou para mim esperando minha aprovação, balancei a cabeça afirmativamente. — Podem começar. — O da esquerda pegou a corda, prontamente e começou amarrar o da direita...

Notas finais
-- Aproveitem que o próximo cap só sai dia 02/12/2017 e leiam minha fanfic (terminada) Emison (8 caps): https://www.wattpad.com/447144130-emison-em-8-tons-1-comment-dire-je-t%27aime Espero que gostem. Beijos.